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Café Brasil 847 – Dissonância Cognitiva – Revisitado

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Luciano Pires -

 

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Que dias… que dias! Você tem conhecidos que, mesmo diante de todas as evidências se recusam a mudar de opinião? Não entende como é que uma pessoa aparentemente inteligente pode ser tão teimosa? Ah, você é assim, é? Bom! Bem-vindo ao mundo da dissonância cognitiva. Este episódio é a revisita a outro publicado lá em 2016… que nunca foi tão atual.

Bom dia, boa tarde, boa noite, você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

É ao som de Wave, de Tom Jobim, na guitarra de Eddie Lastra que chamo o comentário do ouvinte Josué.

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano, tudo bem? Aqui é o Josué, eu falo de Osasco. E cara, você é incrível. O Café Brasil é incrível. Hoje é um áudio de agradecimento.

Primeiramente porque, depois da última eleição, da virada do domingo pra segunda feira, eu me senti tão triste, me senti num luto gigante, cara. E fui ouvir um podcast. Botei um Café Brasil e teve um comentário de um ouvinte. Não vou me recordar do nome dela agora, falando sobre o podcast Café com Leite sobre o Hino Nacional. Que ela chorava tanto naquele áudio, que me comoveu. E fez eu ir atrás desse episódio. Fui ouvir esse episódio.

E cara: eu chorei junto com ela. Eu chorei igualzinho ela. Que episódio maravilhoso. Pra mim, sinceramente, de todos os podcasts do Café Brasil, tem muitos que eu amo, esse foi o que mais me tocou, do Hino Nacional. Eu chorei muito com esse episódio. Principalmente pelo momento que estava sentindo, né? Tristeza.

O  nosso país, Luciano, está indo pra um caminho que eu não quero, que eu não gosto. E esse podcast fez eu sentir um nacionalismo gigante, cantar o Hino Nacional, sabe? Aprendi coisas que eu não sabia, principalmente referente à introdução. Então, foi muito lindo. Foi muito bom ouvir esse áudio. Levantou a minha auto estima patriota. 

Eu sempre fui um cara crítico, referente a política. Ah, política não se fala, não se mexe, não se envolve. Porque eu sou um homem cristão. Na minha compreensão o mundo vai ter o apocalipse no final dos tempos e seria totalmente em vão eu lutar por algo, pela melhora de um país, pela melhora de uma sociedade. Eu sei que vai ser destruída no apocalipse futuro, entendeu?

Então, na minha concepção eu lutar pra mudar o mundo ia ser irrelevante, não ia fazer diferença alguma. Porque vem o apocalipse destruir tudo. E não é assim, cara! 

Eu creio sim que vai ter um apocalipse, mas não sou eu que defino a data. Não vai acontecer agora, na minha geração. O podcast fez eu ter uma luz, abriu a minha mente.

Cara: um hino de mais de duzentos anos e toca a gente até hoje, cara. Como vai ter um apocalipse agora, justamente comigo, justamente com o Josué, na geração do Josué.

Então, esse podcast me mudou pra valer. Fez eu entender que eu tenho que lutar por algo, tenho que viver por algo, entendeu? Eu já morei em outro país, eu morei no Equador, um país que, realmente, lá a política pública destruiu o país, literalmente, Luciano. Se o senhor quiser pesquisar lá como é o Equador, hoje, atualmente, o transporte púbico precário, as casas precárias. Então, eu sei como é lá fora. Eu sei como é o Peru, eu sei como é a Colômbia, eu sei como é a Venezuela, todos sabemos na verdade.

Então cara, o Brasil está um passo à frente. Ainda sendo considerado subdesenvolvido, ainda está um passo à frente desses países. E não podemos dar um passo pra trás agora, Luciano. Que a gente deveria estar indo pra frente, sabe?

Então, ouvir esse podcast, realmente, aumentou a minha autoestima. Mandei pra uma amiga minha, a Vanessa, e ela chorou igual eu, Luciano. E olha que ela é uma mulher de mais de 40 anos. Eu tenho 22 anos.

