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Luciano Pires -

Então, chega mais!

Eu quero fazer uma perguntinha pra você: você quer pegar seu carro, moto ou caminhão e chegar com muito mais tranquilidade e conforto onde quiser? Então escuta essa aqui, ó:  com a Nakata você chega muito mais longe! Porque a Nakata é a marca líder em suspensão que garante a qualidade das peças do seu veículo, pra chegar sempre mais longe.

Tudo para você seguir o seu caminho com mais segurança. Quer chegar sempre numa boa, hein?

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Porque só com a Nakata a gente sabe: é tudo azul pela frente.

Chega mais! Em nakata.com.br.

O método científico é um conjunto de técnicas e procedimentos utilizados para se obter conhecimento empírico, baseado na observação e na experimentação. Não podemos abrir mão do método científico, pois ele é a maneira mais confiável e sistemática de se obter conhecimento sobre o mundo. Através da utilização do método científico, podemos testar hipóteses, coletar dados de forma objetiva e analisar esses dados para chegar a conclusões baseadas em evidências. Mas e quando a ciência passa a ser instrumento para manipular nossas cabeças, hein?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?

“Oi Luciano. Aqui é A Vivi de Franca.

Ontem eu assisti um vídeo de três adolescentes falando sobre uma colega de faculdade de 40 anos e dizendo que esta mulher nem deveria estar na faculdade por ter essa idade. Que ela deveria estar aposentada, em casa e que isso não é idade pra estar na faculdade. São três jovenzinhas mesmo. Você fala que elas têm no máximo 12 anos, mas a gente sabe que não tem, porque elas estão na faculdade.

A minha primeira reação, minha primeira e única reação, na verdade, foi rir. Mas ou menos assim: ai meu Deus. Se eu fosse mãe dessas meninas eu ia estar com muita vergonha. Mas pronto, acabou.

Hoje eu abri as redes sociais e, aparentemente, o mundo caiu, né? Todo mundo transformou a lagartixa num jacaré e tem matéria de jornal e matéria de televisão e matéria da NASA a respeito desse assunto. Mostra o vídeo das meninas lá e discurso de ódio e não sei o que, etarismo né?

E eu fiquei pensando: meu Deus., Uma mulher, ela tem quase 50 anos e uma mulher que se deixa afetar pelo comentário de três adolescentes que mais parecem crianças ela, realmente, tem que verificar aí como que tá a amizade dela com a maturidade. Se a idade cronológica acompanhou a idade mental, eu vou ser exagerada aqui também, né?

Porque, onde já se viu o comentário de três adolescentes, um comentário idiota de três adolescentes ter gerado uma indignação dessas a ponto da pessoa achar que tem que fazer milhares de textos, né? Daqui a pouco fazem abaixo assinado pra tirar as meninas da faculdade.

Meu Deus, mulherada. Cadê a maturidade, pra lidar com uma coisa tão comezinha, tão boba, um comentário idiota de meninas adolescentes e que, provavelmente, eu, você e quem está ouvindo já fizemos e falamos coisas bem piores quando éramos jovens.

A nossa sorte é que naquela época não existia rede social pra registrar as nossas idiotices juvenis.

Então, gente: pelo amor de Deus, vamos revisar a nossa maturidade. Eu recebi até um comentário de uma amiga minha quando eu me manifestei sobre isso, que esse tipo de comentário poderia desestimular uma mulher mais velha a entrar na faculdade. Eu falei: meu amor, se o comentário de uma adolescente recém saída das fraldas desestimula alguma coisa, o problema está com você e não com elas, né? Ai, tá difícil, Luciano. Tá difícil. Mas seguimos em frente.

Vida longa ao Café Brasil.”

Viviane, tudo bem, hein? Pois é… sobrou para as meninas mesmo, que tiveram de sair do curso. Mas você tem razão, o problema está com quem problematiza a problematização… A onda agora é velhofobia. Você quer saber de uma coisa? Eu fiquei muito feliz… eu sou homem, branco, classe média pra alta, heterossexual… Eu não tinha nenhuma minoria pra eu me vitimizar. Agora eu tenho! Eu sou velho, cara! E você que me chama de velho é um opressor! Buááááá… ah, vão catar coquinho!

