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Luciano Pires -

Então, chega mais! Eu quero fazer uma perguntinha pra você: você quer pegar seu carro, moto ou caminhão e chegar com muito mais tranquilidade e conforto onde quiser? Então escuta essa aqui, ó:  com a Nakata você chega muito mais longe! Porque a Nakata é a marca líder em suspensão que garante a qualidade das peças do seu veículo, pra chegar sempre mais longe.

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Caetano: eu compus muitas canções pra Gal cantar. A pedido dela. Ela apenas me avisava que estava fazendo um novo disco e a canção, eu sempre fazia. Eu tenho uma canção cuja letra talvez responda à sua pergunta. Que diz assim: minha voz, minha vida, meu segredo e minha revelação, minha luz escondida, minha bússola e minha desorientação. Se o amor escraviza, mas é a única libertação. Minha voz é precisa. Voz que não é menos minha que da canção.

Minha voz, minha vida
Caetano Veloso

Minha voz, minha vida
Meu segredo e minha revelação
Minha luz escondida
Minha bússola e minha desorientação
Se o amor escraviza
Mas é a única libertação
Minha voz é precisa
Vida que não é menos minha que da canção
Por ser feliz, por sofrer
Por esperar, eu canto
Pra ser feliz, pra sofrer
Para esperar eu canto
Meu amor, acredite
Que se pode crescer assim pra nós
Uma flor sem limite
É somente por que eu trago a vida aqui na voz
Meu amor, acredite
Que se pode crescer assim pra nós
Uma flor sem limite
É somente por que eu trago a vida aqui na voz

Existem pessoas que acompanham a gente pela vida toda. Normalmente artistas que nos fazem sorrir e chorar, que nos confortam em momentos ruins ou celebram conosco os momentos bons. Neste ano pesado de 2022, acabamos de perder Gal Costa, que levou consigo um sorriso contagiante. E um pedacinho do coração de cada um de nós.

Este programa é uma singela homenagem.

Bom dia, boa tarde, boa noite, você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano, Ciça e Lalá. Cara, que satisfação falar com vocês nessa mensagem. Ouvindo aqui, um podcast, pra variar, musical.

Antes de comentar, eu sou de Açailândia, no Maranhão, sou maquinista ferroviário, meu nome é Nacor Paixão e eu tenho 37 anos. Cara, eu sou muito fã do programa de vocês, do nosso, nosso Café,nosso Café Brasil.  Simplesmente sensacional, não tenho palavras pra descrever a riqueza de conteúdo que tem o Café Brasil, Café Brasil Premium.

Mas, vamos lá. Meu irmão me apresentou o Café Brasil, né? Em 2016 e desde então sou viciado. E eu me viciei mais ainda nos podcasts musicais, eu gosto muito de música e como eu sou maquinista, aquele podcast, aquele episódio do trem da história. Cara, que episódio sensacional, velho, que história…

E lá, você diz que talvez faria o número dois, estou esperando. Mas essa não é a cobrança, não, desse áudio. A cobrança é porque eu estou vendo aqui, pra variar o Café Brasil musical, Rua Ramalhete, e toda vez que eu ouço, eu lembro, logo no primeiro dia que você faz um comentário assim: cara, na Rua Ramalhete você fala lá do Tavito, né? E você fala do Clube da Esquina, que tinha os cantores lá e tal, que cantavam com o Tavito e que esses cantores formaram o Clube da Esquina e você diz assim: o Clube da Esquina foi tão importante que merece um Café Brasil tão especial, tão especial, que até hoje, eu não consegui fazer. E isso já faz mais de três anos, esse episódio da Rua Ramalhete.

Então, estou mandando esse áudio pra lhe lembrar que você está nos devendo o Café Brasil do Clube da Esquina, viu?

Eita, meu amigo: cobrei mesmo! Porque cara: episódio de música é sensacional, velho. É muito bom. E o Lalá então, com a técnica dele aí, deixa tudo top demais.

