s
Podcast Café Brasil com Luciano Pires
Nem tudo se desfaz
Nem tudo se desfaz
Vale muito a pena ver a história da qual somos ...

Ver mais

Henrique Viana
Henrique Viana
O convidado para o LíderCast desta vez é Henrique ...

Ver mais

Deduzir ou induzir
Deduzir ou induzir
Veja a quantidade de gente que induz coisas, ...

Ver mais

Origem da Covid – seguindo as pistas
Origem da Covid – seguindo as pistas
Tradução automática feita pelo Google, de artigo de ...

Ver mais

Café Brasil 788 – Love, Janis
Café Brasil 788 – Love, Janis
Janis Joplin era uma garota incompreendida, saiu da ...

Ver mais

Café Brasil 787 – Reações ao Cuzão
Café Brasil 787 – Reações ao Cuzão
O Café Brasil anterior, o 786 – O Cuzão, rendeu, viu? ...

Ver mais

Café Brasil 786 – O cuzão.
Café Brasil 786 – O cuzão.
Cara, como é complicada a vida de podcaster, bicho! A ...

Ver mais

Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
Sabe quem ajuda este programa chegar até você? É a ...

Ver mais

Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
Sabe quem ajuda este programa chegar até você? É a ...

Ver mais

Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
Um papo muito interessante com Henrique Viana, um jovem ...

Ver mais

Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
Aurélio Alfieri é um educador físico e youtuber, ...

Ver mais

Café Brasil 766 – LíderCast Ilona Becskeházy
Café Brasil 766 – LíderCast Ilona Becskeházy
E a educação brasileira, como é que vai, hein? Mal, não ...

Ver mais

Café na Panela – Luciana Pires
Café na Panela – Luciana Pires
Episódio piloto do projeto Café na Panela, com Luciana ...

Ver mais

Sem treta
Sem treta
A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

Ver mais

O cachorro de cinco pernas
O cachorro de cinco pernas
Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de ...

Ver mais

Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

Ver mais

Menos Marx, mais Mises
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Menos Marx, mais Mises  “Apesar de ainda ser muito pouco conhecido entre os jovens brasileiros em comparação com Karl Marx, o nome do economista austríaco Ludwig von Mises se tornou um dos ...

Ver mais

Você ‘tem fé’ no Estado democrático de direito?
Gustavo Bertoche
É preciso lançar pontes.
Hoje, num grupo de professores, um velho colega me escreveu que “tem fé” no “Estado democrático de direito” e na “separação dos poderes”. Mas com uma ressalva: ...

Ver mais

Percepções diferentes na macro e na microeconomia
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Percepções diferentes na macro e na microeconomia “Na economia, esperança e fé coexistem com grande pretensão científica e também um desejo profundo de respeitabilidade.” John Kenneth Galbraith ...

Ver mais

Não pode nem rir
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Todo mundo (ou quase) viu nas redes sociais e nos grupos de whatsapp; vídeo de uma mulher careca de ares muito sérios discorrendo didaticamente sobre a necessidade de mudarmos nossa forma de ...

Ver mais

Cafezinho 422 – A política do ódio
Cafezinho 422 – A política do ódio
Não siga a maioria só porque é maioria. Não siga a moda ...

Ver mais

Cafezinho 421 – A normose
Cafezinho 421 – A normose
É confortante saber que somos normais, não é? Pois é. ...

Ver mais

Cafezinho 420 – A regra dos 30
Cafezinho 420 – A regra dos 30
Pé quente, cabeça fria, numa boa. Mas cuidado porque ...

Ver mais

Cafezinho 419 – Pau que só dá em Chico.
Cafezinho 419 – Pau que só dá em Chico.
Há quem chame isso de dissonância cognitiva, mas não é. ...

Ver mais

Café Brasil 544 – Persuadível

Café Brasil 544 – Persuadível

Luciano Pires -
Download do Programa

ILUSTRAÇÃO DA VITRINE: VITO QUINTANS 

Vivemos numa sociedade em que as pessoas se aferram a seus credos, se envolvem emocionalmente com suas ideias, têm certezas absolutas e levam para o campo pessoal qualquer crítica. Neste programa eu quero propor que você entenda a capacidade de ser persuadido a mudar de ideia como algo bom.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Antes de começar o show, um recado: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. Um guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente acesse o roteiro deste programa clique no botão laranja logo acima deste texto.

