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Luciano Pires -

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Na trilha da comemoração dos 10 anos do Café Brasil, mais um programa especial. Muita gente aponta o programa 275 – Bohemian Rhapsody como aquele que mais impactou, então vamos fazer uma espécie de reapresentação, vai? Eu explico logo mais como será.

Posso entrar?

O podcast Café Brasil chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

Quem vai ganhar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO, o novo livro hoje, é um sujeito especial. E que está aqui do meu lado, ao vivo, num dia de visita, vindo especialmente daquele país chamado Pernambuco. Mais precisamente, de Olinda. Está aqui comigo, sabe quem? O grande Thiago Miro, o cara por trás do Mundo Podcast.

Bem vindo ao Café Brasil, Thiago.

Thiago – Muito obrigado, Luciano. Você não tem ideia de como está o meu coração agora, acelerado, como estou nervoso de estar no meu podcast preferido.

Luciano – Imagine… o que é isso cara? Podcaster, com quantos, quantos episódios você já lançou do Telhacast?

Thiago – Há duas semanas nós lançamos o centésimo episódio.

Luciano – Cem episódios. Então você não é pouco não, isso não é bobagem não. É bastante coisa. Seja bem vindo. Cara! Você é uma coisa especial, porque tem esse sotaque… você mistura o sotaque com uma dicção estranha… você é um ET, Thiago! E lá de Olinda, começa a fazer um trabalho fantástico lá, que tem feito muito bem pra podosfera brasileira lá. Cê tá de parabéns, cara. Muito legal. foi uma satisfação ter ido visitar você lá, aquele jantar junto foi muito legal, né? E agora, aproveitando a chance que você veio conhecer São Paulo, tá aqui no nosso estúdio.

Thiago – Eu estou achando maravilhosa a cidade, o frio, finalmente poder dormir enroladinho, sem ar condicionado nem ventilador, está sendo perfeito.

Luciano – É isso aí, cara. Cê vai gostar bastante daqui. Mas, cê sabe qual é a pegada hoje, né? Hoje é um programa que segue na pegada dos dez anos do Café Brasil e eu botei você aqui nessa fria pra te perguntar qual é o programa que te impactou, como é que foi, conta aí…

Thiago – Sem dúvida nenhuma, Café Brasil 275 -Bohemian Rhapsody , disparado o melhor episódio de podcast que eu já ouvi na vida.

Luciano – Atenção Lalá, Ciça! Bota aí um aplauso, por favor

(Aplausos)

Thiago – Esse episódio cara, eu, como você, tive aquele impacto com a primeira vez que eu ouvi Freddie Mercury cantar, a forma como ele canta, você sente a paixão dele e os trechos, separados por faixa, foi de arrepiar, cara. Eu particularmente, que sou guitarrista, ouvir a faixa separada do Brian May foi um espetáculo. Mas, ouvir o Freddie Mercury separadamente gritando mama, aquilo arrepiou tudo, cara…

Luciano – Muita gente, muita gente…. É engraçado que essas faixas estavam todas disponíveis no Youtube e ninguém sabia. E é aquela coisa que a gente sempre costuma dizer aqui: não basta você ter talento cara, você ser bom. Tem que ter sorte. E aquilo só apareceu quando eu fui fazer a pesquisa e falei: deixa eu buscar no Youtube algumas coisas do Bohemian e me aparecem as vinte e quatro faixas. Inclusive, eu não consegui achar mais, eu não sei se eles tiraram de lá, mas aparecem de presente as vinte e quatro faixas e eu falei: O que é isso? E aquele momento do tour dentro do estúdio, aconteceu na hora da gravação. Eu tava aqui montando com o Lalá, falei: Lalá, espera um pouco. Vamos fazer uma brincadeira aqui. Vou fingir que estou no estúdio… aquilo aconteceu na hora. Então, eu gosto muito dessas coisas porque elas trazem esse impacto emocional, vem quando você tira de dentro, sabe, que é o que aconteceu ali na hora. Você está ouvindo o Freedie Mercury ele não estava ensaiando aquela coisa milhares de vezes, cara. Tocou e o bicho soltou a voz, né.

Thiago – A impressão é que o Bohemian Rhapsody ela foi composta assim. Muito de coração,  no impulso. Porque aquele coral no meio da música, aquilo não é composto matematicamente. Aquilo é inspiração na hora.

Luciano – É isso aí. E cada um colocando um pouquinho de si, né? Grande Thiago. Legal você ter vindo aqui. Você vai sentar ali agora e vai assistir a gente fazer um remix e eu vou contar como é que vai funcionar a coisa aqui. Seja Bem vindo ao Café Brasil, fique por aí. Depois nós vamos tomar um café e vamos conversar um pouquinho.

Thiago – Fantástico.

Luciano – Bem vindo.

Thiago – Obrigado.

Muito bem, você encontra o universo do podcast coordenado pelo Thiago Miro em www.mundpodcast.com.br. Não é isso?

Thiago – Exatamente.

Luciano – Vamos juntos, Thiago?

Luciano e Thiago – Vida longa ao Podcast!

Muito bem. Além do livro o Thiago receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. The jiripoca is going to pew pew em Olinda! Rarara… Eu sei que você já sabem, mas não custa lembrar:  PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade. O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence.

Vamos lá então!

Na hora do amor, use Prudence.

E quem também está ajudando a gente a trazer pra você este cafezinho especial é a Nakata, que até junho está com uma promoção muito maluca que vai levar você e um acompanhante para assistir a uma corrida Nascar nos Estados Unidos! olha só! E é muito fácil participar! Acesse promocaohgnakata.com.br e mande ver. Quem sabe você é o cara, hein?

Siga youtube.com/componentesnakata

Vamos então assim, ó:

Tudo azul, tudo Nakata.