E você aí que está me ouvindo, hein? Acha que meu trabalho traz algum valor para sua vida? Deve trazer, né? Ou você não estaria aí dedicando tempo de vida para ouvir o Café Brasil. Olha, a gente precisa, precisa crescer, tem que chegar a mais gente e precisa muito de todos que dão valor ao nosso trabalho. Tem que fazer um pouco mais do que dar tapinha nas costas, dizer que gosta, que é legal. Cara, tem que se mexer, tem que virar assinante. Quando você se transforma num assinante, você passa a fazer parte ativa do grupo de pessoas que está preocupado em despocotizar o Brasil.  Acesse canalcafebrasilcom.br, escolha sua assinatura. Pule pra dentro do barco, vamos juntos seguir combatendo o emburrecimento nacional.

Olha! Dê uma parada no podcast e tome nota: canalcafebrasil.com.br. A gente aguarda uns segundos…

Science Fiction/Double Feature
Richard O’Brien

Michael Rennie was ill the day the earth stood still
But he told us where we stand
And Flash Gordon was there in silver underwear
Claude Rains was the invisable man
Then something went wring for Faye Wray and King Kong
They got caught in a celluloid jam
Then at a deadly pace it came from – outer space
And this is how the message ran

Science fiction, double feature
Doctor X will build a creature
See androids fighting
Brad and Janet
Anne Francis stars in Forbidden Planet
Oh oh oh oh
At the late night double feature picture show

I knew Leo G. Carrol was over a barrel when
Taratula took to the hills
And I really got hot when I saw Janet Scott fight a
Triffid that spits poison and kills
Dana Andrews said Prunes gave him the runes
And passing them used lots of skills
But When Worlds Collide said George Pal to his bride
I’m gonna give you some terrible thrills
Like a

Science fiction, double feature
Doctor X will build a creature
See androids fighting
Brad and Janet
Anne Francis stars in Forbidden Planet
Oh oh oh oh
At the late night double feature picture show
I wanna go oh oh
To the late night double feature picture show
By RKO oh oh
To the late night picture show
In the back row oh oh
To the late night double-feature show

Ficção Científica/Sessão Dupla

Michael Rennie estava doente no dia que a terra parou
Mas ele disse-nos onde estamos
Flash Gordon e estava lá de cuecas prateadas
Claude Rains era o homem invisível
Então alguma coisa deu errado para Fay Wray e King Kong
Eles ficaram presos em uma geléia celulóide
Em seguida, em um ritmo mortal que veio do espaço sideral
E é assim que a mensagem era

Ficção científica, sessão dupla
Doctor X vai construir uma criatura
Veja andróides lutando
Brad e Janet
Anne Francis estrela em Planeta Proibido
Oh oh oh oh
Tarde da noite na sessão dupla do cinema

Eu sabia que Leo G. Carrol estava sobre um barril, quando
Tarantula partiu para as colinas
E eu realmente fiquei excitado quando vi Janet Scott lutar contra uma
Trífida que cospe veneno e mata
Dana Andrews disse que Prunes deu-lhe as runas
E passando usou muitas habilidades
Mas quando os mundos colidirem, disse George Pal para sua noiva
Eu vou te dar algumas emoções terríveis
Como um

Ficção científica, sessão dupla
Doctor X vai construir uma criatura
Veja andróides lutando
Brad e Janet
Anne Francis estrela em Planeta Proibido
Oh oh oh oh
Tarde da noite na sessão dupla do cinema
Eu quero ir oh oh
Tarde da noite para a sessão dupla do cinema
Por RKO oh oh
Tarde da noite para a sessão dupla do cinema
Na fileira de trás oh oh
Tarde da noite para a sessão dupla do cinema

Ahhh que legal, cara… você está ouvindo Science Fiction/Double Feature, a canção que abre o Rocky Horror Picture Show, um dos filmes mais importantes da minha vida, cara… tem um episodio especial do Café Brasil sobre ele que ainda tem que ser feito…

Mas vamos lá…vai

O método científico é uma maneira de descobrir coisas sobre o mundo ao nosso redor. Vou tentar explicá-lo de forma bem simples e objetiva:

Primeiro você observa: A primeira etapa do método científico é observar algo que você quer saber mais a repeito. Por exemplo, você pode notar que as plantas crescem mais em um local ensolarado do que em um local com sombra.