E quem vai levar o e-book Me engana que eu gosto é o Henrique.

“Luciano. Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu me chamo Henrique Judson, sou carioca, mas atualmente vivo em Pato Branco, no Paraná, com a minha esposa e com os meus dois filhos. 

Eu conheci o Café Brasil há pouco mais de um ano um amigo, que já era ouvinte do Café Brasil, me mandou um dos seus podcasts, acho que gravado em 2014, na época que o caldo estava esquentando na política brasileira. Bom. De lá pra cá eu tenho ouvido vários programas seus, vários programas do Café Brasil, incluindo alguns LiderCasts também. 

É bom falar que, apesar de muita coisa que você fala aí, fecha com a minha forma de pensar, tem coisa que também eu discordo, né? Mas, como eu já ouvi alguns depoimentos, isso é bom pra mim e é bom pra você também. 

Bom. Hoje eu acabei de chegar de uma viagem que eu fiz com o meu filho por questão de saúde e durante a nossa viagem, entre músicas e conversas, a gente ouviu o programa 493 e o LiderCast 26. E cara, foi ótimo poder clarear algumas coisas assim sobre política e sobre economia brasileira. O meu filho, ele tem 17 anos, está ingressando na universidade agora e como você tem incentivado eu estou querendo me tornar um conspirador. 

E dessa viagem, na verdade, já saiu um plano da gente reunir um grupo de amigos dele, pra gente poder ouvir o podcast do Café Brasil e depois, a gente debater sobre o assunto. Quando isso rolar, eu te mando um depoimento. 

Mas, eu queria mesmo é te agradecer pelo seu trabalho, o trabalho da Ciça, do Lalá, o que vocês tem feito no Café Brasil. Obrigado por ajudar a gente a abrir os nossos olhos aí para o papel de cidadão brasileiro.

Um grande abraço e vida longa para o nosso Café. 

Grande Henrique, que excelente iniciativa, meu. Isso me lembra das pedrinhas no lago, criando ondas e mais ondas. O que você pretende fazer é multiplicar as descobertas que tem feito e assim ampliar a quantidade de gente que recebe mais argumentos, mais ideias, mais posicionamentos. Isso enriquecerá o repertório da meninada…não tem como ser ruim, não é? Muito obrigado por ser mais um conspirador!

Muito bem. O Henrique receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino. PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então! Ô Lalá: você vai ter que me persuadir hoje, hein?

Luciano – Lalá, na hora do amor, eu devo usar o que?

Lalá – Claro que é Prudence, meu! Ô!

Persuasão. O termo persuasão vem do latim persuadere e consiste no ato de fazer com que uma ou mais pessoas, diante de novas evidências, acreditem ou aceitem determinada ideia ou atitude. Quando você é persuadido, significa que é capaz de rejeitar certezas absolutas, de tratar suas crenças como temporárias. Que você é capaz de aceitar a ideia de que, não importa quão confiante você esteja sobre uma opinião, você pode estar errado.

Neste programa vou falar então da qualidade de ser persuadível.

Eu já falei em programas anteriores que toda pessoa que entra numa discussão, num debate, deveria entrar torcendo para perder. Sim, perder. Sabe por quê, hein? Porque quem perde num debate, sai dele com uma ideia nova, com uma outra visão, amplia seu repertório. Já quem ganha o debate, sai do jeito que entrou… Percebeu?

Ser persuadido, portanto, significa crescer, ampliar o seu repertório.

Essa sonzeira aí ao fundo é Celso Machado, com HORA DE MUDAR. Celso é um virtuoso do violão que também domina outros instrumentos de corda e percussão. Durante mais de trinta anos, Celso tem realizado concertos em todo o Brasil, no Canadá, Europa e também nos Estados Unidos. É. Mas, infelizmente o cara é mais conhecido e aclamado fora do que dentro de seu próprio país. E não é a toa que ele foi morar no Canadá.

Essa palavra “ persuadível” não é muito comum em nosso dia a dia. Tem também “persuasível”, mas em minhas buscas para adotar a melhor, eu fiquei mesmo com “persuadível”. Uma pessoa persuadível é uma pessoa possível de ser persuadida, de ser convencida a mudar de ideia. Ser persuadido envolve receber críticas e argumentos contra algumas de suas mais sagradas convicções. Ai, cara! E como é difícil…

A capacidade de ser persuadido exige uma avaliação objetiva de argumentos e a revisão de nossas crenças. Exige uma certa humildade de achar que podemos, sim, estar errados.  E olha, considerando o país no qual vivemos e os ânimos políticos destes tempos, aceitar um argumento e mudar de ideia parece uma utopia, não é?