Então, cara, fenomenal. Muito obrigado por aumentar minha autoestima, por me fazer acreditar mais no meu país, e com toda certeza eu vou fazer algo pra mudar essa nação. Não sei o que, exatamente. No futuro eu vou saber. Mas que eu vou fazer algo pra mudar, eu vou. Não quero ficar mais parado não, Luciano.

Então, muito obrigado por tudo. Vida longa do Cafezinho, ao Café com Leite, que é muito incrível. Eu fiquei apaixonado pelo episódio do Hino Nacional. E até uma próxima, meu querido. Grande abraço, estamos juntos, é nóis”

Que emoção, Josué! Olha: isso é o poder do podcast, meu caro, capaz de fazer a gente chorar. E você sabe por que, hein? Porque ele faz a mágica de se materializar  na sua mente. Não é um vídeo que você está assistindo com as imagens feitas pelo diretor ou um por um artista ou então por quatro mané conversando. É um áudio que obriga a sua imaginação a viajar…e transforma você em parte do podcast. É essa a mágica. E quando tocamos num tema tão tocante como as coisas de nosso país, que mexem com nosso orgulho, nossas raízes, fica impossível não se emocionar. Mas pra isso, tem de ter sensibilidade como você. Muito obrigado, meu caro.

Avenida Paulista, São Paulo. Caminho pela calçada num horário comercial, absorto, em direção a uma reunião. Provavelmente eu estava ouvindo algum podcast. Em meio a milhares de pessoas, estão dezenas de moradores de rua, mendigos ou não. E num determinado momento eu me deparo com uma garota, muito bonita, em andrajos, sentada num chão em meio a panos sujos, com um bebê lindo no colo. Me chamou atenção tanto a beleza da garota quanto a beleza do bebê e ao cruzar meus olhos com a menina, ela estendeu a mão pedindo uma ajuda, com uma expressão de desperança que me desmontou. Na verdade, mais que a beleza dos dois, o que me desmontou foi a juventude da menina. Ela devia ter não mais que 20 anos de idade, se tanto e estava ali, naquela situação, com um filho no colo, mendigando.

Passei reto, mas eu não dei três passos. Voltei, dei a ela um dinheiro e nessas alturas meus olhos estavam cheios d´água. Eu já havia esquecido da reunião e na minha cabeça vinha um questionamento sobre a injustiça daquela cena, sobre a razão de uma criança ser mãe naquelas condições, sobre a sociedade, sobre eu pagar mais caro para estacionar o carro que o valor que eu dei para a garota como uma esmola. Sobre a minha impotência diante daquele quadro. Alguns metros à frente tinha mais gente na mesma condição.

O olhar daquela menina me acompanhou pelo dia todo e me acompanha desde então. Eu devia ter ficado mais tempo, eu devia ter dado mais dinheiro, eu devia ter pagado pela refeição, eu devia ter procurado saber quem era aquela garota, tentar ajudá-la a sair daquela condição, cara… Que angústia.

Passada a emoção, veio a racionalização.

– Pô, mas quem disse que aquela criança é filha daquela menina, hein? E se forem irmãos? Ou então se forem só conhecidos? E se aquilo for uma armação para me comover e obter dinheiro, hein? E pelo que vi ela estava recebendo muitas esmolas, no final do dia teria levantado uma boa grana… Não seria eu a resolver aquele problema que é insolúvel… Alívio.

Bem vindo à dissonância cognitiva.

Ao som da sempre instigante Take Five, com Dave Brubeck, que vamos então à Escolinha do Professor Luciano.

Dissonância tem a ver com falta de harmonia. Na música, por exemplo, é um conjunto de sons que destoam, que não soam agradavelmente.  Já o “cognitiva” vem de cognição, que é o processo de aquisição do conhecimento, incluindo o pensar, a reflexão, a imaginação, a atenção, raciocínio, memória, juízo, o discurso, a percepção visual e auditiva, a aprendizagem, a consciência, as emoções. Tem que estar vivo, né cara! Envolve os processos mentais que influenciam o comportamento de cada indivíduo. Isso é cognição.

