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Luciano Pires -

Então, chega mais! Eu quero fazer uma perguntinha pra você: você quer pegar seu carro, moto ou caminhão e chegar com muito mais tranquilidade e conforto onde quiser? Então escuta essa aqui, ó:  com a Nakata você chega muito mais longe! Porque a Nakata é a marca líder em suspensão que garante a qualidade das peças do seu veículo, pra chegar sempre mais longe.

Tudo para você seguir seu caminho com mais segurança. Quer chegar sempre numa boa?

Então, não esqueça, quando chegar lá no seu mecânico de confiança para uma revisão ou quando precisar daquele reparo, pede Nakata. Seu mecânico sabe das coisas e com Nakata na mão, ele vai te ajudar a chegar ainda mais longe.

Porque só com a Nakata a gente sabe: é tudo azul pela frente.

Chega mais!

Adultecer nada mais é que virar… adulto. Vivemos um tempo em que a linha entre a infância e a idade adulta está mais tênue do que nunca. Para todo lado, adolescentes de 30, 40 e até 50, 60 anos… Afinal, o que é que faz as pessoas virarem adultas, hein? Cuidado pra não derrubar o disjuntor no episódio de hoje…

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

“Fala Luciano Pires, tudo bom? Aqui é o Luiz da Bahia, tenho 34 anos e estava ouvindo hoje aqui o 474, Cafezinho, Quem mudou? Já ouvi o Paradoxo do dadinho, e hoje você levantou novamente um questionamento que já começou a reflexão do paradoxo, mas agora ficou, digamos assim, o raciocínio fechou.

E aí, eu fui parar pra pensar que quando você questionou o que mudou, se foi a nossa percepção, ou foram as coisas que mudaram. E aí você falando naquele doce, naquela porcaria, naquele engajamento todo de não consumir todas essas coisas ruins, eu parei pra pensar, minha esposa veio da casa da mãe dela há pouco tempo, que ela estava passando uns dias auxiliando a mãe dela e trouxe um doce de leite de lá. Um doce de leite feito à moda antiga, na roça, fogão a lenha, inclusive eu conheço de onde veio, posso assegurar aqui que é um processo caseiro. Aquele doce de leite que você bota na boca assim quando consome, você sente aquele sabor da infância, desde a textura até o gosto da fumaça do fogão a lenha, você sente no doce de leite.

E aí, você falando, fazendo essa reflexão, fazendo a gente forçar a reflexão, acho que o produto mudou, apareceram outros produtos sim, mas acho que está mais relacionado com a fonte aonde a gente vai buscar.

Eu estive ontem na rua fazendo um serviço de um órgão público e um senhor estava na fila e comentando a respeito dessa geração, da minha geração, que hoje é o adulto, o adulto de hoje. É uma geração que passa sempre na mesma rua, sentada na calçada, e não tem condição de dar um bom dia, um boa tarde, um boa noite. Que não tem… está na fila do supermercado, tem duas pessoas conversando, não tem a decência de: “com licença, vou passar” entre as duas pessoas.

Então, acho que está relacionado a isso: de qual fonte você bebeu? Porque se fosse a nossa percepção, a gente não acharia mais doces de leite bons como esse. E não é uma pessoa nova que está fazendo esse doce de leite. É uma pessoa com idade, da época daquele doce que a gente tem a percepção que era bom. E continua sendo bom.

Então, eu acho que está relacionado a isso. Aonde você está indo beber? Aonde seus pais beberam, onde você está indo beber? E o que você espera do futuro, no que você vai deixar seus filhos consumirem?

Enfim, acho que o raciocínio fecha por aí. Então, você quer ouvir algo de bom? Todo dia de manhã, acordo quatro e meia da manhã, vou ajeitar as coisas, minhas filhas vão para o colégio cedo, a gente mora em zona rural, o ônibus passa na porta do sítio pra pegar. Todo dia cedo eu ligo numa rádio de jazz, que tem na internet: ah pai, isso é chato…, eu falo, não tem problema, uma hora elas vão ser contaminadas por aquilo ali. Seja porque vão se acostumar ouvir, vão acabar  tolerando e depois podem até acabar tomando gosto, seja que vão perceber, com o passar do tempo, que realmente faz algum sentido você perceber a musicalidade, desde a parte instrumental até a parte vocal, e assim vai.