Argumento
Paulinho da Viola

Tá legal
Eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro
Ou de um tamborim

Sem preconceito
Ou mania de passado
Sem querer ficar do lado
De quem não quer navegar
Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar

Aeeeee. Sambão no Café Brasil! Esse é o clássico ARGUMENTO, de Paulinho da Viola, na voz da carioca Tereza Cristina… Olha, eu até aceito o argumento, mas vê não muda o meu samba tanto assim…

Então, você já está cansado de saber que o mundo está mais complexo, mais confuso, mais conectado, mais rápido, não é? A tecnologia avança em velocidade impressionante, a globalização faz com que as realidades dos mais distantes pontos do planeta se cruzem diariamente. Ao mesmo tempo, nunca tivemos acesso a tantos dados, informações e análises para tentar dar um sentido a esse mundo louco. E no meio dessa confusão toda você é solicitado a todo momento a se posicionar, a dar a sua opinião, a dizer algo a respeito. Nas mídias sociais, então…

Surgem por todo lado os sabe tudo. Os gurus. Uma turma que acha que tem a visão definitiva do mundo e que, se você não segui-la, é porque é burro ou ignorante.

Deixa eu aproveitar este ponto para reforçar uma ideia.

O Lalá, muda o mood aí, por favor…

Prabhujee
Ravi Shankar

Prabhujee dayaa karo
Maname aana baso.
Tuma bina laage soonaa
Khaali ghatame prema bharo.
Tantra mantra poojaa nahi jaanu
Mai to kevala tumako hi maanu.
Sare jaga me dhundaa tumako
Aba to aakara baahan dharo

Prabhujee

Oh! Mestre, conceda-me um pouco de compaixão
Por favor, venha e more em meu coração.
Porque sem você, estou dolorosamente só
Encha este pote vazio do néctar do amor.
Não conheço nenhum Tantra, Mantra ou ritual
Eu conheço e acredito apenas em Ti
Estive buscando pelo mundo todo
Por favor, venha e segure minha mão

Uia… mudou o clima mesmo, hein? Você ouve Ravi Shankar com George Harrisson interpretando PRAHBUJEE, que pode ser traduzido como Deus, o Divino, o Sagrado. O Grande Espírito, a Natureza ou Amor…

E um trecho da letra diz assim:

Não conheço nenhum Tantra, Mantra ou ritual
Eu conheço e acredito apenas em Ti
Estive buscando pelo mundo todo
Por favor, venha e segure minha mão

A internet está repleta de gurus, meu. Alguns deles já tinham essa postura antes da internet, mas agora a coisa cresceu de tal forma que existem gurus sobre qualquer tema.

“Guru” vem do sânscrito, e significa “professor”. No hinduísmo, os gurus são guias espirituais, alguém que possui conhecimento filosófico e que orienta outras pessoas. Foi esse significado, o do indivíduo que detém conhecimento e orienta outras pessoas, meio esotérico, que ganhou popularidade nestes dias. Mas há uma diferença.

Professores têm conhecimento e orientam pessoas. Mas não são gurus.

Para ser guru, tem de ter algo transcendental… um algo a mais, espiritual. É mais que um professor, é alguém que detém poderes de convencimento sobre outras pessoas.

Sempre que alguém tenta me rotular de guru, agradeço e recuso o rótulo. Eu não sou guru de porra nenhuma. Nem acho que sei muito mais que a média das pessoas. O que eu faço é reunir coisas que sei, pesquisar as que não sei e contar pra você. Só isso.

E tenho um problema com gurus, especialmente da internet. Vou adaptar algo que o jornalista Reinaldo Azevedo sempre diz sobre religiões: “Não consigo confiar num guru que é mais novo que o uísque que eu bebo”.

