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Raiam Santos -

Esses dias, eu tava assistindo uma entrevista entre o Brian Johnson do site Philosopher’s Notes e o Cal Newport.

Cal Newport é um PhD pica das galáxias formado no MIT que hoje dá aula de ciências da computação em Georgetown.

Apesar dessas credenciais, a maior contribuição do Cal Newport para a humanidade foram dois livros fodas que mudaram a minha vida para sempre.

Se não me falha a memória, já citei ambas obras-primas aqui em outros posts. Se você está me conhecendo agora, aqui estão elas:

So Good They Can’t Ignore You: Why Skills Trump Passion in the Quest for Work You Love  – estudos científicos sobre propósito de vida, sobre insatisfação no ambiente de trabalho, sobre ganhar dinheiro fazendo o que gosta, sobre fazer exatamente o oposto que as multidões fazem e sobre eliminar aquele mi-mi-mi interno que deixa a gente performando a menos de 50% do nosso potencial.

Deep Work: Rules for Focused Success in a Distracted World – sobre ativar o “Modo Buda”, acabar com as distrações e produzir.

O que mais me chamou atenção foi que, no finalzinho da entrevista, o Brian Johnson pergunta mais ou menos assim:

“Cal, como é que o público pode entrar em contato com você? Tem um email, um Twitter ou uma fanpage do Facebook?”

O Cal vai lá e diz:

“Well… I’m hard to find”

O cara simplesmente respondeu que não tem rede social, não deu contato nenhum e meteu o pé.

Em outras palavras, ele mandou um “nós se vê por aí” que nem a novinha da música Malandramente…

O PODER DO NETWORKING

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Um dos capítulos que mais deram o que falar no meu primeiro livro Hackeando Tudo: 90 Hábitos Para Mudar o Rumo de Uma Geração foi exatamente aquele sobre “hackear” pessoas (no bom sentido da palavra), fazer networking e aumentar a lista de contatos.

Meio que sem querer, eu acabei me estabelecendo como uma “autoridade” no Brasil nesse assunto.

Quando eu fui notando o interesse das pessoas sobre o tema, comecei a alavancar cada vez mais o poder do networking nas minhas redes sociais. Tipo jogando querosene na fogueira de São João.

Quando eu não tinha porra nenhuma para fazer, eu abri o Instagram e postava foto com CEO de empresa gringa, com jogador da NBA, com o Neymar, com o juiz Joaquim Barbosa, com uma modelo de Victoria’s Secret, com o Messi, etc…

Mesmo se eu tivesse conhecido tal celebridade em 2009, eu tava lá reciclando as fotos antigas e soltando tudo nas redes para gerar três coisas: likes, autoridade e leads.

Até que essa “ostentação” de contatos até que funcionou um pouquinho. Para você ter uma ideia, nesse ano de 2016 foram três grandes empresas que me pagaram para dar palestra e treinar o pessoal interno sobre networking.

Nos três casos, lá estava eu de calça jeans e t-shirt preta falando na frente de um monte de engravatado que tinha idade para ser meu pai.

Tá, Raiam. Já se amostrou demais! Onde você tá querendo ir com isso?

Calma aí, jovem…

EVENTOS, EVENTOS E MAIS EVENTOS

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Ao longo desse último ano, eu participei de uma porrada de conferência e evento de networking por aí. Pipocava um convite no meu email e eu dizia sim pra todo mundo.

Geralmente, o roteiro desses eventos é mais ou menos assim:

Você vai num centro de convenções…

Faz o check-in num balcão com várias mulheres bonitas e bem vestidas…

Apresenta a identidade e pega a credencial…

Roda pelos stands e pega brindes…

Assiste a palestras…

Posta foto do palestrante fodão em cima do palco…

Faz anotações das palestras no caderninho que você ganhou dos organizadores…

Conhece gente pra caramba nos coffee breaks…

Pega vários cartões de visitas e ouve algo do tipo “vamo fazer negócio juntos”…

Toma uns danones no Happy Hour…

Posta foto dizendo que aprendeu muito no evento e escreve algo do tipo “vem novidade por aí”…

Daí você vai pra casa cheio de ideias na pilha de que tua vida vai mudar da água para o vinho com tanto conhecimento adquirido e com tantas pessoas tops que você conheceu ali.

Só que uma semana depois, você já não lembra o nome de ninguém e já perdeu todos os cartões que você pegou naquele dia.

Depois daquele episódio em que eu quase perdi meu pai para uma insuficiência renal (depois dá uma olhada no post Quando Dinheiro e Sucesso Não Resolvem Teu Problema), eu parei para analisar várias paradas da minha vida.

Entre outras mudanças:

– Parei com aquele hábito de postar frases-feitas de manhã (lembra do “Rise and Grind”?)