Tem a comida, coisas simples, feitas na roça, a gente troca por um hamburger, uma pizza, que modéstia a parte é bom, mas não pode servir como referência, então, aonde eu vou deixar eles beberem? Aonde eu vou dar pra eles beberem? Ah, mas talvez você não bebeu essas fontes, como é que você está falando isso? Mas é aquele senso de mudança, de melhoria, de ver que as coisas estão erradas e que não pode continuar assim. E quando você busca, você percebe que está errado e porque está errado e o que pode ser feito.

E graças a nosso bom Deus, te permite que você faça esse trabalho maravilhoso de estar trazendo algo comunicativo, muito bem elaborado, de fácil absorção e que promove, principalmente, não é a notícia, você não traz uma certeza, você traz uma reflexão. Isso é maravilhoso, né? Se você traz uma certeza, você pode acabar se tornando um influenciador, né? Mas você forçando a reflexão, você faz com que cada um tire a sua conclusão.

Então é isso aí, meu caro. Forte abraço, fica com Deus, que o trabalho continue e que a gente possa continuar desfrutando de toda essa maravilha que é o conteúdo que você produz. Fica com Deus, um forte abraço, vida longa aí pro Café Brasil”.

Graaaande Luiz, da Bahia, cara! Que baita reflexão, meu caro! E é isso mesmo: em qual fonte você bebe? De qual fonte vem a água e o alimento que você dá para seus filhos? Essa é reflexão que todos os adultos que se importam deveriam estar todo o tempo fazendo. Escolher as fontes onde você se alimenta intelectualmente é o que fará de você uma pessoa melhor. Ou então um zumbi que serve de massa de manobra para certos espertalhões. Cara, e a imagem de uma cadeira com um cafezinho, num sítio, ao som de jazz ao fundo, com as galinhas cacarejando ali… me dá até frio na barriga! Grande abraço!

Twenty two
Max Martin

It feels like a perfect night
To dress up like hipsters
And make fun of our exes
Ah-ah, ah-ah
It feels like a perfect night
For breakfast at midnight
To fall in love with strangers
Ah-ah, ah-ah
Yeah, we’re happy, free, confused and lonely at the same time
It’s miserable and magical, oh yeah
Tonight’s the night when we forget about the deadlines
It’s time, oh-oh
I don’t know about you
But I’m feeling 22
Everything will be alright if
You keep me next to you
You don’t know about me
But I’ll bet you want to
Everything will be alright if
We just keep dancing like we’re 22, 22
It seems like one of those nights
This place is too crowded
Too many cool kids
(Who’s Taylor Swift anyway? Ew) Ah-ah, ah-ah
It seems like one of those nights
We ditch the whole scene
And end up dreamin’ instead of sleeping, yeah
We’re happy, free, confused and lonely in the best way
It’s miserable and magical, oh yeah
Tonight’s the night when we forget about the heartbreaks
It’s time, oh-oh
I don’t know about you
But I’m feeling 22
Everything will be alright if
You keep me next to you
You don’t know about me
But I’ll bet you want to
Everything will be alright if
We just keep dancing like we’re 22 (Oh, oh, oh, oh)
22
I don’t know about you
22, 22
It feels like one of those nights
We ditch the whole scene
It feels like one of those nights
We won’t be sleeping
It feels like one of those nights
You look like bad news
I gotta have you
I gotta have you
Ooh, ooh, yeah, yeah
I don’t know about you
But I’m feeling 22
Everything will be alright if (Ooh)
You keep me next to you
You don’t know about me
But I’ll bet you want to
Everything will be alright if
We just keep dancing like we’re 22
22 (Dancing like)
22 (Yeah, yeah)
22 (Yeah, yeah, yeah)
It feels like one of those nights
We ditch the whole scene
It feels like one of those nights
We won’t be sleeping
It feels like one of those nights
You look like bad news
I gotta have you
I gotta have you

