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Luciano Pires -

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Vamos caminhando para o final de mais um ano, e que ano, cara. Que ano… Por isso resolvi revisitar um episódio sobre o Natal, que publicamos láááá em  2010, sabe? Na pré-história. Foi um episódio pra falar sobre o Natal, mas que acabou tratando de Música Popular Brasileira, de Natal.

É um presente para fechar 2022 com um pouco de paz.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano. Eu sou o Josué, estou falando de Osasco, meu querido, um grande abraço também.

E cara, ultimamente, eu estou ouvindo os podcasts e comentando no Face, no Twitter, … eu não faço comentários, eu estou enchendo o saco do pessoal, mas eu não consegui resistir nesse último episódio, Luciano.

Porque os últimos episódios também me tocaram muito, mas esse último agora, uma crítica que um ouvinte fez falando que você só fala de política, eu não concordei com a opinião dele, muito porque onde você está indo hoje, Luciano, está tendo uma militância. Em música, que é uma arte, está tendo militância, entendeu?  Sei lá, sites aleatórios, estão tendo militância.

Um grande exemplo disso, Luciano, é a prova do ENADE que eu fui fazer no último dia 27. Essa prova é uma prova pra eu me formar na faculdade. Eu só me formo se eu fizer essa prova. E são nove questões gerais e o resto de questões de caráter do meu curso.

As nove questões gerais, Luciano, pela internet, ENADE 2022, são aquelas questões do gabarito. Tem as respostas do gabarito lá. São todas questões de viés político. Falando mal da gestão do atual governo na gestão da pandemia, que não quis comprar vacina, falando também que tiraram recursos das universidades, dos prédios das universidades, tudo mais. A morte do povo LGTBQIA, tudo questões de viés político.  

E por que eu sei disso, Luciano? Porque eu sou podcaster, porque você vem abrindo a minha mente, falando que hoje está tendo militância em qualquer lugar, entendeu? O pessoal está usando o recurso que eles tem, pra fazer militância, seja o Instagram, Facebook, Twitter, no caso agora, a prova do ENADE, entendeu?

E vai entrando na cabeça das pessoas. Pra você ter ideia, Luciano, quando eu fui fazer a prova, autorizaram a gente a ler as questões, todo mundo começou a aplaudir. Acho que uma das primeiras questões era referente ao patriarcado… esqueci agora a palavra que eles usam lá, mas é o machismo. Usam outra palavra pra falar machismo. Que a sociedade é machista, o brasileiro é machista, não sei o que mais, e pra mim dar (sic) soluções pra deixar de ser machista e dar direito às mulheres. Que as mulheres não gostam de política, que as mulheres não entram na política porque a sociedade é machista. 

Eu não concordei com as questões, eu dei a minha opinião nelas e provavelmente eu errei todas. Pra eles. Mas pra mim eu acertei.

Então, eu acho que, realmente, depende do olhar da pessoa. O nosso amigo achou chato a política toda hora, não entendo o porquê, mas respeito a opinião dele. No entanto, eu já gosto muito que você vem trazendo esses temas, pra mim abrir (sic) mais a minha mente, observar o que estão fazendo, entendeu? Não apenas pro nosso Brasil, mas pra tudo. Tudo está com questões políticas.

Outro exemplo. O pessoal foi lá pro Qatar, sabendo que não pode usar a bandeira LGBT e estão indo lá fazer protesto, não sei o que? Estão sendo presos e estão reclamando que estão sendo presos. Ou seja, eu convido você pra vir na minha casa, ô Luciano… eu convido você pra jantar na minha casa, você chega lá e depois que passou meia hora você está deitado na minha cama, Luciano.   É isso que o pessoal está fazendo. Quer fazer festa, entendeu?

O Qatar chama todo mundo pra copa e o pessoal quer destruir as leis do país. Quer desrespeitar… tá bom, eles não estão de acordo com os direitos humanos impostos pela ONU, entendeu? Mas ainda é o país deles. Se você não gosta desse tipo de coisa, é só não ir, entendeu? Agora, ir pra querer fazer bagunça lá, é uma falta de respeito gigantesca, não é?

É complicado. É complicado, Luciano. Mas enfim, aqui é o Josué, Muito obrigado por abrir a nossa mente, abrir a nossa cabeça e continue falando de política, Luciano, trazendo mais informações e despocotizando a gente.

Um grande abraço, Deus abençoe e boa semana.”

Grande Josué… meu caro, tá tudo dominado, viu? Tá tudo convenientemente dominado. E quem virar as costas para esse trabalho de doutrinação política e ideológica, vai pagar o preço. Se não pagar agora, seus filhos pagarão. É por isso que eu nunca vou deixar de falar de política e de todos os assuntos que me atraiam atenção aqui no Café Brasil. Se não é por mim, é por você. Grande abraço.

