s
Lidercast
Encontro Roberto Motta e Luciano Pires
Encontro Roberto Motta e Luciano Pires
Roberto Motta e Luciano Pires numa manhã de conversas ...

Ver mais

Corrente pra trás
Corrente pra trás
O que vai a seguir é um capítulo de meu livro ...

Ver mais

O que é um “bom” número de downloads para podcasts?
O que é um “bom” número de downloads para podcasts?
A Omny Studio, plataforma global na qual publico meus ...

Ver mais

O campeão
O campeão
Morreu Zagallo. Morreu o futebol brasileiro que aprendi ...

Ver mais

Café Brasil 931 – Essa tal felicidade
Café Brasil 931 – Essa tal felicidade
A Declaração de Independência dos Estados Unidos foi um ...

Ver mais

Café Brasil 930 – A Escolha de Sofia
Café Brasil 930 – A Escolha de Sofia
Tomar decisões é uma parte essencial do dia a dia, ...

Ver mais

Café Brasil 929 – Desobediência Civil
Café Brasil 929 – Desobediência Civil
O livro "Desobediência Civil" de Henry David Thoreau é ...

Ver mais

Café Brasil 928 – Preguiça Intelectual
Café Brasil 928 – Preguiça Intelectual
Láááááááá em 2004 eu lancei meu livro Brasileiros ...

Ver mais

LíderCast 325 – Arthur Igreja
LíderCast 325 – Arthur Igreja
O convidado de hoje é Arthur Igreja, autor do ...

Ver mais

LíderCast 324 – Cristiano Corrêa
LíderCast 324 – Cristiano Corrêa
Hoje trazemos Cristiano Corrêa, um especialista no ...

Ver mais

LíderCast 323 – Sérgio Molina
LíderCast 323 – Sérgio Molina
O convidado de hoje é Sérgio Molina, – atual CEO do ...

Ver mais

LíderCast 322 – Rodrigo Rezende
LíderCast 322 – Rodrigo Rezende
Rodrigo Rezende, carioca, empreendedor raiz, um dos ...

Ver mais

Segunda Live do Café Com Leite, com Alessandro Loiola
Segunda Live do Café Com Leite, com Alessandro Loiola
Segunda live do Café Com Leite, com Alessandro Loiola, ...

Ver mais

Live Café Com Leite com Roberto Motta
Live Café Com Leite com Roberto Motta
Live inaugural da série Café Com Leite Na Escola, ...

Ver mais

Café² – Live com Christian Gurtner
Café² – Live com Christian Gurtner
O Café², live eventual que faço com o Christian ...

Ver mais

Café na Panela – Luciana Pires
Café na Panela – Luciana Pires
Episódio piloto do projeto Café na Panela, com Luciana ...

Ver mais

Protagonismo das economias asiáticas
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Protagonismo das economias asiáticas   “Os eleitores da Índia − muitos deles pobres, com baixa escolaridade e vulneráveis, sendo que um em cada quatro é analfabeto − votaram a favor de ...

Ver mais

Criatividade, destruição criativa e inteligência artificial
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Criatividade, destruição criativa e inteligência artificial   “O capitalismo é, essencialmente, um processo de mudança econômica (endógena). O capitalismo só pode sobreviver na ...

Ver mais

Inteligência de mercado (Business intelligence)
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
A importância da inteligência de mercado[1] Considerações iniciais Este artigo tem por objetivo ressaltar a importância da inteligência de mercado no competitivo mundo contemporâneo, por se ...

Ver mais

Americanah
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Americanah   “O identitarismo tem duas dimensões, uma dimensão intelectual e uma dimensão política, que estão profundamente articuladas, integradas. A dimensão intelectual é resultado ...

Ver mais

Cafezinho 629 – O luto político
Cafezinho 629 – O luto político
E aí? Sofrendo de luto político? Luto político é quando ...

Ver mais

Cafezinho 628 – Crimes de Honra
Cafezinho 628 – Crimes de Honra
A Corte Constitucional da França recentemente declarou ...

Ver mais

Cafezinho 627 – O Pum da Vaca
Cafezinho 627 – O Pum da Vaca
O físico Richard Feynman tem uma frase ótima: "A ...

Ver mais

Cafezinho 626 – A Globo já era?
Cafezinho 626 – A Globo já era?
A internet mudou tudo. Ela acabou com os ...

Ver mais

LíderCast 315 – Marina Helena

LíderCast 315 – Marina Helena

Luciano Pires -

Luciano Pires: Muito bem, mais um LíderCast. Hoje nós temos uma convidada muito especial, quem estiver assistindo no vídeo está vendo que eu estou de camiseta laranja, uma camiseta com uma frase da Ayn Rand, que é fabulosa. “Você pode negar a realidade, mas não pode negar as consequências de negar a realidade”. Isso é um mote de vida para a gente, né?

Marina Helena: Com certeza.

Luciano Pires: E eu sempre contando como é que acontece a chegada do meu convidado aqui, eu estava assistindo um trecho, um corte de um PodCast qualquer, ela participou ali, eu vi ela falando uma coisa interessante, falei cara, isso aí pode dar samba. E eu não sabia quem é que eu estava vendo, só ouvi um trechinho, quem que é essa moça? Fui pesquisar, cara, espera um pouquinho, candidata à prefeitura de São Paulo.

Marina Helena: Pré-candidata.

Luciano Pires: Tem que falar, pré-candidata à prefeitura de São Paulo pelo Novo. Ah cara, vamos bater um papo. Fiz o convite através dos meus muito amigos do Novo, camiseta laranja, então está explicada aqui a homenagem a vocês. Tem três perguntas que eu uso na abertura, que você cuida só com essas três e o resto você pode chutar à vontade. Essas três, você tem que ir na linha. Seu nome, sua idade e o que que você faz?

Marina Helena: Bom, Marina Helena, eu tenho 43 anos e eu sou economista e agora estou pré-candidata à prefeitura da maior cidade do Brasil, baita responsabilidade né?

Luciano Pires: Que coragem. E carregando dentro da barriga uma coisinha que está vindo aí.

Marina Helena: Muito especial, Theo, eu estou grávida, já é a 39ª semana, ele está, a expectativa é bom, qualquer hora é hora, mas talvez semana que vem já tenha aí um filho. Esperei tanto Luciano, eu tenho uma filhota linda que vai fazer 8 anos agora, e eu tentava desde então, e aí tive essa grande surpresa. Foi tudo ao mesmo tempo, convite veio três dias antes para disputar, a ser pré-candidata à prefeitura, veio três dias antes de eu descobrir que estava grávida.

Luciano Pires: Que idade, o nome da sua filha, como é?

Marina Helena: Luna.

Luciano Pires: Luna deve estar enlouquecida para chegar o Theo.

Marina Helena: Está enlouquecida, está feliz, muito feliz.

Luciano Pires: Que beleza.

Marina Helena: Estamos muito felizes.

Luciano Pires: Parabéns. Como dizia na minha época, tenha uma boa hora.

Marina Helena: Obrigada.

Luciano Pires: Eu vou voar um pouquinho porque eu sei que você tem compromisso, então eu vou pular uma primeira parte que a gente faz aqui. Só vou pegar uma informação básica, você nasceu onde?

