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Abaixo de zero

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Luciano Pires -

Tive uma conversa esta semana com um amigo empresário desiludido com o rumo de seus negócios. Sem qualquer expectativa de futuro, cansado, sem forças, ele está desistindo do Brasil. Quer “dar” a empresa para alguém, vender o que tem e ir embora. Pra longe. E ele não é o primeiro de quem ouço algo assim. Aliás, é um dos vários.

Voltei para cada ressabiado. E pensando numa história.

Em maio de 1996 aconteceu uma das grandes tragédias do Monte Everest, que está relatada no livro No Ar Rarefeito, de Jon Krakauer. No dia 10 de maio, dezenas de alpinistas foram surpreendidos por uma violenta tempestade enquanto retornavam do cume. Vários morreram, alguns deles profissionais gabaritados. Um patologista norte-americano chamado Beck Weathers, viveu – ou morreu – uma experiência inacreditável.

Beck havia feito tempos antes da viagem ao Everest uma cirurgia para eliminar a miopia e, no alto da montanha, em razão da mudança da pressão, foi perdendo a visão. Praticamente cego, a 8.200 metros de altitude, de noite, em meio a uma tempestade ele se desprendeu do grupo e saiu vagando pela montanha até que, desorientado e extenuado, caiu na neve, congelando. Várias horas depois foi encontrado por alguns alpinistas que o deixaram lá, ao verificar que ele estava praticamente morto. A morte por congelamento é chamada de “morte suave”, a pessoa vai apagando aos poucos, lentamente, como uma vela. Quando tudo parecia sem esperança, Beck teve um lampejo de vida, levantou – não se sabe como –  e continuou a caminhar, com um braço estendido, congelado, delirando, sem ter ideia de para onde estava indo. Chegou próximo a um acampamento, em meio à tormenta, onde foi visto por um dos alpinistas e levado para dentro de uma barraca. Ali permaneceu deitado, incapaz de comer, beber ou mesmo se cobrir, com as costas para o lado de fora da barraca, onde passou a segunda noite sob temperaturas congelantes. Milagrosamente Beck sobreviveu até ser resgatado por um helicóptero. Vou resumir a história: meses depois Beck estava recuperado, mas perdeu o nariz, antebraço e mão direita, todos os dedos da mão esquerda e partes dos pés. A história é impressionante e ele a conta em seu livro Left for Dead. Aqui você pode vê-lo hoje em dia, como palestrante:

Bem, mas onde quero chegar?

Numa das entrevistas, ao ser perguntado sobre que força foi aquela que fez com que ele, mesmo virtualmente morto, levantasse para a salvação, Beck respondeu:

– Pensar em minha família. Em meus filhos.

Beck Weathers, em meio a uma situação desesperadora, fez a única coisa que podia: focou naquilo que dava sentido à vida, sua família. E algo lá no fundo de seu corpo quase congelado acendeu, gerando calor suficiente para que ele criasse forças e lutasse pela vida.

A história de Beck Weathers é fisicamente inexplicável.

Aquela noite fatídica no Everest produziu uma dúzia de corpos. Menos o de Beck Weathers.

Escrevi este texto para mandar para aquele meu amigo que está desistindo do Brasil, quem sabe ele consegue agarrar-se a algo que dê sentido à sua vida aqui. Tem gente que se agarra à fé, Deus há de dar um jeito. Tem gente que se agarra a um ente querido. Tem gente – como eu – que se agarra a uma causa política, cultural ou social. Todos, de alguma maneira, encontram um propósito que dá sentido àquela pergunta que não quer calar: vale a pena lutar?

Sem um propósito, não há sentido na luta. E então, como um alpinista sem esperança, abaixo de zero, a saída é aguardar a morte lenta chegar.

Tomara que ele encontre um sentido em ficar aqui.

Se não conseguir, boa viagem.