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Luciano Pires -

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Então… diante dos acontecimentos dos últimos dias eu decidi trazer de volta um episódio do Café Brasil que publiquei lá em 2006. Foi o Café Brasil 11. Na época eu ainda trabalhava na Dana, que um dia foi Albarus, empresa gaúcha. No Rio Grande do Sul tenho memórias e amigos. E é impossível assistir às imagens que vemos da catástrofe das chuvas sem sentir uma dor imensa no coração.

Por isso este episódio de hoje. Fica sendo uma homenagem a nossos irmãos gaúchos. A história mostra que eles têm garra, determinação e força para sair dessa. Eles vão sair. São gaúchos, ora!

Pra começar, vou com uma variação de Mario Quintana:

Todas essas águas que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Elas passarão.
Eu passarinho!

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?

“Oi Luciano, bom dia, tudo bem? Eu me chamo Cláudio, sou seu ouvinte há muito anos. Sou assinante há poucos só, acho que um ano e meio, se não me engano. Eu já ouvi muito Cafezinho arte que era destinada apenas para ouvintes, demorei pra me tornar um membro.

Acredito que houve uma evolução natural aí do meu entendimento no que se refere à importância de ser membro e apoiar algo tão importante. Então eu estou sempre visitando, sempre te acompanhando, nas redes sociais, ouvindo seus podcasts e isso tem agregado muito valor profissional e pessoal na minha vida.

Eu sou microempresário, eu decidi entrar nessa jornada aí, em 2020, já se passaram quatro anos. De fato, é uma montanha russa profissional e pessoal, e a gente viu como a gente melhora cognitivamente no momento em que a gente desafia nossos limites. Esse processo como um todo, mudou minha vida, no âmbito do entendimento empreendedor e trouxe como bagagem uma visão de mundo mais apurada, centrada, consciente.

Hoje pela manhã eu estava ouvindo o episódio 621 do Cafezinho onde você exemplifica como conduz a comunicação com crianças, adolescentes e etc. Sempre um nível acima, você parametriza por cima, né?  E isso é incrível, é o que eu sempre busco. Às vezes me pego, em vários momentos repetindo alguns trechos dos seus podcasts, pra que minha mente entenda, que absorva, porque é um nível acima o que você fala e eu quero me adaptar. Quero estar sempre melhorando, né? Você já comentou anteriormente que pra crescer intelectualmente temos que estar em grupos que estão acima do nosso conhecimento atual.

Continuando no episódio 621, sempre busco conteúdos que me nivelam por cima tá? Essa é uma meta que eu tenho, não tem problema não entender. Às vezes tem conteúdos que não favorecem o que eu penso, em relação a vários temas, mesmo assim eu ouço a mensagem. Agora, se eu vou absorver ou não, ou se eu vou pegar pra eu usar na minha vida pessoal ou profissional é uma outra questão, né?

Mas eu queria te dizer isso, tá? Queria te parabenizar você pela sua consistência cognitiva dos textos que você tem nos seus podcasts. Eu acredito que é um trabalho muito grande se manter fiel aos seus ideais, passando uma mensagem durante tanto tempo num nível como esse e por tantos episódios.

Eu desejo uma vida longa ao Café Brasil. Um grande abraço”

Graande Claudio, que lega, cara! Muito obrigado pelo depoimento, meu caro. É muito difícil convencer as pessoas a assinar somente com argumentos. Quando surge um depoimento como o seu, a coisa muda de figura. É um usuário, satisfeito e comprovando que vale a pena contribuir com aquilo que nos faz crescer. Muito obrigado, meu caro!

O comentário do ouvinte agora é patrocinado pela Livraria Café Brasil, e o Claudio ganhará um livro… claro…será um exemplar, do meu 11º. Livro, que acaba de ser lançado, o Mínimo Sobre o Medo. Faz parte da coleção O Mínimo, que a CEDET publica, e da qual eu honrosamente passo a fazer parte. É um livrinho para ser lido em uma hora, que nada, acho que em quarenta minutos você lê. Está à venda na livrariacafebrasil, onde colocamos mais de 15 mil títulos muito especiais. Dá uma olhada lá. livrariacafebrasil.com.br.

