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Luciano Pires -

Cara, a vida passa numa velocidade impressionante… mas a gente só percebe depois dos 50, 60 anos de idade. É quando olhamos pra trás e repensamos sobre aquilo que deixamos de fazer. Ou então quando acontece um trauma. Prepare-se. Hoje vai ser pesado…

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é a Brenda, de Poços de Caldas.

“Bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Brenda, eu tenho 18 anos e sou de Poços de Caldas, Minas Gerais. Eu acabei de ouvir o podcast 478, Suscetibilidade à negatividade e devido à fase que eu estou vivendo, de vestibulares e decisões sobre entrar na faculdade e decidir sobre o meu futuro, confesso que foi inevitável não associar a minha vida com ele. É ralmente incrível como… digamos… a parte negativa, sempre capta mais a nossa atenção. No meu caso, o pensamento de que no ano que vem mudarão várias coisas, me faz temer que tudo dê errado de alguma forma, ainda que eu não saiba bem aonde eu quero ir ou o que me tornaria feliz e realizada. Como você pode perceber, eu estou perdida. Eu escuto o podcast há quaser dois anos e ele foi muito importante na formação do meu caráter e desde então está me ajudando no meu processo de descobrimento de quem sou, do que posso fazedr pra melhorar onde vivo sabe, os pequenos passos que farão toda a diferença lá na frente. E sei que existem nuitas outras pessoas perdidas por aí, que ouvindo os seus podcasts, estão se encontrando, assim como eu. Obrigada por me fazer crescer e por me inspirar, como sempre fez. Abraços de uma sementinha que você está ajudando a cultivar.”

Pois é Brenda… estar perdida acho que é a situação normal de qualquer garota com 18 anos, não é? Anormal é já saber o que quer… Eu fico feliz de saber que o café Brasil possa estar jogando alguma luz em seu caminho. O programa de hoje mostra a luz que você tem e nem percebeu….

Muito bem. A Brenda receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. Brenda, use com prudência, viu? PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Em duas vozes. Lalá! Atenção!

Na hora do amor, use

Luciano e Lalá – Prudence.

Então… Você tinha motivos de sobra para achar que a vida estava difícil. Você reclamava da crise econômica que fazia com que tudo estivesse caro, dos juros exorbitantes. E os impostos então?

Você também estava inconformado com a situação do Oriente Médio: palestinos atacando judeus e judeus atacando palestinos. Você realmente ficava triste com aquela crise. Mas, lá no fundo, se sentia aliviado por ela estar acontecendo num lugar tão distante.

Você estava reclamando da instalação de novos pedágios nas rodovias. Do aumento do número de radares na cidade e do aparecimento de mais buracos nas ruas. E você também estava criticando o presidente, o governador, o prefeito e qualquer outra pessoa que estivesse ocupando um cargo público. Talvez você não se lembre porquê, mas com certeza, estava falando mal deles.

Não faltavam razões para você se lamentar. Como todo brasileiro, você tinha assistido às inundações no período das chuvas enquanto o nordeste ardia na seca. Puxa vida, até quando?

Mas você não era a única pessoa no universo a ter motivos para estar pessimista. Os norte-americanos tinham dúvidas sobre a capacidade do seu presidente. Os trabalhadores franceses estavam vendo seus salários serem reduzidos.

E o mundo todo vivia preocupado com os rumos da ciência. Naquela época, um grupo de pesquisadores estava anunciando que, em breve, começaria a produção do primeiro clone humano.

Era dia de pagamento. E, como não poderia deixar de ser, você passou o dia inteiro reclamando do seu salário, do seu chefe, do seu emprego. Definitivamente, foi um dia difícil. Aí, você foi dormir na esperança de que o dia seguinte fosse um pouco melhor.

Ah… Que dia era aquele mesmo?