Muito bem… O programa 275 – Bohemian Rhapsody, que teve uma parte 2, o 284, foi publicado originalmente em 2011. Muitas pessoas têm dificuldade em baixar o programa, que já saiu fora do iTunes,mas são limitações técnicas que eles tem lá e também saiu de nosso feed, por limitações nossas aqui. Em breve ele vai voltar, mas por enquanto só dá pra baixar do site. Então eu decidi aproveitar a deixa da celebração dos 10 anos do Café Brasil pra fazer uma edição especial. Mas a notícia vazou antes do programa ficar pronto e criou uma baita expectativa. Calma, calma. Não vou me atrever a fazer outro programa sobre o Bohemian. O que faremos hoje é republicar os programas 275 e 284 mas como se fosse um programa só. Assim todo mundo vai receber, quem já ouviu pode ouvir outra vez e curtir um dos programas que mais nos orgulha. Se você ficou frustrado pois já ouviu, experimente ouvir de novo, agora os dois em sequência. É outra coisa…

É isso. Boa viagem

E então… era o começo de 1976. Eu tinha 20 anos e estudava no Mackenzie, recém-chegado de Bauru. Numa daquelas festinhas que a molecada da faculdade fazia um dos amigos mais descolados chamou todo mundo na sala, pegou um elepê importado, novíssimo, e disse:

– Fiquem quietos e ouçam isso aqui.

O barulhinho da agulha no acetato podia ser ouvido por todos, criando uma expectativa. E então entrou uma coisa diferente de tudo que eu já havia ouvido. Um coro, a capela, cantando uma coisa assim:

Is this the real life?
Is this just fantasy?
Caught in a landslide
No escape from reality…

Cara…aquilo foi uma bomba. Dava pra ver nos olhos da molecada, que nem fazia ideia do que vinha pela frente… Muito tempo depois fui saber que aquela introdução, no pedacinho que cantei aqui, foi gravada todinha com a voz de Freddie Mercury em várias camadas, embora no vídeo da música apareçam todos os componentes da banda cantando. Depois de 15 segundos é que entram as vozes de outros dois componentes da banda, o baterista Roger Taylor e o guitarrista Brian May.

Open your eyes
Look up to the skies and see
I’m just a poor boy (boy, boy)
I need no sympathy
Because I’m easy come, easy go
A little high, little low
Anyway the wind blows
Doesn’t really matter to me to me

A letra trata de um garoto pobre, (I´m Just a poor boy) que não precisa de compaixão, pois é fácil de lidar (easy come, easy go), com altos e baixos (little high, little low). Então entra um piano com acordes que grudam na mente da gente, dando início a uma balada…

O piano é seguido do baixo de John Deacon, o quarto integrante da banda. Freddie começa lentamente, até mudar para um canto rasgado, arrebatador…

Ele explica para sua mãe que acaba de matar um homem, com uma arma contra sua cabeça e, ao fazê-lo, jogou sua jovem vida fora. Diz à mãe que não tinha intenção de fazê-la chorar e que se amanhã, nesta mesma hora, ele não estiver de volta, que ela siga a vida, como se nada realmente importasse.

Mama, just killed a man
Put a gun against his head
Pulled my trigger, now he’s dead
Mama, life had just begun
But now I’ve gone and thrown it all away
Mama, oh!
Didn’t mean to make you cry
If I’m not back again this time tomorrow
Carry on, carry on
As if nothing really matters

Bom. Você reparou que tinha entrado a bateria do Roger Taylor, né. Pois é.

Então vem a segunda estrofe mostrando que o narrador está abatido. Entram a guitarra de Brian May já preparando a música para um crescendo. A letra diz assim

Tarde demais, chegou minha hora
Sinto arrepios em minha espinha
Meu corpo está doendo toda hora
Adeus a todos – eu agora tenho que ir
Tenho que deixar todos vocês para trás
E encarar a verdade
Mamãe, eu não quero morrer
Às vezes eu desejo nunca ter nascido

Too late, my time has come
Sends shivers down my spine
Body’s aching all the time
Goodbye everybody, I’ve got to go
Gotta leave you all behind
And face the truth
Mama, oh, I don’t want to die
I sometimes wish I’d never been born at all

E então entra a terceira parte. O inesquecível solo de guitarra de Brian May.

Aí, cara, chega a quarta parte, a grande surpresa: ópera. Nesse ponto, a molecada estava estatelada, ninguém se mexia, ninguém entendia o que estava acontecendo…

A letra parece descrever a jornada do narrador a caminho do inferno. Ela diz assim:

Eu vejo uma pequena silhueta de um homem
Scaramouch, Scaramouch você fará o fandango
Raios e relâmpagos me assustam muito, muito.
Galileu, Fígaro – magnífico

I see a little silhouette of a man
Scaramouch, Scaramouch will you do the fandango
Thunderbolt and lightning, very, very frightening me
Galileo, Figaro, magnific

É uma loucura…essas citações…

Scaramouch é um personagem cômico da comédia dell-arte italiana do século 17.  Galileu Galilei é o famoso astrônomo, o inventor do telescópio. Fandango é uma dança do período barroco, criada na região de Portugal e Espanha. Fígaro pode ser um monte de coisas, mas no caso deve ser o personagem central da ópera O Barbeiro de Sevilha.

As citações de Scaramouch, Fandango, Galileu Galilei, Fígaro e mais à frente, Bismillah representariam facções rivais em luta pela alma do narrador, terminando com Belzebu, um dos nomes do capeta.

E a letra continua como num embate entre as duas facções:

Mas eu sou apenas um pobre menino e ninguém me ama
Ele é só um pobre menino de uma pobre família
Poupe sua vida desta monstruosidade
Fácil vem, fácil vai – vocês vão me deixar ir?
Em nome de Allah! Não – nós não o deixaremos
Deixe-o ir
Não o deixe ir – deixe-me ir, nunca
Oh mamma mia, mamma mia, mamma mia deixe-me ir
Belzebu, tem um demônio reservado pra mim

But I’m just a poor boy and nobody loves me
He’s just a poor boy from a poor family
Spare him his life from this monstrosity
Easy come, easy go, will you let me go
Bismillah! No, we will not let you go
Let him go
Will not let you go, let me go, never
Oh mama mia, mama mia, mama mia let me go
Beelzebu has a devil put aside for me

 E então a coisa explode na quinta parte, com um rockão pesado de dar arrepios. Detalhe: o solo de guitarra foi escrito por Freddie Mercury.