É isso. Um abração, fica com Deus aí e trabalha nos programas prometidos. Um abraço, Luciano, Ciça e Lalá.”

Grande Nacor Paixão! Cara: olha que nome maravilhoso. Fala de cor e fala de paixão. Os episódios musicais são sempre especiais. Eles demandam uma energia e bastante tempo. E este ano aqui foi um ano especialmente difícil cara, acabei ficando em dívida com meus ouvintes. No caso do Clube da Esquina, que é o mesmo que acontece com Beatles, Stevie Wonder, Roberto Carlos, Caetano… são artistas que tem uma obra tão grande, que eu preciso mergulhar muito fundo. O programa de hoje é um exemplo. Foi feito sem que eu tivesse tempo de mergulhar fundo na obra da Gal. E aí eu fico com aquela sensação de “ cara, podia ser melhor”, sabe como é que é? Mas vamos lá. Uma hora sai!  Grande abraço.

O ano é 1978. Eu havia me formado e estava com dois amigos, o Waltinho e o Carioca, numa viagem de carro de São Paulo até Fortaleza. A gente só sabia a direção, não sabia o caminho, não tinha hora pra chegar… uma viagem de quase dois meses, no auge dos nossos 22 anos. E naquela viagem, a trilha sonora foi fundamental. Um dia vou fazer um programa só sobre ela, cara. Mas entre os cassetes que a gente levou, tinha um quase furou de tanto tocar…

Esotérico
Gilberto Gil

Não adianta nem me abandonar
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu pra você
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões
Todos iguais

Até que nem tanto esotérico assim
Se eu sou algo incompreensível
Meu Deus é mais
Mistério sempre há de pintar por aí

Não adianta nem me abandonar
Nem ficar tão apaixonada, que nada
Que não sabe nadar
Que morre afogada por mim

Não, não, não, não adianta
Me abandonar

Esotérico, de Gilberto Gil, que está no disco Doces Bárbaros. Grande parte da viagem foi assim, embalada pelas vozes de Gil, Caetano, Bethânia e… Gal…

Putz meu, quanta saudade…

Maria da Graça Costa Penna Burgos nasceu em 26 de setembro de 1945, em Salvador, na Bahia.

Filha de Mariah Costa Pena e Arnaldo Burgos, diz a lenda que, quando grávida, Mariah ficava ouvindo música clássica para que o bebê fosse, de alguma forma, “uma pessoa musical”.

Do pai, pouco se sabe. Ele foi morto quando Maria da Graça tinha 14 anos, mesma época em que ela toma contato com um artista que determinaria sua vida…

Chega de Saudade
Tom Jobim

Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade
A realidade é que sem ela não há paz
Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim

Quando Maria da Graça ouviu pela primeira vez o baiano João Gilberto interpretando Chega de Saudade, sentiu que ali seria sua praia…

Em 1963, sua amiga Dedé apresentou Gal a Caetano Velloso. Nascia ali uma das parcerias e amizades mais duradouras e profícuas da música popular brasileira.

No ano seguinte, 64, Gal Costa participou do show Nós, Por Exemplo…, junto com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Tom Zé e outros artistas. Seu talento musical começava a ser reconhecido por algumas das figuras que viriam a ser das maiores da Música Popular Brasileira.

Para seguir o seu sonho, mudou-se para o Rio de Janeiro e gravou um duo com Caetano Veloso em seu álbum de estreia.

É daquele disco a faixa Eu Vim da Bahia, de Gilberto Gil.

Eu vim da Bahia
Gilberto Gil

Eu vim
Eu vim da Bahia cantar
Eu vim da Bahia contar
Tanta coisa bonita que tem na Bahia que é meu lugar
Tem meu chão, tem meu céu, tem meu mar
A Bahia que vive pra dizer
Como é que faz pra viver
Onde a gente não tem pra comer
Mas de fome não morre
Porque na Bahia tem mãe Iemanjá
De outro lado o Senhor do Bonfim
Que ajuda o baiano a viver
Pra cantar, pra sambar pra valer
Pra morrer de alegria
Na festa de rua, no samba de roda
Na noite de lua, no canto do mar
Eu vim da Bahia
Mas eu volto pra lá
Eu vim da Bahia mais algum dia eu volto pra lá

Em 1966, Gal se apresentou no I Festival Internacional da Canção e continuou a construir uma carreira sólida. Em 1967 gravou um LP em parceria com Caetano Velloso: Domingo. A faixa mais ouvida foi… Coração Vagabundo.