Marina Helena: Eu nasci em Brasília, mas eu passei a minha infância em São Luiz do Maranhão. Meus pais são separados, então eu passei com a minha mãe dos 3 aos 13 anos. E depois disso eu enfim, foram realidades bem diferentes. Em São Luiz eu passei bastante perrengue, a gente morou no subúrbio e o Maranhão é o estado mais pobre do Brasil. Depois disso, uma praia de pescadores, ajudei a criar os meus irmãos, acabei sofrendo uma violência e com 13 anos eu fui para a casa do meu pai em Brasília, não expliquei muito bem o que tinha acontecido, mas obviamente ele me acolheu, e ali mudou toda a minha vida. Eu estudei bastante, entrei na faculdade depois em Economia, no mestrado. Acabou que eu estava indo para o doutorado, o meu avô faleceu, pai da minha mãe, e aí eu precisei virar arrimo de família, vim para São Paulo para trabalhar, 20 anos atrás, foi a cidade que eu escolhi. E aqui fiz a minha carreira, construí minha família, e foi também onde depois eu acabei decidindo entrar, primeiro ir trabalhar em Brasília no setor público, e depois agora ser candidata. Então esses meus 20 anos de carreira foram todos aqui em São Paulo, entre setor público, privado, terceiro setor.

Luciano Pires: Eu vou querer fazer um acordo com você. Depois que passar essa loucura toda aqui, você tem que voltar aqui, porque eu vou precisar explorar essa sua história. É sensacional.

Marina Helena: Será um prazer, mas foi um breve resumo.

Luciano Pires: Não, mas o resumo é maravilhoso. Tem conteúdo aí para um PodCast de horas de duração. E quando passar essa loucura toda aqui eu vou te convidar de novo, com certeza. Mas vamos direto para o ponto aqui. Você se formou em Economia então?

Marina Helena: Eu me formei, fiz metrado em Economia e aí eu vim trabalhar, trabalhei 14 anos no mercado financeiro como economista. O que eu fazia era achar alternativas de investimento ao Brasil, então estudei mais de uma dezena de países, então foi muito interessante, porque foi uma análise comparativa incrível do que deu certo e do que deu errado, e porque que a gente deu tão errado. O Brasil ficou muito para trás, eu gosto de falar isso, porque desde que eu nasci eu atualizo, desde que eu entrei em Economia eu atualizo um gráfico para comparar desde que eu nasci, como é que está o Brasil em relação ao resto do mundo. E a gente pega a renda média global, ela mais que dobrou, ela cresceu 125%, e a nossa 30%. Então imagina quantas gerações ficaram para trás, a gente não saiu do lugar, essa que é a verdade, nesses últimos 40 anos. E perdemos um verdadeiro milagre que aconteceu no mundo inteiro, de redução de pobreza, de mudança de padrão de vida. E eu sempre perguntei o porquê disso, então foi muito interessante ter essa oportunidade de estudar inúmeras economias, e entender que a gente, falta aquilo né, que sobra onde dá certo, que é a liberdade econômica, que são regras fáceis, que é igualdade perante a Lei, tudo aquilo que a gente sabe que funciona.

Luciano Pires: Eu tenho vários amigos que são de áreas diferentes de atuação. Tem economista, tem administrador, tem engenheiro, tem um monte de gente aí. Quando eu converso com eles, já se conhece o problema, já se apontou de onde veio, a gente já diagnosticou o problema do Brasil como um todo, e é uma questão de execução. E a gente não consegue executar os planos. A gente, a cada 4 anos o país vira de ponta cabeça, muda, e eu fico imaginando o seguinte, qual é a agonia de alguém como você que estudou, que está vendo o que acontece lá fora, tem na mão as alternativas, cara, olha o que esses caras fizeram, deu certo. E tromba com uma estrutura que você não consegue fazer essa coisa andar. Foi isso que me chamou atenção na sua fala lá naquele PodCast, você contou um pedacinho quando você foi parar na equipe do Paulo Guedes, estava lá em Brasília com uma missão de fazer uma mudança brutal. Eu acompanhei muito de perto toda aquela andança da reforma da previdência, estive lá, entrevistei o Bruno duas vezes lá em Brasília mesmo. E eu me lembro de uma coisa que me chamou a atenção, foi voltando a esse início que eu te falei, era a perplexidade tanto do Bruno quanto do próprio Paulo Guedes nas entrevistas, quando eles descobriram que tem um rolo político que não tem nada a ver com a capacidade técnica de vocês, de determinar o problema, saber qual é a solução e implementar. Vamos fazer um negócio? Tudo certo, vamos. Tromba com uma estrutura cheia de interesses estanhos que não tem nada a ver com a dinâmica do mundo privado, e ali você descobre que cara, não basta ter uma boa ideia, não basta ter a solução, eu não consigo fazer ela andar. Eu olhei para aquilo, cara, que frustração, que coisa horrível deve ser, você com uma boa ideia na mão, não consegue andar, porque na sua frente tem uma zebra que não entende o que você está falando, que está interessada em outra coisa. Como é que foi esse choque quando você abraçou essa coisa de ir para o mundo público?

Marina Helena: Foi bem isso, o Guedes, eu tinha trabalhado com ele no setor privado, na Bozzano antes, e ele me fez um convite para ir para Brasília. Não foi fácil, minha filhota estava com 2 anos e meio, fiquei na ponte aérea segunda, voltava sexta. E chegando lá foi isso, a gente começou a levantar, primeiro assim, foram várias caixinhas que a gente abria, e o que que tem aqui. A primeira delas, foi o levantamento do que que de fato o Governo Federal tinha participação, e a gente chegou a descobrir que tinha participação ou majoritária ou minoritária em cerca de 700 empresas. Então era uma coisa maluca. Um exemplo que eu gosto de dar, é por exemplo a Vale. Agora o Lula não conseguiu emplacar o nome do Mantega, a empresa estava blindada por que? Porque foram vendidas as participações, principalmente do BNDES, de alguns fundos de pensão. Então acabou que as estatais ou seus fundos de pensão tinham participações em inúmeras empresas e setores do setor privado, e acabam indicando cargos importantes, como agora ele tentou fazer um presidente de uma empresa.

Luciano Pires: Sim.

Marina Helena: Alias, isso foi feito ali durante o governo Dilma, quando foi mudado um presidente da empresa literalmente, porque o governo assim queria. Então é uma interferência absurda, e não foi à toa que a gente teve aquela crise ali do governo Dilma, em que o PIB caiu 7%, a gente teve 7 milhões a mais de desempregados, que foi a pior crise, a pior recessão quando o mundo crescendo, só nossa. E quando a gente vê, foi muito operacionalizada via estatais. Então, foi exatamente esse polvo do governo se metendo em inúmeros setores que acabou levando a gente aquilo. Então para mim isso era muito claro, então era uma oportunidade incrível de mudar isso. E muito foi feito, Luciano. Eu agora pegando os números do que que foi deixado de legado, eles são impressionantes. Primeiro, que foi o primeiro programa, foi o maior programa de desestatização de fato desde o Collor. Então, foi maior que o FHC, quando a gente olha os números, foram mais de R$ 240 bilhões em desinvestimentos que foram feitos nesses diversos setores, então é bastante coisa.

Luciano Pires: Quando você fala de desinvestimento, significa que esses R$ 240 (bilhões) entraram no caixa do governo?

