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Luciano Pires -

Mais uma vez o terror ataca em Paris, e começamos a temer que os atentados se alastrem pelo mundo. Mas afinal, o que está por trás deles, hein? Quem são os malucos do Estado Islâmico que explodem a si mesmos, levando junto inocentes? Vamos nessa linha hoje.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite. Este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro ME ENGANA QUE EU GOSTO é o Vincent Menu, que mandou o seguinte e-mail:

“Olá Luciano. Estou resgatando uma conversa que tivemos em janeiro deste ano, após os atentados contra Charlie Hebdo, e aqui estamos novamente. O que era o meu temor está se manifestando e acho que estamos apenas no começo de um conflito muito duro na Europa. O que eu dizia na época, é que o ataque contra o Charlie Hebdo era apenas o sinal de alerta para algo muito mais grave por vir.

Contínuo acreditando que a sociedade na França vai ter que por muita coisa na mesa e encontrar um novo equilíbrio inclusive em relação a alguns valores…

Futuro muito incerto… E vai passar por reforçar os vínculos com a comunidade muçulmana não extremista, demonstrando mais respeito e inclusão…”

Pois é… O Vincent comentou o programa 439 – O Limite da Liberdade e trocamos algumas ideias que podem ser vistas na área de comentários daquele programa no Portal Café Brasil. Ele está certo, e vou comentar um pouco sobre isso no programa de hoje. Obrigado por retomar o assunto!

Muito bem. O Vincent receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Ô dois! Hoje quero em Francês.

À l’heure de l’amour utilize:

Lalá – Prudencê?

Ciça – Prudence, Lalá. Prudence!

O programa de hoje tem muito texto, então vamos fugir um pouco da regra, com um pano de fundo com músicas do Oriente Médio que receberam um tratamento digamos, ocidental. Coisas da globalização. O link para o arquivo com as músicas está no texto deste programa, no Portal Café Brasil.

Começo com um aviso importante, preste atenção. Não pretendo chegar a nenhuma conclusão neste programa, eu não sou especialista em oriente médio, quero apenas trazer fatos e fazer algumas reflexões baseadas nas pesquisas que realizei como um curioso. Esse assunto é outro daqueles complexos demais para serem compreendidos num podcast e espero que se você tiver algo a agregar, use a área de comentários deste programa no Portal Café Brasil. Certamente farei outro programa sobre o tema e qualquer novo ângulo, correção ou soma de conhecimento é bem vinda.

Ah, sim, e ouvir os programas 437, 439, 440 e 441 que tratam do atentado ao jornal francês Charlie Hebdo pode ser um excelente complemento ao que vai aqui hoje.

Assisti no NetFlix o filme A batalha por Haditha. Dirigido pelo excelente Nick Broomfield. O filme relata um incidente verdadeiro que aconteceu no Iraque em 2005, quando um ataque a uma patrulha norte americana desencadeou um massacre. O filme é contado sob três pontos de vista: o do grupo de fuzileiros norte americanos, pressionados pela iminência de serem atacados; o ponto de vista dos ” terroristas” iraquianos, na verdade um pai e filho que agem para conseguir algum dinheiro; e o ponto de vista de um casal apaixonado e sua família, que vivem nas casas próximas ao local do ataque.

O filme foge de todos os padrões que colocam os norte americanos sempre de forma maniqueísta em dois extremos: ou super heróis ou super vilões. O mesmo se dá com os terroristas, ficando claro como são instrumentalizados. Mostra também o dia a dia dos civis que vivem em clima de guerra. Sem acusações, sem heroísmos, o filme mostra como todo mundo é vítima da guerra, especialmente quando ficamos cegos pelo desejo de vingança. O filme deixa claro como jovens colocados em situação de risco podem se transformar em monstros..

Bem, três dias depois de assistir ao filme, vejo Paris sofrendo um atentado terrorista que termina em mais de 120 mortos. E tudo voltou à lembrança, quando surgiu em minha mente o V de vingança…

Deixe-me começar definindo o que é jihad. Jihad é um termo árabe que significa “luta”, “esforço” ou empenho. É muitas vezes considerado um dos pilares da fé islâmica, que são deveres religiosos destinados a desenvolver o espírito da submissão a Deus. O conceito de jihad tem dois significados para a religião muçulmana. O esforço pessoal, espiritual e introspectivo para controlar seus impulsos, sua ira e perdoar os pecados em nome de Alá, é considerado para os muçulmanos a maior jihad. O segundo significado, a jihad externa, está bem representado na palavra de Maomé. Através dela os muçulmanos são instruídos a usar meios combativos para difundir a paz e a justiça da religião islâmica para áreas que não estejam sob a influência do profeta Maomé.