Eu não consigo ver um garoto ou uma menina com seus 26, 30 anos idade cagando regras sobre como ser bem sucedido, como viver uma vida boa, como ter sucesso, como se tornar um milionário. Tem até adolescentes pagando de guru! O que sinto por essa turma é o que chamo de curiosidade zoológica: eu observo curioso o comportamento, o gestual, os sons, como se estivesse procurando sinais de humanidade num animal no zoológico…

Tem até uma frase que eu uso em minhas palestras: não pretenda ser referência antes de ser referência. Quer me impressionar é? Mostre os calos, as cicatrizes. Mostre o couro endurecido pelas porradas e pelo tempo. Me mostra seus fracassos. Mostre as rugas de preocupação. Rabinho de cavalo, tatuagens pitorescas, roupinhas descoladas não me convencem…

Mas há quem goste do rótulo, viu. E há quem se aproveite dele para manter legiões de seguidores e no fim faturar algum. Você pode vê-los em todas as áreas de atividade, nos esportes, na política, na religião e  tcham tcham tcham tchaaaaammmm no marketing.

Não existe nada melhor para um vendedor do que ser rotulado como um guru. Vendedores sabem que quem os vê como gurus, está a um passo de sair da racionalidade para o terreno da fé. E quem toma decisões no terreno da fé, pratica atos que, quem vê de fora meu, julga irracionais. O que mais que um vendedor quer, hein?

Recentemente o pastor Silas Malafaia ficou enlouquecido ao ser conduzido coercitivamente para uma delegacia para explicar um depósito de 100 mil reais em sua conta. E nos dias seguintes, ao ser questionado sobre quem seria o maluco que doou 100 mil, ele respondeu num tuíte que um empresário doou a ele uma Mercedez Benz de quase 400 mil reais. Fala a verdade cara, uma atitude como essa é racional? Ou é questão de fé?

Muito bem. Neste programa aqui eu estou saindo completamente fora da questão da fé, dos gurus, para mergulhar na racionalidade.

Sai, guru!

Guru da galera
Zeca Baleiro

Deus, me deixa ser guru dessa galera
Vê que tá todo mundo a minha espera
para anunciar o novo fim
Deus, 15 minutos de eternidade
mas que agora da posteridade
as legiões e tribos desse mundo
é o que eu irei anunciar

Escuta, é o som do meu rebanho que
atravessa esse mar morto sem tamanho
atras de um rio jordão para lavar
as mágoas, que banho vai tornar a alma pura
quem sabe um dia essa agua cura
a sede de quem não quer se afogar

Deus, negrinho alucina com o meu grito
meu coração hebreu fugiu do Egito
e no meio do Mar Vermelho vai passar
Deus, nego quer um milagre em cada esquina
na praça passa a reza e desafina
tua palavra santa, minha boca canta
para o fim louvar

Escuta, é o som do meu rebanho que
atravessa esse mar morto sem tamanho
atras de um rio jordão para lavar
as mágoas, que banho vai tornar a alma pura
quem sabe um dia essa agua cura
a sede de quem não quer se afogar

Opa! Zeca Baleiro no Café Brasil, com GURU DA GALERA…

Olha só, ser racionalmente persuadível passa a ser uma ferramenta imprescindível e valiosa. Você percebeu o que eu disse? Ser racionalmente persuadível, ser persuadido porque você quer!  Porque concluiu que é a atitude mais inteligente a tomar!

Profissionais bem sucedidos provocam o tempo todo suas mais sólidas convicções, submetem-se a situações que os obrigam a reavaliar, o tempo todo, seus argumentos. Questionam suas certezas. Se eles – os argumentos e convicções – sobreviverem à contestação, saem mais fortes. E é exatamente por compreender esse ciclo, que os líderes inteligentes reconhecem as vantagens de ser persuadível.

Sacou? Você tem de querer ser persuadido, e não tratar as ideias diferentes das suas como descartáveis ou indignas de atenção.

O

ser humano sofre daquilo que os psicólogos chamam de “viés pelo status quo”, que significa que sempre temos a tendência a querer permanecer onde estamos, não importa a alternativa. Alguns chamam de “zona de conforto”, mas é mais que isso. Mesmo desconfortavelmente, preferimos permanecer onde estamos a correr o risco de tentar alternativas. Afinal, ficar onde você está cara, gasta menos energia do que começar algo novo, não é? E por causa desse viés pelo status quo, estamos constantemente buscando informações que confirmem nossos pontos de vista, criando assim um ciclo em torno do umbigo.