Olha só. As pessoas continuam pedindo pra mim: Luciano, faça mais programas poéticos, programas musicais, programas com um grande estudo, um grande aprofundamento, vá mais fundo etc. etc. e tal. Só dá pra fazer com dedicação plena.

E pra ter dedicação plena, cara, eu não posso ter rabo preso com lugar nenhum. Mais que isso, eu tenho que ter tempo e tempo eu só posso ter se eu mergulhar de cabeça aqui e não tiver que sair pra fazer palestra lá fora, pra ir fazer consultoria, pra visitar possíveis patrocinadores, pra gastar meu tempo com coisas que não são aquelas que eu gosto de fazer que é fazer o Café Brasil.

Isso só vai acontecer se todo ouvinte que ouve e gosta da gente se transformar num assinante. É simples, cara! Tem vários planos.

Assine lá: canalcafebrasil.com.br. Se você entrar ali na página vai ter uma série de planos sendo apresentados com comparativo entre eles, escolha o plano que você mais gosta, clique nele e torne-se um feliz assinante do Café Brasil.

Vai lá cara, vai! canalcafebrasil.com.br . A gente espera.

Vamos começar o programa de hoje com um texto delicioso de Nilo Bairros de Brum, gaúcho de Rosário do Sul, Promotor de justiça, professor, escritor, poeta. Nilo pergunta assim: Ser gaúcho; o que é isso?

Quase sempre que discutimos sobre a essência de alguma coisa, estamos na verdade discutindo sobre as circunstâncias de aplicação de uma palavra. Quando cada um dos contendores esclarece quais as circunstâncias em que usa determinado termo, a discussão acaba. Esta verdade foi a coisa mais importante que apreendi com os filósofos da linguagem. Por isso, ao invés de sair dizendo que o gaúcho é isto ou o gaúcho é aquilo, vou esclarecer algumas circunstâncias históricas, geográficas e culturais em que a palavra é aplicada.

A História do cone sul ensina que o primeiro grupo de pessoas a que foi aplicado esse termo era composto de mestiços descendentes de europeus (náufragos, degredados e desertores) e de índias das nações Minuano e Charrua. Esses mestiços eram nômades que percorriam terras que hoje pertencem ao Uruguai, à Argentina e ao Rio Grande do Sul. Não eram súditos de Portugal nem da Espanha; eram homens livres no mais amplo sentido que se possa imaginar. Viviam do abate do gado selvagem, tão livre quanto eles, mas eram tidos como ladrões, pois tanto os portugueses quanto os espanhóis consideravam-se donos das terras e dos gados que nelas viviam. Esses homens foram os primeiros gaúchos. E é errado dizer que eram uruguaios, argentinos ou brasileiros porque eles antecederam essas nações.

Em um sentido meramente geográfico, aplica-se o termo gaúcho às pessoas que nascem no território do Rio Grande do Sul, independentemente da identidade cultural delas. Isto nem sempre foi assim. Houve um tempo em que os habitantes dos grandes centros urbanos do Estado, Porto Alegre principalmente, rejeitavam tanto o termo “gaúcho” quanto a cultura da bombacha.

Em um sentido geográfico e cultural, pode-se aplicar esse termo às pessoas que habitam no corredor das tropas. Este corredor cultural é composto por povoações ao longo de uma rede de caminhos por onde subiam as tropas de gado e de mulas chucras em um ciclo que durou dois séculos e que abrange uma larga faixa que passa pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo. É a zona dos birivas, uma cultura que tem traços gaúchos e caipiras.

Finalmente, em um sentido puramente cultural, o termo pode ser aplicado a pessoas que não nasceram no Rio Grande nem no corredor cultural das tropas, mas que adotaram a cultura gaúcha por algum motivo. São, principalmente, os filhos dos migrantes dos estados do Sul que nasceram nos estados do Centro e do Norte e que se identificam com a cultura do Sul. Também existem aqueles que não nasceram no Sul nem são filhos de migrantes, mas que se apaixonam pela cultura gaúcha, assumindo essa identidade.