Freddie canta raivosamente os versos dirigidos a alguém não especificado, que dizem assim:

Então você acha
Que pode me apedrejar e cuspir em meus olhos?
Então você acha que pode me amar
E me deixar pra morrer?
Oh baby – não pode fazer isso comigo, baby
Só tenho que sair
Só tenho que sair logo daqui

So you think
You can stone me and spit in my eye
So you think you can love me
And leave me to die
Oh baby, can’t do this to me baby
Just gotta get out
Just gotta get right outta here

E no final a obra retorna ao ritmo inicial da balada, com a letra sugerindo uma forma de resignação:

Nada realmente importa
Qualquer um pode ver
Nada realmente importa
Nada realmente importa pra mim
E de qualquer forma o vento continua soprar…

Nothing really matters
Anyone can see
Nothing really matters
Nothing really matters to me
Anyway the wind blows

Nessa altura a molecada estava caída no chão.

Cara, eu não sei pra você, mas para mim essa música descreve direitinho – não na letra, mas no ritmo, na levada – uma relação sexual. Ela começa mansinho, vai esquentando, pega fogo, explode e depois acalma…

Centenas de gravações da Bohemian Rhapsody  foram feitas.

Essa que você ouve ao fundo é uma delícia. O instrumento é o Ukulele, aquele cavaquinho havaiano, tocado por Jake Shimabukuro. Ouça só que maravilha…

O título Bohemian Rhapsody parece ser uma paródia. O compositor Franz Lizst compôs Hungarian Rhapsody, por exemplo. “Rhapsody” define um peça de música clássica com seções distintas, tocada como movimento, geralmente com temas. O nome “Bohemian” é um adjetivo, que diz respeito a um grupo de artistas que viveu entre 100 e 200 anos atrás na Europa, desafiando as regras da sociedade. Daí o termo “boêmio”.

Eu expliquei a letra com base em algumas versões que circulam por aí, mas nem Freddie nem os outros integrantes da banda jamais explicaram o que a letra quer dizer, de verdade. Preferiram deixar o mistério no ar, com os fãs e estudiosos enlouquecendo atrás de explicações, que vão desde um livro de Albert Camus chamado O Estrangeiro passando pela versão de que seria um assassino suicida, até um lançamento lá no Irã com a explicação de que a música trata de um jovem que acidentalmente matou uma pessoa e, como o Fausto de Goethe, vendeu sua alma ao diabo. Na noite anterior à sua execução ele chama por Deus em arábico – o termo Bismillah, e com a  ajuda de anjos retoma sua alma das mãos de satã. Legal né?

Cara, tem de tudo no Youtube… Essa é uma versão com William Shatner, lembra dele? O Capitão James Kirk da Jornada nas estrelas? Pois é. Ouça só.

Pois então… quando Bohemian Rhapsody foi lançada, em 1975, ninguém havia feito nada igual. Até então a maior loucura havia sido Stairway to Heaven com o Led Zeppelin. E o Pink Floyd com aquele som inovador. Mas ninguém ainda tinha misturado rock com balada e ópera como fez Freddie Mercury.

A música, com quase seis minutos (dizem que a versão original tinha sete minutos), assustou as gravadoras. Ninguém queria apostar, dizendo que as rádios não tocariam, que seria um fracasso. Numa jogada genial, os produtores vazaram a gravação para uma rádio na Inglaterra, que começou a tocar a música em partes. Fizeram o mesmo com uma rádio nos Estados Unidos. E o que se viu foi o público implorando às gravadoras por uma música que elas relutavam lançar…

O resultado foi o topo da parada inglesa. Primeiro lugar em 1975 por nove semanas. Só saiu de lá quando Mamma Mia do ABBA estourou nas paradas. E o mais interessante é que quando Freddie Mercury morreu de AIDS em 1991 a música foi relançada e retornou para o primeiro lugar na Inglaterra onde permaneceu por cinco semanas.

Nos Estados Unidos foi diferente. No lançamento a música ficou em nono lugar. Em 1992, depois que a música apareceu no filme Wayne´s World, Quanto Mais Idiota Melhor, aqui no Brasil, a música chegou ao segundo lugar…

Que tal essa, hein? É a versão da banda canadense The Braids…

Bohemian Rhapsody sempre está entre as listas das mais importantes canções de todos os tempos.

Pessoalmente, quando ouço essa música sinto uma reação corporal estranha. Os batimentos cardíacos e a respiração aceleram. É como uma droga… Meu corpo pede mais, e mais e mais. Enquanto escrevi este programa ouvi sem parar e eu tenho certeza que vou ouvir mais.

Em 2004, numa pesquisa realizada na Inglaterra, a música ficou em segundo lugar, atrás apenas, sabe de quem?

A Whiter Shade of Pale do Procol Harum

A Whiter Shade of Pale

We skipped the light Fandango
Turned cartwheels ‘cross the floor
I was feeling kind of seasick
But the crowd called out for more
The room was humming harder
As the ceiling flew away
When we called out for another drink
The waiter brought a tray

And so it was later
As the Miller told his tale
That her face, at first just ghostly
Turned a whiter shade of pale

She said there is no reason
And the truth is plain to see
But I wandered through my playing cards
And would not let her be
One of sixteen vestal virgins
Who were leaving for the coast
And although my eyes were open
They might just as well’ve been closed

And so it was that later
As the Miller told his tale
That her face, at first just ghostly
Turned a whiter shade of pale, turned a whiter shade of pale
Turned a whiter shade of pale, turned a whiter shade of pale

And so it was….

