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Podcast Café Brasil com Luciano Pires
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Luciano Pires -

Atenção! Se você tem água infiltrando, pintura manchando, fungo pegando: olha! Isso é umidade, viu? E a umidade não perdoa. Com ela vem também várias doenças respiratórias. Se você tá brigando com a umidade, saiba que a maioria dos problemas são fáceis de resolver com a ajuda da SIKA – Líder Mundial de Impermeabilizantes.  Acesse @sika_brasil no Instagram e coloque lá suas dúvidas! Ou diga simplesmente,  que conheceu a SIKA através do Café Brasil!

SIKA – S.I.K.A. – @sika_brasil.

Já fizemos diversos programas tratando da liberdade de expressão, o suficiente para perceber que a sociedade está caminhando para uma posição muito estranha, viu?, sobre o assunto. Ela quer a liberdade, desde que seja relativa. Vamos ver…

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

24 de Dezembro de 1913, na cidade de Calumet, em Michigan nos Estados Unidos, conhecida por suas minas de cobre. Naqueles dias a situação estava tensa por conta de greves por melhores salários e condições de trabalho. Num prédio da Sociedade Mútua Beneficência Italiana, também chamado de Italian Hall, centenas de mineiros e suas famílias se reuniram para comemorar o Natal. A maioria eram imigrantes italianos.

Testemunhas dizem que no salão do segundo andar, mais de 400 pessoas estavam presentes. De repente alguém gritou:

– Fogo!

O pânico tomou conta da multidão e apavoradas, as pessoas correram para a escada, que era a única saída, mas não conseguiram passar. Muitas caíram e foram pisoteadas, na tragédia que seria conhecida como o Italian Hall disaster.

Não havia fogo nenhum. E o saldo foram 73 pessoas mortas, entre as quais 59 crianças.

Nunca se descobriu quem teria gritado fogo…

Essa história é apenas uma das diversas que descrevem momentos de pânico e tragédia quando alguém gritou “fogo” em meio a uma multidão. E o ato de gritar fogo num teatro lotado acabou se tornando uma metáfora para atitudes que visam criar pânico. E também para a discussão sobre liberdade de expressão.

Quando dizemos que liberdade de expressão é poder dizer o que quisermos onde quisermos, desde que nos responsabilizemos por isso, estamos incluindo a liberdade de gritar “fogo” no Italian Hall?

“Fala Luciano. Tudo bom, cara? Acabei de ouvir aqui o seu episódio Saindo da bolha e não tem como não comentar em relação ao teu push lá que tu fez, que tu comentou no episódio em relação ao verdadeiro telefone sem fio que acontece em posts de redes sociais.

Tem aquela brincadeira que a gente fazia na escola com as crianças, quando tem um monte de criança junto e os pais brincam com ela falando uma coisa no ouvido dela e a próxima tem que passar pras outras, e as outras, e as outras. É exatamente o comentário em rede social.

Por que? Às vezes o cara ele escreve alguma coisa com a vírgula no lugar errado, aí o cara que entende aonde é o lugar… aonde é a vírgula certa, interpreta de forma errada, e quem não entende. A comunicação é algo muito complicado. E o nosso idioma favorece mais ainda, né?

Então às vezes, até mesmo um ponto que você deixa de colocar, complica. Ou até mesmo a forma de você escrever errado. Por exemplo: o nome do cara é Otávio. E de repente você escreve otário. Pronto. Lascou. Ferrou foi tudo. Você queria referenciar o nome dele mas acabou escrevendo otário. E aí, quem foi o otário? Foi você ou o cara que às vezes… ou às vezes o Otávio ele não se dói por ter lido otário, mas o cara que tá entrando agora na conversa e não leu todas as respostas e os comentários fica… começa o famoso telefone sem fio. Esse é o problema das redes sociais.

E sobre esse episódio: cara! Ou você tem maturidade ou você não tem maturidade pra escutar. É basicamente isso. Como tudo na vida, né?

Valeu cara! Vida longa ao Cafezinho.”

Rarararaa… telefone sem fio, é? Excelente ponto, Vinicius. Como se não bastasse a questão de ter liberdade para se expressar, ainda tem os de lidar com a capacidade dos outros de entender o que queremos dizer. Bote a dificuldade de interpretação de textos junto com a pressa e pronto. Temos a receita ideal para a tal comunicação violenta. E para a completa perda de significado sobre o que é de verdade liberdade. Tá osso, viu?

Muito bem. O Vinicius receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculinos. Basta enviar seu endereço para contato@lucianopires.com.br.

A DKT distribui as marcas Prudence, Sutra e Andalan, contemplando a maior linha de preservativos do mercado, além de outros produtos como anticonceptivos intrauterinos, géis lubrificantes, estimuladores, coletor menstrual descartável e lenços umedecidos. A causa da DKT é reverter grande parte de seus lucros para projetos nas regiões mais carentes do planeta para evitar gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e a AIDS. Ao comprar um produto Prudence, Sutra ou Andalan você está ajudando nessa missão!

facebook.com/dktbrasil.