Marina Helena: Foram empresas que a gente saiu, deixou de ter participação. Então algumas que a gente, por exemplo, Eletrobrás no caso, que foi uma grande privatização, mas tiveram outras que foram por exemplo a Petrobras desinvestiu de diversas empresas. O BNDES desinvestiu de diversas empresas. Então isso aí liberou para o setor privado. Fora isso, uma mudança que para mim ficou muito claro, como que tem duas palavras mágicas que mudam tudo, que para mim é ética e gestão. Desde que a Lei das Estatais foi aprovada ali em 2016, aconteceu uma verdadeira revolução no bom sentido, no que diz respeito as estatais, e uma revolução boa no sentido de governança, que gerou muito valor para o Brasileiro. Então ali em 2015, as estatais tiveram prejuízo de R$ 32 bilhões. Além disso, elas tinham uma dívida maior do que os seus ativos, então as dívidas eram de R$ 550 bilhões, e o ativo de R$ 500 bi. Ou seja, nós brasileiros tínhamos um rombo ali de prejuízo de R$ 32 bilhões, além de todo um conjunto de empresas que tinham uma dívida maior do que o seu ativo. Então era um grande buraco negro que estava ali para a gente, afinal de contas somos os donos dessas empresas. E aí o que que aconteceu em 2022, que foi o último ano da gestão do Guedes, olha que coisa inacreditável, lucro R$ 274 bilhões. Então de um prejuízo de R$ 30 (bilhões), a gente está falando de um lucro de R$ 274 bilhões, que muito foi virar política pública, porque foi distribuído como dividendos para o Governo Federal, e acabou virando serviço público. Em segundo lugar, aqueles ativos de R$ 500 (bilhões) viraram R$ 850 bilhões, e a dívida de R$ 550 (bilhões) se reduziu para menos de R$ 300 (bilhões). Então o delta quando a gente pega desses ativos versus dívida, a gente está falando de R$ 600 bilhões de reais. É um número absurdo. Se a gente pega a lucratividade que essas empresas passaram a ter desde a Lei das Estatais e acumula, a gente está falando de R$ 700 bilhões. Então se você soma esses dois, estou falando de R$ 1 trilhão e 300 bilhões, assim, são 13 orçamentos da cidade de São Paulo, 13 anos de orçamentos da cidade de São Paulo, são mais de 8 pagamentos por exemplo de um Bolsa Família anual, para todos o que a gente faz hoje, que está em torno de R$ 150 bilhões. Então assim, são números absurdos, e aí você se pergunta, mas cara, como é que fizeram tanta besteira lá no passado?

Luciano Pires: Então, mas o que eu quero pegar é o seguinte, você não faz uma mudança desse tamanho, em 4 anos.

Marina Helena: Foi feito.

Luciano Pires: Como você olha para as dimensões que você está me dizendo…

Marina Helena: No meu ponto é que foi feito. Por que que foi feito? Por conta de ética e gestão. Quais eram os critérios? A gente tinha que indicar milhares de nomes de diretores e conselheiros para essas empresas todas em que tinham participação. Quais eram os critérios? Gente honesta, que entendia do que estava fazendo. Ponto. O contrário do que está acontecendo agora. Acabou de ser o Sílvio de Almeida o nosso Ministro de Direitos Humanos, que vai ser indicado para o Conselho de uma das empresas estatais que ele não tem um currículo nada a ver com aquilo ali. Então não é só uma questão de que você não possa indicar. Por exemplo, a gente teve o caso do Guardia, na época do Temer, para nem citar o governo Bolsonaro e a gestão do Guedes, antes você tinha ali por exemplo um ministro que foi o Guardia, que era conselheiro de algumas empresas. Mas é obvio que ele era superqualificado para entender disso que ele estava fazendo. Então não é só uma questão de que não, mas a pessoa que ocupa um cargo ela não pode ser conselheiro, ou de uma empresa estatal. Mas você precisa entender daquele setor, e isso era algo que a gente levava em consideração. E aliás, os critérios eram muito difíceis, e a Lei das Estatais deu para a gente uma formula de que não, essa indicação aqui não pode porque esse cara não tem as habilidades necessárias. Ou, quesitos aqui de ética que a gente veja como os necessários. Infelizmente, o Lewandowski ao sair do STF com uma canetada acabou com a Lei das Estatais, e agora está sendo permitido que a gente volte a colocar nomes que não sejam. Então assim, a gente tem lá a irmã da Mariele Franco, a ministra racial que está cuidando de uma empresa como a Tupi. Qual que é a experiência dela no setor? Tenho certeza que zero. Então são empresas, olha que terror que é isso, empresas da iniciativa privada que por terrem uma participação de algum ente governamental precisam goela abaixo aceitar indicações de pessoas que não tem o menor conhecimento sobre nada do que está ali. Então assim, esse verdadeiro, vamos dizer assim, esse milagre que foi feito ali, foi possível por que? Cara, simples, choque de gestão. É isso, é um choque de gestão e nada mais Luciano, como funciona assim, que foi o que eu vivenciei a minha vida inteira na iniciativa privada, que eu vi dar muito certo quando eu estive no Governo Federal, como eu vejo gestões de políticas públicas, eu vejo governos que deram muito certo, por exemplo o que o Zema está fazendo em Minas, a gente hoje no Novo tem o melhor prefeito avaliado no Brasil, que é o Adriano Silva em Joinville, com 96% de aprovação. Mas, você pega os casos de sucesso, seja no setor privado, seja no setor público, é o choque de gestão. Simples assim.

Luciano Pires: Não tem mágica nessa história. Eu trouxe aqui Ilona Becskeházy, ela fez um LíderCast maravilhoso sobre a experiência dela no Ministério da Educação, e no fundo a questão toda era essa, ela tentou um choque de gestão, mas o sistema engoliu ela, o sistema não deixou. É claro que o Ministério da Educação talvez seja o lugar mais… acho que só perde para o Ministério da Cultura. Todo ocupado, ele está todo fatiado e ocupado ali. Quando ela chegou e sentou lá, falou cara nós vamos mudar isso aqui, o organismo reagiu e acabou expulsando ela de lá. Eu imagino que vocês não devem ter sido diferentes, embora uma coisa que me chamou atenção na característica da estrutura de vocês, quando eu estive lá conversando com o Bruno, com a turma toda lá, eles me mostraram que muita gente da equipe do Ministério, estava lá há muito tempo, não eram caras que chegaram agora, eles já vinham lá e eram técnicos, gente séria. Tanto que a reforma da previdência não foi implementada 100% uma coisa nova, ela já vinha andando, vocês deram uma trabalhada nela, então tem gente de qualidade lá, tem gente disposta a fazer acontecer. Mas no escalão superior, tem gente disposta a fazer jogo de poder e tudo mais.