– Parei de consumir conteúdos motivacionais do Tony Robbins e Eric Thomas

– Prometi a mim mesmo que não iria mais a eventos de networking

APRENDIZADO VERSUS IMPLEMENTAÇÃO

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No mês que antecedeu aquele tempo que eu passei dentro do hospital Kaiser Hollywood em Los Angeles, eu havia ido a duas conferências.

Não posso negar que aprendi pra caramba nas duas. Coisa de louco mesmo. Tanto no evento do Samuel Pereira, um cara que eu sou muito grato até hoje, quanto no Afiliados Brasil em São Paulo.

Só que acontece o seguinte: vamos dizer que eu aprendi 100 coisas novas no primeiro evento.

Dessas 100 coisas, eu só tive foco e tempo para implementar 2 ou 3.

Daí eu fui no segundo evento e aprendi mais 200… e não consegui implementar nada.

Minha cabeça explodiu com tanta informação nova que eu fui meio que consumido pelo sentimento de ansiedade.

Não parou por aí. Apareceram várias oportunidades de negócios no meu prato e eu respondi a grande maioria delas com um:

“Caramba, que top! Bora tocar isso pra frente!”

Daí eu tomei um soco na cara de mim mesmo:

“Qual a graça de ir num terceiro ou um quarto evento, encher meu cérebro com mais 400 coisas e não conseguir implementar aqueles valiosos aprendizados que eu aprendi no primeiro?

Qual a graça de aceitar projetos novos se você não executou o seu projeto atual?”

Segura esse pensamento aí que eu vou te apresentar a um conceito que eu chamo de Efeito Peter Drucker.

O EFEITO PETER DRUCKER

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Lembra ali em cima que eu falei que dizia “sim” pra todo convite que chegava?

Um dos caras mais respeitados do mundo quando o assunto é psicologia positiva é um PhD húngaro da University of Chicago. Mihaly Csikszentmihalyi é o nome da fera (a pronúncia é Tic-sen-mi-hai).

Acho que seu trabalho de maior sucesso em mais de 50 anos de carreira foi Flow: The Psychology of Optimal Experience.

Flow foi publicado em 1990, vendeu alguns milhões de exemplares, foi traduzido para dezenas de línguas e se tornou o livro favorito do maior networker do mundo: o ex-presidente e quase primeiro-cavalheiro Bill Clinton.

Quem leu o Hackeando Tudo deve lembrar que eu citei o Bill Clinton algumas vezes ao longo do livro. Acho que nesse quesito, Clinton só perdeu para o meu “amigo” Paulo Coelho.

Alguns anos depois do Flow, o Csikszentmihalyi resolveu tocar uma pesquisa sobre como o estado de “flow” afeta a criatividade da pessoa.

Nesse estudo, que mais tarde virou o livro Creativity : Flow and the Psychology of Discovery and Invention, Mihaly fez questão de entrevistar um monte de gente pica do mercado literário, da música, do cinema, do mundo dos negócios e da tecnologia.

Posso te dizer, por experiência própria, que ter um best-seller te abre portas para várias pessoas influentes e acaba funcionando como uma espécie de cartão de visitas com esteroides anabolizantes.

“É best-seller? Pode trazer ele aqui que eu quero conversar com ele.” 

Csikszentmihalyi usou essa carta na banca e conseguiu todo mundo que ele queria.

Menos um: Peter Drucker!

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Peter Drucker é um dos caras mais respeitados do mundo dos negócios mundo afora. Eu duvido você encontrar um MBA que nunca ouviu falar no cara. Depois dá uma lida rapidinha sobre o trabalho dele aqui.

Drucker simplesmente mandou um “Thanks… but no, thanks” para um dos PhDs mais respeitados do planeta.

Na carta em que Drucker rejeitou participar da entrevista e do estudo, ele escreveu algo mais ou menos assim:

“Eu não acredito em criatividade. Eu acredito em produtividade. Trabalhe duro, crie as condições certas e essas ideias criativas e inovadoras vão chegar automaticamente”

Drucker completou na voadora. Vou até deixar a frase em inglês para manter o efeito tapa na cara:

“One of the reasons why I’ve been so productive is that I have a very large waste basket for requests like these”

Lembrando que Drucker mandou isso para um dos psicólogos mais repeitados do planeta.

A rejeição por parte do Drucker fez acender uma luzinha na cabeça do próprio Csikszentmihalyi. O efeito daquele “não” foi tão grande que Mihaly citou aquilo no livro e elogiou o Drucker por isso:

“O cara é tão bom no que faz exatamente porque ele não se deixa levar por distrações… eu sou uma distração para ele” 

Drucker só colocou o convite do Csikszentmihalyi no cesto de distrações porque sabia muito bem aonde queria chegar.

Quando a pessoa sabe o que quer, ela vai eliminar toda e qualquer distração para completar a maratona dela.