Não é bonito, hein? Pois é. Era.

Com a interpretação literal das palavras do profeta por grupos extremistas, o termo jihad passou justificar o uso de métodos violentos para eliminar quem pensa diferente deles. Os tais infiéis. Portanto, fique claro: jihad não é um país, um povo ou uma nação. Jihad é uma visão de mundo compartilhada por bilhões de pessoas de múltiplas nacionalidades, que professam a fé no islamismo. Os muçulmanos pacíficos entendem jihad como a busca por se tornar um ser humano melhor. Os fundamentalistas como a justificativa para os banhos de sangue em nome de Alá.

Assim como os nazistas em relação ao povo alemão, os fundamentalistas islâmicos são uma minoria em relação aos muçulmanos. Uma minoria violenta que acaba por jogar a maioria pacífica em tempestades de fogo e sangue.

Outra informação importante remonta ao final da Primeira Guerra Mundial, quando os árabes aliaram-se aos ingleses e franceses para lutar contra os turcos do império otomano, com a promessa de que, ao final da guerra, teriam seu estado independente. Não foi o que aconteceu. Os ingleses e franceses fizeram um acordo secreto e lotearam o oriente médio em vários estados sob sua influência, o que criou um ressentimento que dura até hoje. Os árabes ficaram putos, os turcos ficaram putos e a situação piorou após o final da segunda guerra, em 1948, quando foi criado o estado de Israel, que ocupou Jerusalém em 1967. Os palestinos então ficaram putos, os egípcios ficaram putos, os jordanianos ficaram putos, os sauditas ficaram putos… A saída de cena da Inglaterra e França foi seguida pelo crescimento da influência dos Estados Unidos na região, sempre aliado de Israel. Desde então o ressentimento se espalhou pelas nações islâmicas, criando ondas de reação contra os traidores ocidentais.

Some-se a isso séculos de invasões de mouros, cruzadas, persas, otomanos… e temos um caldeirão de ressentimentos.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a região tem tido períodos de relativa paz e tolerância, pontuada por conflitos e guerras como a Guerra do Golfo, a Guerra do Iraque, o conflito árabe-israelense, as invasões americanas ao Iraque e Afeganistão e o atual conflito na Síria. Além disso, também atualmente, acusações contra o programa nuclear do Irã aumentam ainda mais a instabilidade da região.

É nesse solo fértil que florescem narrativas de organizações extremistas como a Al-Qaeda, Estado Islâmico, Boko Harum, Hamas, Hezbollah e outros grupos, que prometem restaurar a soberania e trazer de volta os valores de Maomé, mesmo que para isso tenham que matar os infiéis.

Essa é a guerra santa. Que só e santa pra eles.

Em 2001, a Al-Qaeda de Osama Bin Laden praticou o atentado às torres gêmeas e o mundo ocidental iniciou uma dura guerra contra o terror, jogada nas areias dos desertos e nas salas com ar condicionado nas grandes capitais da Europa, Ásia e América do Norte. Em 2003, quando os Estados Unidos preparavam-se para invadir o Iraque, milhares de jihadistas saíram da Síria para o Iraque para combater os norte americanos. Grande parte deles estavam presos na Sïria e foram liberados pelo presidente sírio Bashar al-Assad. A intenção de Assad era fazer com que o Iraque, após a queda de Saddam Hussein, mergulhasse no caos, o que deixaria claro que uma ditadura como a sua na Síria, era a única forma de deter os extremistas.

Foi assim que os radicais sírios e os de outros países que chegaram para a guerra santa no Iraque, reforçaram a Al-Qaeda de Osama Bin Laden, também fazendo surgir outras organizações que usam o terror como tática.

Uma pausa aqui.

Existe um outro complicador para a situação na região. No ano de 632, após a morte do profeta Maomé, fundador do Islamismo e autor do livro sagrado Alcorão, houve um processo de disputa para decidir quem deveria sucedê-lo, já que o Islã não consistia apenas em uma religião desconectada do poder político. O Islã está estruturado em uma proposta de civilização que articula princípios religiosos e políticos. Da disputa pelo direito de sucessão do Profeta, duas correntes tornaram-se majoritárias: os xiitas e os sunitas, que compartilham crenças e práticas fundamentalistas, como a fé no Alcorão e a Charia.