Vinte e dois

Essa parece ser uma daquelas noites
Para nos vestirmos como alternativos
E tirar sarro de nossos ex
Ah, ah, ah, ah

Dá pra sentir que é uma noite perfeita
Para tomar café da manhã à meia-noite
Para nos apaixonarmos por desconhecidos
Ah, ah, ah, ah

Sim
Estamos felizes, livres, confusos e solitários ao mesmo tempo
É algo miserável e mágico
Oh, sim
Hoje à noite é a noite em que esqueceremos os limites
Chegou a hora, oh, oh

Eu não sei você
Mas me sinto tipo com vinte e dois
Tudo vai ficar bem
Se você me manter perto de você

Você não me conhece
Mas vou apostar que você quer
Tudo vai ficar bem
Se continuarmos dançando como se tivéssemos

Vinte e dois, uh, uh
Vinte e dois, uh, uh, uh

Essa parece ser uma daquelas noites
Este lugar está lotado
Muita gente legal
Ah, ah, ah, ah (Quem é essa tal de Taylor Swift? Eca)

Essa parece ser uma daquelas noites
Em que invadimos a cena toda
E acabamos sonhando
Ao invés de dormir

Sim
Estamos felizes, livres, confusos e solitários da melhor maneira
É algo miserável e mágico
Oh, sim
Hoje à noite é a noite em que esqueceremos os corações partidos
Chegou a hora, oh, oh

Eu não sei você
Mas me sinto tipo com vinte e dois
Tudo vai ficar bem
Se você me manter perto de você

Você não me conhece
Mas vou apostar que você quer
Tudo vai ficar bem
Se continuarmos dançando como se tivéssemos

Vinte e dois anos, uh, uh
Vinte e dois anos, uh, uh, uh
(Eu não sei você)
Vinte e dois, uh, uh
Vinte e dois, uh, uh, uh

(Essa parece ser uma daquelas noites)
Em que invadimos a cena toda
(Essa parece ser uma daquelas noites)
Em que nós não vamos dormir
(Essa parece ser uma daquelas noites)
Você não parece ser coisa boa
Tenho que ter você
Tenho que ter você

Uh, uuh
É, é, é, sim

Eu não sei você
Mas me sinto tipo com vinte e dois
Tudo vai ficar bem
Se você me manter perto de você

Você não me conhece (você não me conhece)
Mas vou apostar que você quer
Tudo vai ficar bem
Se continuarmos dançando como se tivéssemos (dançar como se tivéssemos vinte e dois)

Vinte e dois, uh, uh
Vinte e dois, uh, uh, uh
(Dançando tipo)
Vinte e dois, uh, uh (sim, sim, é, sim, sim, é)
Vinte e dois, uh, uh, uh

(Essa parece ser uma daquelas noites)
Em que invadimos a cena toda
(Essa parece ser uma daquelas noites)
Em que nós não vamos dormir
(Essa parece ser uma daquelas noites)
Você não parece ser coisa boa
Tenho que ter você
Tenho que ter você

Muito bem, começamos o episódio de hoje com a Taylor Swift, interpretando “Twenty Two”, 22… onde ela canta assim:

Eu não sei você
Mas eu estou me sentindo com 22 anos
Tudo vai ficar bem se
Você continuar perto de mim
Você não me conhece
Mas eu aposto que você quer
Tudo vai ficar bem
Se nós apenas continuarmos dançando
Como se tivéssemos 22 anos
Estamos felizes, livres, confusos e sós ao mesmo tempo
É miserável e mágico

Sacou? Aos 22 “Estamos felizes, livres, confusos e solitários ao mesmo tempo.” Ah cara, que saudade dos meus 22 anos…

A gente se acostuma a pensar na transição para a “idade adulta” como uma sequência de eventos, como conseguir um emprego, sair da casa dos pais, casar e ter filhos. Passando de uma determinada idade, se a pessoa ainda não experimentou esses eventos, a sociedade começa a olhar para ela com uma certa, digamos… preocupação.  Lamentar os hábitos e valores dos jovens é um direito eterno dos mais velhos, mas muitos jovens realmente ainda se sentem – e se comportam – como crianças sob as ordens dos pais.