Portanto, dissonância cognitiva é uma falta de harmonia na forma como você trata a aquisição e processamento de informações e ela se manifesta pela sensação desagradável de se ter duas ideias contraditórias ao mesmo tempo.

Sabe aquele momento em que você, defensor dos direitos dos animais, senta para jantar, olha aquele bife maravilhoso ou aquele franguinho a passarinho que a sua mãe preparou com tanto carinho e lembra daquele documentário sobre matadouros de animais, hein? Sabe aquele desconforto?

Dissonância cognitiva.

Para minorar o seu sofrimento psíquico então, você tenta justificar ou racionalizar as suas atitudes, ideias ou crenças contraditórias e recorre a mecanismos de defesa do ego, seja através de discursos que vão contra a lógica ou através da recusa a crer nas evidências.

A dissonância cognitiva é, portanto, uma espécie de anomalia psíquica causada pelo fato de alguém defender simultaneamente duas ideias contraditórias que tenham como consequência tipos de ação opostos. Sou eu olhando aquela garota, pensando em dar o dinheiro pra ela e ao mesmo tempo imaginando que aquilo é uma armação pra me enganar. Uma coisa me pede pra agir em benefício dela, a outra me diz pra me proteger e eu tenho que lidar com essas duas coisas ao mesmo tempo.

É você, por exemplo, defendendo votar em um corrupto em nome do retorno à decência.

Você lembra do filme Robocop? Tem um momento em que o bandido  ordena ao Robocop que atire no mocinho. Mas o Robocop tem uma de suas regras fundamentais que é jamais fazer mal a um ser humano do bem. Quem leu Isaac Asimov sabe bem do que estou falando. E diante da ordem para atirar, que vai absolutamente contra um valor fundamental, o Robocop praticamente entra em curto circuito… Esse é um caso extremo de dissonância cognitiva em ação.

Voltemos ao exemplo da menina na rua com o bebê. Na minha cabeça ficou o conflito: dou a esmola? Dou mais que a esmola? Ignoro, pois outros darão? Ignoro, poque é armação? Que decisão vai causar o menor dano ao meu ego?

Conforme a teoria da Dissonância Cognitiva, escolhemos o caminho que requer menos energia e especialmente, menos estresse emocional. E na maioria das vezes optamos por desembolsar algum dinheiro em vez de sentir que estamos sendo cruéis, desrespeitosos ou até mesmo indiferentes ao sofrimento alheio. Eu dou a esmola e fiz a minha parte. Alívio.

É a teoria da dissonância cognitiva que explica porque tanta gente cai em golpes manjados, porque mesmo sabendo que seremos enganados acabamos concordando em entrar em certas frias. E depois não nos conformamos com nosso coeficiente de trouxidão. Trouxa.

Os psicólogos chamam essa vulnerabilidade de “suspensão voluntária da incredulidade”. É aí que apesar de podermos ver a manipulação potencial e os motivos do autor da ação que vai nos prejudicar, por causa de algum compromisso ou mesmo da certeza de que “comigo vai dar certo”, a gente segue adiante para quebrar a cara. Fala a verdade, isso nunca aconteceu com você não, hein?

Sabe aquela oferta que chega por e-mail com um preço inacreditável? Aquele investimento que dá taxas de retorno fabulosas? Aquela proposta de curso que, se você fizer, ficará rico? A suspeita de que algo de ilegal ou desonesto está em jogo fica para trás diante da perspectiva de algum ganho rápido e fácil. E o trouxa faz a opção psicológica de se engajar na dissonância cognitiva.

Depois do prejuízo, criamos todo tipo de desculpa para justificar a escolha desastrada…

Vamos então ao marketing, que é o planeta da dissonância cognitiva? É a propaganda quem mais uso faz do que se aprendeu com essa teoria. Um anúncio de um produto que mostra que ele lava mais branco, por exemplo, tem como intenção criar a dissonância cognitiva nos usuários do produto concorrente.