Ainda Mais Pálida

Dançamos o fandango suave
Girando pelo salão
Eu estava meio tonto
Mas a multidão queria mais
E o pessoal comentava cada vez mais
Enquanto o teto rodava
Quando pedimos outra bebida
O garçom trouxe uma bandeja

E foi mais tarde
Quando Miller contava sua história
Que seu rosto a princípio apenas fantasmagórico
Ficou ainda mais pálida

Ela disse que não há motivo
E a verdade é cristalina
Mas eu consultei as cartas do baralho
E não permitira que ela fosse
Uma das dezesseis virgens vestais
Que partiam para o litoral
E embora meus olhos estivessem abertos
Daria no mesmo se estivessem fechados

E foi mais tarde
Quando Miller contava sua história
Que seu rosto a princípio apenas fantasmagórico
Ficou ainda mais pálido, ficou ainda mais pálido
Ficou ainda mais pálido, ficou ainda mais pálido

E foi mais tarde …

 Bohemian Rhapsody * é até hoje uma das mais complexas gravações já executadas. É tão complicada que o Queen nunca pode tocar ao vivo. Sempre recorreu a um vídeo no momento da ópera. Aliás, o vídeo oficial dessa música é histórico também: foi gravado em dez horas, custou algo em torno de 6 mil dólares e tornou-se o primeiro vídeo clipe da história, pois foi o primeiro a ser gravado diretamente em vídeo. Depois dele é que as gravadoras acordaram e veio a MTV…

A gravação foi extremamente complexa. Usou vários estúdios, custou um monte de dinheiro. Usou os 24 canais que eram o que havia disponível naquela época, com fitas que eram emendadas à mão, com adesivo.

Essa que você está ouvindo é uma das 24 trilhas. O piano original de Bohemian Rapsody.

E agora eu vou fazer uma sacanagem. Eu vou levar você comigo pra dentro do estúdio lá em 1975, imagina só.

Quem está tocando esse piano é o Freddie Mercury e eu vou pedir pro Lalá, o nosso mago, pra apresentar pra gente algumas coisas. Lalá, você tem ai, por acaso, a guitarra do Brian May?

Que é isso, meu? Tá arrepiado é? Então imagina só. Lalá, me dá ai o baixo do John Deacon.

Cara! Você está ouvindo as gravações originais. Tá se imaginando lá? Eu vou trazer agora a bateria. Roger Taylor.

Que louco né! E a parte operística então? Que tem as vozes do Freddie Mercury , do Bryan May e o Taylor?

Eles gravaram durante cerca de 10 a 12 horas por dia. 180, aquilo que a gente chama de overdub separados que depois foram combinados pegando um alcance vocal fabuloso. A voz mais aguda é do baterista Roger Taylor, fica no Freddie com os médios e o May com os graves.

Lalá. Manda o coro pra gente ouvir agora. Só isso? bota mais um pouquinho aí.

Agora, pra quebrar suas pernas, de vez, eu vou fazer o seguinte: imagina que você está lá no estúdio de gravação, você está dentro da técnica, tá olhando através do vidro e lá do outro lado você está vendo Freddie Mercury colocando a voz nessa música. Olha só.

Essa obra saiu da cabeça do Freddie Mercury. Ele a escreveu na casa dela, montando pedaço a pedaço, dirigindo as gravações.

Ele a ouviu dentro do cérebro antes de tê-la pronta, o que é fascinante.

Bohemian Rhapsody * tem aquela mágica que as obras de Picasso, Michelangelo, Beethoven e Chaplin têm. Obras de gênios, que estão prontas em suas cabeças antes de serem criadas e que, quando são finalmente paridas, transformam nossos sentidos.

Você até pode argumentar que colocar Freddie Mercury na mesma sentença de Pablo Picasso é uma heresia, mas fique frio… Estou comparando o processo criativo, a capacidade de enxergar o que ainda não existe, a coragem de juntar fogo e água, de quebrar o convencional, de construir uma obra capaz de emocionar…

Ah cara! Se você não gosta de Bohemian Rhapsody, é uma pena! Perdeu a oportunidade de ficar arrepiado do jeitinho que estou agora.

Olha só. O programa Bohemin Rhapsody foi o mais baixado, o mais curtido, o mais comentado de 2011. teve uma repercussão muito superior aquela que a gente imaginou. O que nos leva a fazer outro programa, desta vez com os comentários dos ouvintes.

Bem, uma vez usei num de nossos programas um trecho de uma entrevista do poeta Ferreira Gullar em que ele diz: “… estamos vivendo uma época em que os valores culturais vêm sendo substituídos pelo entretenimento. A mídia transforma tudo em entretenimento.

O único valor que existe é a notícia, a novidade sob forma de notícia. E isso é uma ameaça ao ser humano porque esse pessoal jovem que está sendo manipulado pela mídia não se preocupa, em sua formação literária, com a experiência do que seja a obra de arte, que não é uma realização gratuita, mas uma necessidade profunda do ser humano.

E o que acontece? Acontece que, quando se esgota o mito da juventude e o sujeito já não tem mais como pular o rock na praia de Ipanema, quando acaba tudo isso e ele começa a “bater pino”, não tem para onde se voltar porque lhe falta a verdadeira experiência da arte”.

A verdadeira experiência da arte. O que Bohemian Rhapsody nos proporciona é exatamente essa experiência, ao quebrar completamente todas as regras de mercado para nos expor à ideia pura de um artista.

Bohemian Rhapsody é o “pop” naquilo que de mais sagrado o pop pode trazer: a capacidade de conquistar o ouvinte com uma proposta diferenciada e que abre as perspectivas.

Por isso vai ser difícil repetir a dose…

Que tal? Você ouviu, no podcast, um mix que alguém fez da Bohemian com uma orquestra sinfônica. É de arrepiar… tá no youtube.

Você está ouvindo agora,  a versão em Sax tocada pelo Mo’’Sax Quartet com Paul Seaforth. Esse grupo originalmente toca Jazz, mas não resistiu…

Escreve a Alda Cunha Marcato, lá de Piracicaba:

“Obrigada Luciano. Meu filho do coração, o caçula, ouvindo o seu programa tão especial lembrando do quanto eu amo a banda Queen e a admiração que tenho por Freddie Mercury me enviou via e-mail . Adorei o programa me emocionei e como você mesmo disse me arrepiei , mas a minha alegria foi em dobro porque ele, meu filho, teve o carinho e a lembrança de me enviar. Você além de ter feito um lindo programa você uniu o coração de mãe e filho com Bohemian Rhapsody, um filho fisicamente tão distante, mas muito mais próximo no dia de hoje.”