Marina Helena: Isso para mim ficou muito claro. No setor público existem pessoas qualificadíssimas, isso foi o que a gente encontrou no Ministério da Economia, inclusive por exemplo, projeto de privatização da Eletrobrás, foi muito baseado num projeto que já estava vindo desse o governo Temer. As mudanças que a gente implementou tinham a ver com a Lei das Estatais que já tinha sido aprovada. Então eu vejo que tem essa… e tem pessoas técnicas ali competentes que ajudam muito, não tenho dúvida disso. A questão é quem tem a caneta na mão e toma as decisões. Então eu digo que o que me fez depois de voltar de Brasília entrar na política, esse caminho, foi exatamente isso. Eu senti que infelizmente poderia ser muito mais. Olha tudo isso que a gente fez, mas podia ser ainda muito mais. Então assim, já foi incrível a conquista que aconteceu, só com choque de gestão. Mas, o que que a gente, o que que seria possível de ser feito, se além disso a gente tivesse um congresso disposto a levar o melhor para a população? O que além seria possível se a gente tivesse políticos de fato preocupados com a melhoria da vida da população? Então isso foi essa migração, foi por isso exatamente que eu decidi, quando eu voltei, entrar para a política e disputar um espaço para ter essa caneta e de fato poder ainda acelerar mais isso. Por que? Porque o que a gente viu foi que tudo isso foi feito, mas agora estão derrubando a Lei das Estatais. Então pode ser que todo esse processo incrível de geração de valor, a gente está falando aqui de mais de R$ 1 trilhão, R$ 1 trilhão e 300 bilhões de geração de valor, pode ser que seja, a gente volte de novo ao buraco que a gente encontrou ali em 2015, de prejuízo, de dívida maior que o ativo das empresas. Por que? Porque cara, basta chegar lá alguém, como está acontecendo agora, e colocar esses nomes absurdos em conselhos de empresa, num monte de coisa. Então a gente já viu isso no Brasil. É que ficou muito claro, acho que com os escândalos ali do Petrolão, do Mensalão, a utilização dessas empresas e a questão da corrupção. Mas eu costumo dizer que a corrupção é a pontinha do iceberg. O que está por baixo é um terror de gestão né? Obviamente, por exemplo a Petrobras, vou dar o exemplo da Petrobras. A Petrobras, ela era uma empresa lucrativa, com a questão toda que a gente teve ali de o preço não ser mais livre, do tabelamento de preço ela chegou a ter um prejuízo de R$ 40 bilhões. Além disso, ela chegou a ter uma dívida de R$ 160 bilhões de dólares, ela se transformou em uma das empresas mais endividadas do mundo, sabe assim, do mundo. Não é que é só para nosso comparativo, não, foi uma coisa absurda. E como é que ela chegou até ali? Investimentos errados. Hoje está se voltando a investir em Abreu e Lima. Abreu e Lima é uma empresa que já foi utilizado ali U$ 9 bilhões de dólares, e isso é 8 vezes mais do que estava projetado inicialmente, e 5 ou 6 vezes mais do que a média de outras refinarias globais. Então, 5 mais, 6 vezes mais, como é que você consegue valores tão absurdos? Isso aí foi para quem? Obviamente que foi para aquelas empreiteiras que fizeram aquele projeto. Mas aí a gente vê como a gente cobra, isso custa muito caro. Significa que o combustível refinado no Brasil vai ser muito mais caro do que lá fora. Isso não vale só para isso. Por exemplo, Angra 3, quando a gente fala de Eletrobrás. Angra 3 foi despejado mais de R$ 10 bilhões ali em uma coisa que é sucata. Então ela já ultrapassou o valor que ela deveria ser para a sua construção, agora precisa de muito mais para ser aportado, isso vai fazer com o que? Se ela ficar de pé, vai ser a energia mais cara que a gente vai ter. Então assim, é um absurdo, quem paga no fundo somos nós, seja via impostos para financiar tudo isso, seja via uma energia mais cara, seja via um combustível mais caro. Então tudo que o setor público acaba metendo a mão, como a gente viu no passado, acabou se tornando algo que faz com que a economia brasil ela não seja competitiva, que a gente tenha que pagar muito mais por um produto. Então é muito triste, os efeitos disso são muito maiores do que apenas a questão da corrupção em si, aqueles números de corrupção que a gente viu. Eles fazem com que a gente tenha um setor, inclusive setores importantes como esse de petróleo e gás, de energia, completamente ineficientes, poderiam ser muito melhores. E a população acaba pagando por um produto muito mais caro também, de pior qualidade.

Luciano Pires: Você, eu te perguntei ali atrás, acho que passou batido ali. Vocês foram lá, tomaram conta da Lagoa, arrumaram a Lagoa e a água está limpinha, tudo bonitinho, cheio de peixinho, tudo pronto, vamos navegar. E aí você descobre que essa água da Lagoa vai entrar em um lugar que é todo lamacento, você vai entrar em uma discussão dentro do Congresso, você vai entrar lá no meio. Ali está cheio de interesses, a oposição por exemplo ela não vai em momento algum analisar o mérito das ideias de vocês, ela vai analisar o seguinte. Sistema dá certo, o meu inimigo vai ganhar? Vai. Então detona. E vocês descobrem ali de uma forma meio amarga que não basta, de novo, estou repetindo aqui, você tem uma boa ideia e você não consegue passar ela adiante. E eu me lembro, me chamou a atenção, quantas vezes o Paulo Guedes tinha um cuidado de quando ele chegava, ele estava falando, e no final ele falava, “não, porque o nosso Congresso sabe como é que funciona, são gente boa, eles vão dar o certo”. Eu vi ali uma tentativa dele de cara, nós estamos com uma ideia legal, releva um pouco essa brigalhada toda, e deixa a gente seguir adiante. E eu senti que tinha de vez em quando uma frustração, passou, mas passou todo cortado, passou todo. E me deu a impressão que em algum momento vocês aprenderam e falaram, bom, quanto nós queremos? 10. Então pode 25, porque eles vão cortar 15, entendeu?

Marina Helena: Vai acabar com 5, mas já é melhor do que tudo.

Luciano Pires: Esse negócio não foi suficiente para te desestimular?

Marina Helena: Não, na verdade eu saí de lá querendo entrar na política, e querendo assim, qual que é o meu ponto? A gente precisa convencer as pessoas das ideias, e realmente alterar. Por exemplo, Eletrobrás, a Eletrobrás eu lembro de discutir o projeto com 40 pessoas da base, não estava nem falando da oposição. E não tinha uma pergunta ali sobre o que aconteceria com a conta de energia, qual que seria o impacto para os brasileiros, nada disso. Foram 40 pedidos de cargos em estatais. Aí a gente vê, por que? Porque lá é onde tem o maior poder. Então quanto maior o pernil, mais moscas. Quando eu falo que a gente saiu de um rombo nessas estatais para quando você acumula lucros e valores na ação de ativos e tal, dessa ordem de trilhões, você vê quanto dinheiro rola ali. Então os caras ficam esperando, bom, essa turma vai passar, eu volto para saquear as empresas de diversas formas, usar como cabide de emprego, a favorecer as empresas e os amigos que eu quiser. Então eles vão passar, e a gente vi continuar aqui. Então vamos esperar eles passarem que a gente domina aqui tudo de novo. E é muito dinheiro, sabe Luciano? Então isso para mim ficou claro que na verdade, os interesses ali são outros, os interesses não são os interesses da população. Só que a população tem que acordar para isso, enquanto a população continuar vendendo seu voto por pouco, por quem resolve um buraco ali na rua, por quem dá uma camiseta de futebol para você jogar futebol no final de semana.

Luciano Pires: Picanha e cerveja.

Marina Helena: Para quem te dá um churrasquinho ali, exatamente, que é isso que acontece no final, picanha e cerveja e uma camiseta do time de futebol. Enquanto a população continuar vendendo seu voto em troca disso, é isso que a gente vai ter representado lá, então infelizmente a gente não vai conseguir andar e ser um país que cresce e realmente gera oportunidade para tirar as pessoas da miséria. Então eu entrei na política, foi muito interessante porque eu entrei só com as minhas ideias, e foi apenas com as minhas ideias porque quando eu comecei eu não tinha redes sociais, eu não tinha nenhum tipo de vínculo político, de onde começar, zero, apenas defendendo ideias, como você me conheceu nas minhas redes. Hoje eu sou a primeira suplente a Deputada Federal pelo partido Novo aqui em São Paulo, tive mais de 50 mil votos, consegui encher um estádio defendendo ideias. Então eu saí dali para que, eu quero explicar para a população que isso é uma grande, você está em uma encruzilhada, mas existem outras formas. Então vamos explicar o que que funciona, e vamos ver se a gente consegue. Mas é obvio que é um trabalho de longo prazo, de formiguinha. Agora com esse desafio aqui, quem sabe eu consigo levar isso com bons planos, você falou de educação, essa é uma das minhas meninas de ouro quando eu penso em disputar algo aqui em São Paulo, porque o município é o principal responsável pela educação. Então eu entendo a frustração dela de lá no MEC não conseguir fazer muita coisa, mas a grande verdade é que a maior responsabilidade pela educação é do município. É onde está concentrado o maior gasto com educação, é onde você pega a criança ali do zero até os 15 anos de idade, então a fase mais importante para essa transformação. Cara, depois Ensino Médio, Universidade, a pessoa já não aprendeu, já era.

Luciano Pires: Se você não tiver base bem-feita, é complicado. Mas você não escolheu ir concorrer pela prefeitura de São Luiz do Maranhão, você foi logo em São Paulo, maior cidade do Hemisfério Sul, sei lá. Por que o Executivo?