No marketing político então… repare na estética, no discurso, no conteúdo. A intenção é criar na sua cabeça a dissonância cognitiva, plantar a ideia de que você votou no político errado, que aquele ali que está na tela, que está falando, é quem tem as melhores soluções. Viu, seu trouxa? E aí você fica com aquela sensação de que votou errado, se tivesse votado no outro, viu… e sai à cata das explicações para seu voto, que darão alívio psicológico.

E aí vem aquela conversa…

Só você não vê
Nico Nicolaiewsky
Fernando Pezão

Eu não sei dizer
quanto tempo eu fiquei parado ali
olhando e suspirando ao teu redor
o medo e a vontade de te amar

só você não viu
só você não vê

Eu não sei porque
o mundo não parava de girar
a banda não parava de tocar
o medo e a vontade de te amar

só você não viu
só você não vê

só você não vê
que esse nosso amor
pode acontecer
eu não sei porque

só você não vê

Ah, que delícia, viu… Esse é Nico Nicolaiewsky com Só você não vê,  dele e de Fernando Pezão. Há quanto tempo você está aí parado hein? Ouvindo a banda tocar?

Existem diversas maneiras de escapar da dissonância cognitiva.  A primeira é simplesmente ignorar ou eliminar os conhecimentos dissonantes. Você quer ver?

Já que eu não comi aquele espaguete delicioso no almoço, eu posso muito bem mandar bala neste sorvete com calda, que não vou quebrar o regime… Viu só? Ao ignorar a cognição dissonante, que no caso é comer o sorvete que não vai me engordar por conta do espaguete que eu não comi, acabamos por aceitar algo que de outro modo seria mau ou inadequado.

Outra forma é alterar a importância de certos conhecimentos. Por exemplo considerar que o sorvete não engorda taaannto assim, ou então que os quilinhos a mais não fazem mal, assim a gente diminui a dissonância cognitiva.

Se uma das cognições dissonantes tiver peso maior que a outra, a mente terá menos resistência. Cara, o sabor e a sensação de comer aquele sorvete é muito maior do que o meu desejo de emagrecer, portanto eu posso tomar o sorvete sem me sentir desconfortável.

Outra forma é adicionar outros conhecimentos no jogo. Você quer ver?  Por exemplo: eu vou começar o regime na segunda feira. Ou então eu vou caminhar uma vez a mais na semana pra compensar o sorvete. Com isso diminuo a dissonância cognitiva e chuto o pau da barraca no final de semana, sem ficar com remorso…

E por fim, a forma mais importante de combater a dissonância cognitiva: evitá-la. Quando alguém aparecer com a informação que é dissonante, o mais fácil é ignorá-la.

Portanto, não adianta aparecer aqui com um estudo que mostra o potencial engordativo do sorvete, meu. Vou simplesmente ignorá-lo.

… aí ao fundo você está ouvindo Take Five, desta vez com George Benson…

Vivemos num mundo repleto de contradições. A dissonância cognitiva está por todos os lados. Pratica-se a censura para garantir a liberdade de opinião. Mata-se em nome da paz. Rouba-se em nome da justiça social. Agride-se em nome da democracia. Quebra-se a Constituição em nome da segurança jurídica.

Conviver com essas contradições está nos ensinando um outro modo de lidar com a dissonância cognitiva: a hipocrisia.

É na política que a dissonância cognitiva se manifesta na totalidade. Por exemplo, quando uma determinada autoridade, reconhecida pelo povo, se comporta de forma irracional, fazendo com que o cidadão tente conciliar mentalmente a autoridade de direito com a irracionalidade do seu comportamento. Diante das contradições da autoridade, o cidadão tem dois caminhos: ou desiste e se desinteressa da política, tornando-se um bovino resignado como aquele que Orwell descreveu em seu livro 1984, ou então constrói uma concepção de mundo que tente assimilar o contraditório da ação da autoridade sem pirar… Para isso ele abre mão da lógica e dá pedaladas no discurso político até que a contradição da autoridade caia para um plano invisível, normalmente o plano das ideologias. É especialmente então que surge o duplipensar,  o ato de se ter duas crenças contraditórias e aceitar ambas como verdade.

