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Os novos Odoricos

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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Dias Gomes (1922-1999) foi um grande autor de romances, peças teatrais e novelas. Também pertencia à Academia Brasileira de Letras, nos bons tempos em que ser escritor era pré-requisito óbvio para ali ingressar. Que dó do grande Machado de Assis. Do jeito que a coisa vai, Anitta e Pabbbbbblllo Vitttttar estão com tudo para ocupar duas das 40 cadeiras. Afinal, dada a avançada idade dos acadêmicos, segundo o saudoso Millôr, a ABL é formada por 39 imortais e um morto rotativo. Vaga sempre tem.

Voltando: Casado com Janete Clair, outra novelista de sucesso, Dias Gomes construiu personagens absolutamente deliciosos em sua carreira. Um dos melhores, se não o melhor, foi Odorico Paraguaçu, protagonista da novela satírica O Bem Amado, de 1973, que deu origem ao filme de mesmo nome em 2010; aquela estrelada por Paulo Gracindo, este último por Marco Nanini. Ambos imperdíveis.

A característica mais marcante de Odorico Paraguaçu, além do arrivismo absolutamente imoral, eram suas expressões, seus discursos teatrais. Inventava palavras, espancando a Língua Portuguesa em todos os capítulos. Pérolas como… “Deixemos de lado o patrasmente e vamos ao prafrentemente”, ou “pra cada problemática tem uma solucionática”, e “vamos tratar dos providenciamentos inauguratícios”. Sensacional. Nem a Dilma faria melhor. Ou pior, dependendo do ponto de vista.

Odorico era engraçado sem ser patético, um anti-herói; excelente personagem na pele de excelente ator. Afinal, Dias Gomes era um homem letrado de verdade. Escrevia muito bem. Ficaria orgulhoso em ver, tantos anos depois, essa multidão de Odoricos que discursa no Brasil. Um show de verborreia infinita.

Pra começar, a maluquice do todes-alunes-menines-amigues-taspariles, que já é uma bordoada; mas a odoricofrenia avança, destemida. “Precificar” é de adoecer professor de gramática. Para verbos terminados em “izar”, o céu é o limite; “publicizar” é apenas um traque. A Rede Globo inventou uma tal de “Roráima”, em lugar de “Rorãima”, e insiste nessa bobagem sem o menor amparo na prosódia. Traduções criativas (digamos) do Inglês, quase sempre embaladas em falsos cognatos, são presença obrigatória em noticiosos, como verter plant (fábrica), para “planta”. Luciano Huck repete que o Brasil precisa “endereçar a miséria”, seja lá o que isso possa significar. Provavelmente é tradução literal do Inglês to adress, que significa lidar, evitar. Em tempos de pandemia, não podia faltar uma pérola habitual dos repórteres, dita com a certeza linguística de um Rui Barbosa: “Fulano testou positivo”. Não, fulano não testou nada, foi testado. O teste deu positivo, caramba. Pobre, pobre sintaxe.

Pensando bem… não, Dias Gomes não ficaria orgulhoso. Ia ficar triste ao descobrir que sua antiga, inteligente e engraçada sátira a desmascarar (entre outras coisas) a falta de cultura tornou-se vitrine de uma pretensa sofisticação dos que se acham descolados e modernos, afetando pseudo conhecimento; discursos que produzem apenas a risadinha sem graça da vergonha alheia. Batalhões de Odoricos hipsters. Pelamor.

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