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Luciano Pires -

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No boêmio bairro da Vila Madalena vivi uma experiência que me marcou, que tem a ver com brasilidade, com as raízes culturais de meu país. Logo eu, que sou do rock, me vi repentinamente emocionado numa roda de samba. Fiquei impactado a ponto de decidir fazer um episódio do Café Brasil a respeito. Venha comigo, hoje somos samba.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?

“Salve, salve, Luciano Pires. Aqui é o seu ouvinte número um, hein? Irineu Toledo.

Eu curto muito quando você faz esses programas com esse lastro musical, com essas informações, com personagens, com estilos. Enfim, com esse background que sempre rende uma produção, uma conversa boa.

Você já fez vários, que eu acompanho, claro. Mas ó: tem horas que a gente tem que voltar pro DNA, DNA Brasil.

Você que é do rock como eu, você que é do jazz como eu, você que é do blues como eu, mas eu sei que você também é do samba como eu, não tem como não ser, né?

Tá na hora da gente celebrar o João da Baiana, Pixinguinha, os caras que deram esse nome aí, dessa música tão rica, com tantas células diferentes também.

Tem coisa boa, todo gênero tem coisa boa. Tô esperando um Café Brasil aí do samba. Será que em 23 você capricha aí com esses seus argumentos? Bota samba nessa conversa, véio!!! Vamo lá!

Um grande abraço pra você e pra todo mundo que te acompanha!”

Graaaaande Irineu Toledo, rarararararar… como essa voz ele me deixa aqui encolhido, viu? O Irineu sabe que minha praia é outra, e de quando em quando me dá uma provocada. Guardei esse áudio dele pra começar 2023 no molejo. Atendendo o Irineu, vou me aventurar hoje pelo mundo do samba.

Samba no pé eu sei que não tenho, mas no coração, eu acho que sobra…

Ah, que delícia esse sambinha… Algum tempo atrás, resolvi que ia comer uma feijoada na Vila Madalena, num dos bares de samba que existem por lá. Um programa inusitado, já que eu não sou um cara do samba, como eu já disse, né? Mas algo me dizia para ir e fui.

Chegamos ao restaurante, estava lotadaço. Muito lotado. Lá no fundo um grupo de samba – ou será pagode, hein? – mandando ver músicas que eu não conhecia. Todo mundo em pé, em volta das dezenas de mesas onde a gente senta para comer a feijoada. Tudo apertado lá. É uma feijoada com bundas…rararararrara

Não estava nada confortável, não, mas valia pela experiência. Fiquei observando o estilo de gente que frequentava o lugar. Tinha de tudo, uma mistura daquelas bem…bem…brasileira!

Lá pelas tantas, o grupo solta alguns acordes e a cantora começa a entoar um samba. Ou melhor, um hino que ficou famoso com Os Originais do Samba.

Alguém me avisou
Dona Ivone Lara

Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá pequenininho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho

Sempre fui obediente
Mas não pude resistir
Foi numa roda de samba
Que juntei-me aos bambas
Pra me distrair
Quando eu voltar na Bahia
Terei muito que contar
Ó padrinho não se zangue
Que eu nasci no samba
E não posso parar
Foram me chamar

Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho… aos poucos aquela canção foi tomando conta, eu fui notando que todo mundo, todo mundo mesmo, havia entrado no ritmo, cantando e dançando juntos. O ambiente que era um caos, entrou em sintonia. Mais alegria ainda tomou conta do ambiente…todo mundo ficou bonito e eu…

Fiquei emocionado!

Como relatei no Café Brasil 833… “todo mundo cantando e dançando junto… Meus olhos se encheram de lágrimas. Era irresistível, samba entrando por todos os poros, as pessoas felizes, dançando e cantando. Cara, eu me senti um brasileiro ali, completo, cheio de amor para dar, embalado pela letra de uma carioca, Dona Ivone Lara, que em Alguém Me Avisou canta a humildade, o reconhecimento aos mestres, a alegria do samba. Em plena Vila Madalena, eu me senti como se estivesseno Rio de Janeiro, numa daquelas manhãs, inebriado pela paisagem que só o Rio tem…”

De repente eu estava com os olhos cheios d´água, batucando na mesa e cantando junto. Foi arrebatador, do jeito que o samba consegue ser…

Depois o grupo cantou outras músicas, mas aquele momento mágico não saiu mais da minha memória. Cara, o que foi aquilo, hein?

Bem, fiquei com aquilo na cabeça por muito tempo, até resolver que um episódio do Café Brasil seria uma boa ideia…

Ah… dona Ivone Lara… Ela foi uma pioneira no samba, numa época em que as mulheres eram apenas passistas, ela se tornou compositora. Aliás, a primeira mulher a emplacar um samba enredo no carnaval carioca em 1965 com Os Cinco Bailes da História do Rio. Também foi a primeira a fazer parte da ala de compositores de uma escola, em sua agremiação de coração, o Império Serrano.

Dona Ivone compunha desde menina, teve centenas de sambas gravados e alguns se tornaram icônicos, como… sonho meu

Sonho meu
Dona Ivone Lara

Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu
Vai mostrar esta saudade, sonho meu
Com a sua liberdade (sonho meu)
No meu céu, a estrela guia se perdeu
A madrugada fria só me traz melancolia, sonho meu
Sinto o canto da noite
Na boca do vento
Fazer a dança das flores
No meu pensamento
Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Um samba que mexe o corpo da gente
E o vento vadio, embalando a flor, sonho meu
Sonho meu, sonho meu

Que delícia, não é? Nas vozes de Bethânia e Gal, Sonho Meu que encantou a todos nós lá em 1978…

Mas o samba que realmente me cativou foi aquele que eu ouvi no restaurante… Alguém Me Avisou

Uma composição que de certa forma explica o cuidado de Dona Ivone para entrar num terreno ocupado pelos homens. Ela foi entrando devagarinho, colocando seus sambas no nome de um primo, para que fossem melhor aceitos. Até 1977, Dona Ivone Lara dividiu seu hobby no samba, sim aquilo era um hobby, com a enfermagem e o serviço social, áreas em que se formou, com especialização em terapia ocupacional. Só depois de se aposentar é que ela mergulhou totalmente na música….

