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Resumo da Aula 2 do Curso On-line de Filosofia (COF)

Eduardo Ferrari - Resumos e Artigos -

A segunda aula do COF, ministrada em 21 de março de 2009, teve a duração de 3h43min e foi resumida em menos de cinco minutos de leitura, com o objetivo de levar ao conhecimento do leitor uma ideia geral sobre o conteúdo, sem o intuito de esgotá-lo.

Boa parte da aula foi dedicada a explicações sobre o Exercício do Necrológio e a sua importância para o desenvolvimento do aluno ao longo do curso.

Uma das citações mais interessantes foi a respeito da dúvida de Viktor Frankl em estudar nos Estados Unidos ou em permanecer na Alemanha para cuidar dos pais idosos. Ao encontrar uma pedra com o mandamento “honra o teu pai e a tua mãe” perto de um templo religioso, ele decidiu ficar com os pais, com quem acabou indo para o campo de concentração.

Longe de desviar Frankl do seu caminho, as experiências que ele viveu ali foram essenciais para as investigações médicas que faria ao longo de toda a vida. Acontece que nada, além da morte, poderia desviar o Dr. Frankl do seu caminho.

O professor citou a frase de Goethe “a maior das delícias que o ser humano experimenta é a personalidade”, ou seja, continuar sendo quem você queria ser sem se desviar diante de dificuldades e influências contrárias.

Também há citações ao livro Madame Bovary de Flaubert, ao personagem Raskólnikov de Crime e Castigo de autoria de Fiódor Dostoiévski, a Ortega y Gasset e a Jesus Cristo, dentre outros.

Segundo o professor, o aprendizado da Filosofia não pode ser feito apenas a partir do que se sabe a respeito dessa ciência ao longo do tempo. Essa bagagem seria responsável por apenas 10% do que seria necessário para se tornar um filósofo. Ser filósofo consiste na consciência de si mesmo como um repositório de conhecimentos. Sócrates, por exemplo, sempre dizia que as pessoas deveriam ser testemunhas de si mesmas.

As questões filosóficas de uma forma geral tratam de questões públicas influenciadas por elementos culturais, experiências humanas, crenças e símbolos. Porém, a experiência direta do homem comum atual não é suficiente para formular questões filosóficas, pois as opiniões e interpretações correntes são bastante inadequadas.

Faz-se necessário ter um conhecimento filosófico consolidado e construído a partir da própria experiência com os trabalhos dos grandes filósofos e não somente o que eles quiseram dizer, mas do que eles estavam falando.

O professor cita a frase de Aristóteles: Nós não conseguimos raciocinar a partir dos dados dos sentidos; é preciso que esses dados se incorporem na memória e se cristalizem em certas imagens repetíveis. Elefante, por exemplo, seria o nome da imagem do animal que fica gravada na memória.

Para pensarmos em algo existe a percepção, a retenção do que foi percebido na memória, a reprodução da imagem estabilizada na mente e a extração de um conceito verbal dessa imagem.

Porém, da percepção para a memória, sofremos influências de elementos culturais. Existiria aí uma tensão entre a realidade do objeto e os elementos culturais inerentes ao próprio indivíduo que o levam a reter a imagem de forma enviesada.

Essa tensão é sempre prejudicial ao indivíduo, pois há forte influência de elementos culturais que contrapõem a percepção a uma sufocante onda de opiniões de senso comum. Precisamos, portanto, distinguir entre o que de fato deveria ter sido retido do que a cultura nos levou a reter.

O mesmo cuidado devemos ter com as palavras, pois elas precisam dizer o que queremos de fato dizer e não o que a cultura nos leva a dizer. O simples fato de saber e de ficar atento a isso, para mim já valeu o esforço e a dedicação de estar fazendo o curso.

A linguagem, portanto, precisa ser fiel ao que o professor chama de experiência direta, não se limitando a repetir o que a sociedade nos leva a interpretar ou a dizer a respeito das coisas.

Pela primeira vez de muitas ao longo do curso, o professor relaciona a filosofia à confissão, ou seja, ao ato de testemunhar a realidade dos fatos. A experiência direta seria o único material genuíno do pensamento filosófico, sendo todo o resto fruto de criações culturais.

A meu ver, o seguinte trecho da aula é tão relevante que transcrevo na íntegra:

A prática desse esforço permanente de expressar a experiência na sua singularidade, sem transformá-la em outra coisa, mas ao mesmo tempo tornando-a suficientemente reconhecível para que ela possa ser dita na linguagem coletiva — não é a ocupação fundamental dos filósofos, mas sim dos escritores, ficcionistas e poetas. Porém, sem essa transposição da experiência em memória, linguagem e expressão culturalmente reconhecível, não há filosofia.

A absorção de um legado literário seria fundamental para o raciocínio filosófico, pois, mesmo que fictícios, traduzem as possibilidades da experiência humana.

A principal atividade da filosofia consiste na busca da verdade. A busca para a resposta sobre a existência ou não de Deus não seria uma verdade absoluta, pois seja ela qual for se a pessoa não tiver uma experiência que comprove uma ou outra, ela passa a ser apenas uma crença e não uma verdade. A verdade deve ser procurada não nas sentenças gerais, mas na realidade da experiência.

Para finalizar, vale citar a menção do professor ao texto de Leo Strauss “What Is Liberal Education?”, que diz:

“Quem aprendeu alguma coisa, aprendeu com outro sujeito, que aprendeu com outro sujeito, que aprendeu com outro sujeito, que não aprendeu com ninguém. Olavo menciona que esse tipo de pessoa que aprende sozinha é raríssima, e que Deus as inventa para tampar o rombo das tradições de ensino que foram rompidas”.

Espero ter provocado no leitor uma faísca de curiosidade que o leve a estudar e a aprender. Um abraço.

Imagem de Autoria de Rafael Medeiros

 

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