s
Artigos Café Brasil
Semana Café Brasil 25/07/20 a 31/07/20
Semana Café Brasil 25/07/20 a 31/07/20
Atividades no Ecossistema Café Brasil de 25/07/20 a 31/07/20

Ver mais

Participe da Semana da Produtividade – 27 a 30/7
Participe da Semana da Produtividade – 27 a 30/7
Quatro aulas gratuitas sobre Produtividade que ...

Ver mais

Produtividade Antifrágil
Produtividade Antifrágil
PRODUTIVIDADE ANTIFRÁGIL vem para provocar você a rever ...

Ver mais

Cafezinho Live
Cafezinho Live
Luciano Pires, criador e apresentador dos podcasts Café ...

Ver mais

Café Brasil 729 – Cala Boca Zebedeu
Café Brasil 729 – Cala Boca Zebedeu
Se você está feliz porque estão sendo caladas as vozes ...

Ver mais

Café Brasil 728 – Saindo do armário Político
Café Brasil 728 – Saindo do armário Político
Já se sentiu perseguido ou discriminado por conta de ...

Ver mais

Café Brasil 727 – A nova Inquisição
Café Brasil 727 – A nova Inquisição
Houve um tempo em que a censura vinha do Estado ...

Ver mais

Comunicado Café Brasil e Omnystudio
Comunicado Café Brasil e Omnystudio
Nos 14 anos em que produzimos podcasts, esta talvez ...

Ver mais

Comunicado Café Brasil e Omnystudio
Comunicado Café Brasil e Omnystudio
Nos 14 anos em que produzimos podcasts, esta talvez ...

Ver mais

Comunicado sobre o LíderCast
Comunicado sobre o LíderCast
Em função da pandemia e quarentena, a temporada 16 do ...

Ver mais

LíderCast 204 – Marco Bianchi
LíderCast 204 – Marco Bianchi
Humorista, um dos criadores dos Sobrinhos do Athaíde, ...

Ver mais

LíderCast 203 – Marllon Gnocchi
LíderCast 203 – Marllon Gnocchi
Empreendedor de Vitória, no Espírito Santo, que começa ...

Ver mais

O cachorro de cinco pernas
O cachorro de cinco pernas
Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de ...

Ver mais

Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

Ver mais

Leitura cafezinho 303 – Cérebro médio
Leitura cafezinho 303 – Cérebro médio
Escolha um tema quente, dê sua opinião e em seguida ...

Ver mais

Leitura do Cafezinho 302 – Tenho pressa
Leitura do Cafezinho 302 – Tenho pressa
Hoje as narrativas familiares perderam espaço para uma ...

Ver mais

A real história do Plano Real
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
A real história do Plano Real Uma moeda cunhada no consenso democrático Jovens nascidos neste século dificilmente podem compreender o que era viver no Brasil nas últimas duas décadas do século ...

Ver mais

Perdemos Jorge Portugal e nossa capacidade de autodefinição
Jota Fagner
Origens do Brasil
“Esqueci de te falar, o Jorge Portugal deu entrada no Hospital do Estado de Salvador. Está em coma induzido, não está bem não. Acho que deu um problema no coração, que não estava conseguindo ...

Ver mais

Tributo a Celso Furtado
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Celso Furtado: 100 anos “O desejo obstinado de entender o Brasil pressupôs entender por que o país era subdesenvolvido, e, corolário, a mecânica do subdesenvolvimento. ´[…] Autor de cerca ...

Ver mais

A conveniência do comércio eletrônico conquistou os consumidores
Michel Torres
No início de abril, quando o comércio estava quase que totalmente fechado, conversei com um amigo próximo que lidera uma grande rede de lojas de tintas e ele fez uma constatação emblemática: ...

Ver mais

Cafezinho 305 – Rabo e perna 2
Cafezinho 305 – Rabo e perna 2
Bote sua energia em mudar a realidade para outra ...

Ver mais

Cafezinho 304 – (in)Tolerância
Cafezinho 304 – (in)Tolerância
A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

Ver mais

Cafezinho 303- O cérebro médio
Cafezinho 303- O cérebro médio
Temas importantes que deveriam estar sendo discutidos, ...

Ver mais

Cafezinho 302 – Tenho pressa
Cafezinho 302 – Tenho pressa
Houve um tempo em que as narrativas eram feitas dentro ...