Era 10 de setembro de 2001. Na manhã seguinte…

Outro dia, em minhas pesquisas, encontrei um site chamado www.vamosfalarsobreoluto.com.br . E nele um texto fantástico chamado “Vai viver, cara”, que vou usar neste programa. O publicitário Paulo Camossa, 50, se viu diante da fragilidade da vida depois de perder a filha Amanda, na época com 18 anos. Sete anos depois, ele tem uma resposta clara sobre como conseguiu dar um novo sentido à própria existência: nunca rompendo com a memória e tentando viver com a mesma intensidade que Amanda viveu.

http://vamosfalarsobreoluto.com.br/index.php/2016/01/09/vai-viver-cara/#.Vpdkout2CU4.facebook

As músicas deste programa são da playlist que Paulo fez com as músicas preferidas de Amanda. No roteiro deste programa no portalcafebrasil coloquei o link para a playlist: http://mandysoundtrack.blogspot.com.br/2014/08/amanda-sempre-gostou-de-musica-o-que-me.html

A primeira música é essa aí ao fundo O RELÓGIO, de Walter Franco…

O relógio
Walter Franco

Passa tempo, tic-tac
Tic-tac, passa hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
E já perdi toda alegria
De fazer meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

O texto traz um depoimento de Paulo para  Laura Capanema. Ele diz assim:

“Em nenhum momento achei que ela tivesse desaparecido. Aprendi a lidar com a dor enxergando a partida como algo natural, um pedaço da própria existência – a morte significa um novo jeito de existir. Nem sei com que frequência penso nela. Sei lá, todos os dias? Se eu escuto uma música que gostávamos de ouvir juntos, vou pensar em nós, claro, mas de um jeito diferente: ao invés de ‘eu queria que você estivesse aqui para ouvir isso’, penso ‘se você estivesse aqui, iria amar ouvir isso’. Ela aparece para mim das formas mais variadas, nas coisas que eu vejo, nas coisas que eu faço. Quando me perguntam se tenho filhos, sempre respondo: ‘Sim, uma filha. Ela não está mais aqui com a gente’.

paulo e amanda

Nossa história começou quando ela nasceu, dois anos depois do meu casamento – casei cedo, aos 22, mas logo me separei. Foram quatro anos até o dia em que ela foi morar comigo. E foi assim, desde então. Vivemos juntos desde os seus oito anos até o momento da sua partida.

Amanda sempre foi a minha prioridade. Tivemos uma relação muito forte, talvez até incomum entre um pai e uma filha, especialmente naquela época. Mesmo com a vida agitada da agência, cheia de coquetéis e viagens, sempre preferi ficar com ela. Nossas memórias estão vivas: lembro com clareza de datas, como do 7 setembro de 1998, quando ela aprendeu a andar de bicicleta no Ibirapuera; ou do dia 20 de dezembro de 2008, nosso último passeio a pé – assistimos Vicky Cristina Barcelona no Reserva Cultural e depois saímos caminhando pela Paulista de ponta a ponta. Eu tinha medo de esquecer das pequenas coisas, mas lembro de tudo, a toda hora: inclusive de que nunca ia dormir sem antes lhe dar um abraço de boa noite.

Aos 18 anos, Amanda tinha acabado de entrar na faculdade (a mesma que eu havia cursado) e estava, de certa forma, encaminhada, com estágios garantidos. E feliz. Até o dia em que voltou da aula, tomou sol (o porteiro do prédio me contou), falou com a Bel, a moça que trabalhava na nossa casa, e foi deitar.

Eu estava no trabalho quando a mãe dela me ligou à tarde, preocupada, dizendo que ela não atendia o telefone. ‘Normal da idade, é claro que está tudo bem’. Voltei para casa no horário de sempre e encontrei a porta do quarto fechada, com a luz da TV passando pela fresta inferior. Ela estava lá dormindo, linda. Fui dar um beijo nela e senti seu rosto frio. Chamei um vizinho médico, depois o SAMU. Tentamos trazê-la de volta, mas ela já havia partido. Desligou.

A causa oficial, segundo o laudo, foi um edema pulmonar agudo. Nunca tinha acontecido nada similar na família, mas não havia o que fazer – era preciso aceitar.

A causa oficial, segundo o laudo, foi um edema pulmonar agudo. Nunca tinha acontecido nada similar na família, mas não havia o que fazer – era preciso aceitar.

Por sorte, toda a nossa história me confortava.

A energia boa das pessoas próximas me amparou. Como ela teve uma morte incomum, o funeral aconteceu dois dias depois e logo já me vi cercado de gente querida. Esse apoio me anestesiou. Tanto que, desde seu velório me tornei mais frequente nos velórios da vida, pois entendi o quanto é importante estar presente – mês passado, o pai de um amigo faleceu em Pirassununga num domingo, logo depois de eu ter retornado a São Paulo (Pirassununga é minha cidade natal). Parei tudo e voltei para a estrada.