Tenho uma ideia, procuro informações que apoiem e justifiquem essa ideia, que se torna mais forte, e assim vai. Por isso é tão importante buscar alternativas que tirem a gente fora desse ciclo em torno do umbigo.

Dá até pra sacar uma imagem aqui: o sujeito amarrado a suas ideias permanece como que estagnado, gordo, lentoooo. Já o outro que é aberto às ideias, tem de estar atento, tem de raciocinar o tempo todo, tem de gastar energia. E portanto, tem de ser magrinho e rápido.

É ágil, percebe?

Quem está aberto para ideias diferentes das suas é ágil. E constrói um repertório que ajuda a tomar decisões mais precisas.

Silêncio
Alexandre Rocha
Tobé Barbosa

Ninguém sabe nada
Por mais que grite a voz
Silêncio fala
Lá dentro de cada um vão silêncio
Que se guarde por preservar

A própria imagem
Fator absoluto
Não existe esse
Que diga que sim
Silêncio sim existe
Ninguém ouviu
Só o próprio ser ouviu
E a cada segredo
A solidão guardada amputada as raízes
Ninguém sabe nada

Essa é a carioca Rose Maia, com SILÊNCIO, de Alexandre Rocha e Tobé Barbosa …

Nos anos 1740, um teólogo chamado Thomas Bayes estudou as teorias da probabilidade. Bayes desenvolveu a teoria da decisão Bayesiana, que provou ser de grande ajuda na tomada de decisões em condições de incerteza. Normalmente o que surge diante de nossos olhos são os efeitos, raramente as causas. Choveu forte, logo, teremos uma enchente. A enchente é o efeito, mas qual será a causam, hein? A chuva? Ou o bueiro entupido? Quem sabe o rio mal canalizado? Ou talvez a impermeabilização das ruas?

As análises de Bayes sempre começam com uma crença. Por exemplo: eu acho que vai chover. Depois encontramos uma informação objetiva. O céu está cheio de nuvens escuras. Ao combinar os dois, a crença com a informação objetiva, você tem uma crença aperfeiçoada, mais segura.

– Eu acho que vai chover pois o céu está coberto de nuvens escuras.

Aí vem outra evidência, um trovão.

– Pô meu, é claro que vai chover!

Quanto mais atualizamos nossa crença com evidências, mais seguros ficamos dela.

E aí aparece aquele seu amigo que diz assim, ó:

– Não acho que vai chover, não. As nuvens estão indo de leste para oeste, elas estão se afastando de nós!

Hummmm…. Você lança a nova evidência na equação e tira suas conclusões… aquela certeza de que ia chover já não é tão certa assim.

E é aí que está o segredo: se adotamos esse processo de aperfeiçoamento contínuo das crenças, passamos a ver novas evidências como oportunidades de melhoria e não como ameaças, você entendeu, hein?

Para isso precisamos aprender a tratar nossas crenças inicialmente como suposições.

Deixa eu botar de um jeito mais claro aqui, ó.

Uma suposição é uma hipótese; é um ponto de vista, uma ideia ou opinião, formada sem comprovação.

– Se o tempo continuar como está, eu acho que vai chover. Isso é uma suposição.

Uma crença é uma convicção íntima; é uma opinião que se adota com fé e convicção. É uma certeza.

– Eu tenho certeza que vai chover!

Entendeu? Uma crença está mais perto da certeza do que uma suposição. Então temos de nos acostumar a transformar nossas crenças inicialmente em suposições. Nada é certo, apenas pode ser.

Deixe eu repetir, ó: transforme suas certezas absolutas em suposições. Assim você poderá receber novas evidências como oportunidades de chegar mais perto da verdade. Inclusive, e especialmente, as opiniões  que vão contra suas crenças.

Vou apresentar a vocês então, a regra dos três “strikes”. A expressão “Três Strikes” vem do baseball, é um jogo bastante popular nos Estados Unidos: é aquele que o sujeito fica coçando o saco e cuspindo no chão, sabe como é?Tem uma regra básica nele: um rebatedor tem apenas três tentativas para rebater a bola, sob pena de ser eliminado do jogo. Cada uma das chances que ele perde é chamada de “strike”.  No terceiro “strike”, ele está fora do jogo.

Com a regra dos três strikes, você encontra um caminho para mudar suas opiniões e se livrar de determinadas crenças.