É muito triste constatar, mas o fato é que deixamos que o espírito de Natal se transformasse num imenso apelo comercial. Sobra (no bom sentido) para pessoas que ainda não morreram de tédio com o ataque baixo da mídia e do poder estabelecido, um universo maior que todos os universos conhecidos, ou por conhecer: o das canções. A música é sem dúvida um vislumbre da face de Deus. Desde a erudita, chegando a um bom samba, a emoção é o que vibra em cada corda do cavaquinho ou do violino. As músicas natalinas, por exemplo, deveriam ser mais ouvidas, porque dizem muito e tocam o coração. Significam na verdade o renascimento de cada um, a renovação da vida.

Natal nordestino
Eliezer Setton

Eu pensei que todo mundo
Sem primeiro nem segundo
Fosse filho de Papai-do-Céu
Eu pensei de brincadeira
Numa vida de primeira
Onde eu tenha o que eu queira
De verdade em vez de no papel
Eu pensei e ainda penso
Que o amor e o bom senso
Vão reinar pra gente ser feliz
Eu pensei bem do meu jeito
Que eu também tenho direito
Ao Natal do meu país
Meu pinheiro é meu mandacaru
Com enfeites de algodão
Alpercata no terreiro
Os Reis Magos três vaqueiros
Aboiando no Sertão
Meu pinheiro é meu mandacaru
Cada um é nosso irmão
E o Natal, se verdadeiro,
Há de ter o ano inteiro
Paz na Terra aos bons de coração

Olha só: esse aí  é “Natal Nordestino”com Eliezer Setton, que eu já trouxe aqui no Café Brasil. Eliezer traz um Natal brasileiríssimo, sem neve nem Papai Noel. Note que ele diz “papai do céu”… É Natal brasileiro, no seu Café Brasil, onde meu pinheiro é meu mandacaru.

Vá até a discoteca e esconda o velho disco Jingle Bells e outras bobagens made-in-lá-fora. Quando eu era pequeno e as árvores de Natal eram grandes, eu adorava ouvir a música de Natal brasileira. E é sobre a música de Natal brasileira que trará este texto de Paulo Pelicano:

Tenho uma lembrança remota deliciosa, de estar na minha cidade natal (cidade natal!, cara, o português é um idioma incrível… concordam?) e minha mãe ter me levado para assistir a um programa na rádio local. De pé, frente ao microfone, uma garotinha meiga, encaracolado e plena de fitas, cantava, acompanhada por um piano:

Natal, Natal das crianças
Natal da noite de luz
Natal da estrela-guia
Natal do Menino Jesus

Naquele tempo, Natal era um momento de respeito. Minha avó paterna e suas filhas iam à Missa do Galo e todo mundo ficava constrito, respeitoso. Não havia a ceia de Natal, nem os fogos de artifício de hoje. Faziam uma oração na cozinha da grande casa da rua de terra batida – e lá fora a noite cobria com seu manto cheio de estrelinhas a Noite de Natal, mantendo o mistério da vida intacto. Sabendo que tudo é raro e rápido. Delicado como um cristal. Os presentes eram entregues pela manhã do dia 25. Deixados sob a árvore de Natal. Um presente para cada criança. Não o absurdo de alguém ganhar 30 presentes, como aconteceu com meu sobrinho-neto, natais passados. Metade deles estava quebrada no dia seguinte. Sem nenhuma dor pela perda.  O comércio que me perdoe. Sei que mantém zilhões de pessoas ganhando um dinheiro. Mas transformar Natal em comércio é imperdoável.

Natal das crianças
Blecaute

Natal, Natal das crianças
Natal da noite de luz
Natal da estrela-guia
Natal do Menino Jesus
Blim, blão, blim, blão blim, blão
Bate o sino na matriz
Papai, mamãe rezando
Para o mundo ser feliz
Blim, blão, blim, blão, blim, blão
O Papai Noel chegou
Também trazendo presentes
Para vovó e vovô

Blim, blão, blim, blão, blim, blão
O Papai Noel chegou
Também trazendo presentes
Para vovó e vovô
Na, na, na
Na, na, na
Na, na, na

Você ouve “Natal das Crianças”, com seu compositor, Blecaute, cujo nome era Otávio Henrique de Oliveira. Cantor, compositor, órfão de pai e mãe, levado para São Paulo aos seis anos de idade, Blecaute trabalhou como engraxate e entregador de jornais. Chegou a ser uma figura muito popular no carnaval, entre os anos 1960 e 1980, a partir do sucesso triunfal que foi o samba “General da Banda” (de Sátiro de Mello e Tancredo Silva) no carnaval de 1949.