Mal menor
Itamar Assumpção

Você vai notar olhando ao redor
Que sou dos males o menor
Pode até contar com o meu amor
Naquilo que seja lá o que for

Sofrer é antigo por isso que digo
Basta estar vivo pra correr perigo
Pra tudo conte comigo
Darei meu abrigo se quiser abrigo
Se for pra brigar por você também brigo
Pra tudo conte comigo

Você vai notar olhando ao redor
Que sou dos males o menor
Pode até contar com o meu amor
Naquilo que seja lá o que for

Minha flor de trigo meu licor de figo
Diga aonde irás que é pra lá que eu sigo
Pra tudo conte comigo
Eu quero estar contigo meu sexto sentido
Serei inimigo dos teus inimigos
Pra tudo conte comigo.

Esse som, direto da playlist da Amanda, é Itamar Assumpção cantando MAL MENOR…

Mas chega uma hora em que, depois de tanto amparo, as pessoas que nos cercam vão tocar suas vidas. E a gente fica, tentando encontrar um jeito de seguir. No meu caso, passei a trabalhar pela memória dela, dia após dia. Editei vários vídeos e coloquei todos no Youtube.

Você pode ver os vídeos no roteiro deste programa no Portal Café Brasil.

Continuando o texto do Paulo.

Também montei a playlist ( http://mandysoundtrack.blogspot.com.br/2014/08/amanda-sempre-gostou-de-musica-o-que-me.html ) da sua vida – nós amávamos música, era parte fundamental do nosso relacionamento.

A história de uma gata
Luis Enrique Bacalov
Chico Buarque

Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram

O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé…de gato

Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria

Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

Essa é Vanessa da Mata com HISTÓRIA DE UMA GATA, de Luis Enrique Bacalov, em adaptação de  Chico Buarque…

E Paulo prossegue:

…de uns tempos para cá escrevo nas redes sociais em seus dois aniversários (o de chegada e o de partida) coisas como ‘25 curiosidades aleatórias sobre a Amanda Camossa’ (duas: ela nunca misturava arroz e feijão e preferia misto frio a misto quente). Não concordo quando dizem que ela viveu pouco. Ela viveu muito por 18 anos, influenciou profundamente quem vivia ao redor. Ela é de uma intensidade incrível. Ela é – assim mesmo, no presente.

Outro dia trombei um amigo que não via há tempos: ‘Pô, e como está a Amanda? Deve estar enorme, né?’. Dei um abraço forte nele: ‘Que bom que você se lembra dela! Mas ela não está mais aqui’. E ele: ‘Como assim, mano? O que aconteceu?’. O cara ficou desolado, achou que tinha dado um fora. Mas, poxa, não precisava: ‘Não te falei que fiquei imensamente feliz só pelo fato de você perguntar por ela?’.

Não sou cético e de fato não acredito que a vida é só o que temos aqui. Minha formação é católica e minha crença ligada ao kardecismo. Porém, fé é algo que transpõe doutrinas. Prefiro não falar de religião porque essa ideia nos leva a seguir uma corrente só. A fé é um feeling, um sentimento, uma certeza de que existe algo além. No meu caso, de que a minha filha está comigo. Minha serenidade é 100% fé.

Já tive vários encontros com a Amanda. Há sonhos que são sonhos e há sonhos que não são sonhos. Algumas vezes, eu a sinto no vento. Claro que tenho saudade – e isso não é, necessariamente, ruim. Saudade é uma forma de presença: a gente só sente do que já foi bom. Às vezes, bem às vezes, sinto um aperto mais forte, dolorido. Mas passa. Sei que a nossa ligação vai muito além daqui.

A Amanda me fez parar para pensar em mim. Eu tinha um trabalho que adorava, mas havia uma inquietação: o que eu mais gostava de fazer era insignificante para a agência. Eu ficava feliz quando conseguia ajudar produtores de conteúdo a viabilizarem seus projetos – eu trabalhava com mídia, conhecia bem o mercado. E pensava: ‘se nada diferente acontecer comigo, ainda tenho uns 40 anos pela frente. Vou querer viver muito ou pouco?’. Até que a minha cabeça começou a se organizar para viver… muito. E decidi ser leve. Abandonei o carro e passei a caminhar exaustivamente pela cidade, do Ipiranga ao Carandiru. Reconquistei uma simplicidade que sempre esteve dentro de mim – mesmo quando publicitário, nunca gostei da bajulação –, mas que havia se apagado exatamente por eu nunca ter parado para me escutar.