Mas a coisa fica ainda mais interessante, quer ver?

O ano é 1995. Um vídeo escandaloso mostrado no Jornal Nacional apresenta o bispo Edir Macedo ensinando sua equipe como tirar o máximo de dinheiro dos fiéis.

Esse vídeo está no roteiro deste programa publicado no portalcafebrasil.com.br.

Quando assisti àquelas imagens, eu pensei assim: cara, o bispo acabou… Passados 25 anos, o bispo e a sua igreja nunca estiveram tão fortes, tão ricos, tão poderosos.

Aquele  escândalo veiculado no Jornal Nacional não destruiu nem o bispo nem seu projeto. A sua base de fiéis cresceu assustadoramente, transformando a Igreja Universal num negócio bilionário, mesmo diante da evidência dos fatos. Coisas assim aconteceram ao longo de toda história da humanidade: grupos de pessoas que, mesmo diante das mais claras evidências de perigo, de más intenções, de risco, permanecem seguindo líderes visionários, malucos ou simplesmente desonestos. Como é possível que tanta gente se recuse a ver a verdade, hein?

Bem, já sabemos o que acontece com elas, a dissonância cognitiva. E os estudiosos explicam esse comportamento irracional como a imunização cognitiva.

A imunização cognitiva é um escudo que permite que as pessoas se agarrem a valores e credos, mesmo que fatos objetivos demonstrem que eles não correspondem à verdade. A pessoa cognitivamente imunizada está no terreno da fé, que dispensa o raciocínio lógico. Para ela, argumentos lógicos não têm relevância.

E então assistimos gente com estudo, inteligente, articulada, que sabemos que não está tirando nenhum proveito material, defendendo em público aquilo que é indefensável. Cara: como é que essas pessoas chegam a esse ponto?

Bem, existem ao menos cinco fases no processo de imunização cognitiva.

Primeira fase: isolamento de quem tem opiniões contrárias, protegendo suas ideias. A pessoa vai eliminando de seu convívio ou mesmo da sua atenção, quem pensa diferente.

Segunda fase: redução da exposição às ideias contrárias. A pessoa passa a ler e ouvir apenas as opiniões em linha com seus credos, suas crenças. Nos estados totalitários, é quando a liberdade de expressão passa a ser ameaçada, quando a imprensa perde a liberdade, quando vozes dissidentes são caladas. É quando os processos educacionais adotam opiniões selecionadas, com autores e textos cuidadosamente escolhidos para seguir apenas uma visão de mundo.

Terceira fase: conexão dos credos às emoções poderosas. Se você não seguir aquelas ideias, algo de ruim vai acontecer. Lembra daquele “se você pecar, vai para o inferno”? Se você não votar naquele candidato, a sua vida, suas economias, seus benefícios estarão em perigo…

Quarta fase:  associação a grupos que trabalham para combater as ideias dos grupos contrários. Isso acontece não só em política, mas até mesmo na ciência, quando métodos de investigação científica focam nas fraquezas das teorias adversárias, ignorando os pontos fortes.

Quinta fase: a repetição. Repetição, repetição, repetição. Cria-se um tema, um slogan que materializa um determinado credo ou visão, que passa a ser repetido como um mantra, numa técnica de aprendizado. O grito “não vai ter golpe”, por exemplo, por exemplo “ele não”, não é uma criação espontânea, uma obra do acaso. É pensado, calculado. Sua repetição imuniza cognitivamente as pessoas contra os argumentos a favor do impeachment, por exemplo.