Um abraço.”

Depois, o Everton Melo.

“Adorei o este café! Meu nome é Everton Melo, tenho 24 anos. Este cafezinho me fez lembrar do meu pai, porque atualmente eu não tenho me entendido tão bem com ele (ao menos tão bem quanto eu era criança) mas meio a trancos e barrancos as vezes a gente faz coisas juntos, e me lembro claramente dele não falando mas ouvindo muito o Queen. Tiinha até um lenda que ele nunca esclareceu. Ele foi no show do Queen aqui em Sampa e de tanta empolgação em meio à multidão, perdeu um dos sapatos e voltou para casa apenas com um. Isso me faz lembrar como ele era e como de certa forma a maturidade me afastou dele e ao mesmo tempo carrego muito dele em mim, o gosto pelo rock por exemplo.

Mas Bohemian Rhapsody junto com o Café Brasil me fez ver que na verdade tudo muda inclusive a gente. Fico feliz em lembrar dos tempos em que eu cantava em um coral e arriscava junto com minha irmã também coralista e soprano (já eu Barítono) cantávamos o coro, e meu pai ficava só ouvindo como se pensasse: “eu plantei a essência e ela esta germinando”. Obrigado Café Brasil por me mostrar que por mais que tudo pareça perdido eu ainda posso sair daqui e melhorar. Um grande abraço e continuem com este trabalho maravilhoso!”

E também tem a Iara Grisi:

“Bom dia, Luciano! São 2:43h da madrugada e após ouvir este podcast três vezes seguidas resolvi escrever. Engraçado, né? Sou ouvinte assídua do Café Brasil e tantas vezes tive vontade de escrever, mas somente agora, hoje, neste exato momento, 2:43h da madruga, decidi fazê-lo.

Eu ainda brincava com bonecas e ouvia As Melindrosas quando Bohemian Rhapsody foi lançada. Naquela idade, o rock ainda não havia entrado em minha vida. Contudo, meu pai era amante da boa MPB e cresci ouvindo Cartola, Geraldo Pereira, Assis Valente, bossa nova, dentre outros. Era um mundo musical maravilhoso aqueles discos de vinil, coleções inteiras com Donga, Caymmi e Luiz Gonzaga que papai colocava no toca-discos Gradiente e me chamava para ouvir. E eu gostava tanto.

Mas então chegou a adolescência e aconteceu o primeiro Rock in Rio… E conheci o Queen… E ouvi Freddie Mercury cantando Love of My Life… E me apaixonei por aquela música nova para mim.

Lembro-me de sair para comprar todos os LPs do Queen e papai olhando para eles com cara de desgosto. Imagina, tão orgulhoso ele era de sua filha admiradora da boa MPB e agora lá estava eu, enlouquecida ouvindo um bando de cabeludos com um sujeito muito suspeito cantando. E enquanto dentro do meu quarto eu devorava aquele som diferente ele ficava na sala com seus discos. Tentava dividir com ele meu entusiasmo com aquela descoberta, mas ele dizia impaciente: “não entendo o que eles estão dizendo, como posso ouvir?”

E assim algumas semanas se passaram até que em uma tarde qualquer, provavelmente depois da aula de inglês, cheguei em casa e coloquei Bohemian Rhapsody no aparelho de som Gradiente na sala.

Afinal, Bohemian Rhapsody merecia um som Gradiente. E aquele som maravilhoso invadiu o apartamento! E eu cantava e dançava e tentava acompanhar Freddie Mercury cantando. Terminei minha apresentação, guardei o disco e me juntei a papai e mamãe na mesa de jantar.

E foi em um tom quase displicente que papai perguntou: “O que diz a letra desta música, filhota?” – ele me chamava de filhota. E passamos todo o jantar e mais algumas horas após e outras tantas tardes tentando compreender aquela letra.

Foi Bohemian Rhapsody que me reaproximou musicalmente de papai.

Hoje, ainda ouço a boa MPB e sabe o que papai comentou sobre o último show dos The Rolling Stones no Rio? – “Não é que os velhinhos sabem mesmo tocar?

Um grande beijo para você, obrigada mais uma vez e diga ao Lalá que ele é um gênio!”

É nois mesmo! Vagabundo! (Isso é o Lalá com sua proverbial modéstia!!!)

E essa? Você ouve os Les Lyon’s Singers numa interpretação à capela…

Bem, tem também a forma como o programa emocionou as pessoas, como o Joh Meira, meu amigo, lá do Descontrole Podcast, que escreveu assim:

“Luciano caceta

Vcs fizeram de novo!

obliteraram meu cérebro e me fizeram chorar como uma menininha! até recebi no ônibus um olhar de compaixão pelo meu “sofrimento” rs… quisera eu poder dizer que ñ era sofrimento: “é alegria dona!!!!”

eu ñ estava triste! as lágrimas apenas saiam! =D

mas pesado mesmo foi qdo “viajamos” pelo estudio e ouvi faixa a faixa… nessa hora aproveitei q estava sozinho já na rua e deixei sair…

imaginar os caras gravando, dando o seu melhor, transformando o ar em arte, me fez lembrar muita coisa c/ os caras da minha banda, as gravações, tardes de criaçao, shows juntos – tudo junto… e por fim

me lembrou as escolhas q temos q fazer… assim como o “poor boy” da musica q teve q abandonar as coisas q lhe davam sensação de segurança porque a situação simplesmente mudou… me bateu muita

saudade

alem desse aspecto pessoal, tem o musical né: estamos falando de queen porra! rss uma pusta banda!

dios salve la reina!!!!

lalá, ciça e luciano, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado por obliterarem meu cérebro DE NOVO!”