Marina Helena: Na verdade, eu recebi o convite, eu já tinha feito um plano de governo para a cidade no passado, eu estudo bastante tempo política pública, para mim entender como que funciona a nível federal, municipal, me deu muito… Eu fui CEO do Instituto Millenium, e lá a gente publicou diversos estudos sobre boas políticas públicas, não só a nível Federal, mas a gente discutiu várias pautas. Então é algo que eu já me dedico há bastante tempo, desde a universidade. E eu vejo que o municio, o prefeito é aquele que está mais perto de fato da população, e que consegue de fato resolver o problema em tempo real, sabe, isso sempre me interessou. Eu adoro solver problema, meu marido diz isso, você adora um problema, arrumar alguma coisa, porque eu gosto de solucionar problemas. Eu tenho um espírito desse, eu falo, não se vencem guerras, é um grande lema que eu trago para mim, não se vencem guerras com retiradas. Eu acho que o primeiro ponto é você ver um problema, encarar de frente e você consegue solucionar. E eu vejo que dentro do município as soluções elas têm muito impacto, e são mais fáceis de ser implementadas do que a nível Federal. Então isso me traz bastante vontade. Eu não fui ser candidata em São Luiz do Maranhão porque eu moro em São Paulo, eu estou há 20 anos em São Paulo.

Luciano Pires: Eu fiz uma provocação. Você não foi começar por uma cidadezinha para ir para uma cidadezona. Você já foi para as cabeças.

Marina Helena: É, mas eu vejo que é uma enorme oportunidade, porque o que vale a nível de cidades menores, tem que valer aqui também. Eu vejo que a boa gestão ela é escalável, isso é importante.

Luciano Pires: Você estava falando do macrocosmo lá em Brasília, evidentemente quando você chegar aqui, São Paulo ainda é para ser, mais teoricamente sim, é um microcosmo, é um “Brasilião” menor, mas é a mesma coisa, é o mesmo rolo, mesma cabeça.

Marina Helena: O que eu acabei de falar, a gente precisava indicar milhares de nomes para organizar essas centenas de empresas. Aqui é a mesma coisa, o que que o prefeito, o que que é o mais importante, começando pelo vice e passando por todos os secretários, passando por todos os subprefeitos, por exemplo, como a gente tem 32 subprefeituras, a gente também tem várias regionais de educação, várias regionais de saúde. Então, qual que é o grande, o que que é a principal função do prefeito? Indicar gente boa para preencher esses cargos, e ponto. Uma vez que você consiga colocar gente boa em todos esses cargos, a cidade roda, entendeu? O problema hoje qual que é? O problema hoje é que quem entra, tem que fazer tanto conchavo, tem que fazer coligações tão grandes que quando chega lá já está tudo nomeado. E é verdade, eu sei disso porque os próprios partidos nos procuraram. E a primeira pergunta, o que que você quer, qual secretaria, qual não sei o que? Então na verdade o prefeito ele já assume já tendo negociado toda a alma. Então ele já entregou a cidade inteira para essas pessoas, e aí é muito difícil fazer mudanças, porque quando a gente olha é isso. Hoje a cidade está loteada, as indicações das subprefeituras quando a gente olha são as mesmas que os vereadores já deram e não importa muito quem é o prefeito de plantão, eles continuam dominando aquelas áreas. Então se a gente continua bem ou mal apostando nos mesmos, o resultado vai ser igual, entendeu? Não adianta, você está insistindo no erro.

Luciano Pires: Vou te contar uma experiência minha, numa cidade, na grande São Paulo, há muitos anos atrás eu tive lá e participei de uma série de eventos lá, os caras me chamaram, ajuda a gente aqui a fazer uma organização aqui. Eu descobri que o prefeito nunca tinha reunido os seus 23 secretários para uma reunião em conjunto, nunca tinha feito. Falei, “cara, vamos promover uma dessa ai”, e ajudei a promover, fomos para o hotel, eu fiz uns charts, e falei, “cada secretário vai lá na frente e vai apresentar nesses 5 charts um resumo do que é a sua dificuldade, faz uma análise de Swot, aquela coisa toda que a gente do mundo privado sabe como que é. Foi legal, um baita evento, só que eu levei comigo uma psicóloga, levei um economista e botei os caras na plateia só escrevendo e analisando, e combinei com o prefeito, quando terminar esse evento aqui, eu vou voltar daqui uma semana com um relatório para você entender quem são os secretários com os quais vale a pena você subir em um palanque e tê-los ao seu lado.

Marina Helena: Claro.

Luciano Pires: Marina, eram 23, 3 eram aproveitáveis, os outros 20 eu falei para ele, cara, se livra, inclusive a sua esposa, que era sei lá do que que era. Falei, “cara, não sabem o que estão fazendo lá, não sabem falar, não tem a menor ideia do que está acontecendo, não vai andar nunca”. E ali que foi que eu entendi o tamanho da encrenca, ele estava completamente manietado, aquilo estava tudo, como você falou, tudo dividido em capitanias e cada lugar tinha um dono. Então tinha o dono da região, o cara, o chefão do bairro, era o cara que indicou fulano ou ciclano, não tem como mandar.

Marina Helena: Não tem como mandar. A gente no Ministério da Economia dentro da Secretaria de Desestatização, a gente tinha uma reunião matinal todos os dias, as 8 horas da manhã em ponto, quem não chegava na hora ainda pagava uma multa que ia para a nossa vaquinha para fazer os happy hours. E essa reunião, era com todos os diretores. Fora isso, dentro do Ministério da Economia, tinha reunião semanal com todos os secretários. Então, esse tipo de coisa você vê como é que está andando os projetos. Em Joinville, eu fui, assim que eu aceitei esse desafio eu fui entender qual era o milagre do prefeito melhor avaliado do Brasil, que é o Adriano Silva de Joinville. Eu fui entender, passei uma semana com ele lá. O que que ele faz? Ele simplesmente pega lá as metas, tem lá quase 400 metas, e ele reúne todos os que estão responsáveis por aquela meta. Então fui em uma reunião sobre obras, as obras que vão acontecer na cidade. Lá estava o secretário de obras e infraestrutura, mas estava também o de Meio Ambiente, estava também a procuradoria, estava também a Fazendas, entendeu? Então todos os que são responsáveis de alguma forma por aquele projeto fluir, estavam ali. Então eles faziam isso a cada 15 dias, esse monitoramento, com todos os responsáveis. Onde está o gargalo? Resolve. Na hora ali, o prefeito era um árbitro. Então ele dizia, olha, isso aqui tem que resolver. A mesma coisa quando você… então para todas aquelas metas, porque tudo, nada depende de um só. Muitas vezes você vai depender de vários secretários, e além disso, as vezes em outras esferas de governo. Então a pessoa ser um bom gestor e conseguir, qual que é o grande papel? Colocar todo mundo na mesa para solucionar o problema. Aliás, ele revolucionou a prefeitura com isso, porque primeira coisa que ele fez foi derrubar as paredes, você entra lá é tudo de vidro, e é um atendimento ao cidadão. O cidadão chega lá com um problema, e qual é o espírito? Resolver o problema. Não adianta o cara dizer, “olha, não, mas isso aqui não depende só da minha secretaria, porque é aquela outra, aquela outra”, e mandar para outro não. O cara que recebeu o pedido, tem que resolver, então ele que tem que articular com os outros para ver como resolver o problema daquela pessoa. Isso mudou completamente a forma de agir da prefeitura, porque o que é muito comum no setor público, que sempre me incomodou, é a batata quente. Isso aqui não é minha competência e joga para o outro. Por que que a gente conseguiu fazer tanta coisa ali nas estatais? Porque a gente se deparou com vários problemas. Tinha algumas vezes Luciano, a gente fez um primeiro… foi muito engraçado. Um os nossos diretores ele foi ver com quantas pessoas ele tinha que falar dentro da, entre órgãos de controle, dentro do executivo, quantas pessoas tinham uma interlocução para tratar e resolver um problema daquela estatal. E ele começou a desenhar, desenhar, aí no final a gente brincou, isso aqui é uma obra de arte, parece uma aranha com tentáculos. E ali tinham tipo 80 pessoas diferentes que você tinha que falar. E era isso mesmo, mas o nosso trabalho era estar em contato com essas 80 pessoas para ter certeza que aquele projeto ia terminar, entendeu, e que no final das contas você ia conseguir vender uma participação naquela empresa. Mas era assim, você tinha que falar com TCU, dentro do Ministério da Economia, com todos os secretários que a gente tinha. Depois fora dali, dentro do executivo, com um outro Ministério responsável que tinha mais inúmeros interlocutores. Então dentro do setor público, nenhuma solução é rápida e fácil, não é. Você precisa conversar muito e você precisa de fato convencer muita gente. Mas é possível? Com certeza é possível, porque isso que você quando há gestão, a gente conseguiu entregar lá no Ministério da Economia, eu vejo que tem prefeitos que conseguem entregar como o Adriano, e aí qual que é o projeto? É exatamente esse, do grande gestor, de colocar todo mundo na mesa e que aquelas pessoas estejam voltadas a resolver aquele problema, e não a jogar a batata quente para o outro.