Tirei um ano sabático, aprendi a mergulhar, a mixar música, a editar livro e fiquei um tempo em Boston dando um tapa no inglês. Todos esses cursos me ensinaram muito mais que suas próprias metodologias – o mergulho, por exemplo, é um curso ‘de cagadas’, em que você treina para se virar em situações que podem dar errado (mas no final dá tudo certo). Na mixagem entendi que coisas diferentes podem combinar entre si para criar uma outra coisa. E hoje faço exatamente isso: misturo sem medo conhecimentos aleatórios que adquiri ao longo da vida. Acabei de abrir minha própria empresa e alugo uma cadeira em um espaço de co-working ao lado de pessoas fantásticas, que me ensinam todos os dias. Tenho uma vida mais flexível, como eu sempre quis.

A ideia de viver muito – e bem – veio da Amanda. Foi ao entender a intensidade da sua existência que resolvi levar a minha na direção das coisas que me movem de verdade. É como se ela me dissesse todos os dias: ‘vai viver, cara’.”

Fantástica essa história do paulo e da Amanda, não é?

As reflexões que o pensamento na morte nos proporciona são sempre muito fortes. Eu lembrei de um texto de Rubem Alves, um trecho de um texto dele que ele diz assim, olha:

Tive um amigo, Hans Hoekendijk, um holandês que esteve prisioneiro num campo de concentração alemão. Contou-me de sua experiência com a morte. A guerra já chegava ao fim, e os prisioneiros acompanhavam num rádio clandestino o avanço de tropas aliadas e já faziam o cálculo dos dias que os separavam da liberdade. Até que o comandante da prisão reuniu a todos no pátio e informou que, antes da libertação, todos seriam enforcados. “Foi um grito de lamentação e horror… seguido da mais extraordinária experiência de liberdade que jamais tive em minha vida”, ele disse. “Se eu morrer dentro de dois dias, então nada mais importa. Não há sentido em me guardar, não há sentido em ser prudente. Não preciso pretender ser outra coisa do que sou. Posso viver a minha verdade, pois nada pode me acontecer. Não preciso de máscaras. Tenho a permissão para a honestidade total. Posso ir ao guarda nazista, que sempre me aterrorizou, e dizer a ele tudo o que sinto e penso… O que é que ele pode me fazer, hein? Posso ir até aquela mulher que sempre amei mas de quem nunca me aproximei (afinal, ela estava com o marido, e naqueles tempos isto era levado em consideração…) e pedir licença ao marido para confessar os sentimentos… Posso dizer tudo o que sinto mas que nunca me atrevi a dizer, por medo”. Então ele me contou dessa experiência fantástica de liberdade e verdade que se tem quando se está pendurado sobre o abismo.

A morte tem o poder de colocar todas as coisas em seus devidos lugares

Bem, eu acho que você percebeu que este programa faz parte daquela série sobre PROPÓSITO, não é? A história do Paulo e da Amanda é uma porrada, daquelas que faz a gente parar pra pensar…

E o começo do programa hein? Onde eu relatei o dia normal de uma pessoa, anterior ao 11 de setembro de 2001?

A gente vai vivendo a vida da gente e de repente…SNAP! Tudo muda. Alguém que amamos não está mais aqui. O emprego do qual dependemos não é mais nosso. Um trauma… e agora, hein?

Bem, o Paulo comentou ao dizer que “chega uma hora em que, depois de tanto amparo, as pessoas que nos cercam vão tocar suas vidas. E a gente fica, tentando encontrar um jeito de seguir”… E eu me lembro então da Brenda, no frescor de seus 18 anos, preocupada com vestibular, entrar na faculdade, decidir sobre seu futuro e a forma como as questões negativas capturam sua atenção.