Então, aí está. Ser gaúcho é uma questão de identidade, mas não basta apenas sentir-se gaúcho. Ser gaúcho não é apenas um estado de espírito. É preciso agir como gaúcho em todas as situações. Para isso, é necessário estudar a história dos povos do Sul e enfronhar-se na cultura gaúcha, assumindo e vivendo os valores gaúchos.

Felicidade
Lupicínio Rodrigues

Felicidade foi embora
E a saudade no meu peito ‘inda mora
E é por isso que eu gosto lá de fora
Porque sei que a falsidade não vigora
A minha casa fica lá de traz do mundo
Onde eu vou em um segundo quando começo a cantar
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar?
O pensamento parece uma coisa à toa
Mas como é que a gente voa quando começa a pensar?
Felicidade foi embora
E a saudade no meu peito ‘inda mora
Por isso que eu gosto lá de fora
Sei que a falsidade não vigora

Luar do sertão
João Pernambuco
Catulo Da Paixão Cearense

Não há, oh, gente, oh, não
Luar como esse do sertão
Não há, oh, gente, oh, não
Luar como esse do sertão
Oh, que saudade do luar da minha terra
Lá na serra, branquejando folhas secas pelo chão
Esse luar, lá da cidade, tão escuro
Não tem aquela saudade do luar lá do sertão
Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata, prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia
E a canção e a lua cheia a nos nascer do coração
Coisa mais bela nesse mundo não existe
Do que ouvir um galo triste, no sertão se faz luar
Parece até que a alma da Lua é quem descansa
Escondida na garganta desse galo a soluçar
Ah, quem me dera eu morresse lá na serra
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez
Ser enterrado numa grota pequenina
Onde, à tarde, a sururina chora a sua viuvez
Não há, oh, gente, oh, não
Luar como esse do sertão

Huuummmmmm…. Você está ouvindo Renato Borghetti e Arthur Bonilla interpretando FELICIDADE, clássico de um gaúcho chamado Lupiscínio Rodrigues e depois LUAR DO SERTÃO, de João Pernambuco. Quem está cantando é a plateia….

Gaúchos, gaúchos, gaúchos… de onde vêm, hein? Achei um texto de Walmir Félix Solano Ayala, poeta gaúcho que conta A LENDA DO PRIMEIRO GAÚCHO.

Gaúcho é o nome que dão aos naturais do Estado do Rio Grande do Sul. Mas houve um tempo que por aquelas bandas só havia índios. E como a terra era linda, o clima agradável, o céu azul demais, os crepúsculos espetaculares, os brancos resolveram se instalar por ali. Havia uma tribo especialmente guerreira e ciosa das suas possessões. Eram os Minuanos, ágeis como o vento, garbosos e atentos na guerra e no amor. Pois os Minuanos enfrentaram os brancos com uma fúria notável.

Num dos combates os índios Minuanos fizeram um prisioneiro. Reuniram-se os chefes e decidiram condená-lo à morte, como advertência aos outros invasores.  Prepararam então uma linda festa. O vinho de cauim, as cores de enfeite, as novas armas, as danças guerreiras, tudo foi antecipadamente ensaiado para o grande dia da vingança. O prisioneiro ficou numa cela de taquara, dia e noite vigiado por uma jovem índia da tribo. Não se falavam, mas os sorrisos e os olhares logo construíram uma linguagem mais forte e profunda, a do amor. E a carcereira, cada dia que passava, ficava mais triste ouvindo as reuniões dos chefes, determinando a maneira como deveria morrer o intruso. Como não havia nada que fazer, o jovem pediu à índia, por gestos de mímica, taquaras, corda feita de tripa de capivara, restos de madeira e cola silvestre. Em silêncio, a barba crescida, os olhos incendiados de simpatia pela jovem índia, que o espreitava com a doçura de uma criança, assim o prisioneiro foi construindo uma viola. mas nunca tocou. Estava triste de pensar que iria morrer.