O primeiro strike então seria o momento em que entramos em contato com alguma contra-evidência que não é forte o suficiente para fazer com que mudemos de opinião ou de ideia.

– Eu tenho certeza que vai chover!  E meu amigo diz que não, pois o vento está soprando contra a chuva.

Esse é o strike um, o momento em que você aprende com novas informações, sem reagir emocionalmente e sem desconsiderá-las. Você já não tem certeza se vai chover, mas pega o guarda-chuva assim mesmo.

O segundo strike seria o momento no qual você encontra mais uma contra-evidência.

Abre-se um buraco nas nuvens e entra um pouco de sol. Você nota que as nuvens não estão tão carregadas. É o strike dois. Você começa a ter sérias dúvidas sobre suas certezas, mas ainda não se sente convencido ou motivado a mudar de opinião.

Melhor levar o guarda-chuva, cara.

Mas quando chega o terceiro strike… As nuvens estão sim indo em direção contrária, os trovões estão cada vez mais distantes dos clarões dos raios…

Cara! Strike três. Hora de mudar de opinião.

Copa do Mundo de 2014. Brasil e Alemanha, cara. Você torcia como louco para o Brasil ganhar. Aliás, a gente tinha certeza que o Brasil ia ganhar.

11 minutos de jogo: 1 a 0 pra Alemanha, cara! Vamos lá Brasil!

23 minutos: 2 a 0 pra Alemanha!  Cara, ainda dá. Força Brasil!

24 minutos: 3 x 0 pra Alemanha! Putz! Vamos virar no segundo tempo, vai!

26 minutos! 4 x 0 pra Alemanha! Puta merda. Agora acho que só um milagre.

27 minutos 5 x 0 pra Alemanha! Puta que pariu! Acabou!!!!

Quantos strikes foram necessários para você mudar de opinião?

Eu mudei no terceiro…

Bem, acho que consegui dar a você a ideia de que mudar de ideia é uma boa prática, não? E faz isso de forma racional, pode ganhar uma vantagem competitiva gigantesca sobre os turrões.

Olha, o conteúdo deste programa saiu de um livro chamado Persuadable (persueidabôu), de autoria de Al Pittampalli, cujo sumário faz parte do Café Brasil Premium que… ixi! Ainda não é hora de contar…

Ai wenn ich dich fange

Iesses, Iesses
so mach’st du mich kaput
Ai, wenn ich dich fange
Ai, ai, wenn ich dich fange,
Iwa gut, iwa gut
So mach’st du mich kaput.
Ai, wenn ich dich fange
Ai, ai, wenn ich dich fange.

Sammstach auf dem bóol
Tsu tantsen hot das volk óngefang
Das schehnste medche is
foa mich dorrich gang
Ich passen uf un hon
óngefang tsu sahn

Ai, Se Eu Te Pego
Antonio (Dyggs)
Sharon Acioly

Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai, se eu te pego,
Ai, ai, se eu te pego

Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai, se eu te pego
Ai, ai, se eu te pego

Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar

E é assim então, ao som de AI SE EU TE PEGO em Alemão, com a Banda Munique, lá de Santa Catarina que vamos saindo no embalo.

Lembre-se: preparamos um resumo do roteiro deste programa com as principais ideias apresentadas. É um guia para você complementar aquelas reflexões que só o Café Brasil provoca. Para baixar gratuitamente, clique no botão laranja logo acima deste texto.

Com o sempre persuadível Lalá Moreira na técnica, a teimosa Ciça Camargo na produção e eu, este liquidificador de ideias , Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Henrique, Celso Machado, Tereza Cristina, Zeca Baleiro, Rose Maia, Banda Munique e Ravi Shankar com George Harrisson. E ali, olhando pra mim, o Eric, da Confraria Café Brasil que vem lá do Canadá.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Youtube repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Inclusive, a série de videocasts que eu fiz pra eles. Da uma olhada lá: facebook.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast e para visitar nossa lojinha no www.portalcaferbasil.com.br 

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E se você está fora do Brasil: 55 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Venha se juntar a uma turma da pesada na Confraria Café Brasil cara, onde as pessoas se reúnem para trocar ideias de forma educada, compartilhando conhecimento e crescendo juntas! Acesse cafebrasil.top

E para terminar, a frase do bispo Desmond Tutu

Meu pai sempre dizia: não levante a voz, melhore seus argumentos.