Ah, que delícia… Pois então. Mas eu fiquei com a pulga atrás da orelha. Por que aquele samba naquele restaurante me emocionou, hein? Fui procurar a resposta, sabe onde?

Na Panela Produtora…

Agora é jazz, mas já foi samba.
O samba nasce antes de nascer. No contratempo.
Sabe aquele moleque descalço, louco pra chegar na pelada?
Já vai driblando as pedras no terreno, com medo de pisar errado e
pressa de rever a pelota. Assim vai também o samba, obedecendo
aos dois comandos de uma vez: Vai logo! Cuidado!
É o efeito da síncope. Tecnicamente, é a acentuação do
contratempo antes do tempo. Ouve só:
(exemplo)

Mas quem é que ouve a técnica? O que a gente escuta é só o
samba mesmo, que tira o chão e nos dá o ar pra pisar.
“alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho”

Bom, mas a síncope não é exclusividade do samba. Ela está
presente em tudo quanto é ritmo. No jazz, por exemplo. Só que no
samba é especial. Não dá pra negar.

o jazz:
“It’s Very Clear
Our love is here to stay
Not for a year
But ever and a day…”

o samba:
“Valei-me Deus
É o fim do nosso amor
Perdoa por favor
Eu sei que o erro aconteceu mas não sei o que fez…”

Mas se esse jazz virar samba, a melodia que antes batia no tempo
vai ser atraída para o contratempo. Vamos sentir um desejo
irresistível de antecipar as notas.

(Our Love is Here to Stay em ritmo de samba)

“It’s Very Clear
Our love is here to stay
Not for a year
But ever and a day…”

E se o samba virar jazz, vamos sentir o desejo irresistível de fazer
o contrário. Empurrar o contratempo para o tempo. Pelo menos, em
boa parte das notas.

(Flor de Lis em ritmo de jazz)

“Valei-me Deus
É o fim do nosso amor
Perdoa por favor
Eu sei que o erro aconteceu mas não sei o que fez…”

Talvez fique um pouco confuso. Afinal, estamos tateando o
abstrato. Algo como ler nas entrelinhas. É uma tentativa de mostrar
que a essência de algo nem sempre está evidente.

O samba vive a desafiar o tempo. Acredite se quiser, mas o relógio
da batucada é diferente. Um segundo não quer sair da frente. O
que vem atrás tem que empurrar.

Talvez seja esse o segredo do brasileiro. Por isso o Pelé parava no
ar. Tá no nosso sangue levar o instante no papo.

A gente cria esses buracos sem fim e joga tudo lá dentro – dor,
saudade, tristeza, euforia, ansiedade, solidão… tudo o que não
cabia no ritmo. A gente pulsa para além dele. Sambar é balançar a
eternidade.

E assim tropeça o coração do brasileiro.

“meu coração bate sincopado
precipitado, fora do chão
do chão que é a cabeça do tempo
tempo que vai na contra-mão, não volta mais
meu coração, não repara
às vezes pá… ra, às vezes acelera
de pulo em pulo, talvez meu coração
um dia pare na sua mão
meu coração bate sim, bate não,
tá sempre no contra, na corda bamba
se o tempo é o senhor da razão
o contratempo do meu coração é a razão desse samba”

Quando a gente fica velho, começa a atrasar o passo. Só que o
moleque ainda bate no peito e vai na frente, e é cada vez maior o
espaço entre os dois tempos.

Sempre que vejo um velhinho caminhando com dificuldade, penso: esse aí não me engana. Por fora é jazz. Por dentro, é samba.

Que tal, hein cara? É com Alguém Me Avisou nas vozes da Bethânia, do Caetano e do Gil, que vamos saindo no sapatinho,rarararar

Eu botei esse clássico com eles três aí pra compensar o meu desafino no meio do samba, mas foi irresistível.

Seja bem-vindo a 2023! Que a inspiração de Dona Ivone Lara aponte o caminho que devemos seguir: pisando com cuidado, devagarinho, mas indo em frente atendendo ao chamado de quem ama a gente, que tal?

Feliz 2023.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

De onde veio este programa tem muito mais, acesse mundocafebrasil.com e torne-se um assinante, cara. Bote isso na tua meta pra 2023. Torne-se um assinante do Café Brasil. Além de conteúdo original e provocativo, você vai ajudar muita gente aqui, na nossa independência financeira, cara. Pra não ficar dependendo de patrocínio de grandes empresas. Assim a gente tem liberdade de levar o conteúdo que a gente quer para muito mais gente. mundocafebrasil.com.

E se você gosta do podcast, imagine uma palestra ao vivo. E eu já tenho mais de 1000 no currículo, cara. Conheça os temas que eu abordo no lucianopires.com.br. Quer começar botando fogo na tua equipe, cara? Leve O meu Everest! lucianopires.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram,  com o grupo Café Brasil.

Para terminar, um trecho do samba enredo da Império Serrano de 1965, Os cinco bailes da história do Rio.

Carnaval, doce ilusão
Dê-me um pouco de magia
De perfume e fantasia
E também de sedução
Quero sentir nas asas do infinito
A minha imaginação