E vem o José Lima:

“Querido Luciano.

Aqui estou, no meu trabalho, com os olhos marejados depois da minha caminhada matinal diária de 20 minutos.

Preguiçoso que sou e sempre fui, acabei chorando por vários motivos hoje durante o programa Bohemian Rhapsody. Este não é o único comentário dizendo que as lágrimas rolaram, eu sei. Mas tenho que lhe falar! Sempre gostei do Queen, mas foram poucas as músicas que li suas traduções, já que não sou fluente em inglês, e esta música estava na lista “Não sei do que esta música está falando”. Só recentemente li a tradução no melhor estilo “Karaokê” com a versão do William Shatner, citada e tocada aqui no Podcast. Pois bem… Foi estranho andar pelas ruas de Alphaville, lugar onde trabalho, pertinho do seu estúdio, e ver pessoas me olhando e se perguntando por que um cara chora caminhando a essa hora da manhã, ouvindo alguma coisa nos fones. Se eu pudesse e tivesse a oportunidade de explicar pra cada um que me olhou com estranhamento diria, sem medo: “Estou ouvindo música de verdade, e choro porque me emociono com coisas boas.”

Me senti naquela sala, junto com você e seus amigos de faculdade. Consegui sentir o ambiente silencioso e a ansiedade de todos esperando por uma notícia catastrófica ou algo assim, e não muito diferente da expectativa, todos ficaram emocionados com a “notícia” musical, inclusive eu, ali no cantinho com os outros ouvintes.

Das milhões de versões desta linda música, a que vai ficar gravada na memória será esta que você mostrou das várias trilhas separadamente. Foi lindo!

Amigo Luciano Pires, não tenho palavras pra agradecer o que cada podcast me proporciona, mas creio que apenas um OBRIGADO não seja o suficiente.

Forte abraço de um garoto pobre, nesta realidade e fantasia.”

E vem o Victor Grisi

“Mas então, cara o que é aquilo, hein? Muito massa tanto que geralmente apago do iPhone os podcasts escutados, mas esse eu não tive coragem, mostrei a minha mulher e a um grande amigo meu e vou andar com esse episódio até mostrar a todo mundo que tenha interesse no Queen ou somente em Rock mesmo. Não peguei essa música no auge, tenho 23 anos, mas o Queen foi uma das primeiras bandas de rock que escutei.

No inicio achei meio bobo, como se fosse trilha sonora de filme da sessão da tarde, mas aí passei a escutar com cada vez mais atenção até virar um fã da banda (não um grande fã, mas adoro) e realmente Bohemian Rhapsody é a minha preferida é muito louca as coisas que ele faz numa música só. Essa Canção é sobretudo a música, a melodia. A letra apesar de tbm ter uma historia, não é o que emociona.

Essa melodia choca, emociona, sei lá mexe com a gente de alguma forma, mesmo que não se goste dela, pelo menos não fica indiferente.

Proponho mais programas especiais como esse, acho que você e sua equipe tem um grande talento para poder abordar diversos assuntos e sempre que tentam inovar acabam acertando, eu acho que até mais do que nos programas do dia-a-dia.”

E então vem o Oscar, lá de Buenos Aires:

“Eu te escrevo desde Buenos Aires, se Deus quiser logo estarei morando entre vocês porque Deus diu pra mim a felicidade de conhecer a mulher de meus sonhos, uma doce filha de sua terra que desde ja faz tempo eu também chamo de meu Brasil. Eu conheci de seu programa por uma professora de minhas aulas de português e a verdade eu fiquei apaixonado com cada um dos podcast, o simples de suas palavras as reflecoes mais profundas com cada pensamento que você descreve em cada programa. Até hoje em meus 56 anos eu nunca assisti com tanta emocao a gravacao de uma cancao como nesse podcast de Bohemian Rhapsody. Eu te agradeco por tudo o que você brinda em cada programa e é um prazer pra mim escutar seus palavras que realmente ajudam a consertar nosso espíritu . Valorar as coisas simples da vida nos faz sentir melhor. Sentir o arte de criar é um canto para nossos sensos e nossos coracoes. Desculpa meu ruim português no é culpa da professora sou eu um alumno mais o menos, afff. Meu abraco de amistade e meu acompanhamento sempre.”

Legal também foi ver a força do programa em fazer a turma comentar.

Como o Fernando Griesang

“Olá Luciano!

Desculpe, mas eu sou daqueles ouvintes que não comentam. Pois é, gostando ou não, sou sim mais um daqueles milhares que você possui e que provavelmente continuarão sem comentar.

Hoje não. Hoje foi diferente. Ouvi o podcast e quando chegou ao fim pensei “Não. Preciso ouvir de novo!”. Assino o Café Brasil pelo iTunes há anos, já ouvi todos os episódios disponíveis e pela primeira vez, repeti instantaneamente um podcast. “É hoje! Vou comentar!”. Parei tudo o que estava fazendo aqui no meu trabalho pra fazer o meu primeiro comentário. Então aí vai: Luciano. Muito obrigado!

Agora dá licença que vou ouvi-lo novamente!”

Como temos uma limitação de tempo, algumas coisas ficaram pra trás no programa original, e eu quero apresentar aqui. Um das coisas mais espetaculares de Bohemian Rhapsody é o trabalho vocal do Queen. Então vou mostrar a você uma versão a capela, da qual foram eliminados todos os instrumentos. Tá preparado? Vamo lá. Lálá! Manda bala gênio!

Olha só isso… É o Dallton Santos que saiu lá de Caçapava, interior de São Paulo, para se tornar um dos grandes guitarristas brasileiros, numa homenagem ao Queen.

Pois é… mas gente que trabalha com musica também se manifestou! Como o Rafael Paiola:

“Luciano, esse podcast sobre o Queen muito me surpreendeu, não imaginava que fosse você também um fã da obra desses 4 que tanto mudaram minha vida e, eu acredito, de muita gente.