Vamos lá então!

Luciano – Lalá, você aqui tem total liberdade de expressão. Então diga!

Lalá – Não vacila, meu! Na hora do amor, use Prudence.

Luciano – Isso.

Retomando a pergunta então: quando dizemos que liberdade de expressão é poder dizer o que quisermos onde quisermos, desde que nos responsabilizemos por isso, estamos incluindo a liberdade de gritar “fogo” no Italian Hall?

Vou recorrer a Walter Williams, que é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros. Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos. O Instituto Rothbard Brasil publicou uma tradução de um artigo dele chamado “A liberdade requer coragem – inclusive para ver e ouvir o que não quer.”

Cai como uma luva aqui… Então resolvi adaptar o artigo. Walter William levanta uns pontos importantes, com uma opinião que muitos podem considerar polêmica, cara. E justamente por isso é necessária. Lá vai. Segura aí, cara!

Todo mundo se diz a favor da liberdade de expressão.  Mas qual seria o verdadeiro teste para saber quão comprometida uma pessoa realmente é com a ideia de liberdade de expressão, hein?

Contrariamente à crença amplamente difundida nos meios universitários, no meio artístico e na grande mídia, o verdadeiro compromisso com a liberdade de expressão não está em permitir que as pessoas sejam livres para expressar apenas aquelas ideias com as quais concordamos. O verdadeiro teste para se saber o comprometimento de uma pessoa para com a liberdade de expressão é ver se ela permite que outras pessoas digam coisas que ela considera profundamente ofensivas, seja sobre raça, gênero ou religião.

Em suma, ou a liberdade de expressão é absoluta, ou ela não existe.

Neste quesito, vale fazer um adendo que quase sempre é ignorado. Supõe-se que a liberdade de expressão significa o direito de todos dizerem o que bem entenderem. Mas a questão negligenciada é: onde, hein? Onde um indivíduo possui esse direito?

Ele possui esse direito apenas em sua própria propriedade ou na propriedade de alguém que concordou em dar espaço a ele.

Pausa. Eu vou repetir, ó.

Você tem o direito de dizer o que bem entender apenas em sua própria propriedade ou na propriedade de alguém que concordou em dar espaço a você.

Pausa de novo, cara. Eu vou repetir outra vez. E agora eu vou devagar, olha:

Você tem o direito de dizer o que bem entender apenas em sua própria propriedade ou na propriedade de alguém que concordou em dar espaço a você.

Portanto, na prática, o “direito à liberdade de expressão”, por si só, não pode ser dissociado da propriedade privada.  Você tem o direito de falar o que quiser utilizando a sua plataforma, mas não a plataforma alheia.

Sendo assim, uma pessoa não possui um “direito à liberdade de expressão”; o que ela possui é o direito de falar o que quiser apenas em sua propriedade.   Ela não possui um “direito à liberdade de imprensa”; o que ela possui é o direito de escrever ou publicar um panfleto, e de vender este panfleto para aqueles que desejarem comprar (ou de distribuí-lo para aqueles que desejarem aceitá-lo).

Já visualizo um pseudo-intelectual universitário, principalmente de alguma escola de direito, gritando que a liberdade de expressão não pode ser absoluta, pois ninguém tem o direito de gritar “fogo!” em um cinema lotado.

Correto, só que gritar “fogo!” em um cinema lotado não é uma questão de liberdade de expressão.  Uma pessoa que grita “fogo!” em um cinema lotado está violando um contrato implícito: as pessoas que estão no cinema pagaram para ver o filme sem serem perturbadas.  Além disso, a propriedade do cinema não é dele; sendo assim, sua “liberdade de expressão” ali dentro não é absoluta.

Olha! Aqui eu não resisto a dar o meu pitaco no texto do Williams. Lalá, manda aí :

Eu não sei se você reparou, mas eu nunca vi uma sujeito andando com o som do carro no volume máximo tocando Vivaldi. Ou Beatles. Ou Milton Nascimento. Todos que passam estão tocando funk. Imagino que em algumas regiões seja axé. E noutras o sertanejo. Mas nunca música clássica ou o bom e velho rock´n roll.

Esse sujeito aí ó, tem o direito de tocar o funk naquele volume andando pelas ruas e obrigando todo mundo a ouvir? E aquele outro que faz igual dentro do busão?

Bem, perturbar o sossego alheio mediante gritaria, algazarra, abuso de instrumentos musicais, sinais acústicos, dentre outras situações, é crime, nos moldes do artigo 42 do Decreto-Lei Nº 3.688/41, passível de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou então multa.