Luciano Pires: Na teoria, a coisa é como eu te falei antes, a gente sabe como é que funciona e como é que tem que ser. Mas é muito complexo.

Marina Helena: É que na iniciativa privada, a gente sabe que é assim ou morre, é vida ou morte da empresa.

Luciano Pires: Ou deu certo, ou já era, não tem essa, não deu certo, pode do lado ali e vai…

Marina Helena: Mas o setor privado deveria ser assim, porque aquele que não consegue resolver o problema deveria trocar a cada 4 anos. Então os incentivos deveriam virar para resolver os problemas. É que infelizmente a gente tem tanta gente ruim, tanta gente ruim, que o cara ele fica entre o péssimo e o menos péssimo. Mas não é isso gente, eu vejo que tem muita experiência boa, não só aqui no Brasil, lá fora, tem formas diferentes de fazer.

Luciano Pires: Você está tentando trazer uma visão meritocrática para um mundo que odeia a meritocracia. Meu Deus do cu, esses caras querem morrer. Eu costumo dizer o seguinte, a gente saiu da sociedade da informação e entrou de cabeça na sociedade da narrativa. Você não precisa mais ter, estar certa em nada, não precisa ser verdade, não interessa mais. Interessa uma boa narrativa. Então quando você me contou essa história logo no começo dessa virada que vocês conseguiram fazer lá, transformar aquela dívida gigantesca em um, mudou de ponta cabeça. Essa narrativa, ela não chegou para o público.

Marina Helena: Para as pessoas.

Luciano Pires: Ela não chegou. Não que ela não tenha sido contada, ela foi contada, mas ela não chegou, porque não tem nem como o sujeito entender. O cara que só entende de picanha e cerveja, ele não vai entender que você fez uma virada, que tinha um rombo, não dá. Então quando você tromba em um processo eleitoral como você está entrando agora, é um processo de narrativas. A tua competência é legal para dizer, olha que moça competente e agora vamos destruí-la. E vem todo um ataque de todo lado lá. Isso tem um custo, você estava na, você era um quadro técnico do Ministério da Economia, você não estava na linha de frente, a pancada batia antes em alguém para depois chegar em você, e agora quando você assume vou partir para a campanha, eu estou na linha de frente, vou ser o alvo. Isso tem um custo pessoal, familiar. Seu marido segurou as pontas quando você falou, cara vamos concorrer, ele vamos juntos, estou com você.

Marina Helena: Família para mim é tudo, é o principal. Então assim, imagina, meus filhos e meu marido sem eles eu não enfrentaria esse desafio. Então, mas meu marido é o meu melhor amigo, a gente, nós éramos melhores amigos antes de decidirmos ficar juntos. Então acho que isso é fundamental. E quando eu fui para Brasília e a Luna tinha 2 anos e meio, ele foi “pãe”. Então eu lembro que na primeira ida na segunda-feira, eu aproveitei o wi-fi do avião para colocar tudo que precisava levar ela, se tinha médico, todas as coisas das rotinas da semana, tudo o que precisava e eu enviei para ele uma mensagem gigantesca. Na segunda semana, quando eu fui fazer a mesma coisa, ele me respondeu, olha, eu te apoio, eu acho que o que você está fazendo é muito importante para o Brasil, eu entendo, mas agora aqui quem manda sou eu, e eu entendi o recado. Então Luciano, eu vejo, a sempre teve essa parceria muito grande. Eu faço questão todas as vezes que eu posso, de colocar a Luna para dormir, ou acordar e levar ela para a escola, preparar o café da manhã dela, ter um tempo de qualidade com ela, todos os finais de semana que eu posso eu tento blindar ao máximo para a gente estar junto ali, e ele a mesma coisa. Ele também tem uma vida supercomplicada, mas a gente, eu tenho certeza que os dois somos muito presentes na vida deles. E isso é fundamental e a gente acaba distribuindo esses papeis. Mas ele, de fato, se ele não fosse tão presente e tão parceiro, eu não conseguiria encarar isso. E aí o que eu faço é obviamente, tem muitos eventos dentro da política, e ele ao invés de me acompanhar ele fica com a nossa filha e para mim isso é o ideal. E ele quando a coisa aperta também, precisa, eu tenho eles como prioridade. Então é uma parceria, eu vejo isso. E para mim a formula do sucesso é essa. Quer dizer que a gente não briga, quer dizer que é tudo um mar de rosas? Claro que não. Mas, a admiração é tamanha, o respeito é tamanho e a torcida pelo sucesso do outro é tamanho, que a gente conseguiu chegar em equilíbrios, em divisão de tarefas.

Luciano Pires: Como que é o nome dele?

Marina Helena: Luiz Henrique Guerra.

Luciano Pires: Luiz, você vai ter trabalho Luiz. Mas é isso, a gene precisa. E aí, quando você é convidada para concorrer pelo Novo para São Paulo e você chega numa corrida onde tem dois cavalos que estão lá na frente, ultra preparados, já estão sendo falados a não sei quanto tempo. Quando você fala, “pré-candidata”, esses caras não são pré, já são candidatos a não sei quanto tempo, fazendo campanha que nem alucinados aí. E você vem ali atrás, cheguei no Novo, cheguei pelo Novo diante de uma corrida que é um negócio altamente complexo, milionário. Esses caras têm por trás deles um suporte gigantesco.

Marina Helena: A máquina, a máquina do Governo Federal, a máquina do Governo Estadual, municipal.

Luciano Pires: Que você não tem. Como é que você faz para isso não ser uma, eu vou brincar uma coisa que a Hortência contou para mim, Hortência do basquete falou uma vez, “cara, a gente ia disputar esses campeonatos mundiais e a gente perdia no uniforme. A gente entrava na quadra, olhava para o nosso uniforme, olhava o da adversária, a gente perdia no tênis, já saía perdendo no tênis”. Como é que você faz para dar largada e não perder no tênis, no uniforme, para uma corrida que você sabe que vai ser pauleira?