Criada centenas de anos após a morte do profeta Maomé, a Charia é o sistema de leis que rege todos aspectos da vida de um muçulmano. Ela abrange princípios fixos que versam sobre questões mais pessoais, como casamento, ritos religiosos, heranças e outros princípios mutáveis como, por exemplo, penas para diferentes tipos de crimes. A questão é que esses princípios podem ser interpretados e aplicados de acordo com a vontade de cada país ou corte que o adota. Há diferentes categorias de ofensas na Charia. Aquelas que têm punição prescrita no Alcorão, chamadas de ‘hadd’, são: o sexo fora do casamento e adultério, falsas acusações de ato sexual infiel, consumo de vinho (que pode se estender a todo tipo de bebida alcoólica), roubo e assalto em estradas.

As penas para essas ações incluem chicotadas, apedrejamento, amputação, exílio ou execução. É com base na Charia, por exemplo, que a Arábia Saudita proíbe que mulheres dirijam automóveis. É com base na Charia que em alguns países mulheres acusadas de infidelidade conjugal são apedrejadas.

A questão é que sunitas e xiitas, apesar de compartilhar algumas questões, divergem em outros pontos o suficiente para que extremistas de ambas correntes matem-se diariamente.

É importante dizer que 90% da população islâmica é sunita, mas a maioria do Irã, a maior potência da região é xiita.

Voltando ao Iraque: não demorou para que os líderes sunitas iraquianos, que a princípio receberam bem a Al-Qaeda, percebessem que seu poder local estava sendo ameaçado. Em 2005, aliando-se aos norte americanos, eles criaram o movimento Despertar Sunita, que começou a enfrentar a Al-Qaeda. Com armas e soldo de 300 dólares pagos pelos Estados Unidos, os sunitas iraquianos derrotaram a Al-Qaeda e expulsaram seus integrantes. Em 2008, os jihadistas sírios voltaram para a Síria e foram presos novamente até 2011, quando Assad mais uma vez os libertou, para criar uma enfrentamento às manifestações pró democracia que tomavam conta da Síria.

Concentrados no norte do país, os radicais sunitas lutaram por três anos contra o Exército Sírio Livre, que queria a queda de Bashar al-Assad. Nesse período, outra ditadura caía, a de Muamar Khadafi, mergulhando a Líbia no caos e demonstrando que as ideias da democracia têm um desafio imenso pela frente antes de serem aceitas no oriente médio.

Em abril de 2013, Abu al-Baghdadi, um doutor em Estudos Islâmicos pela Universidade de Bagdá que era o líder da franquia da Al-Qaeda no Iraque, anunciou a formação de um novo grupo, o Islamic State in Iraq and Syria, que ficou conhecido como ISIS. Para nós, é o Estado Islâmico que, assim como a Al-Qaeda segue a doutrina que prega o retorno a um Islã puro e ao modo de vida do profeta Maomé.

Pouco tempo depois o ISIS rompia com a Al-Qaeda, num processo que envolveu inclusive lutas violentas entre os grupos.

O Estado Islâmico nasceu financiado por famílias ricas da Arábia Saudita, Qatar e de outras monarquias do Golfo Pérsico, pois os governos não queriam se envolver diretamente e arranjar problemas com seus aliados europeus e com os Estados Unidos. Para aqueles governos, o Estado Islâmico representaria uma defesa contra o Irã, potência xiita que ameaçava as monarquias sunitas regionais. Outros países, como a Turquia, que romperam com Bashar al-Assad da Síria, quando ele reprimiu as manifestações, também passaram a apoiar o Exército Islâmico. Você está entendendo o jogo, hein?

Então é justo afirmar que o Estado Islâmico nasceu com dinheiro de famílias ricas da região e armamento e treinamento norte americanos.

O Estado Islâmico afirma ter autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo e aspira tomar o controle de muitas outras regiões de maioria islâmica, a começar pelo território que inclui Jordânia, Israel, Palestina, Líbano, Chipre e Hatay, uma área no sul da Turquia. Também busca obter controle nas regiões de maioria sunita do Iraque. E após o seu envolvimento na guerra civil síria, este objetivo se expandiu para incluir o controle de áreas de maioria sunita da Síria. Olha só.