Coração vagabundo
Caetano Veloso

Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer

Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por meus sonhos

Sem dizer adeus
E fez dos olhos meus
Um chorar mais sem fim

Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim
Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo
Em mim

Em 1968 Gal participou de um disco que foi um marco na MPB:  Tropicália ou Panis et Circencis. E ali gravou um de seus maiores sucessos. Baby, que Caetano Veloso havia escrito para sua irmã, Maria Bethânia.

Baby
Caetano Veloso

Você precisa saber da piscina
Da margarina
Da Carolina
Da gasolina
Você precisa saber de mim

Baby baby
Eu sei que é assim

Você precisa tomar um sorvete
Na lanchonete
Andar com a gente
Me ver de perto
Ouvir aquela canção do Roberto

Baby baby
Há quanto tempo

Você precisa aprender inglês
Precisa aprender o que eu sei
E o que eu não sei mais
E o que eu não sei mais

Não sei, comigo vai tudo azul
Contigo vai tudo em paz
Vivemos na melhor cidade
Da América do Sul
Da América do Sul

Você precisa
Você precisa
Não sei
Leia na minha camisa

Baby baby
I love you.

Que maravilha… O primeiro álbum de Gal Costa sairia em 1969, com alguns clássicos. Entre eles, Divino Maravilhoso, que Gilberto Gil e Caetano Veloso já haviam imortalizado como um hino da Tropicália.

Divino maravilhoso
Gilberto Gil
Caetano Veloso

Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte Atenção para a estrofe e pro Pro palavrão, para a palavra de ordem
Atenção para o samba exaltação
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte Atenção para as janelas no alto
Atenção ao pisar o asfalto, o mangue
Atenção para o sangue sobre o chão
Atenção
Tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
Atenção para o É preciso estar atento e forte

Seu segundo disco, de 1969, chamado simplesmente Gal, mostrou um trabalho influenciado por Janis Joplin e Jimmy Hendrix. Psicodélico, cara! Nele está outro de seus maiores sucessos Meu Nome é Gal, composição de Roberto e Erasmo Carlos.

Meu nome é Gal
Roberto Carlos
Erasmo Carlos

Meu nome é Gal
E desejo me corresponder com um rapaz que seja o tal
Meu nome é Gal

E não faz mal
Que ele não seja branco, não tenha cultura
De qualquer altura, eu amo igual
Meu nome é Gal

E tanto faz
Que ele tenha defeito ou traga no peito crença ou tradição
Meu nome é Gal
Eu amo igual
Meu nome é Gal

Meu nome é Gal, tenho 24 anos
Nasci na Barra Avenida, Bahia
Todo dia eu sonho alguém pra mim
Acredito em Deus, gosto de baile, cinema
Admiro Caetano, Gil, Roberto, Erasmo
Macalé, Paulinho da Viola, Lanny
Rogério Sganzerla, Jorge Ben, Rogério Duprat
Waly, Dircinho, Nando e o pessoal da pesada

E se um dia eu tiver alguém com bastante amor pra me dar
Não precisa sobrenome
Pois é o amor que faz o homem

Meu nome é Gal
Meu nome é Gal
Meu nome é Gal, meu nome, meu nome
Meu nome é Gal

Em 1979 Gal regravaria essa canção e nos daria de presente um dos grandes momentos da música popular brasileira, quando ela faz com a voz uma espécie de duelo com a guitarra. Ali estava registrada, para sempre o talento e a voz de Gal Costa…