Marina Helena: Eu realmente acredito que líderes, aqui é LíderCast, que as grandes revoluções foram feitas por meio de liderança. E se a gente pega toda a história da humanidade a gente vê quantas inovações, quantas coisas aconteceram, que foram feitas para alguém que no fundo da garagem ali. Então eu realmente acredito nisso. E também acredito nas pessoas, no poder de convencimento das pessoas. Eu entrei na política por conta disso, acreditando que poxa, se eu tiver um bom projeto, por que não? Por que que eles vão insistir nas mesmas coisas? Então isso de fato me move, eu sou uma pessoa que acredita no futuro, eu sou otimista nesse sentido por natureza. Sei que é muito difícil, tenho toda essa consciência. Não sou uma boba, muito pelo contrário, eu fui para Brasília e eu sei bem como é que funciona. A minha experiência tanto lá quanto na política me mostra os desafios, aliás, nos cargos de liderança que eu tive no setor privado, nada foi fácil na minha vida, nada. Contando a minha trajetória desde lá, nada foi fácil na minha vida, desde a minha infância, nada foi fácil. Pelo contrário, não faltaram desafios, não faltaram desafios. Mas em nenhum momento eu achei que me retirar do combate resolveria meus problemas. Então eu sou uma pessoa assim, meu marido gosta de dizer que eu sou guerreira, e eu sou mesmo. E eu acredito que é isso, a gente tem que encarar de frente, e assim, eu vejo que a política está no estado que está, a maioria dos brasileiros são pessoas honestas, que fazem o certo, por que que a gente está tão errado? Porque infelizmente quem vai para a política não são essas pessoas. Então, eu tenho consciência Luciano, total, de que o problema, por que que a gente chegou nesse ponto agora? E eu falo isso, isso é muito importante, eu nunca tive tão preocupada com o que está acontecendo no nosso país e na minha cidade, nunca. Eu vou te dar alguns exemplos. Eu entendo como retrato do mal o que aconteceu no holocausto. Ouvir o nosso presidente ser parabenizado pelo chefe do grupo terrorista Hamas, é algo que me envergonha profundamente. Ver a gente alinhado ao que há de pior em termos globais, ao verdadeiro eixo do mal, quando a gente pensa em terrorismo, ditaduras, né, isso me preocupa muito. Quando eu olho aqui para a cidade, a mesma coisa. Eu vejo que a função básica de qualquer estado é a segurança, tenho medo de sair na rua. Meu filho, eu vejo que a minha filha não frequenta ligares que eu frequentava em São Paulo, ela não conhece a cidade da maneira como eu me permitia conhecer. Por que? Porque você tem medo de sair, de ser assaltada, de ter uma arma apontada para a sua cabeça. Você não tinha esse receio. Então isso tudo, contratos, a gente vê que o crime organizado está sim infiltrado aqui na capital, tem uma boa parte dos nossos vereadores que estão ligados ao crime organizado. A gente vê várias empresas que prestam serviços para a prefeitura que são investigadas por estarem sim no crime organizado, tem várias evidencias em relação a isso. Que é isso, entendeu? E assim, como é que a gente chegou aqui? A gente não chegou aqui do dia para a noite, não foi, é uma construção de décadas em que nós nos omitimos. Esse é o ponto, nós nos omitimos. A gente estava muito preocupado cuidando da nossa vida, cuidando da nossa carreira, já é bastante, concordo. Mas quem ficou ali, desculpa, tem outros valores. Então em um momento em decidi que eu não iria me omitir mais, isso foi em 19, quando eu fui para o Ministério da Economia. E desde então eu descobri que essa é a minha função, eu não me omito mais, o que depender de mim eu vou para as cabeças. Agora, se isso estimula, e eu falo isso para as pessoas, passem a não se omitir também. Pelo menos na hora de dar um voto para um vereador, para um deputado, gente, é uma decisão que você tem que tomar a cada 2 anos, pesquisa a história, vê se a pessoa é competente, se a pessoa é honesta sabe? Se dá ao trabalho de dar um Google ali, vai no ranking nos políticos e vê quem são aqueles melhores avaliados.

Luciano Pires: Marina, eu escrevi um livro em 2015 chamado Me Engana Que Eu Gosto, o nome do livro. Foi acho que o primeiro livro mais político que eu escrevi. Estava chegando no impeachment da Dilma, e eu paro e faço a seguinte constatação, olha, 40 anos atrás, acredite ou não eu tinha o cabelo parecido com o seu, era aqui, cabeludão, eu estava em São Paulo, nas ruas de São Paulo em 1977, 79, com cartaz na mão pedindo a volta do irmão do Henfil, eu estava aqui brigando com Erasmo Dias, aquela coisa toda, e brigando para que a ditadura, o regime militar terminasse e voltasse a ter democracia, e eu consegui. A turma que estava comigo fez tanto barulho, que a gente conseguiu, em algum tempo terminou. Em 80 e pouco acaba ali o regime militar e a `gente retoma o controle democrático do Brasil. E nesse livro eu falo o seguinte, muito bem passaram-se 40 anos, e quando eu olho para trás, aquele Brasil que eu tinha certeza que eu conseguiria construir se eu tirasse aquela velharada da frente, não aconteceu. Outra, uma porrada de gente que estava comigo na rua está preso por corrupção. O que que deu errado? E a minha conclusão é o seguinte, deu errado o seguinte, a gente foi para a rua, gritou, quando nós tiramos o cara de lá a gente voltou para casa, cruzou os braços e deixou a coisa passar batida. Quando passou batido, quando eu descobri, falei cara, eu entreguei na mão da bandidagem, eu me recusei, falei, agora eu vou cuidar da minha vida, da minha carreira, e larguei o Brasil. E o Brasil foi construído. Então você tem bandidos que estão aí há 40 anos, e o cara, não tem como você furar o domínio desses caras aí.

Marina Helena: Não, a gente vê, por exemplo, a taxa de renovação no Congresso. Parece que é muito, mas tem um estudo feito até no Instituto Millenium, que foi feito até depois que eu saí, já com Diogo Costa que virou CEO, que mostra que a taxa de renovação real é em torno de 10%. Porque todo mundo que está lá, está lá há muito tempo, ou é filho de alguém, ou é extremamente ligado. Então são as mesmas famílias que estão ali o tempo inteiro. Então assim, você não vê, a taxa de renovação de fato, ela é muito baixa. E hoje a gente vê que o que que acontece, o sistema também é muito complicado, porque são alguns puxadores de voto, fica essa polarização louca que só ajuda essas pessoas. Então você tem a polarização e uma compra de votos.

Luciano Pires: Um presidente de uma casa que tem o poder de engavetar o que ele quiser.

Marina Helena: O que ele quiser, que é um absurdo. Mas eu vejo que tudo isso Luciano, está ligado a essa omissão. Eu fui para as ruas no Fora Dilma, eu vi ali tudo acontecer. Eu fui e fiquei feliz quando eu vi tantos corruptos presos, e agora a gente está vendo tudo de volta. Mas o ponto é, um sistema que foi construído há tanto tempo, ele não vai ser desmontado do dia para a noite. Então assim, o preço da liberdade é eterna vigilância não é isso? O preço da liberdade, é a eterna vigilância, não tem jeito, a gente tem que estar. E você pega os países e as economias e o que mais deu certo, você vê que a sociedade ela é engajada entendeu, ela entende o que está acontecendo. No Estados Unidos, muitas das coisas são a nível dos municípios que seriam lá, então as decisões, as pessoas votam para tudo, para o delegado de polícia, para isso, para aquilo. As comunidades elas têm os conselhos que tomam as decisões do que é melhor.

Luciano Pires: O cara está na frente do cliente dele, ele sabe que se ele pisar na bola, o cliente dele está na cara dele.