Utilizando técnicas de propaganda e marketing, mais redes sociais e a internet, o Estado Islâmico tem espalhado pelo mundo suas mensagens e táticas de terror, que incluem tortura, estupros, massacres de homens, mulheres e crianças, destruição de monumentos e atentados contra inocentes, criando uma imagem de terror que expulsa os inimigos das cidades que eles pretendem conquistar, antes mesmo que eles cheguem nelas. E eles não têm limites. Atacaram os norte americanos, os franceses, os russos e até mesmo outro grupo que usa e abusa do terrorismo, o Hezbolah no Líbano.

E a sanha assassina do Estado Islâmico expulsa também o povo, que foge em correntes de refugiados em busca de liberdade em outros países.

Com o crescimento da violência e barbárie e as mudanças políticas, os apoios financeiros foram minguando e hoje o Estado Islâmico custeia suas atividades com confiscos e saques a empresas, casas e bancos; venda clandestina de petróleo e cobrança de resgates por sequestros. O não pagamento dos resgates implica nas decapitações e execuções que todos assistimos horrorizados.

Em meados de 2014, a inteligência iraquiana obteve informações de um agente do Estado Islâmico que revelou que a organização tinha um patrimônio de 2 bilhões de dólares, o que a tornaria o mais rico grupo jihadista no mundo. Com essa grana eles passaram a ter acesso a armas sofisticadas, montaram processos de recrutamento e azeitaram seu sistema de comunicação em todo o mundo.

Olha o tamanho do perigo, cara…

Estima-se que o Exército Islâmico tenha hoje entre 20 mil e 80 mil combatentes, muitos deles espalhados por vários países, tanto no oriente médio quanto na Europa e Estados Unidos. Máquinas de recrutamento funcionam atraindo mesmo jovens de várias origens, como no caso de diversos terroristas que atacaram em Paris em Novembro de 2015.

A França tem sido um alvo prioritário por ter assumido desde o 11 de setembro de 2001 um papel de liderança no combate ao radicalismo islâmico. Abrigando uma imensa comunidade de imigrantes islâmicos oriundos de suas ex-colônias Argélia, Tunísia e Marrocos, que se concentram na periferia de Paris e Marselha, a França é uma panela de pressão repleta de cidadãos meio franceses, meio argelinos, meio tunisianos, meio iraquianos, meio marroquinos, deslocados, marginalizados e vendo na sociedade francesa um grande choque com seus hábitos religiosos.

Cresce o ressentimento. E cresce o número de jovens seduzidos pelo discurso islâmico radical, pelo aparente heroísmo dos rebeldes do Estado Islâmico e sua luta contra as grandes potências.

É aqui que cabe aquele “reforçar os vínculos com a comunidade muçulmana não extremista, demonstrando mais respeito e inclusão” a que o Vincent se referiu em seu comentário. Mas num ambiente de vingança, isso fica cada vez mais difícil, não é?

O xadrez está montado. Os Estados Unidos precisam se equilibrar no apoio à Israel, que seria varrido do mapa em segundos por seus vizinhos; às negociações com o Irã e seu arsenal atômico; às lutas tribais e entre sunitas e xiitas; aos interesses dos russos e chineses; aos interesses de seus aliados na Europa e aos interesses de todas as nações que querem um naco da região mais rica em petróleo do planeta.

É, meu caro, vida de presidente dos Estados Unidos não é mole não.

Mas sabe o que mais me incomoda, hein? É ver que todas as inciativas tipo “primavera árabe” deram em nada. A cada derrubada de um ditador, e neste século já foram Saddan Hussein, Hosni Mubarak e Muamar Khadafi, surge um regime ainda mais cruel e sanguinário, numa escalada de violência que parece não ter fim. Kadafi era um terrorista. Sadam Husseim idem. Bashar al-Assad é um déspota que ataca seu próprio povo. O Irã tem duas mãos na bomba atômica. O Oriente Médio é uma bomba relógio. Me lembro de ter lido ou assistido em algum lugar o que teria sido uma declaração de Sadam Hussein, tipo: “Quando eles me derrubarem, vão entender com que tipo de gente eu lido aqui.” Era uma espécie de aviso que dava conta de que seu regime despótico era o que mantinha os radicais sob controle… Saddam sabia da serpente que criava.