Chegou enfim o grande dia. Os assados e a beberagem correram desde cedo, os homens estavam mais alegres e se exercitavam com as lanças, disparavam em fogosos cavalos cobertos de pele de onça e plumagem de papagaio. As mulheres desenhavam nos corpos curiosas formas em verde e vermelho e gritavam muito enquanto atapetavam de flores o chão batido da taba. Desde cedo o prisioneiro ficou amarrado a um tronco no centro da praça. Só a índia estava triste; de longe, oculta atrás de uma bananeira, olhava com profunda mágoa todo aquele movimento.

Alta noite, o cacique acompanhado do feiticeiro se aproximou do prisioneiro. Houve um silêncio sepulcral, os olhos todos brilhavam. Era a morte que descia com seu sorriso dourado. Então o cacique falou:

– Homem branco, tua hora é chegada!

E o feiticeiro acrescentou:

– Nossos deuses querem o teu sangue, porque és nosso inimigo.

O jovem não dizia nada. Houve um momento de silêncio. Dez jovens guerreiros ergueram suas lanças em direção ao peito do prisioneiro.

E o cacique disse ainda:

– Antes de matar-te queremos que satisfaças teu último desejo. O que gostarias de fazer agora?

O jovem não disse nada, olhou comovidamente a jovem índia que lhe servira de vigia durante aquelas semanas de espera. Olhou e ela, como se entendesse se aproximou dele. Trazia nas mãos a viola que ele havia construído na prisão. O jovem branco sorriu. A índia veio de mãos estendidas com o instrumento intacto. Desamarrou o prisioneiro – havia em torno um sussurro patético. E com a viola, o moço branco dedilhou a mais suave canção, sua voz se elevou com uma tristeza que fez tremer os mais empedernidos guerreiros. Cantou, cantou como um pássaro no último dia do mundo. Havia amor, vibração e nostalgia em seu canto. A índia, perto dele, chorava ajoelhada. Começou então um murmúrio vindo de todos os lados, logo crescendo, a voz ficou nítida, diziam:

– Gaúcho… gaúcho.. – que queria dizer: gente que canta triste.

E todos se sentaram e ficaram ouvindo, esquecendo do ódio, da vingança e do sacrifício. A alta lua encontrou o jovem branco dedilhando a viola, calaram os pássaros ouvindo sua voz. E ele foi perdoado. Ficou com os Minuanos e casou-se com a índia. Tiveram muitos filhos e assim começou a raça gaúcha. Por isso, nas largas noites ao pé do fogo com o chimarrão e a viola, ao ouvir-se a voz do homem do sul cantando de amor e de saudade, ouve-se também um murmúrio longínquo, os garbosos fantasmas da tribo Minuano, passando entre nuvens e chamando dolosamente:

“gaúcho… gaúcho….” 

Céu, sol, sul, terra e cor
Leonardo

Eu quero andar nas coxilhas sentindo as flexilhas das ervas do chão
Ter os pés roseteados de campo ficar mais trigueiro com o sol de verão
Fazer versos cantando as belezas desta natureza sem par
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar
É o meu Rio Grande do Sul céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor
Eu quero me banhar nas fontes e olhar o horizonte com Deus
E sentir que as cantigas nativas continuam vivas para os filhos meus
Ver os campos florindo e crianças sorrindo felizes a cantar
É o meu Rio Grande do Sul céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor

Ah, que beleza… essa é Céu. Sol, Sul, Terra e Cor, clássico composto por Leonardo. Não o que se conhece. É aquele outro, o gaúcho.  A interpretação é dos Araganos. Não há gaúcho que permaneça indiferente a esse hino…

Vou aproveitar a deixa aqui agora pra dizer que a gente continua com a minha mentoria MLA. Que que eu fiz, hein? Eu reuni um grupo de pessoas que querem estar juntas, que querem troca ideias, que querem ter a chance de participar de uma reunião onde elas possam colocar sua opinião sem ter um idiota pra falar mal, pra fazer piadinha, pra criticar.

Não. Uma ideia de a gente sentar e trocar ideia sobre o mundo, sobre a vida, sobre como cada um encara os desafios. Eu levo palestrantes, a gente faz reuniões ali, tem um almoço em família maravilhoso, tem vinho. São reuniões assim que elevam a gente, elevam o espírito da gente, algo que falta muito hoje em dia.