Os especialistas em psicologia das massas sabem que nossas mentes evoluíram muito mais para proteger nossos credos do que para avaliar o que é verdade e o que é mentira. E os especialistas em comunicação constroem retóricas fantásticas, com intenção de desviar o tema principal e especialmente, imunizar cognitivamente os soldados da causa.

E aí, meu caro, não adianta mostrar o vídeo, o recibo, o cheque, os pedalinhos, o testemunho do caseiro, a ordem da transportadora, o grampo telefônico, os prints da conversa, os dados estatísticos, os registros históricos… O imunizado cognitivo está vacinado contra fatos objetivos.

Tá explicado então, hein? Se você está se sentindo entorpecido das ideias, incapaz de descer do muro, provavelmente alguém está lhe ministrando umas doses de imunizante cognitivo.

E você nem percebeu que tá dando a grana pro bispo.

Muito bem… entendeu agora o que acontece com aquele seu amigo, aquela sua amiga? Ou até com você? Dissonância cognitiva!

Dá pra discutir esse tema indefinidamente, especialmente porque a dissonância cognitiva não pode ser medida de forma objetiva. Ela é subjetiva, cada um reage de uma forma diferente e no fim das contas, ela parece mais é com um sentimento de culpa, até de remorso.

Vixe.. isso dá pano pra manga, viu?

Quem tem medo do lobo mau

Som na caixa!
Você não me assusta, Lobinho
Não tenho medo de você
Lobinho, não tenho medo de você
Quem tem medo do Lobo Mau?
Lobo Mau, Lobo Mau?
Quem tem medo do Lobo Mau?
Tcha-la-la-la-lau
Três porquinhos viviam no bosque
Não davam muita atenção
Pro grande Lobo Mau
O primeiro não era astuto
Fez sua casa de arbusto
Tocava a sua flauta
Brincava pela mata
O segundo não tinha medo
Fez sua casa com um feno
Tocava seu violino
Brincava com os amigos
O terceiro falou logo:
“Minha casa é com tijolos”
Não vou tentar nem dançar
Assim não vou acabar
Ai, esse Lobo Mau não tá com nada
Eu quero ver ele vir aqui, e soprar e destruir a minha casa
Lobinho!
Mas o grande dia veio
O Lobo pegou eles de jeito
Soprou as casas pro ar
Mas uma não pôde abalar
Todos correram pro terceiro
Na casa feita contra o vento
Ninguém ficou machucado
O Lobo ficou chateado
Lobinho, não tenho medo de você
Lobo Mau, Lobo Mau?
Quem tem medo do Lobo Mau?
Tcha-la-la-la-lau

E é assim então, ao som de QUEM TEM MEDO DO LOBO MAU, com o grupo Leões de Israel, uma tradicional banda de reggae brasileira, na estrada há mais de 20 anos, que eu dedico a você, que também acha que a gente tem de ir muuuuito além do básico, que este Café Brasil vai saindo de mansinho.

Você já sabe, né? Eu lancei meu novo livro Merdades e Ventiras – Como se proteger da mídia que faz a sua cabeça. Nele, eu falo dos truques e estratégias que as mídias usam para manipular nossa visão do mundo e, num projeto de engenharia social, nos levar a fazer escolhas que nem sempre são as melhores. A mídia é uma das maiores construtoras de imunização cognitiva. Este aqui é o momento exato para ler esse livro, já que a mídia, com suas fake news e manipulação evidente, foi um dos principais agentes do resultado destas eleições.

Você quer entender o que aconteceu? Leia Merdades e Ventiras, em merdadeseventiras.com.br.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, a felicíssima Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

E para terminar, aquilo que o psicólogo Leon Frestinger escreveu:

A dissonância cognitiva torna um homem de convicções profundas incapaz de mudar de opinião diante de uma contradição… ele se torna imune a evidências e argumentos racionais. Diga que discorda e ele lhe dará as costas. Mostre fatos ou números e ele questionará suas fontes. Apele para a lógica e ele será incapaz de entender o seu raciocínio.