Tornar-se adulto não é uma tarefa fácil. Adultecer dói, cara… Nunca foi fácil para nenhuma geração. Mas o que é que faz de você um adulto?

Olha, a primeira resposta, óbvia, é a idade, não é? Pois é. Mas a idade por si só não faz um adulto. Mas afinal, o que faz?

A percepção é que as pessoas estão se casando e tendo filhos mais tarde na vida, no que parece ser uma tentativa de prolongar a adolescência…. Os psicólogos falam de um período de adolescência prolongada, ou idade adulta emergente, que dura até os 20 anos. Mas eu desconfio que essa visão esteja ultrapassada. Olha: quem tem 20 anos hoje está parecido com quem tinha 14 quando eu era adolescente…

Não acho que exista uma resposta definitiva sobre quando a pessoa se torna adulta, do tipo assim: aos 27 anos!

“Tornar-se adulto” é um conceito mais evasivo e abstrato do que eu pensava quando era mais jovem. Eu imaginava que, ao chegar a uma certa idade, tudo faria sentido e eu me veria um adulto! E, ao menos no meu caso, simplesmente eu deixei o barco correr.

Eu sempre brinco, mas acho que o ponto de virada para me tornar um adulto foi a chegada dos boletos. Foi a abertura de minha primeira conta bancária e a sensação de que agora era por minha conta. Eu era apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, vindo do interior.

Aos 18 anos, desembarcando em São Paulo, pra estudar, morar fora da casa dos pais e ver onde a vida me levaria. E de repente descobrindo que se eu não comprasse papel higiênico, não teria papel higiênico. Que o sabonete novo não surge milagrosamente no banheiro. Que a roupa lavada não aparece do nada na gaveta, cara… Aquela mudança de Bauru pra São Paulo aos 18 anos foi meu primeiro passo pra virar adulto. Mas ainda faltava  muiiiito….

Só que eram anos setenta, meu caro! Num mundo que não existe mais.

Hoje, imagino o que se passa na cabeça de um jovem de 20 anos que pensa no futuro. Ele deve estar num impasse entre se tornar um influencer, um youtuber, começar uma organização sem fins lucrativos, obter um, ou mais um diploma, desenvolver uma startup pra vender por bilhões ou, de alguma forma, viajar pelo mundo como um nômade digital… Para, na maioria das vezes, acabar arranjando um emprego que mal e porcamente pagará suas dívidas, possivelmente num campo que não é aquele em que o indivíduo estudou.

Ah, sim, claro, e casar ou permanecer solteiro?

Há quem diga que a vida adulta, assim como a infância, é uma construção social. Mas que, como todas as construções sociais, têm consequências reais. A vida adulta determina quem é legalmente responsável por suas ações e quem não é, quais papéis as pessoas podem assumir na sociedade, como as pessoas veem umas às outras e como elas veem a si mesmas. Mas mesmo nos domínios em que deveria ser mais fácil definir a diferença — pela lei, pelo desenvolvimento físico — a idade adulta desafia uma definição simples.

Você certamente conhece pessoas com 20 ou 21 anos que são maduras e sábias, enquanto outras na mesma idade são adolescentes birrentos, não é? A idade cronológica não é um indicador particularmente bom de maturidade, mas é algo que precisamos fazer para fins práticos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, você não pode beber até os 21 anos, mas a idade adulta legal, junto com o voto e a capacidade de se alistar nas forças armadas, chega aos 18 anos. Você tem permissão para assistir a filmes para adultos aos 17 anos. E as crianças podem ter um emprego a partir dos 14 anos, dependendo das restrições de cada estado, e muitas vezes podem entregar jornais, atuar como babá ou trabalhar para os pais ainda mais jovens.