Em 1970, auge da ditadura militar, Gal foi visitar Caetano Veloso e Gilberto Gil, que estavam exilados em Londres. Trouxe algumas novas faixas, que seriam incluídas no seu próximo disco, Legal.  Entre elas, um clássico maravilhoso… London, London, de Caetano Veloso:

London, London
Caetano Veloso

I’m wandering round and round nowhere to go
I’m lonely in London, London is lovely so
I cross the streets without fear
Everybody keeps the way clear
I know, I know no one here to say hello
I know they keep the way clear
I am lonely in London without fear
I’m wandering round and round here nowhere to go
While my eyes
Go looking for flying saucers in the sky
While my eyes
Go looking for flying saucers in the sky
Oh Sunday, Monday, autumn pass by me
And people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman
He seems so pleased to please them
It’s good at least to live and I agree
He seems so pleased at least
And it’s so good to live in peace and
Sunday, Monday, years and I agree
While my eyes
Go looking for flying saucers in the sky
While my eyes
Go looking for flying saucers in the sky
I choose no face to look at
Choose no way
I just happen to be here
And it’s okay
Green grass, blue eyes, gray sky, God bless
Silent pain and happiness
I came around to say yes, and I say
Green grass, blue eyes, gray sky, God bless
Silent pain and happiness
I came around to say yes, and I say
But my eyes
Go looking for flying saucers in the sky

Londres, Londres

Estou vagando, dando umas voltas, sem direção
Estou solitário em Londres, Londres é amável assim
Cruzo as ruas sem medos
Todo mundo deixa o caminho livre

Sei que não conheço ninguém aqui prá dizer olá
Sei que eles deixam o caminho livre
Estou solitário em Londres, sem medos
Estou vagando, dando umas voltas, sem direção

Enquanto meus olhos saem procurando por discos voadores no céu
Enquanto meus olhos saem procurando por discos voadores no céu

Oh Domingo, segunda, Outono, passam por mim
E as pessoas passam apressadas com tanta paz
Um grupo aborda um policial
Ele parece tão satisfeito em poder atendê-los

É bom pelo menos estar vivo e eu concordo …
Ele parece tão satisfeito, pelo menos
E é tão bom viver em paz
E Domingo, segunda, os anos, e eu concordo …

Enquanto meus olhos saem procurando por discos voadores no céu
Enquanto meus olhos Saem procurando por discos voadores no céu

Não escolho nenhum rosto para olhar, não escolho caminho
Acontece apenas de eu estar aqui e estar tudo bem
Grama verde, olhos azuis, céu cinza
Deus abençoe a dor silenciosa e a felicidade
Eu vim para dizer sim e digo
Grama verde, olhos azuis, céu cinza
Deus abençoe a dor silenciosa e a felicidade
Eu vim para dizer sim e digo

Mas meus olhos saem procurando por discos voadores no céu

Em 1972, Gal realizou a turnê que daria origem ao álbum ao vivo Fa-Tal/Gal a Todo Vapor. Até hoje, ele é considerado pelos críticos o mais importante de sua carreira, e que serviu para impulsionar ainda mais o Tropicalismo. Nele estão Vapor Barato, Como 2 e 2 e a espetacular Pérola Negra, de Luis Melodia.

Pérola negra
Luís Melodia

Tente passar pelo que estou passando
Tente apagar este teu novo engano
Tente me amar pois estou te amando
Baby, te amo, nem sei se te amo
Tente usar a roupa que estou usando
Tente esquecer em que ano estamos
Arranje algum sangue, escreva num pano
Pérola negra, te amo, te amo
Baby, te amo, bem sei se te amo
Rasgue a camisa, enxugue meu pranto
Como prova de amor mostre teu novo canto
Escreva num quadro em palavras gigantes
Pérola Negra, te amo, nem sei se te amo
Tente entender tudo mais sobre o sexo ehh
Peça meu livro querendo eu te empresto uhh
Se inteire da coisa sem haver engano
Baby, te amo, nem sei se te amo
Pérola negra, te amo, te amo
Baby, te amo, nem sei se te amo
Pérola Negra, te amo, te amo
Pérola Negra, te amo, nem sei se te amo
Baby te amo, nem sei se te amo
Baby te amo, nem sei se te amo