A gente conseguiu montar uma confraria. A Confraria do MLA, minha mentoria MLA, Master Life Administration.

Cara, você quer fazer parte? Acesse mundocafebrasil.com, tem um link ali que você clica, vai abrir um lugar que você vai preencher a papelada e a gente vai estudar se você tem o perfil pra estar conosco. Se tiver, vem, cara. A próxima reunião vai ser uma loucura, reunião púbica, a gente vai levar gente de peso e vai ser muito legal.

E se você é assinante do Café Brasil agora vem o conteúdo extra. Eu vou falar um pouco da minha relação com o Rio Grande do Sul e porque tenho certeza que os gaúchos vão sair desta.

Se você não é assinante, nós vamos para o fechamento.

Muito bem: e pra definir o gaúcho, hein? Bem, neste episódio já demos a definição da palavra… Depois, mostramos uma lenda. E agora, que tal um poema?

Chama-se GAÚCHO, de Antônio Augusto Fagundes.

Ao fundo, está ouvindo PRA TI GURIA, de Gilberto Monteiro…

Os moços de Porto Alegre /- escritores, jornalistas,
aqueles que sabem tudo, / ou pensam que sabem tudo…
disseram que já morreste. / Ou então que estás de a pé,
sem cavalo, sem bombacha, / sem bota, espora ou chapéu,
sem comida e sem estudo.
Moços da voz de veludo / e máquinas de escrever
produzidos no estrangeiro / dizem que tu, companheiro,
morreste ou estás mui mal / porque o êxodo rural
te atirou pelas sarjetas / sujo de pó e de barro
catando a toa cigarro /nos becos da capital…
E no entanto, estás vivo! / Estás vivo e trabalhando
e produzindo o que comem / esses moços do jornal.

Quem é gaúcho, afinal?

Tenho pra mim que são três: / um é o peão, o assalariado,
o operário campeiro. / O segundo é o estancieiro,
o empresário rural. /O terceiro é o camponês
que se aguenta bem ou mal / sem ter nem peão nem patrão.
No mais, é um homem solito, / um carreteiro, talvez.
São os homens de a cavalo / que agarram o céu com a mão,
rasgando fronteira e chão, /marcando terneiro a pealo,
bebendo o canto do galo / no alvorecer do rincão.
São três homens diferentes? / No fundo, os três são um só:
mesma fala, mesma roupa, / mesma alma, mesma lida…
Em resumo, mesma vida, / mesmo barro e mesmo pó.
Um mais rico, outro mais pobre. / Prata, ouro, lata ou cobre
que importam, se homem é nobre / e amarra no mesmo nó?
A bombacha que eles usam / tem um século. Cem anos!
Os arreios do cavalo / são muitos mais veteranos:
duzentos anos talvez. / E o chimarrão, o palheiro,
o churrasco, o carreteiro,/ o truco, a tava, as campeiras,
a gaita, o chote inglês…? / São dos séculos passados,
já tinham, em 93.
E a mesma mulher gaúcha / inspira cada vez mais.
E a paisagem é sempre a mesma. / Eterna, mas sempre nova.
Do litoral à fronteira, / da serra aos campos neutrais.
Das missões até o planalto / para frente e para o alto
como regiões naturais, / do verde das sesmarias
até o ouro dos trigais / – as duas cores da pátria
que o Rio Grande esparramou / nas plagas meridionais.
Porque o Rio Grande é eterno / como é eterno seu luxo:
tu não morreste, gaúcho, / deixa que falem, no mais.
Deixa que o fraco de sempre / (o fracassado, o vencido)
tente te encerrar no olvido / que o futuro lhe promete.
E que te chamem de Odete / os desfibrados morais:
no lombo do teu cavalo / estás tão alto, tão ato,
que a lama preta do asfalto / não te alcançará jamais!
Meu pai veio da campanha / com a mulher e dez filhos
e veio para abrir trilhos, / foi sempre um homem de bem.
Jamais andou mendigando, / catando lixo nos valos
ou toco pelas sarjetas. / Não se esqueceu das carretas
nem do tranco dos cavalos.
Nasceu e morreu gaúcho. / Trabalhou e foi alguém.
E eu herdei seu evangelho. / Me orgulho daquele velho
– eu sou gaúcho também! 