No Brasil, o jovem pode votar a partir dos 16, mas não pode trabalhar antes disso. Só se for na condição de aprendiz, a partir de 14 anos. Pode beber a partir dos 18 anos, a mesma idade do alistamento militar. Pode dirigir a partir dessa idade. E é penalizado como adulto a partir dos 18 anos.

Mas de novo, essas idades são apenas definições praticas para podermos resolver as coisas em sociedade. Não definem se o sujeito é adulto ou não.

Uma maneira de medir a idade adulta pode ser a maturidade do corpo – certamente deve haver um ponto em que você para de se desenvolver fisicamente, quando você é oficialmente um organismo “adulto”.

Isso depende, no entanto, da medida que você escolher. Os seres humanos são sexualmente maduros após a puberdade, mas a puberdade pode começar entre 8 e 13 anos para meninas e entre 9 e 14 anos para meninos, e ainda ser considerada “normal”, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano .

Essa é uma ampla faixa etária cara, 8 a 13, 9 a 14? E mesmo que não fosse, só porque você atingiu a maturidade sexual não significa que parou de crescer.

A maturidade esquelética, por exemplo, depende de qual parte do esqueleto você está examinando. Por exemplo, os dentes do siso geralmente surgem entre 17 e 21 anos. Aliás, siso é o juízo, tá? O dente do juízo. Você começa a ter juízo entre 17 e 21 anos. Os ossos da mão e do pulso, frequentemente usados para determinar a idade, amadurecem em taxas diferentes. O osso final do corpo para amadurecer é a clavícula que faz isso entre 25 e 35. Mas fatores ambientais e socioeconômicos podem afetar a taxa de desenvolvimento ósseo. Assim, as transições corporais não são definitivas para apontar os limites da vida adulta.

E as transições culturais então? As pessoas participam de cerimônias de maioridade como uma festa de debutantes, um bar mitzvah ou uma confirmação católica, e dali emergem como adultas. Na teoria. Na prática, na sociedade de hoje, uma menina de 15 anos ainda é dependente de seus pais depois de sua festa de debutante. Ela pode ter mais responsabilidades, mas é apenas um passo no longo caminho para a vida adulta, não é um caminho rápido. A ideia de uma cerimônia de maioridade sugere que há um interruptor que pode ser acionado na ocasião certa para ativá-lo:

– Minha filha, agora você é uma adulta!

As formaturas do ensino médio e da faculdade são cerimônias projetadas para ligar esse interruptor cara, às vezes para centenas de pessoas ao mesmo tempo. Mas as pessoas raramente se formam prontas para uma vida adulta plena, e as graduações estão longe de serem experiências universais. No entanto, o ensino médio e superior desempenham um grande papel na ampliação do período de transição entre a infância e a idade adulta.

Cara, como é difícil virar adulto…

O estabelecimento de uma espécie de tempo de transição institucionalizado, quando as pessoas estão na escola até os 21 ou 22 anos, corresponde muito bem ao que os cientistas sabem sobre como o cérebro amadurece.

Por volta dos 22 ou 23 anos, o cérebro já está praticamente pronto para se desenvolver. Os neurocientistas estão descobrindo que o cérebro é “plástico” – maleável, mutável – ao longo da vida. Mas a plasticidade adulta é diferente da plasticidade do jovem, quando o cérebro ainda está desenvolvendo novos circuitos e eliminando os desnecessários. A plasticidade adulta ainda permite modificações no cérebro, mas nesse ponto, as estruturas neurais não vão mudar.

É como a diferença entre reformar sua casa e redecorá-la.

Muitas funções cerebrais estão maduras antes deste ponto, no entanto. As funções executivas do cérebro – o raciocínio lógico, planejamento e outros pensamentos de alto nível – estão em níveis adultos de maturidade por volta dos 16 anos. Portanto, um jovem de 16 anos, em média, deveria se sair tão bem em um teste de lógica quanto alguém mais velho.