Naquele começo dos anos setenta, a música popular no Brasil e no mundo florescia de uma forma como nunca mais se viu. Álbuns fundamentais marcariam a cultura brasileira para sempre. Caetano com Ar9açá azul, Raimundo Fagner com Manera, fru fru, manera; Quem é quem, de João Donato; Ou não, de Walter Franco; Pérola negra, do Luiz Melodia; Krigh-ha bandolo!, de Raul Seixas. João Bosco e Aldir Blanc no auge da criatividade, Hermeto Paschoal lançou seu primeiro disco gravado no país (A música livre), Gonzaguinha com Comportamento geral; o Milagre dos Peixes de Milton Nascimento; Sérgio Sampaio, com Eu quero botar meu bloco na rua. Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets. Tim Maia e sua Primavera. Os Secos e Molhados quebravam tudo com sua androginia provocativa. Os Novos Baianos Futebol Clube chegavam arrasando, com Moraes Moreira, Pepeu Gomes e Baby Consuelo. E o mestre João Gilberto com seu “álbum branco”?

Cara: Olha só onde a Gal Costa reinava…

Eu sou um privilegiado, cara. Vivi aqueles anos todos na flor dos meus vinte anos…

Índia
José Asunción Flores
José Fortuna

Índia seus cabelos nos ombros caídos,
Negros como a noite que não tem luar,
Seus lábios de rosa para mim sorrindo
E a doce meiguice desse seu olhar.
Índia da pele morena,
Sua boca pequena
Eu quero beijar.
Índia, sangue tupi,
Tem o cheiro da flor,
Vem, que eu quero te dar,
Todo meu grande amor.
Quando eu for embora para bem distante
E chegar a hora de dizer-lhe adeus
Fica nos meus braços só mais um instante,
Deixa os meus lábios se unirem aos seus.
Índia, levarei saudade
Da felicidade
Que você me deu.
Índia, a sua imagem,
Sempre comigo vai.
Dentro do meu coração,
Flor do meu Paraguai.

Em 73, no disco Índia, Gal ousou ainda mais. A capa do disco, que mostrava o quadril de Gal com uma provocante calcinha vermelha, foi censurada. E Gal ainda mostrava os seios numa das imagens do disco, que teve de ser vendido dentro de um saco plástico. Gal se tornava uma cantora madura, sexy, antenada e à frente de seu tempo.

Em 1975, Gal foi convidada para fazer o papel de Gabriela, na novela da Globo que marcou época. Ela recusou o papel, que transformou Sonia Braga num ícone nacional.  Mas Gal gravou a canção Modinha para Gabriela, de Dorival Caymmi, tema da novela, que está imortalizado em nosso imaginário.

Modinha para Gabriela
Dorival Caymmi

Quando eu vim para esse mundo
Eu não atinava em nada
Hoje eu sou Gabriela
Gabriela ê meus camaradas

Eu nasci assim eu cresci assim e sou mesmo assim
Vou ser sempre assim Gabriela, sempre Gabriela

Quem me batizou quem me nomeou
Pouco me importou é assim que eu sou
Gabriela sempre Gabriela
Eu sou sempre igual não desejo o mal
Amo o natural etc e tal

Afastando-se aos poucos do rock e da psicodelia, Gal se consolidou como uma das vozes mais importantes da MPB. Lançou o disco Gal Tropical, que incluiu canções antigas e inéditas. Nele está um de seus maiores sucessos Balancê:

Balancê
Alberto Ribeiro
Braguinha

Ó balancê, balancê
Quero dançar com você
Entra na roda, morena, pra ver
Ó balancê, balancê

Quando por mim você passa
Fingindo que não me vê
Meu coração quase se despedaça
No balancê, balancê