Meu contato com o Queen foi um pouco mais tarde, é claro, afinal sou de 1987. Meu padrinho, falecido há pouco tempo e com quem eu tinha muito contato, desde pequeno deixava rolando rock e modas de viola no último volume quando eu ia visitá-lo.

Graças a esses felizes momentos, um dia tive um estalo e pensei “também quero fazer isso aí”. Decidi que seria músico. E pra ser sincero, por uma série de motivos que não caberia citar aqui, escolhi a música erudita, que ainda estudo e para a qual espero um dia poder contribuir.

Mas, apesar da escolha pela música erudita, o rock sempre foi e será minha paixão, e toda vez que pensava em desistir ou algum amigo, parente ou conhecido vinha dissuadir-me dessa opção, era no Queen que eu me apoiava, ao lembrar do maravilhoso álbum “A Night At The Opera”, de onde saiu a Bohemian Rhapsody.

A força, a paixão, o ímpeto criativo e o arrebatamento causado por essa e outras músicas do Queen me inflamam de tal maneira que me fazem almejar com toda a força criar obras fantásticas que emocionem, intriguem ou deliciem a quem ouvir. Não sei se um dia conseguirei fazer algo nesse nível, ou além, ou aquém, mas enquanto eu ouvir essa e outras músicas com a paixão e a ´invejinha boa´ que eu sinto, minha força de vontade há de superar qualquer dificuldade que se apresentar.  Obrigado, Luciano, e até mais!”

Que legal, né? E a moçada sendo apresentada para a música pela primeira vez? Como o Daniel Sas:

“Meu Deus! O que foi isso? Olá lançadores de iscas intelectuais cafeicultores brasileiros! Meu nome é Daniel Sas e tenho 24 anos, sou de São Paulo e fui fisgado pelo podcast Café Brasil há menos de 3 meses, mas desde então, não consigo parar de escutá-los!

Tenho de confessar: Sempre ouvi falar de Queen pra lá, Freddie Mercury pra cá, mas infelizmente nunca tinha parado pra me aprofundar mais sobre a maravilha que havia ao redor dessa banda! Amei esse cast particularmente, pois achei fenomenal esse estilo de narrativa.

Pegar uma música e debulhá-la, apresentando dados sobre os compositores, sobre os músicos e o melhor: sobre a história que a música conta. Espero que, de tempos em tempo, possa haver mais casts nesse mesmo estilo, explicando tim-tim por tim-tim o mundo que há por trás de uma obra de arte como essa! Meus parabéns por esse ótimo trabalho. Continuem assim. Abraços.”

E ao som de Edgar Cruz, numa versão em violão clássico,

que vem o email do Renato Morais Fernandes

“Olá Luciano. Escrevo para dizer que gostei muito do programa sobre a Bohemian Rhapsody. Realmente não conheço o Queen.

Nunca tive paciência para escutar e sempre tive o preconceito de que era apenas mais um produto descartável da mídia.

Minha ignorância é um insulto, eu sei, mas este podcast quebrou barreiras.

Sou um violinista “meia boca” que costuma a ouvir de tudo. E quando não gosto, pelo menos tento entender. Música é isso, não se trata de gostar. Trata-se de entender ou não entender… É de fato única, a linguagem deles. Diferente de tudo que já ouvi. Depois da sua exposição, ganhei mais um som para a caminhada da vida. Obrigado.”

Vem então o Julio Caldas

“Fenomenal. Ao final do Podcast eu fiquei com a impressão que esta música merece um filme que poderia servir de exemplo para nosso cotidiano profissional. Luciano, você destacou alguns comportamentos e iniciativas que o Freddie Mercury e banda tiveram: inovação e coragem (misturar fogo e água), estratégias de marketing (vazando propositadamente trechos da música), ser capaz de ouvir a música antes da mesma existir (arte pura), que é uma capacidade inestimável em qualquer projeto de criação.

Parabéns a você por se renovar, emocionar e nos informar com qualidade usando a música como instrumento.”

Chegou a vez do Eduardo .

“Luciano, Luciano…. Chorei, suei em bicas, arrepiei….sou fã do Queen.

As composições deles mexem comigo , muito. A primeira música deles que escutei foi Bicycle Race, fiquei me perguntando quem são esses doidos que fazem música com buzina de bicicleta? Emprestei o Greatest Hits I da minha prima e levei um ano pra devolver. E depois de ouvir os dois primeiros albuns, deconhecidos da maioria dos não fãs, falei pra mim mesmo: gênios! Composições belíssimas, tem que ouvir 10 vezes para captar todas as nuances. Queen é música que se sente.

Hoje temos muito ritmo e pouca melodia, a música que realmente faz “sucesso” é pobre na sua essência de música. Ainda bem que temos vc e seu time para mostrar as coisas boas que foram e são produzidas aqui e também fazer estes resgates de obras primas da música mundial.

É realmente maravilhoso pensar que toda essa obra surgiu na mente de Freddie Mercury e foi transcrita de forma tão brilhante por ele e seus companheiros, com sua “química” e sintonia dentro do estúdio e no palco, mais ou menos como a de você e sua equipe, que neste podcast foram para além da excelência. Classifico também como a melhor obra do Café Brasil, seria a sua “Cafe Rhapsody”.

Muitas pessoas confundem o artista com a pessoa, desmerecendo a obra por conta do comportamento na vida privada, acho que isso pode gerar mais um podcast sobre intolerância sob este aspecto , não ?

Por favor faça isso mais vezes!!! Grande abraço !! Eduardo.”

E também o Jefferson Banks.

“Olá Luciano,Meu nome é Jefferson, tenho 32 anos sou professor.

Quanto ao programa 275 – Bohemian Rhapsody , foi um espetáculo a parte, eu sou apaixonado por música, para mim, é fácil a função “repeat” funcionar durante 3 meses em uma banda só.

De forma superficial, eu já tinha escutado Bohemian Rhapsody, mas confesso nunca ter me atentado e nem sabia quem era o compositor, quando escutei a introdução do programa, no qual você falaria sobre uma música, para mim, não havia dúvidas, seria tremendo! Confio ao Café Brasil o assunto música, no entanto, não achei que seria tão bom.