Portanto, liberdade de expressão não se aplica ao zé do funk no busão. Ufa!

Já ouviu, hein? Itaú Cultural de volta ao Café Brasil, hein?  E desta vez trazendo uma bela novidade.

Olha! Fazendo uso de sua riquíssima produção, O Itaú Cultural lançou três podcasts para quem se interessa por música, literatura e questões indígenas.

No podcast Escritores-Leitores, autores brasileiros falam de seu processo criativo. No podcast Toca Brasil, artistas, produtores e pesquisadores do universo musical falam de seu trabalho. E no podcast Mekukradjá escritores, cineastas e lideranças de povos indígenas de várias regiões do Brasil tratam das questões indígenas. Cara! Escute-os. Os podcasts do Itaú Cultural valem muito a pena.

Acesse itaucultural.org.br . Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui…

Pelos ouvidos…

Voltamos então ao texto de Williams, sobre o sujeito que grita “fogo” no cinema lotado, obviamente, se todos os espectadores fossem informados, ao comprarem os ingressos, de que alguém iria falsamente gritar “fogo!” durante a exibição, não haveria problemas.

Mas essa questão é a menor de todas.  Um problema muito maior envolvendo a liberdade de expressão está na questão da difamação, que é definida como o ato de fazer uma falsa afirmação (oral ou escrita) sobre a reputação de uma pessoa.  A difamação é criminalizada.  Mas deveria ser?

Essa questão pode ser respondida de maneira mais direta fazendo-se outra pergunta: a sua reputação pertence a você?  Em outras palavras, as ideias e os pensamentos que outras pessoas têm a seu respeito são sua propriedade? Teria você o direito de obrigar terceiros a pensar a seu respeito apenas aquilo que você quer?

Prosseguindo, os princípios que devem ser verificados a respeito do compromisso de um indivíduo para com a liberdade de expressão também devem ser verificados a respeito do seu compromisso para com a liberdade de associação.  O verdadeiro teste para determinar se um indivíduo é sinceramente comprometido com a defesa da liberdade de associação não está em ele permitir que as pessoas se associem de uma maneira que ele aprova.  O verdadeiro teste ocorre quando ele permite às pessoas serem livres para se associar voluntariamente de maneiras que ele considera desprezíveis.

Bem, aqui vou dar uma explicada no texto do Williams, ou alguém vai mandar me prender…

Olha! Williams escreveu assim, ó: Um estabelecimento que proíbe a entrada de negros é tão válido quanto um que proíbe a entrada de brancos.  Um estabelecimento que proíbe a entrada de homossexuais é tão válido quanto um que proíbe a entrada de heterossexuais. Um estabelecimento que proíbe a entrada de judeus é tão válido quanto um que proíbe a entrada de neonazistas.

Aposto que muita gente ao ouvir o termo “válido”, vai começar a gritar. Como se “válido” representasse um apoio à ideia de proibir a entrada de pessoas baseado em raça, cor da pele ou preferência sexual. Não. O que Williams está fazendo é comparar o valor de opostos. Se vale proibir negros, vale proibir brancos. Se vale proibir homossexuais, vale proibir heterossexuais. Sacou?

Afinal, associação forçada não é liberdade de associação.

Práticas discriminatórias em estabelecimentos públicos — como bibliotecas, parques e praias — não devem ser permitidas. Essas localidades são financiadas com o dinheiro de impostos pagos por todos.  Porém, negar a liberdade de associação em clubes privados, em empresas privadas e em escolas privadas, viola o direito que um indivíduo tem de se associar apenas a quem ele quer.

Nos EUA, por exemplo, empreendedores cristãos têm sido perseguidos por se recusarem a fornecer serviços de bufê para casamentos de pessoas do mesmo sexo.

Walter Williams então pergunta:

O judeu proprietário de uma loja de iguarias que se recusasse a fornecer serviços para o casamento de simpatizantes neonazistas, também deve ser perseguido?

O negro dono de um bufê ou mesmo o negro que é garçom deste bufe deveriam ser perseguidos se se recusarem a prestar serviços para supremacistas brancos?

ONGs que defendem políticas de ação afirmativa em prol dos negros deveriam ser perseguidas se não aceitassem em seus quadros skinheads racistas?

O chef homossexual de um restaurante deve ser perseguido se se recusar a cozinhar e servir um cliente homofóbico?

A cozinheira feminista deve ser perseguida se se recusar a atender um cliente machista?

Luciano – Lalá. Que barulho  é esse?

Lalá –  é miolos fritando….

Luciano – …miolos fritando…

A liberdade requer coragem.  Ser um genuíno defensor da liberdade de expressão implica aceitar que algumas pessoas dirão e publicarão coisas que consideramos profundamente ofensivas.  Igualmente, ser um genuíno defensor da liberdade de associação implica aceitar que algumas pessoas se associarão de maneiras que consideramos profundamente ofensivas, que utilizam como critérios raça, sexo ou religião.