Em seguida você pergunta: depois de observar algo, você pode se perguntar por que isso está acontecendo. Por exemplo, você pode se perguntar por que as plantas crescem mais em um local ensolarado.

Na sequência você formula uma Hipótese:  você pode fazer uma hipótese, que é uma suposição educada sobre o que pode estar causando o que você observou. Por exemplo, você pode hipotetizar que as plantas crescem mais em um local ensolarado porque elas precisam de luz solar para fazer a fotossíntese e crescer.

Então você parte para a Experimentação: depois de fazer uma hipótese, você pode testá-la através de um experimento. Por exemplo, você pode plantar duas sementes de planta idênticas em um local ensolarado e outra em um local com sombra. Você então pode medir o crescimento de cada planta ao longo do tempo.

Na sequência você faz uma Análise: você então vai analisar os resultados e ver se eles apoiam ou refutam sua hipótese. Por exemplo, se a planta que foi plantada no local ensolarado cresceu mais, isso pode apoiar sua hipótese de que a luz solar é importante para o crescimento da planta.

E por fim, você tira uma Conclusão: com base na análise dos resultados, você pode tirar uma conclusão sobre sua hipótese. Por exemplo, você pode concluir que as plantas precisam de luz solar para crescer.

Entendido, hein? Observar, perguntar, formular uma hipótese, experimentar, analisar e concluir. Qual é a primeira coisa que salta aos olhos quando a gente compreende como é que funciona o método científico? Simples. É que ele leva tempo. No nosso exemplo das plantinhas, tem de esperar a semente germinar e a plantinha crescer. Vai levar dias, semanas até meses. Hoje em dia é até possível criar modelos matemáticos que antecipem o que pode acontecer, mas a vida não é só matemática não, cara. A cada momento acontecem coisas que mudam contextos e provocam diferenças importantes nos resultados.

Mas qualquer que seja sua opinião, observar, perguntar, formular uma hipótese, experimentar, analisar e concluir é a melhor forma de entender as coisas que acontecem no mundo. Ou deveria ser.

Todo mundo explica
Raul Seixas

Não me pergunte por que
Quem, como, onde, qual, quando
Deus, Buda, o nada, o tudo, o ocaso, o cosmo
Como o cosmonauta busca o nada
Seja, seja lá o que for, já é, não
Não me obrigue a comer o seu escreveu, não leu
O pau comeu na cabeça do cantor José Raimundo
Porque sem querer falou no rádio que
Cada cabeça é do mundo, Raimundo
Antes de ler o livro que o guru lhe deu, você tem que escrever o seu
Chega um ponto que eu sinto que eu pressinto
Lá dentro, não do corpo, mas lá dentro-fora
No coração e no sol, no meu peito eu sinto
Na estrela, na testa, farejo em todo o universo
Que eu tô vivo, que eu tô vivo
Que eu tô vivo, vivo, vivo
Como uma rocha, não pergunto
Hoje eu sei que a vida não é uma resposta
E se eu aconteço se deve ao fato de eu simplesmente ser
Se deve ao fato de eu simplesmente
Mas todo mundo explica
Explica Freud, o padre explica
Krishnamurti tá vendendo a explicação na livraria
Que lhe faz a prestação que tem Platão que faz
Que explica tudo tão bem, vai lá que todo mundo explica
O protestante, o auto-falante, o Zen-Budismo, Brahma, Skol
Catolicismo oculta as transas do papai, do Papa
Enquanto aquele papagaio curupaca e explica
Explica com o carimbo positivo da ciência que aprova e classifica
O que é que a ciência tem?
Tem lápis de calcular
Que mais que a ciência tem?
Borracha pra depois apagar
Você já foi ao espelho?
Não, nêgo? Então vá!