O que demora um pouco mais para se desenvolver são as conexões entre áreas como o córtex pré-frontal, que regula o pensamento, e o sistema límbico, de onde as emoções se originam em grande parte, bem como os impulsos biológicos. Sabe, aquele lagarto que mora na sua cabeça?

Até que essas conexões sejam totalmente estabelecidas, as pessoas tendem a ser menos capazes de controlar seus impulsos.

Ainda assim, a questão da maturidade depende da tarefa que você tem em mãos. Por exemplo, com seu raciocínio lógico totalmente desenvolvido, não haveria razão para que jovens de 16 anos não pudessem votar, mesmo que outros aspectos de seu cérebro ainda estejam amadurecendo.

O que complica são as fontes onde essa garotada se alimenta para realizar um voto bem informado…

A dificuldade que muitos jovens de 18 a 25 anos tiveram em responder “Você é um adulto?” levou o professor pesquisador de psicologia da Clark University, Jeffrey Jensen Arnett no final dos anos 90 a agrupar essas idades em um novo estágio de vida que ele chamou de “adulto emergente”. A idade adulta emergente é um período vago e transitório entre a adolescência e a verdadeira idade adulta. É tão vago que Jensen Arnett, diz que às vezes usa 25 como limite superior, e às vezes 29.

Embora ele pense que a adolescência termina claramente aos 18 anos, quando as pessoas geralmente saem do ensino médio e da casa dos pais, e são legalmente reconhecidos como adultos. Bem, isso nos Estados Unidos, né? Que nem acho que é isso mais… a quantidade de jovens com mais de 18 anos que não saíram da casa dos pais cresceu enormemente por lá.

No Brasil, então…

Bem, mas então ficamos com o quê? Idade adulta emergente ou adolescência prolongada?

No século 19, para as meninas, o tempo entre a primeira menstruação e o casamento era de cerca de cinco anos. Em 2010 eram 15 anos, graças à diminuição da idade da primeira menstruação e ao aumento da idade do casamento.

Os críticos do conceito da idade adulta emergente escrevem que só porque os anos entre 18 e 25 (ou serão 29?) são um período de transição, isso não significa que eles representem um estágio de desenvolvimento separado.

Mas o que é realmente importante é que a transição para papéis adultos está demorando cada vez mais. Há agora, para muitas pessoas, vários anos em que estão livres de seus pais, estão fora da escola, mas não vinculadas a cônjuges ou filhos. Parte da razão para isso pode ser porque ser cônjuge ou pai parece ser menos valorizado como portas necessárias para a vida adulta.

Ao longo de sua pesquisa sobre isso, Jensen Arnett concentrou-se no que ele chama de critérios dos “Três Grandes” , “Big Three” para se tornar um adulto:

–  assumir a responsabilidade por si mesmo

– tomar decisões independentes

– e tornar-se financeiramente independente.

Esses três critérios são encontrados não apenas nos EUA, mas também em muitos outros países, incluindo China, Grécia, Israel, Índia. Argentina e é claro, aqui no Brasil. Mas algumas culturas adicionam seus próprios valores à lista. Na China, por exemplo, as pessoas valorizavam muito a capacidade de apoiar financeiramente seus pais, e na Índia as pessoas valorizavam a capacidade de manter sua família fisicamente segura.

Vamos lá, então? Aos Big Three?

–  assumir a responsabilidade por si mesmo

– tomar decisões independentes

– tornar-se financeiramente independente.

E aí, hein? Como você está em relação a esses três pontos?

O bom menino
Carequinha

O bom menino não faz pipi na cama
O bom menino não faz malcriação
O bom menino vai sempre à escola
E na escola aprende sempre a lição

O bom menino respeita os mais velhos
O bom menino não bate na irmãzinha
Papai do céu protege o bom menino
Que obedece sempre, sempre a mamãezinha

Por isso eu peço a todas as crianças
Muita atenção para o conselho que eu vou dar

Olha aqui
Carequinha só gosta de criança que respeita mamãe, papai, titia e vovó
E seja amigo dos seus amiguinhos
E também que coma na hora certa, e durma na hora que a mamãe mandar
Tá certo ou não tá?
Tá!