Antigamente músicas de Natal e de carnaval eram compostas por grandes nomes da Música Popular Brasileira. Hoje, a última coisa que me lembro antes do Pocotó era o Sílvio Santos com a “Pipa do Vovô não sobe mais…”.

O bom de envelhecer é que tudo se torna suave. E assume inevitável sabor de lembrança. Prefiro hoje lembrar de mim com meus irmãos pequenos, mamãe e papai eternamente jovens. Assim como todos os tios, tias, primos e primas.  E lembrar do sabor do frango assado, da macarronada da “nona” e da deliciosa “sangria”.

A benção, mãe, pai, vó, tia… Eu cresci e as árvores ficaram pequenas. Computadorizadas. Globalizadas. Mas eu continuo na luta. Sou um homem de meia idade. Estou vivendo o melhor tempo de minha vida e nunca fui tão feliz como hoje!

Mas como sou insuportável, preciso fazer uma constatação. O Natal está tão mercantilizado que algumas das melodias que fazem parte de nossas vidas foram feitas não para nossos corações, mas para nossos bolsos…

Canção de Natal
Banco Nacional

Quero ver você não chorar
Não olhar pra trás
Nem se arrepender do que faz

Quero ver o amor vencer
Mas se a dor nascer
Você resistir e sorrir

Se você pode ser assim
Tão enorme assim eu vou ser

Que o Natal existe, que ninguém é triste
E no fundo há sempre amor

Bom Natal, um feliz Natal
Muito amor e paz pra você
Pra você

O Banco Nacional acabou, mas a musiquinha ficou….

Não há como esquecer as noites de Natal de nossas infâncias, nem as noites de Natal da infância de nossos filhos. Cabe a nós não deixar que esse espírito mercantilista acabe de vez com a mágica daquela celebração das famílias, reunidas para dizer que todos se querem bem, que mais um ano se foi, curtindo os sorrisos das crianças e as comidas de festa.

Eu também tive as músicas de Natal muito presentes em minha infância. E uma sacanagem: “Jingobel, jingobel, acabou papel. Não faz mal, não faz mal, limpa com jornal…”

Aproveito as lembranças para buscar outro clássico da música popular brasileira de Natal…. “O Velhinho”… Mas aqui numa intepretação diferente da que você conhece, com Dominguinhos.

O Velhinho
Octavio Babo

Deixei meu sapatinho na janela do quintal
Papai Noel deixou um presente de Natal

Como é que Papai Noel não se esquece de ninguém?
Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem
Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem

Você está ouvindo “O Velhinho”. Quem é que não lembra de seus inesquecíveis versos “botei meu sapatinho/na janela do quintal”? Essa canção é de Octavio Babo, compositor, poeta, advogado conceituado que atuou entre os anos 1950 e 1970 em defesa dos direitos do consumidor, antecipando um assunto predominante nos últimos anos. Primo do compositor Lamartine Babo, sua atuação na música popular brasileira ficou marcada pela canção de natal “O velhinho”, defendida em concurso natalino pelo cantor João Dias e classificada em terceiro lugar. Mas nos nossos corações, o lugar dessa música, eu acho que é sempre o primeiro.

Ah, Natal, Natal… E chega o momento de uma das mais famosas, lindas e emocionantes músicas de Natal. Pelo menos pra mim. Vou falar dela usando trechos de um excelente texto de Fernando Toledo, publicado no site da Revista Música Brasileira.

“Anoiteceu, o sino gemeu/E a gente ficou feliz a cantar”. Fim de ano é data perfeita para se lembrar do genial e atormentado Assis Valente, um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira em todos os tempos.(…)

Assis Valente foi uma criança muito triste, nos tempos em que a infância era um período marcante: nem mesmo um registro confiável de quando e onde ele nasceu possuímos. Ora dizia ter nascido em Campo de Pólvora, ora em Pateobá, ambas na Bahia – ora em 1908, ora em 1911. Para que você  tenha uma idéia do que foram seus primeiros anos, basta dizer que foi sequestrado, menino ainda – e que a família que o tomou para si o obrigava a trabalhar numa farmácia, em regime que poderia qualificar-se como escravo. Extremamente decidido e talentoso, conseguiu fazer um curso no Liceu de Artes e Ofícios e passar a viver de algumas ilustrações que produzia. Mais adiante, iniciou-se como protético, profissão que exerceria até o fim da sua vida atribulada. E firmou-se como um dos grandes compositores da História da Música Brasileira. Veja o olhar crítico do adulto voltado ao passado:

Boas Festas
Assis Valente

Anoiteceu
O sino gemeu
E a gente ficou
Feliz a rezar

Papai Noel
Vê se você tem
A felicidade
Pra você me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem

Você ouve Boas Festas, com os Novos Baianos, composição de Assis Valente, com versos inesquecíveis…

Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel
Vem assim, felicidade
Eu pensei que fosse uma/ Brincadeira de papel