Rararararra… Raulzito, Raulzito, Raulzito com Todo mundo explica…

E eu não pergunto
Porque já sei que a vida não é uma resposta
E se eu aconteço aqui se deve ao fato de eu
simplesmente ser
Se deve ao fato de eu simplesmente

O que temos assistido cada vez mais é a utilização da ciência como ferramenta de manipulação popular. Um mané qualquer com o título de “especialista” já tem lugar nos noticiários de televisão e rádio, falando qualquer bobagem com ares de autoridade. E trabalhando para aumentar a insegurança e o medo da sociedade. Isso não passa batido por todo mundo, não… quem tem pelo menos dois neurônios que se falam, percebe claramente as tentativas de manipulação. E o prejuízo é para a ciência cara, que passa a ser contestada por qualquer um e colocada em pé de igualdade com crenças populares.

Olha: crenças populares são importantes por várias razões. Elas refletem a cultura e as tradições de uma sociedade, fornecendo uma conexão com a história e a identidade coletiva de um povo. As crenças populares também podem oferecer uma sensação de conforto e segurança em tempos de incerteza, ajudando as pessoas a lidarem com situações difíceis e a encontrarem significado em suas vidas. As crenças populares podem influenciar a forma como as pessoas pensam sobre a ciência e podem afetar a forma como as pessoas interpretam os resultados da pesquisa científica.

Mas crenças populares não são ciência…

Existem diversas razões pelas quais a ciência pode ser deixada de lado em discussões e debates. Eu costumo agrupar as razões em duas áreas;

A primeira área eu chamo de área da ignorância.

A ciência é deixada de lado por falta de conhecimento científico: muitas pessoas podem não ter um bom entendimento da ciência e da metodologia científica, o que pode tornar difícil para elas avaliar e compreender as evidências científicas em uma discussão.

Ou então é por desinformação ou má informação: em alguns casos, as pessoas podem não ter acesso a informações precisas ou podem ser expostas a informações incorretas. Isso pode levar a uma compreensão equivocada das evidências científicas.

A segunda área é a área dos interesses:

A ciência é deixada de lado por interesses pessoais: em algumas situações, as pessoas podem ter interesses pessoais que vão contra as evidências científicas. Por exemplo, uma pessoa que tem interesse financeiro em uma indústria que polui o meio ambiente pode ignorar as evidências científicas que mostram os danos causados pela poluição.

Também pode ser por crenças pessoais: muitas vezes, as pessoas têm crenças pessoais que entram em conflito com as evidências científicas. Por exemplo, uma pessoa pode acreditar que a Terra é plana, mesmo que as evidências científicas mostrem o contrário.

E por fim, pode ser por viés ideológico ou político: em algumas discussões, as pessoas podem estar mais preocupadas em defender suas crenças ideológicas ou políticas do que em avaliar as evidências científicas de forma objetiva. Vimos isso acontecer de monte durante a pandemia, quando remédios e tratamentos passaram a ser recomendados ou condenados conforme o lado ideológico ou político que a pessoa defendia. E essa postura trouxe um impacto muito grande para a credibilidade dos agentes da ciência, em todos os sentidos.

Em 2021, a revista Nature entrevistou pesquisadores de vários países que haviam falado com a mídia sobre a COVID-19, e descobriu que 47 dos 321 entrevistados (cerca de 15%) receberam ameaças de morte e 72 foram ameaçados de violência física ou sexual.

Nenhum pesquisador deveria sofrer violência ou ameaças durante o seu trabalho. Mas este é um perigo sempre presente para os pesquisadores que trabalham em áreas de ciência e políticas públicas onde as visões podem ser extremamente polarizadas, como nas mudanças climáticas ou no controle de armas de fogo – ou, de fato, na resposta à pandemia de COVID-19.

Pressões comerciais, políticas ou ideológicas – ou a simples canalhice – acabam levando a má conduta em pesquisas, resultados irreprodutíveis, retratações, conflitos de interesse e outras questões que envolvem o processo científico. Isso acaba por corroer a confiança do público na ciência e nos cientistas. Quem é que não ficou desconfiado do seu médico de confiança, quando o assunto foi a infecção pela covid ou as vacinas? Parecia o tempo todo que nenhum deles tinha certeza de nada…

Além disso, a análise de artigos de notícias científicas publicados na mídia revelou que eles tendem a conter palavras como avanço, inovação, disrupção e mudança de paradigmas. A maioria dos artigos incluía alguma descoberta, creditava os cientistas ou instituições envolvidas e observava o significado da inovação. Poucos mencionaram falhas passadas ou falsos começos. O resultado é uma impressão equivocada de que a ciência é um processo linear que vai da intuição à descoberta sem dificuldades no meio do caminho.