Síria, Irã, Líbia e outros países maravilhosos, berços culturais da humanidade, vivem dias de terror, expulsando suas populações para a Europa, com levas de imigrantes arriscando suas vidas diariamente. E o Estado Islâmico avisa que infiltrou milhares de terroristas entre os refugiados que se espalham pela Europa. Parece que não haverá saída. A política dos Estados Unidos e seus aliados, de bombardei à distância, tem se mostrado pouco efetiva. Os fanáticos islâmicos são doutrinados, não temem  a morte, na verdade veem a morte como redenção, tratam a vida alheia como instrumento de negociação, desprezam a democracia e os valores ocidentais, têm valores e convicções que nossa moral cristã jamais compreenderá ou aceitará.

Organizações como o Estado Islâmico estão aí para impor seus ideais, nunca para negociar. Diferente das organizações terroristas dos anos 70, 80 e 90, que tinham objetivos políticos, aqui se trata de religião. Do sagrado. É questão de tempo para que ataquem em território norte americano. Quem sabe com um artefato atômico.

Ou quem sabe ataquem por aqui…

Há quem julgue que a única saída será a eliminação física dos radicais, por terra, com imensa perda de vidas humanas, num conflito que pode se estender pelo globo. O Estado Islâmico só será derrotado quando houver um alinhamento de interesses entre os Estados Unidos, a Europa, Russia e China, como aconteceu na segunda guerra mundial para combater os nazistas e seus aliados. E essa reação terá que vir de dentro dos países islâmicos, o que, ao menos por enquanto, parece difícil de acontecer. As lideranças importantes dos países islâmicos jamais condenam os atentados terroristas de forma categórica. Tem sempre um “condeno a violência, mas…”.

Já se passaram 14 anos desde o 11 de Setembro de 2001, quando as operações anti terror começaram em todo mundo. E pelo jeito, depois de bilhões gastos, milhares (ou milhões) de vidas perdidas ou prejudicadas, incalculáveis prejuízos para o planeta, parece que a estratégia não funcionou e hoje meia dúzia de malucos no meio do deserto ditam a agenda do mundo.

Talvez seja hora de tentar outras medidas.

Pessoalmente eu optaria por outro caminho que, no fundo, no fundo, eu acho impossível pelos interesses envolvidos. Eu deixaria o Oriente Médio por conta dele. Pararia de me meter, de tentar criar estados que não dão certo. Pararia de sacrificar minhas liberdades em nome da segurança contra os inimigos que eu, querendo ou não, eu crio. Pararia de enviar os jovens de meu país para morrer a milhares de quilômetros de casa. Evitaria assim atrair sobre mim a ira de vingança dos que se sentiram atacados, ultrajados, ameaçados, invadidos em seus lares. Fecharia os olhos para as injustiças que os déspotas regionais cometeriam. Seria mais ou menos como acontece na África… E aí eu seria alvo de vingança por ter virado as costas para eles… Não tem pra onde correr…..

Parece cruel, não é? E é. Mas depois de 14 anos, é preciso experimentar outras soluções.

A outra alternativa é atracar nos portos do Oriente Médio com porta aviões repletos de dólares e pagar para amansar os malucos. Mas aí o mundo seria refém do terror…

Guerras são o que são: o combate a um conjunto de ideias, sejam elas religiosas, anti capitalistas, anti cristãs, anti ocidente… E não dá pra bombardear ideias.

E enquanto novas soluções não surgem, o jeito é aprender a dormir com uma bomba explodindo ali na esquina.

Pois é, meu caro, minha cara, a democracia só acontece para quem a aceita. Não poderá jamais ser empurrada pela goela abaixo de quem não a quer. Muitos países não estão preparados para ela, especialmente aqueles que, especialmente no caso dos países islâmicos, veem religião e estado como uma coisa só.

Muito bem, volto à minha recomendação: se você quer ter uma ideia do que significam os conflitos no oriente médio por perspectivas diferentes, assista Batalha por Haditha no NetFlix. Pensado como um semi documentário, sem os lances de ação e dramaturgia de hollywood, esse é simplesmente o melhor filme de guerra passado no oriente médio que já vi. Melhor até que o Guerra ao Terror que ganhou o Oscar em 2008.

Simplesmente porque é verdade.

É assim então, ao som de músicas do oriente médio, que vamos saindo de mansinho.

Com o assustado Lalá Moreira na técnica, a apreensiva Ciça Camargo na produção e eu, que tenho medo da bomba, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o Vincent Menu e muita música do oriente.

O Café Brasil só chega até você porque a Pellegrino, resolveu investir nele.

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E para terminar, uma frase de Maomé:

A verdadeira riqueza de um homem é o bem que ele faz neste mundo