Eu obedeço sempre a mamãezinha
Então aceite os parabéns do Carequinha
Viva o bom menino
Viva!

Rarararararrararaa… que tal, cara? Carequinha, no Café Brasil. Mostra pro seu pai , pro seu avô ou pra sua avó. Eles vão pirar…

O final da adolescência e o início dos 20 anos são provavelmente a melhor época para explorar, porque a vida tende a se encher de compromissos à medida que você envelhece. Aos 20 anos, seu cérebro é um buraco negro, ávido para ser preenchido. Provavelmente o filme da sua vida, a música da sua vida, a viagem da sua vida, o romance da sua vida, tem grande chance de acontecer durante aquele período.

Na meia-idade, por causa das demandas da família, das demandas do trabalho, não apenas as pessoas provavelmente exploram menos quem são, mas se o fizerem, podem ter um custo emocional muito maior do que aos 20 anos.

Quando nós, as pessoas que estão na faixa dos 50, 60, 70 anos olhamos para os adultos emergentes de hoje e os comparamos com o critério que se aplicava quando nós tínhamos 20 e poucos anos. E é claro que os consideramos deficientes. Mas esquecemos que o mundo é outro.

Eu sempre digo: não sei se essa aparente displicência dos mais jovens é parte deste novo mundo. Eu faço uma metáfora: seria como pegar o Pelé do auge, nos anos 60 e 70, e colocá-lo para jogar futebol hoje. É provável que, com sua genialidade, ele iria se dar bem, mas o jogo mudou tanto, que dificilmente ele se tornaria o Rei do futebol. Seria apenas mais um craque entre outros.

Entender que não dá pra comparar épocas tão diferentes é fundamental, até para ajudar a garotada que vem chegando e que, ainda quer estabelecer carreiras, casar, ter filhos. Mas essa garotada não vê isso tudo como os traços definidores da idade adulta. E infelizmente as gerações mais velhas podem não reconhecer os jovens como adultos sem esses marcadores. Daí, tanto conflito…

Uma grande parte de ser adulto é que as pessoas tratam você como um, e assumir esses papéis pode ajudá-lo a convencer os outros – e a si mesmo – de que você é responsável.

E tem outro ponto, cara: na vida, as pessoas muitas vezes acabam se definindo pelo que lhes falta. Na casa dos 20, 30 anos, talvez você esteja focado principalmente em sua carreira. Mas se pega olhando para seus amigos que estão se casando e tendo filhos. E talvez isso renda alguma melancolia… É algo que você quer, que outras pessoas têm e você, não.

De todas as muitas responsabilidades da vida adulta, certamente a mais transformadora é a paternidade.

Quando é que você virou adulto? Quando tive filhos.

Aliás, meu filho me mandou dois áudios de um amigo, na faixa dos 35 anos, pai recente de gêmeos que estão com oito meses, dando conta da percepção da carga de se tornar pai de primeira viagem. Ouça:

Cara: aquela vida acabou, velho. Aquela vida não existe mais, parece outra vida, inclusive. Aquilo lá era, mano, você se preocupava só com você e olhe lá, né? E olhe lá! Porque, muitas vezes, você estava pouco se cagando se, fazia as merdas e não estava nem preocupado com o que ia dar. Era tudo pra ficar feliz e fazer as coisas, que se se foda, puta que pariu. Que delícia, né, velho? Que delícia!

Cacete! Quando eu tinha 25, 27 eu pensava, caralho, essa vida aqui é a vida, não quero saber de porra nenhuma. Aí, quando você menos espera, pau, você se fode, está cagado. …. de terra, dois filhos, mulher gritando na orelha, parece que você é um pau mandado do caralho, filha da puta. Chega em casa, toma encarcada da mulher, aí tem que fazer o moleque dormir errado, se fudeu, toma outra encarcada, e assim vai…nessa vida. E você tem que ficar quieto, porque a mulher tá mais estressada que você.