Essa explicação do adulto já prepara para o desfecho, uma tentativa de explicação da decepção da criança. Esses últimos versos constituem uma peça literária como poucas, pois conseguem traduzir um sentimento profundo experimentado na infância por meio de associações bem características deste mundinho:

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu papai Noel não vem
Com certeza já morreu
ou então felicidade
É brinquedo que não tem

Poucas vezes na Literatura mundial este universo foi traduzido tão bem, com imagens que só a ele poderiam pertencer, sem deixar de trazer em si uma carga poética avassaladora. Explicar para si mesmo que não recebeu felicidade pelo fato desta ser um pedido insólito estaria fora da órbita pretendida, resultaria em um pragmatismo que não condiria com a mente de uma criança. Agora, atribuir o motivo ao fato daquele brinquedo não existir, ou não constar do estoque de Papai Noel, é perfeitamente cabível e coerente com o personagem em questão.

Assis Valente….É curioso que um homem capaz de traduzir ao próximo e a si com tanta clareza tivesse tanta dificuldade em se relacionar com o mundo: por pelo menos três vezes, Assis tentou se matar. Na primeira vez, em 1941, pulou do Corcovado e foi encontrado setenta metros abaixo, amparado pelos galhos de uma árvore. Outra, tentou cortar os pulsos com uma lâmina de barbear.

Finalmente, no dia 10 de Março de 1958, cercado por todos os lados de dívidas, José de Assis Valente, o mulato que fora arrancado de seu lar para funcionar como escravo em um país que se orgulhava de não tê-los, o protético que abandonava o consultório durante dias para ir compor seus sambas em paz, o tradutor maior dos que vivem à margem das convenções, saiu de casa, telefonou para alguns amigos a fim de informá-los de seus desígnios, sentou-se em um banco na Praia do Russell, e bebeu formicida com guaraná. Faltavam alguns minutos para as seis da tarde, hora cheia cujo badalar não chegaria a ouvir. Realmente felicidade é um brinquedo que não tem.

Cara! Que coisa pesada essa história do Assis Valente, né? Mas é aquela história que eu sempre digo, todo gênio ele é descompensado em algum lado, e a genialidade que o Asis Valente teve pra compor aqueles versos tão sensíveis, se traduzia na sua incapacidade de viver o mundo e se adaptar à sociedade. E é por isso que eu mudei o clima aqui. Pedi pro Lalá mandar bala aqui

… numa versão instrumental irresistível de Noite Feliz, aqui com os Paralamas do Sucesso, que vamos encerrando mais um episódio do Café Brasil. Essa canção, Noite Feliz no original chama-se Stille Nacht ou seja lá como se pronuncia em Austríaco. Foi composta mais de 200 anos atrás por Mohr e Gruber em Obendorf, Áustria, na véspera de um Natal.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí que completa o ciclo.

Olha cara, 2022 foi um ano pesado, complicado, repleto de sustos, tristezas e momentos de medo e apreensão. E não resolveu até agora como é que nós vamos entrar em 2023. Por isso eu quero que você pegue este programa aqui como um momento de parada pra pensar um pouquinho.

Sabe, aquela história triste do Assis Valente a gente deixa pra trás e se prepara pra entrar em 2023 cheio de esperança.

Cara: a gente tem que trabalhar para que em 2023 voltemos à normalidade possível. Eu não sei qual será ela, mas eu prometo, eu vou trabalhar pra que ela seja possível. Nossos votos são de que você viva um Feliz Natal!

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.  Cara: pegue a minha palestra O meu Everest e comece 2023 com ela. É  um banho de motivação, é uma forma de dar uma chacoalhada na tua equipe e botar todo mundo diante do desafio que é enfrentar aquilo que todo mundo diz que é impossível. E eu não sei como é que você trata a loucura, e eu não sei como é que você trata aquela capacidade que a gente tem de achar que a gente pode mudar o mundo. Nessa palestra O meu Everest eu trago isso pra realidade e mostro que é possível ir muito, mas muito mais longe do que dizem que é capaz. lucianopires.com.br.

De onde veio este programa tem muito mais, acesse mundocafebrasil.com e torne-se um assinante. Cara, nunca antes a gente  precisou tanto da ajuda dos nossos assinantes como nesses últimos meses e com a entrada em 2023. Nós queremos continuar produzindo conteúdo de primeira linha que vai gratuitamente pra muita gente, nós dependemos de quem seja nosso assinante. Então, vem pra cá, cara. mundocafebrasil.com, torne-se um assinante, cerre fileiras ao nosso lado aqui pra combater o emburrecimento nacional. Pra combater a pocotização nacional.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase da escritora e exploradora britânica Freya Stark:

“O Natal é um pedaço de casa que a gente carrega no coração.”