NETWORKING NO ESCURO

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Bom, acho que você já matou a charada.

Se não, chegou a hora de relacionar aqueles eventos de networking do início do post com o Efeito Peter Drucker.

Depois de conectar os pontinhos, a minha grande conclusão foi a seguinte: networking em eventos como esses só serve para quem não tem ideia do que vai fazer na vida.

Eu, Raiam, tenho objetivos que estão muito… muito… muito claros na minha cabeça.

Eu tenho a plena consciência que só vou conseguir chegar até eles se eu me blindar das distrações do mundo…. estilo Peter Drucker.

E no meu cesto de distrações estão as noitadas, as bebedeiras, o futebol da TV, os grupos de Whatsapp e até aquela galera que faz networking no escuro.

Ué, Raiam? Não era você o cara de 26 anos que ensinava as pessoas a fazerem networking e era pago para isso como palestrante?

Eu continuo acreditando que o networking é importante pra cacete para qualquer pessoa com o mínimo de ambição na vida, não me interprete errado.

Só que é o seguinte: eu tenho meus objetivos tão bem-mapeados que eu sei exatamente que pessoas eu preciso conhecer para chegar aonde eu quero chegar.

Boa parte delas eu já conheço.

E as pessoas que ainda não conheço não vão aos eventos que eu citei ali em cima.

Se vão, elas são pagas para participar e vão como palestrantes!

Aí beleza: as pessoas “normais” pagam ingresso caro para estar no mesmo galpão/auditório do que aquele CEO de empresa que vai palestrar na esperança de conhecê-lo pessoalmente.

Vou te contar um segredo: o pior lugar para fazer networking com essas pessoas é em eventos de networking.

Experiência própria! Antes da palestra, o cara está tenso pra caramba. Não importa se o cara já fez 400 palestras na vida, sempre dá um nervosismo e um frio na barriga.

Isso é coisa da natureza humana. Tem uns estudos aí que provam que o ser humano tem mais medo de falar em público do que de morrer.

Por causa desse fator, ele vai ignorar você em 99% das vezes porque está 100% focado na preparação para a palestra.

Fazer o approach depois da palestra chega a ser pior ainda.

Falar em público drena energia pra caramba!

O cansaço que bate depois de palestrar é equivalente ao cansaço que dava quando eu tinha treino físico, musculação e treino coletivo tudo no mesmo dia na época que eu era jogador.

E isso se aplica a praticamente todo palestrante que troquei ideia ao longo dos anos.

Metade do auditório vai ter a mesma ideia: chegar na pessoa depois da palestra, elogiar, fazer pitch na correria e pedir cartão de visita.

Quer chegar àquela pessoa top de influência? Trust me… não precisa ir em evento. É só botar a autenticidade e a criatividade e a pra funcionar!

Mas lembre-se do mais básico: não adianta chegar nela se você não tem ideia de qual maratona você está correndo.

MEU PEDIDO DE DESCULPAS

Aproveito o fim do post para fazer um pedido de desculpas a todas as centenas de pessoas que me mandaram e-mails sugerindo parcerias, apresentando pitches e me chamando para novos projetos.

Ao longo dos altos e baixos da minha vida, aprendi que cada vez que eu digo “sim” ao sonho dos outros, eu estou dizendo “não” para os meus.

Meu prato tá cheio. Não adianta nada eu querer comer a comida do seu prato se eu ainda não terminei o que eu tenho no meu.

Cada um corre sua maratona e eu tô correndo a minha.

Se a gente se prestar atenção no Efeito Peter Drucker, se preparar direitinho e não desviar do caminho por causa dos “sonhos dos outros”, tenho certeza que a gente vai se ver lá na linha de chegada da maratona… inteiros, saudáveis, realizados e cheios de histórias pra contar.

Tamo junto!

~Raiam

P.S1: Esse artigo só vai fazer efeito se você discordar de mim. Se você discordou em algum ponto, deixa aí nos comentários. Aqui, eu respondo… faz parte da minha maratona.

P.S2: Achou o post individualista demais? Recomendo dar uma olhada no post País Amarelão? Individualismo é a solução que eu escrevi durante a Olimpíada.


De vez em quando, solto um conteúdo com essa pegada no email e ficaria muito feliz se tu se inscrevesse lá na minha newsletter. Tamo junto!

Falando nisso, depois dá uma olhada nos meus livros Hackeando Tudo (best-seller em auto-ajuda), Wall Street (best-seller em negócios e biografias),  Turismo Ousadia (best-seller em Turismo) e Missão Paulo Coelho.

Os quatro estão disponíveis em formato ebook no Amazon e em formato audiobook no Ubook! Aproveita e pega 1 mês grátis para experimentar o serviço e começar a escutar livros no smartphone: mundoraiam.com/audiolivros.

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