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Artigos Café Brasil
Corrente pra trás
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O que é um “bom” número de downloads para podcasts?
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A Omny Studio, plataforma global na qual publico meus ...

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O campeão
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O potencial dos microinfluenciadores
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Café Brasil 935 – O que faz a sua cabeça?
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Café Brasil 934  – A Arte de Viver
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Café Brasil 933 – A ilusão de transparência
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Café Brasil 932 – Não se renda
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LíderCast 328 – Criss Paiva
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LíderCast 327 – Pedro Cucco
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LíderCast 326 – Yuri Trafane
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LíderCast 325 – Arthur Igreja
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Batendo Pino

Batendo Pino

Luciano Pires -

BATENDO PINO


Mais uma vez me pego numa daquelas discussões sem fim sobre tangíveis e intangíveis. Sobre a nossa incapacidade de dar valor ao que não conseguimos medir. Sobre a absoluta ignorância da sociedade acerca daqueles aspectos ligados ao intelecto, à alma. Na discussão mais uma vez perguntei para que vale um médico, um advogado, um engenheiro que é incapaz de emocionar-se com uma música, uma peça de teatro, um poema… Um profissional de primeira, mas ser humano incompleto.


E então leio numa entrevista do poeta Ferreira Gullar um trecho delicioso: “Olha, publicar um poema é como ter na mão o original de um pintor. A crítica sobre um quadro é uma coisa, mas você já imaginou ter nas mãos o próprio quadro? A diferença é que o quadro reproduzido no suplemento se resume a uma cópia fotográfica, enquanto o poema é uma obra de arte original. Se você publica em seu suplemento um poema, você está publicando o original de uma obra.” Então é preciso valorizar culturalmente os suplementos. Chega de entrevistas, de resenhas que às vezes não dizem nada. Eu gostaria de reafirmar tudo isso aqui porque estamos vivendo uma época em que os valores culturais vêm sendo substituídos pelo entretenimento. A mídia transforma tudo em entretenimento. O único valor que existe é a notícia, a novidade sob forma de notícia. E isso é uma ameaça ao ser humano porque esse pessoal jovem que está sendo manipulado pela mídia não se preocupa, em sua formação literária, com a experiência do que seja a obra de arte, que não é uma realização gratuita, mas uma necessidade profunda do ser humano. E o que acontece? Acontece que, quando se esgota o mito da juventude e o sujeito já não tem mais como pular o rock na praia de Ipanema, quando acaba tudo isso e ele começa a “bater pino”, não tem para onde se voltar porque lhe falta a verdadeira experiência da arte”. Quem disse isso foi um poeta: Ferreira Gullar. Mas…


Você se imagina dizendo para seu chefe que “uma obra de arte é uma necessidade profunda do ser humano?” Consegue imaginar-se discutindo a obra de Renoir com aquele seu colega ali ao lado?


Nestes dias de celebridades vazias e culto ao dinheiro, quem é o tonto que vai perder tempo com uma pintura, hein? Quem é o babaca que se emociona ouvindo uma orquestra sinfônica? Quem é a bicha que fica com olhos marejados ao ler um poema? Quem é o trouxa que perde tempo lendo livros? Quem é o irresponsável que ainda acredita na “verdadeira experiência da arte”? Acho que só os poetas, não é?


– Pô, meu, tô ocupado demais trabalhando pra perder tempo com essas viadagens…


Pois eu ainda me emociono. Ainda me apaixono. Ainda me comovo com uma manifestação de arte, de talento, de sensibilidade… E não sou poeta! Ou será que sou poeta? Nós somos poetas? Quem são os poetas?


Vou lançar uma campanha… Troque seus políticos por um poeta. Troque seus executivos por um poeta. Troque seus marqueteiros por um poeta.


Talvez o Brasil consiga finalmente parar de bater pino.