Então, não adianta, é beco sem saída velho.Não tem o que fazer, é se foder, ficar quieto e amanhã tem mais e vai te carcar de novo. É isso.

Cara, sabe o que é foda? Quando eu era mais novo, nos 25, 27, que eu falei antes, trabalhar, sair do trabalho, caralho, sair do trabalho, sexta feira, cara! Animal, fim de semana, ah vou acordar tarde, vou pra balada, vou beber, puta, vou ver as meninas sabe, aquela puta alegria? Você fala: a semana inteira eu me fodi, fim de semana vou ficar legal, curtir a vida pra caralho.

Agora, mano? Agora? O fim de semana acaba, eu fico desesperado, cara, porque o fim de semana começou. Aí, o fim de semana começa e aí a putaria começa junto. não dorme, é mais trabalho, é o dia inteiro função aqui, ali… no trabalho ainda você consegue dar aquela..pá…tal… Em casa não tem essa, cara. Em casa, se você está um minuto de bobeira, a mulher te chama e fala: ó, pá, pá… fralda, comida, não sei o quê, ba ba ba.

Aí cara, você fala: porra cara, eu quero que chegue logo a segunda feira, cara! Que se foda, fim de semana, feriado, férias? Não, não quero férias, quero trabalhar, quero trabalhar porque trabalhar é relaxar. É isso que acontece na minha vida agora. Eu trabalho eu fico feliz. Volto pra casa e é função atrás de função.

Então assim: a porra toda virou. Virou tOtal. Não dá pra explicar!!

Raraarararararar… cara, é impossível não rir diante desse desespero de um jovem que se vê diante da responsabilidade de criar…filhos. E para isso, ter de abrir mão da maioria daquilo que era muito legal de fazer antes de se tornar pai.

É, meu caro, a adolescência um dia acaba…

Olha, não quero dizer que você não possa ser adulto se não tiver filhos, não. Mas para as pessoas que têm filhos, parece que apertaram aquele botão e… pum!

Virei adulto!

A repentina noção de que agora você tem responsabilidade por outra pessoa é um fator definidor, o próximo passo do “assumir a responsabilidade por si mesmo” lá das Big Threes.

Cuidar de pais doentes, que é uma inversão de papéis chocante, também lança as pessoas na idade adulta. As circunstâncias às vezes empurram as pessoas para papéis adultos antes de estarem prontas.

Olha, ser adulto nem sempre é uma coisa desejável. A independência pode se tornar solidão. A responsabilidade pode se tornar estresse.

Você lembra? “Se eu não comprar papel higiênico, não terei papel higiênico”.

Se estou infeliz com a minha vida, meu trabalho, meu relacionamento, não tem papai e mamãe pra consertar para mim.

É assim então, ao som de Isn´t She Lovely, o clássico de Stevie Wonder, na interpretação maravilhosa de Hamilton de Holanda e Mestrinho…que vamos saindo pensativos… cara, ouça que maravilha!

Então, ser adulto pode ser legislado, mas não completamente. A ciência pode avançar na compreensão da maturidade, mas não pode nos levar até ela. As normas sociais mudam, as pessoas abandonam os papéis tradicionais ou são forçadas a assumi-los cedo demais. Você pode acompanhar as tendências, mas as tendências têm pouca influência sobre o que uma pessoa quer e valoriza. A sociedade só pode definir um estágio de vida até agora; os indivíduos ainda precisam definir muito a si mesmos. A vida adulta é uma pintura impressionista — se você ficar longe o suficiente, poderá ver uma imagem borrada, mas se você chegar com o nariz bem pertinho dela, serão milhões de traços minúsculos. Imperfeita, irregular, mas certamente parte de um todo maior.

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Para terminar, uma frase de Ethan Hawke em sei livro O estado mais quente, que virou filme

“Você não acha estranho que, quando você é criança, todo mundo, todo mundo lhe encoraje a seguir seus sonhos, mas quando você é mais velho, de alguma forma eles ficam ofendidos se você tentar?”