Dificuldades e erros são os motores da ciência. E ela se desenvolve desdizendo as verdades anteriores. Sempre foi assim…

O problema é quando a ciência passa a ser instrumento de manipulação. Passa a ser usada impunemente, conforme os interesses envolvidos. Ou, pior ainda, é convenientemente ignorada, em nome de se atingir algum objetivo obscuro.

Quer ver?

Vou usar como exemplo um estudo que acaba de ser divulgado, que foi realizado pela Fundação Instituto de Administração (FIA), uma das maiores escolas de negócios do Brasil e do mundo, com mais de 40 anos de história. A FIA é uma Instituição de ensino formada por profissionais conceituados no mercado que atuam como conselheiros e mentores dos principais projetos e grupos econômicos da América Latina.

A pedido da Associação De Olho No Material Escolar, a FIA analisou a presença do agronegócio em livros didáticos brasileiros. O estudo teve como objetivo identificar o nível de atualização, embasamento científico e viés político-ideológico presente nos livros.

Por meio de metodologia científica, de novo: metodologia científica, e não de chutes, eles identificaram como o agronegócio é tratado em livros didáticos, nível de atualização, embasamento científico e existência de viés político-ideológico. Foram analisados 94  livros de 10 editoras diferentes. O trabalho envolveu o estudo e análise de 9000 páginas, com 5 analistas de conteúdo e 7 especialistas do agronegócio aplicando mais de 3000 horas de estudos. E o resultado foi impressionante.

Foram 345 Unidades de Registro (URs) ligadas ao tema do agronegócio nos livros. Dessas 345,  110 URs com viés político ideológico, 45 tinham informação desatualizada, 153 com informação imprecisa, 105 com informação ausente a ponto de prejudicar a compreensão para o aluno.

Foram 746 citações de aspectos negativos relativos ao agronegócio  e 472  citações de aspectos positivos relativos ao agronegócio. Ou seja, 60% mais citações negativas do que positivas.

Mas o mais impressionante foi como os pesquisadores encontraram o gênero dos textos nos livros.

303 foram autorais, ou seja, “eu acho”.
13 foram com teor jornalistico
12 com teor científico
11 opinativo/dissertativo
3 foram de propaganda
1 foi informativo
1 instrucional
1 literário

Você entendeu? A maioria absurda, 303, foram textos opinativos sem embasamento científico. Com embasamento científico foram 12. 303 contra 12.  O que isso quer dizer?

Primeiro, evidencia a total precariedade de embasamento científico. Os caras dão opinião de vozes tiradas da cabeça. As análises realizadas mostraram a ocorrência de imperfeições pedagógicas, bem como de vieses de natureza política ou ideológica, o que é um absurdo em textos didáticos que têm como propósito incentivar o espírito científico dos leitores, formar opiniões independentes, atitudes e valores compatíveis com os saberes das ciências. Cara: não interessa, o que interessa é o “eu acho” na cabeça do teu filho.

Ficou evidente a falta de valorização do papel do produtor rural e da agroindústria na economia do país. No resultado geral, identificou-se diminuição do espaço do produtor rural e do agro na agenda econômica e de desenvolvimento do Brasil

Com essa quantidade de “eu achos” pintados com os cinquenta tons de vermelho cara, o que se constrói é a narrativa do Agro malvadão. Mesmo que a maioria da população tenha uma compreensão positiva do agro, nossos jovens tem a cabeça feita por um exército de escritores e professores irresponsáveis, que enquanto arrotam “ciência, ciência, ciência” de um lado, abandonam qualquer rigor científico para dar suas opiniões sobre temas que desconhecem. Ou que suas mentes obliteradas pela obsessão da inveja provocada pela luta de classes, impõe aos estudantes.

Cara: isso não é ciência.

Focando nessa questão da manipulação do material escolar, os pais podem tomar algumas medidas para ajudar a combater a doutrinação ideológica dos filhos na escola ou mante-los no caminho da ciência.