Vento negro
José Fogaça

Onde a terra começar
Vento negro, gente, eu sou
Onde a terra terminar
Vento negro eu sou
Quem me ouve vai contar
Quero luta, guerra não
Erguer bandeira sem matar
Vento negro é furacão
Com a vida e o tempo, a trilha, o sol
Um vento forte se erguerá, arrastando
O que houver no chão
Vento negro campo afora, vai correr
Quem vai embora tem que saber
É viração
Nos montes, vales que venci
No coração da mata virgem
Meu canto, eu sei, há de se ouvir
Por todo meu país
Não creio em paz sem divisão
De tanto amor que eu espalhei
Em cada céu, em cada chão
Minha alma lá deixei
Com a vida e o tempo, a trilha, o sol
Um vento forte se erguerá
Arrastando o que houver no chão
Vento negro campo afora, vai correr
Quem vai embora tem que saber
É viração
Quem vai embora tem que saber
É viração
Quem vai embora tem que saber
 viração

Então… é assim com Vento Negro, um clássico, composto por José Fogaça, aqui na interpretação dos Almôndegas, que vamos saindo emocionados e esperançosos. Você prestou atenção na letra, hein?

Vento Negro fala sobre uma força poderosa e transformadora que deseja promover a luta por justiça e mudanças sem recorrer à violência, optando por “erguer bandeira sem matar”. O “vento negro” simboliza uma influência que percorre o país, deixando marcas de amor e ideais por onde passa. A repetição da frase “quem vai embora tem que saber / É viração” sugere que aqueles que se afastam dessa força levam consigo as lições de transformação que ela provoca, enfatizando a capacidade de agir com força e convicção, mas pacificamente.

“Vento negro” é usada como metáfora para representar uma força poderosa e transformadora, uma presença que tanto inicia quanto conclui, que está presente onde a terra começa e onde termina. Esse vento simboliza uma influência ou um movimento que pode mudar as coisas radicalmente, arrastando tudo o que encontra pelo caminho.

Depois dele, vem a bonança. E, quem sabe, a mudança.

Reitero aqui meu convite: junte-se aos conspiradores do Café Brasil: canalcafebrasil.com.br. Escolha seu plano e venha para o barco.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

De onde veio este programa tem muito, muito, muito, muito mais. E se você gostou do podcast, imagine só uma palestra ao vivo. E eu já tenho mais de mil e duzentas no currículo. Conheça os temas das minhas palestras no mundocafebrasil.com.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

E para encerrar, um poema chamado Oração Gaúcha, de Dom Felipe de Nadal, e aqui, na voz do grande Rolando Boldrin

Oração gaucha
Dom Luiz Felpe De Nada

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e com licença, Patrão Celestial
Vou chegando, despacito, enquanto cevo o amargo de minhas confidências
Porque ao romper da madrugada e o descambar do sol,
preciso camperear por outras invernadas e repontar do céu
A força e a coragem para o entrevero do dia que passa
Eu bem sei que qualquer guasca, bem pilchado, de faca e rebenque e esporas
Se não se afirma nos arreios da vida, não se estriba na proteção do céu.
Ouve, Patrão Celeste, a oração que te faço.
Ao romper da madrugada e o descambar do sol, tomara que todo o mundo seja como irmão
Ajuda-me a perdoar as afrontas e não fazer aos outros o que não quero pra mim.
Perdoa, meu Senhor, porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana
De quando em vez, quase sem querer, eu me solto porteira afora…
Êta potrilho chucro, renegado e caborteiro…
Mas eu te garanto, meu Senhor, quero ser bom e direito
Ajuda-me Virgem Maria, primeira prenda do céu
Socorre-me São Pedro, capataz da estância gaúcha
E pra fim de conversa vou te dizer meu Deus, mas somente pra ti:
Que a tua vontade leve a minha de cabresto pra todo o sempre até a querência do céu.
Amém.