Marina Helena: Exatamente. Então aqui no Brasil a gente tem esses instrumentos também, existem os conselhos, a pessoa vota, vê alio que que está acontecendo com o seu vereador, seu subprefeito. Pô gente, vê aquilo que está acontecendo, é isso que vocês querem que continue? Então assim, a gente precisa participar, como sociedade não tem outro jeito. Eu sei que parece muito para alguém que já tem que ralar para botar comida na mesa, já tem que ralar para cuidar da sua família, mas assim, não tem outro caminho é isso. Ou é isso ou a gente vai estar sempre a mercê do que a gente tem agora, que é esse país que não sai do lugar. E que corre um risco grave de regredir muito, porque a posição que a gente se vê hoje, ela é muito pior do que aquela condição em que eu estava quando eu nasci há 40 anos atrás. A gente já tem um nível de carga tributária, de endividamento, problemas institucionais gravíssimos. Então eu olho hoje o que que a gente está se alinhando a nível mundial. O mundo como é que está. Então, a questão demográfica. Então hoje a gente está numa posição muito mais delicada, sabe? Então é uma decisão. De novo, o preço da liberdade é eterna vigilância, ou a gente passa a fazer parte e deixa de se omitir, ou depois não adianta. O que que a gente pode fazer? Ficar reclamando no Twitter, no sofá, na mesa do bar. É isso, basta essa energia para fazer alguma coisa, apoia alguém que quer fazer diferente.

Luciano Pires: O brasileiro entendeu muito mal essa questão de democracia representativa, sabe? Tem alguém que me representa lá, voto no cara, viro as coisas e ele que se vire. E não é assim, se você não tiver pressão, não vai acontecer nada. E a pressão vem de várias formas. Uma das coisas que eu fiz quando eu tive lá com o Bruno Bianco, que eu estava conversando com ele lá, porque eu fiz a entrevista com ele lá em Brasília, no gabinete dele. E eu perguntei para ele, falei Bruno, vem cá, quando o povo passa com os carros na rua buzinando, tudo, vocês escutam aqui dentro? Ou vocês estão lacrados? É possível ouvir a pressão popular? Ele falou, cara, escuta aqui, lá fora estava uma gritaria. Claro que é, quando há pressão popular, a gente escuta. E essa é a única forma. Agora, o problema disso tudo, é que narrativas, narrativas de novo. A gente está indo para a rua, nós estamos fazendo barulho e de repente a gente descobre que o barulho que a gente fez, que deveria ter sido resolvido, não foi porque de novo, nós entregamos na mão de alguém. E agora eu vou usar o exemplo que não pode deixar de ser usado. Você descreveu um sistema que para mim ele é um organismo vivo que se auto protege. Se você entra lá com alguma intromissão, ele quer cuspir você fora. Então aparece lá um Bolsonaro, que é uma cunha nesse processo, ele entra lá com organismo… Ah, mas ele estava lá há 30 anos. Não interessa, ele estava lá há 30 anos, mas ele não estava a serviço desse rolo todo. Quando ele entra, o organismo quer cuspir ele fora. E aí não adianta você mostrar resultado. Cara, olha aqui, nós conseguimos, fizemos isso… o organismo vai tirar ele fora, porque o organismo precisa se manter. Como é que você combate um organismo desse, sem ser… lembra do Olavo? O Olavo fala, lá embaixo, de baixo para cima, e bem subindo, vem melhorando tudo. Quando você pega isso que nós estamos conversando aqui agora e leva para um exemplo de uma pequena cidade do interior, cara, é pior ainda. Essa coisa de loteamento de cargo, é pior ainda. Tem gente metendo a mão lá, e dali para a cidade maior, até chegar lá em cima. Então se o brasileiro não entender que é com o vizinho dele que começa o problema, sabe, que é na associação de bairro, é botando ordem no seu condomínio, não vai.

Marina Helena: Na sua casa.

Luciano Pires: Não vai, cara. Jordan Peterson, arruma seu quarto.

Marina Helena: Exatamente arruma seu quarto, que é o que eu sempre falo com a minha filha. A gente precisa arrumar nosso quarto, e depois disso a gente precisa sair também para esfera um pouco maior, e tem que ajudar pessoas que você se identifique, procurar melhor no que vota. É isso, é uma questão, de novo, não é do dia para a noite, mas eu acredito realmente em plantar sementes, sabe? Se você não plantar semente, a árvore nunca vem. Então eu vejo que tem pessoas sim honestas, e competentes, que estão largando a sua vida para entrar na política. E essas pessoas merecem apoio. Então eu entrei, desde que eu entrei nessa jornada, eu falo, eu quero montar um time. Então hoje eu estou indo atrás para a gente ver quem vão ser os nossos candidatos a vereadores, o que que a gente vai trazer, conversando muito, construindo pontes, trazendo pessoas novas, porque eu tenho a certeza Luciano, que ninguém faz nada sozinho. Então precisa de um time, precisa dessa construção. E lembrar que é isso também, isso é um projeto de muito tempo. O próprio Lula lá, não foro de São Paulo, não tem lá os vídeos dizendo, olha gente, não vai ser do dia para a noite, vai demorar 30 anos. A gente pega os vídeos de 30 anos atrás, está aí, 30 anos, ele estava certo, e ele está de volta. Então a gente precisa ter essa noção, de que não é do dia para a noite. Mas, que a gente precisa unir essas pessoas, e que tem esse mesmo sonho de país, e dar o primeiro passo.

Luciano Pires: E não permitir descer degrau, quando a gente subir um degrau, não deixar voltar o degrau, que é o que está acontecendo agora.

Marina Helena: Não deixar descer degrau. Mas o sistema é foda parceiro, então combater não vai ser simples. Mas, se a gente desistir, acabou. Então, eu acho que essa que é a grande mensagem, não se vencem guerras com omissões, com retiradas. A gente precisa persistir. É isso.

Luciano Pires: É isso aí. Você pediu para mim que você estava com o tempo bem apertado aqui. Vamos lá, quero conhecer você, quero entrar na sua rede, quero ver sua proposta, o que que eu procuro?

Marina Helena: marinahelenabr, são todas as minhas redes. Você pode me encontrar no Instagram, no site, no Twitter. Vão vir muitas coisas, a gente tem muita proposta, também estou superaberta para receber sugestões. Então quiser adotar uma pré-candidata, quem quiser me ajudar de alguma maneira, quem tiver alguma questão da cidade, sugestão para a cidade, um problema ou uma solução, estou disposta a ouvir, isso é superimportante. Então vou deixar também um número aqui, que é 99944-0030, quem quiser entrar eu já mando um questionário, existem 1 milhão de formas de ajudar ou participar de alguma coisa desse projeto para a cidade. Então vamos juntos, é isso.

Luciano Pires: Só para fechar. Você está confortável no Novo?

Marina Helena: Super, nunca estive tanto.

Luciano Pires: O Novo está…

Marina Helena: Olha, eu vou falar, desde que eu entrei no Novo, eu nunca estive confortável. Hoje eu estou bastante.

Luciano Pires: É? Passado aquele rolo todo…

Marina Helena: Eu vejo que a saída do João foi importante, eu acho que o partido amadureceu muito, tinham muitas ideias que na teoria pareciam ótimas, mas na prática não funcionam. Por exemplo, a gente vai sempre votar contra a questão do fundo eleitoral e partidário, ainda mais nos valores que atingiram, porque é muito ruim para a democracia. Mas, a gente precisa de gente lá para poder votar essa alteração, então não adianta hoje entrar na guerra de canivete. Então tem muita coisa que se mostrou que na prática não funciona. Então a gente reviu isso. Eu acho que esse diálogo na política, entender que a gente sozinho não se constrói também. Então tem várias coisas, várias mudanças importantes que estão em curso, e por isso eu estou mais confortável que nunca.

Luciano Pires: Legal. Bem-vinda, boa sorte.

Marina Helena: Obrigada, para nós.

Luciano Pires: Aliás, boa sorte, boa hora, bom trabalho, que dê tudo certo aí. @marinahelenabr, estamos juntos. Obrigado.

Marina Helena: É isso, um grande prazer.