Me emocionei todas as vezes que escutei o programa, sua intervenção explicando a história me fez ficar arrepiado diversas vezes, a contextualização dada à letra estrangeira facilitou a compreensão.

Parabéns Luciano, o Café Brasil consegue fazer de uma música, um assunto que ecoará na minha cabeça enquanto eu pensar.”

E o Rodrigo Vitulli escreve assim:

“Luciano e equipe, que belíssimo podcast sobre ´Bohemian´. Escutei no trem, voltando de um dia longo de trabalho e me emocionei em cada segundo. Foi brilhante. E mais legal: ouvi Bohemian, de minha banda favorita, Queen, mais de cem vezes. Seu “passeio” pelo estúdio de gravação me fez ouví-la de um jeito completamente diferente. “Vocêis inverteram as coisa”. Muito obrigado por isso e parabéns pelo belíssimo trabalho. Sou ouvinte irremediável do Café Brasil há mais de um ano, e o programa só melhora.”

E por fim, o Alexandre Dantas, de Limeira

“Caro Luciano. Sou seu ouvinte através de podcast há mais de dois anos e aprendi com você a valorizar musica brasileira de qualidade. Mas vou ser bem sincero! Sempre achei que você radicalizava demais ao não incluir boas músicas internacionais e nacionais (normalmente rocks) mesmo quando o assunto permitiria a associação.

Poucas vezes me animava ao ouvir algum pedaço de Raul Seixas ou Titãs em seus textos, mas nunca deixei de ouvi-lo pois suas “iscas intelectuais” realmente são muito proveitosas. Lembro do dia em que vibrei ao ouvir U2 no podcast em que um ouvinte comentou sobre a Irlanda e torci para que isso voltasse a ocorrer mais vezes, mas infelizmente isso não aconteceu.

Qual não foi o meu êxtase ao ouvir hoje pela manhã, o podcast sobre o meu conjunto preferido – Queen – e seu hino insuperável e inesquecível – Bohemian Rhapsody. Esse foi certamente o podcast que me causou a maior alegria e emoção ao ouvir e certamente ficará arquivado em meu ipod para ser ouvido inúmeras vezes.

Gostaria de aproveitar o contato e a satisfação que esse podcast me causou para lhe propor o seguinte:

Para que você não desvirtue o Café Brasil, porque você não cria um segundo podcast com o modelo deste Bohemian Rhapsody, hein? Você poderia analisar músicas e filmes clássicos que milhares de pessoas tem na memória mas muitas vezes não conhece com tantos detalhes. Esse podcast não precisaria ser semanal e poderia até ser gravado em dois idiomas (português/inglês) para começar a transformação do Café Brasil em uma multinacional globalizada (o nome pode ser Brazilian Coffe, rs, rs, rs). Fica a sugestão.

Parabéns pela superação. Você consegue ser cada vez melhor naquilo que você se propõe a fazer.”

Então. Eu só quero agradecer aqui em meu nome, em nome do Gênio, em nome da Ciça, aos elogios que o pessoal fez ao programa. Realmente esse programa foi muito especial até pra nós que fizemos aqui.

O tempo de duração deste programa está bem alto e acho que muita gente não vai gostar, aliás, tem gente que escreve reclamando, que não quer ouvir leituras de e-mails de leitores e ouvintes, mas a gente faz questão de trazer pra vocês porque um programa como este aqui, é uma homenagem ao conteúdo gerado pelos ouvintes.

Seria preciso um programa com umas duas horas pra citar todo mundo que escreveu. Mas o mais legal é que a turma não escreveu simplesmente pra dizer que gostou. Escreveu para botar pra fora sentimentos, pra expor como uma música pode causar impacto em nossas vidas, mesmo que não saibamos o que a letra quer dizer.

E é assim então, ao som do trio australiano Benaud Trio tocando em Melbourne em 2007 que nosso Café Brasil do Bohemian Rhapsody vai embora.

Quero agradecer a todos que se manifestaram sobre o programa. É assim que a gente completa o ciclo, criamos, publicamos, vocês ouvem e nos contam o que sentiram. E isso alimenta a gente a criar mais e caprichar mais. Obrigado de verdade.

E como disse Ferreira Gullar, “… esse pessoal jovem que está sendo manipulado pela mídia não se preocupa, em sua formação literária, com a experiência do que seja a obra de arte, que não é uma realização gratuita, mas uma necessidade profunda do ser humano.”. Pense nisso.

Com esse mago do Áudio Lalá Moreira na técnica, a boêmia Ciça Camargo na produção e eu, o rapsódico Luciano Pires, na direção e apresentação.Estiveram conosco o William Shatner, Jake Shimabukuro, The Braids, Procol Harum, Les Lyons Singers, Dallton Santos, Edgar Cruz, Mo’Sax, Benaud Trio e vários ouvintes. é calro. E John Deacon, Roger Taylor, Brian May e Freddie Mercury, é claro. E uma menção de agradecimento aqui ao ouvinte Vinícius Paraíba que mandou a carta original que inspirou a criação do programa 275 e que não entrou aqui por questões de edição. E presente aqui conosco também claro, o grande Thiago Miro.

Sabe quem é que ajuda a gente a trazer o Café Brasil até você, hein? É a Pellegrino, que além de ser uma das maiores distribuidoras de auto e motopeças do Brasil, também distribui conhecimento sobre gestão, comunicação e outras coisas legais em sua página em facebook.com/pellegrinodistribuidora. Conheça. E se delicie.

Pellegrino distribuidora. Conte com a nossa gente.

Este é o Café Brasil, que chega a você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

E mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96789 8114. Pra quem está fora do Brasil: 55 11 96789 8114.

Sabe o Viber, aquele aplicativo que você devia baixar aí no seu celular …. Bom, tem um grupo chamado, Podcast Café Brasil por lá. Eu estou passando ali informações, que só quem está no grupo está recebendo.

E pra terminar, uma frase de Friedrich Nietzsche

Temos a arte para não morrer de verdade.