Você foi minha cartilha
Você foi meu ABC
E por isso eu sou a maior maravilha
No balancê, balancê

Eu levo a vida pensando
Pensando só em você
E o tempo passa e eu vou me acabando
No balancê, balancê

Aliás, Gal tinha um lado carnavalesco que nos brindou com pérolas como… Festa do Interior:

Festa do interior
Abel Silva
Moraes Moreira

Fagulhas, pontas de agulhas
Brilham estrelas de São João
Babados, xotes e xaxados
Seguram as pontas meu coração

Bombas na guerra-magia
Ninguem matava, ninguem morria
Nas trincheiras da alegria
O que explodia era o amor

Ardia aquela fogueira que me esquenta
A vida inteira eterna é a noite
Sempre a primeira
Festa do interior

Aposto que você pulou carnaval com essa música, não pulou? Então olha só o que o autor, Abel Silva, disse sobre ela:

“Estávamos na ditadura, logo depois do episódio da bomba do Rio Centro em 1981.  Eu ainda morava em Ipanema e estava levando meu filho pra creche, pensando no ocorrido. Fui escrevendo mentalmente mentalmente a letra, como uma forma de passar pela censura. Na verdade, a letra é totalmente política.  Nas trincheiras da alegria o que explodia era o amor! Ao chegar em casa, liguei para Moraes Moreira e, no mesmo dia, a música estava pronta.“

E você aí, cara, achando que era só carnaval…

Mergulhando numa fase mais, digamos, comercial, Gal gravou em 1985 seu disco mais vendido, o Bem Bom, onde emplacou Um Dia De Domingo, um petardo em parceria com Tim Maia.

Um dia de domingo
Michael Sullivan
Paulo Massadas
Mihail Plopschi

Eu preciso te falar,
Te encontrar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar,
Depois andar de encontro ao vento.
Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia,
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia,
Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo,
E voltar num sonho lindo
Já não da mais pra viver
Um sentimento sem sentido,
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo,
Ver o sol amanhecer,
E ver a vida acontecer
Como um dia de domingo.
Faz de conta que ainda é cedo,
Tudo vai ficar por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo,
E deixar falar a voz do coração.

Já dava para sentir ali meio que o pastiche sonoro dos anos 80, que engaiolaram diversos artistas dentro de fórmulas de sucesso. Foi quando a música deixou, definitivamente, de ser arte para ser um projeto de marketing… Mas cara, vendia horrores…

Bom, eu prefiro a Gal raiz…

Bom dia
Gilberto Gil

Madrugou, madrugou
A mancha branca do Sol
Acordou o dia
E o dia já levantou
Acorda, meu amor
A usina já tocou
Acorda, é hora
De trabalhar meu amor

Acorda, é hora
O dia veio roubar
Teu sono, cansado
É hora de trabalhar
O dia te exige
O suor e o braço
Pra usina, do dono
Do teu cansaço

Acorda, meu amor
É hora de trabalhar
O dia já raiou
É hora de trabalhar

Essa é a Gal, com Bom dia, de Gilberto Gil…

Durante a década de 90, Gal continuou a lançar discos. Um dos destaques é o premiado O sorriso do gato de Alice, de 1993. Foi na turnê desse trabalho que a cantora mostrou a sua coragem e irreverência, ao apresentar a faixa Brasil, de Cazuza, George Israel e Nilo Romero com os seios nus. Aliás, temos o raro registro de Gal com Cazuza…

Brasil
Cazuza
George Israel
Nilo Romero

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer
Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha

Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer sim, sim

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair

Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim
Confia em mim
Brasil

Brasil, mostra a sua cara… a cada ano que passa essa canção fica mais atual…

As time goes by
Herman Hupfeld

You must remember this
A kiss is still a kiss
A sigh is just a sigh
The fundamental things apply
As time goes by

And when two lovers woo
They still say I love you
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by

Moonlight and love songs
Never out of date
Hearts full of passion
Jealousy and hate
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny

It’s still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by

It’s still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by

Com o passar do tempo

Você deve lembrar-se disto
Um beijo é sempre um beijo
Um suspiro é exatamente um suspiro
As coisas fundamentais se aplicam
Com o passar do tempo

E quando dois amantes namoram
Eles ainda dizem: Eu te amo
Nisso você pode confiar
Não importa o que o futuro traga
Com o passar do tempo

Luar e canções de amor
Nunca serão obsoletos
Corações enchem-se de paixões
Ciúme e ódio
Mulher precisa de homem
E o homem deve ter sua companheira
Que ninguém pode negar

Ainda é a mesma velha história
Um combate por amor e glória
Um caso de faça ou morra
O mundo sempre dará boas-vindas aos amantes
Com o passar do tempo

Ainda é a mesma velha história
Uma luta por amor e glória
Um caso de fazer ou morra
O mundo sempre dará boas-vindas aos amantes
Com o passar do tempo

Em 2001, Gal Costa foi incluída no Hall of Fame do Carnegie Hall, após participar do show 40 anos de Bossa Nova, em homenagem a Tom Jobim. Até hoje, ela é a única cantora brasileira a conquistar esse feito.

Olha, a coleção de canções que Gal imortalizou é imensa… Eu não consegui tempo para fazer um episódio à altura dela. Você vai sentir falta de várias, mas eu não quis perder o momento. Aproveite o embalo e vá ouvir Gal.

No dia 09 de novembro de 2022, Gal Costa morreu, aos 77 anos. Ela estava prestes a completar 57 anos de carreira e se preparava para comemorar essa conquista com um show no Primavera Sound, em São Paulo.

Que privilégio para nós, que vivemos num tempo em que tivemos Gal conosco. E que pena, cara! Agora não tem mais os Doces Bárbaros.

Apesar da tristeza com o falecimento de Gal Costa, seu legado permanece vivo em nossos – pelo menos no meu – corações.

Força estranha
Caetano Veloso

Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo brincando ao redor
Do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada
E eu nunca passei
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada
Que nunca passou
Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha…
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha
Eu vi muitos cabelos brancos
Na fronte do artista
O tempo não para e no entanto
Ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão
Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta
E a coisa mais certa de todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
E o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol
Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha no ar
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha

E é assim então, ao som de FORÇA ESTRANHA, de Caetano Veloso, com a inconfundível voz de Gal Costa que vamos saindo, um pouco tristes. Mas, pensando bem… Gal não merece tristeza… Ô Lalá, muda o clima aí, vamos pro final em alto astral… 

Que pena!
Jorge Ben Jor

Ela já não gosta mais de mim
Mas eu gosto dela mesmo assim
Que pena, que pena
Ela já não é mais a minha pequena
Que pena, que pena

Pois não é fácil recuperar
Um grande amor perdido
Pois ela era uma rosa
Ela era uma rosa
As outras eram manjericão
As outras eram manjericão
Ela era uma rosa
Ela era uma rosa
Que mandava no meu coração
Coração, coração

Ela já não gosta mais de mim
Mas eu gosto dela mesmo assim
Que pena, que pena
Ela já não é mais a minha pequena
Que pena, que pena

Mas eu não vou chorar
Eu vou é cantar
Pois a vida continua
Pois a vida continua
E eu não ficar sozinho
No meio da rua, no meio da rua
Esperando que alguém me dê a mão

Pronto, cara! Agora sim: uma festa, de improviso, com Gal e Jorge Benjor, com seu clássico Que Pena.

É assim que Gal tem de ser lembrada, com a alegria do tamanho daquele sorriso.

Muito obrigado, Gal.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, o tristonho Lalá Moreira na técnica, a tristíssima Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

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Pra terminar, Gal Costa:

Eu sempre quis ser cantora. Eu amo o que eu faço. Eu nasci pra isso. É o dom que eu tenho. É o dom que Deus me deu pra levar alegria, conforto, informação, tudo pras pessoas.