Brenda, tempos atrás recebi um poema de Adilson Luiz Gonçalves, chamado CHAVES OCULTAS, que talvez sirva para fechar este programa com chave de ouro. Ouça:

Dei duas voltas na chave;
As janelas e cortinas fechei;
Tirei o telefone do gancho;
Todas as luzes da casa apaguei.

Quis ser cego por um dia,
Para tentar melhor enxergar
O que trago, de fato, na alma,
Que a angústia não deixa aflorar.

Tateei pra encontrar o caminho,
Por cantos que, há muito, eu não via.
Também era escura minha alma,
Tão pouco dela eu conhecia.

Achei tantas portas fechadas.
Por quê? Eu tentei me lembrar.
Por entre as sombras do passado
As chaves tentei encontrar.

Achei-as ocultas num canto;
Dezenas, ao todo, eu contei.
Lembrei que abriam as portas,
Dos sonhos que eu nunca ousei!

Colhi cada uma, com pressa,
E abri cada porta, em seguida.
Senti bater forte o meu peito
E a luz invadir minha vida!

Voltei dessa busca mais moço e mais forte!
Eu, antes perdido, encontrei o meu norte!
prantos e medos? Lancei-os ao vento!
Portas e janelas abri a um só tempo!
A luz inundou onde trevas havia!
A vida se abriu e me disse:
“- Bom dia!”

Então… comecei este programa falando dos problemas que ocupavam sua vida na véspera do 11 de setembro de 2001… SNAP! No dia seguinte o mundo havia mudado. Falei do Paulo e da Amanda, de como a vida pode mudar completamente, num SNAP!

O Paulo da Amanda fez uma escolha: inspirou-se nela para viver a vida. O poeta mergulhou dentro de si, reviu seus sonhos guardados e os recuperou para curtir a vida.

Cada um fez a sua escolha…

E a Brenda? Bem, a Brenda tem 18 anos de idade… tem tempo para errar, aprender, inspirar os outros e marcar cada uma das pessoas que cruzar sua vida. Do jeito que a Amanda fez com o Paulo e com certeza, com você que me ouve agora. E agora ela já sabe que por mais que a gente faça planos, que se prepare, o imponderável está aí, ó, do seu lado. De repente, SNAP!

Mas o que o SNAP fará conosco é menos importante do que o que faremos com o que ele fará conosco.

Bom dia
Gilberto Gil
Nana Caimmy

Madrugou, madrugou
A mancha branca do sol
Acordou o dia
E o dia já despertou
Acorda, meu amor
A usina já tocou
Acorda, é hora
De trabalhar meu amor

Acorda, é hora
O dia veio roubar
Teu sono, cansado
É hora de trabalhar
O dia te exige
O suor e braço
Pra usina, do dono
Do teu cansaço

Acorda, meu amor
É hora de trabalhar
O dia já raiou
É hora de trabalhar

Madrugou, madrugou
A mancha branca do sol
Acordou o dia
E o dia já levantou
Ele sai, ele vai
A usina já tocou
Bom dia, bom dia
Até logo, meu amor

E é assim então, com o som do clássico de Gilberto Gil e Nana Caymmi BOM DIA, na interpretação de Milton Nascimento e Gilberto Gil que vamos saindo pensativos.

Com o sonhático Lalá Moreira na técnica, a enlevada Ciça Camargo na produção e eu, pensativo… Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco a ouvinte Brenda, Adilson Luiz Gonçalves , Paulo e Amanda Camossa, Celso Fonseca, Walter Franco, Itamar Assumpção, Vanessa da Mata, Gil e Milton…

O Café Brasil só chega até você porque mais uma vez a Nakata, resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis, meu. Dê uma olhada lá, vale a pena: facebook.com/componentesnakata. E como a Nakata voltou a patrocinar agora o Café Brasil, você ajuda muito viu, dando um pulinho lá na página deles e deixando uma mensagem de agradecimento, para eles.

facebook.com/componentesnakata. Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças também ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do país: 55 11 96429 4746. E também estamos no Viber, com o grupo Podcast Café Brasil.

E se você acha que vale a pena ouvir o Café Brasil e quer contribuir, agora é possível fazer uma assinatura do programa. Acesse podcastcafebrasil.com.br e clique no link CONTRIBUA.

Pra terminar, uma frase de Millôr Fernandes:

Viver é uma coisa maravilhosa, mas não está dando para perceber.