Podem estabelecer uma comunicação aberta e honesta com os filhos. Conversar com seus filhos sobre o que eles estão aprendendo na escola, incentivando-os a fazer perguntas e expressar seus pontos de vista. E ouvindo junto com eles o Podcast Café Com Leite, claro.

Podem promover o pensamento crítico, ajudando seus filhos a desenvolver habilidades para avaliar informações e argumentos de forma crítica, pra identificar preconceitos e reconhecer fontes confiáveis de informações.

Os pais devem incentivar a diversidade de perspectivas. Expor seus filhos a uma variedade de pontos de vista e perspectivas, não é só aquilo que está no livro, nem só aquilo que o professor falou. Os pais devem incentivar a considerar diferentes opiniões e a respeitar as diferenças.

Os pais podem conversar com os professores. Isso nunca é fácil, mas tente estabelecer um diálogo aberto com os professores de seus filhos para entender melhor o que está sendo ensinado e compartilhar suas preocupações.

E, o mais importante, estar envolvido na escola. Pais devem participar das reuniões escolares e das atividades da escola, ficar atualizado sobre o que está sendo ensinado e fazer perguntas quando necessário.

E, por fim, juntar-se a quem está preocupado com a qualidade do que está sendo mostrado para as crianças. Por exemplo, assinando o Podcast Café Com Leite em podcastcafecomleite.com.br. Ou então associando-se ao De Olho No Material Escolar. Acesse o Instagram @deolhonomaterialescolar

Você entendeu, cara? O processo de educação dos filhos, na ciência, envolve os pais.

Lindo balão azul
Guilherme Arantes

Eu vivo sempre
No mundo da lua
Por que sou um cientista
O meu papo é futurista
É lunático

Eu vivo sempre
No mundo da lua
Tenho alma de artista
Sou um gênio sonhador
E romântico

Eu vivo sempre
No mundo da lua
Porque sou aventureiro
Desde o meu primeiro passo
Pro infinito

Eu vivo sempre
No mundo da lua
Porque sou inteligente
Se você quer vir com a gente
Venha que será um barato

Pegar carona
Nessa cauda de cometa
Ver a via láctea
Estrada tão bonita
Brincar de esconde-esconde
Numa nebulosa
Voltar pra casa
Nosso lindo balão azul

Nosso lindo balão azul
Oh! Oh! Oh! Oh!

Nosso lindo balão azul
Uh! Uh! Uh! Uh!

Uauuuuuuuuuuuuuu, cara!!!! O Lindo Balão Azul, clássico do Guilherme Arantes que fez a cabeça de um monte de marmanjo que era bem jovenzinho quando essa canção estourou! Cara, quantos anos luz separam essa obra prima das músicas er, infantis vai, que nossos filhos e netos ouvem hoje em dia? Voicê tinhas e tocado que essa canção fala de ciência?

Pegar carona
Nessa cauda de cometa
Ver a via láctea
Estrada tão bonita
Brincar de esconde-esconde
Numa nebulosa
Voltar pra casa
Nosso lindo balão azul

Muito bem. Se você se interessou, eu vou colocar no roteiro deste episódio no portalcafebrasil.com.br o link para a pesquisa que a De Olho No Material Escolar encomendou. Vale dar uma olhada. E confiar na ciência, ciência, ciência… com “cê”.

https://cafebrasilpremium.com.br/app/e-books/e-book-65-o-retrato-do-agronegocio-na-educacao

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

De onde veio este programa tem muito, mas muito mais, acesse canalcafebrasil.com.br e torne-se um assinante. Além de conteúdo original e provocativo, você vai nos ajudar na independência criativa, a levar conteúdo para muito mais gente.

E se você gosta do podcast, imagine só uma palestra ao vivo. E eu já tenho mais de 1000 no currículo. Conheça os temas que eu abordo no lucianopires.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também temos um canal no Telegram, no grupo Café Brasil. vai lá, cara. A gente publica com antecedência os podcasts lá.

Para terminar uma fala do grande Carl Sagan:

Existem muitas hipóteses em ciência que estão erradas. Isso é perfeitamente aceitável, elas são a abertura para achar as que estão certas.