Ver mais

Terror sagrado

Terror sagrado

Luciano Pires -

Bem, como no Brasil ainda não temos uma lei que defina claramente o que é terrorismo, vamos a quem tem. Diz o Capítulo VIII, Seção 802 do USA Patriot Act, o ato do Congresso norte americano transformado em lei por George Bush imediatamente após o atentado às torres gêmeas em 2001:

“Ato de terrorismo é qualquer atividade que (A) envolva um ato violento ou perigoso para a vida humana, que seja uma violação das leis criminais dos Estados Unidos, ou que seja uma violação criminal cometida sob a jurisdição dos Estados Unidos ou qualquer Estado; e (B) com a intenção aparente de (i) intimidar ou coagir a população civil; (ii) influenciar a política de um governo através da intimidação ou coerção; ou (iii) afetar a conduta de um governo utilizando assassinatos ou sequestros.”

Essa definição não dimensiona o tamanho do ato terrorista. Um indivíduo armado com uma pistola que atire contra uma instalação do governo, por exemplo, já está caracterizado como terrorista. Ataques de dimensões catastróficas são as exceções que ficam permanentemente gravadas na memória das pessoas, mas qualquer levantamento de atos terroristas mostrará que a maioria absoluta são pequenas ações que podem ser confundidas com crimes comuns. O que as diferencia são as motivações políticas de seus autores.

Motivações políticas. Mas aí surge outro elemento: a religião.

Diferente dos terroristas dos anos 70, 80 e 90, como os grupos que sequestravam aviões, roubavam bancos e atacaram durante as olimpíadas de 1972 em Munique, os terroristas islâmicos hoje à frente das ações mais impactantes não perseguem simplesmente objetivos políticos, mas sagrados. Aliás, não diferenciam um do outro. E isso muda completamente a equação.

Terroristas com motivação religiosa executam suas ações violentas como uma espécie de batalha espiritual. Seus atos bárbaros obedecem a uma ética, eles agem em nome do divino. Para eles, violência e mortes são apenas ferramentas para atingir uma transcendência moral e espiritual em direção à purificação da raça humana, à imortalidade, à uma união com seus deuses, sejam eles cristãos, islâmicos, hindus ou qualquer outra vertente religiosa.

Quem considera sagrado algum aspecto de sua vida, coloca nele maior prioridade, investe mais energia e esforços e obtém um propósito maior do que com atividades consideradas não sagradas. Definir que algo é sagrado, portanto, tem impactos emocionais e comportamentais significativos. Valores considerados sagrados têm precedência sobre o que seriam preocupações “mundanas”.

É nessa seara que está a “jihad”, termo árabe que significa “luta”, “esforço” ou empenho, conceito que tem dois significados. Primeiro o interno, do esforço pessoal, espiritual e introspectivo para, em nome de Alá, controlar seus impulsos, sua ira e perdoar os pecados. Depois o externo, guiado pelas palavras de Maomé que estimulam o uso de meios combativos para difundir a paz e a justiça da religião islâmica para quem não está sob sua influência.

A Jihad é, portanto, uma visão de mundo compartilhada por bilhões de pessoas de múltiplas nacionalidades que professam a fé no islamismo. As pacíficas entendem jihad como a busca por se tornar um ser humano melhor, as fundamentalistas como a justificativa para os banhos de sangue em nome de Alá.

Aos olhos dos fundamentalistas, aquilo que consideramos como atos de terror são necessidades espirituais, acima do amor e dos deveres para com a família, por exemplo. Nada deve desviar o foco dos desígnios de Deus, portanto o “terror sagrado” não admite negociações. É por isso que muitas medidas de contraterrorismo com ameaças e tentativas de negociação apenas ampliam o ódio dos fundamentalistas. Pedir que abram mão de seus valores sagrados em nome de poder político ou ganhos financeiros é entendido como tentação do diabo.

Estamos perplexos com a revelação de que jovens de várias nacionalidades saem de suas casas, especialmente na Europa, para se juntar ao Estado Islâmico, por exemplo, recrutados através de conexões familiares, grupos de jogadores on-line, salas de chat e clubes. Jovens que, sem perspectivas de futuro, estão sujeitos à santificar causas e terminar explodindo a si mesmos e a inocentes num restaurante ou clube em Paris.

Nada disso justifica os banhos de sangue que temos assistido, mas explica.

O terror sagrado não é simplesmente o velho terrorismo com motivações ou retórica diferente.

É infinitamente mais perigoso.