Vale enfatizar que há uma diferença entre o que as pessoas são livres para fazer e o que elas considerarão do seu interesse fazer. Por exemplo, o presidente de um time de basquete deve ser livre para se recusar a contratar jogadores negros. Mas seria do interesse dele fazer isso?

Não é difícil comprovar que as pessoas, em geral, estão cada vez mais hostis aos princípios da liberdade.  Elas estão cada vez mais facilmente ofendidas, e, com isso, querem cercear a liberdade alheia.  Eles querem liberdade apenas para elas próprias.  Já eu quero bem mais do que isso, diz Walter Williams.  Quero liberdade para mim e para meus semelhantes.

Você tem todo o direito de ter ficado ofendido com este texto, mas não tem o direito de me proibir de falar o que penso em minha propriedade.

Walter Williams é um economista, comentarista e acadêmico norte-americano.

E é negro.

É… o tema é cabeludo, espinhoso, incômodo e absolutamente necessário. Eu espero que você tenha entendido o ponto principal, colocado por Walter Williams em seu texto: ou a liberdade de expressão é absoluta, ou ela não existe.

No Podcast Café Brasil 439 – O Limite da Liberdade, eu continuava uma discussão inciada quando aqueles terroristas massacraram os jornalistas do jornal francês Charlie Hebdo em 2015. Lá pelas tantas eu escrevi assim:

“Me vi obrigado a publicar no Facebook um post dizendo assim:

Segurar um cartaz, usar um botão ou publicar um post dizendo “Je Suis Charlie” não quer dizer que você concorda com o posicionamento político ou ideológico do jornal Charlie Hebdo. Não quer dizer que você aprecia as charges que eles publicavam. Não quer dizer que você endossa as gozações e ataques que eles fazem a religiões, governos e personalidades. Nem mesmo quer dizer que você, se morasse na França, seria um leitor do jornal. Neste momento, nestas circunstâncias, quer dizer que você se solidariza com seres humanos que foram mortos por expressarem suas ideias. “Só” isso. “

Olha! Essa discussão está de volta com o episódio do especial do Porta dos Fundos na Netflix, que é ofensivo a quem professa a fé cristã. É ofensivo sim. É ruim. É chato, cara! Mas ele deve ser proibido ou liberado? Se for proibido, está aberta a possibilidade de proibir qualquer documentário que seja julgado ofensivo a qualquer fé. Inclusive umas fés obscuras por aí. E daí para proibir documentários que sejam julgados ofensivos a crenças políticas e ideológicas é um pulinho… Você está percebendo onde é que isso pode chegar, hein? Ou a liberdade de expressão é absoluta ou ela não existe.

É complicado tratar de liberdade de expressão sem ser de forma individualista. É perigoso focar apenas nos direitos e esquecer dos deveres do indivíduo para com a sociedade. Não basta achar que temos razão, é fundamental pensar nas consequências de nossas expressões. Se eu gritar “fogo” num cinema lotado, que consequências provocarei? Se eu colocar o funk no máximo volume, estarei provocando o quê? Meu prazer individual ou o bem comum?

Se eu entrar no post daquela pessoa da qual discordo na rede social, com rudeza e falta de educação, eu vou provar meu ponto? Ou só obterei mais rudeza e má educação de volta, provavelmente deixando de lado a discussão proposta no post?

Quem pensa apenas em estar certo, sem pensar nas consequências de seu pensamento, suas palavras e atos, é capaz de matar para defender a vida; roubar para combater o roubo; ofender para proteger da ofensa.

Calar o outro para defender a liberdade de expressão.

E no fundo, cara, nada disso é liberdade.

 

I feel free
Pete Brown
Jack Bruce

Feel when I dance with you
We move like the sea
You, you’re all I want to know
I feel free, I feel free, I feel free

I can walk down the street, there’s no one there
Though the pavements are one huge crowd
I can drive down the road; my eyes don’t see
Though my mind wants to cry out loud

I feel free, I feel free, I feel free

I can walk down the street, there’s no one there
Though the pavements are one huge crowd
I can drive down the road, my eyes don’t see
Though my mind wants to cry out loud
Though my mind wants to cry out loud

Dance floor is like the sea
Ceiling is the sky
You’re the sun and as you shine on me
I feel free, I feel free, I feel free

Me sinto livre

Sinta quando danço com você
Nos movemos como o mar
Você, você é tudo que quero conhecer
Me sinto livre, me sinto livre, me sinto livre

Posso andar pela rua vazia
Apesar de que no asfalto está uma multidão
Posso dirigir pela estrada, meus olhos não veem
Apesar de que minha mente quer gritar alto

Me sinto livre, me sinto livre, me sinto livre

A pista de dança é como o mar
O teto é o céu
Você é o sol e quando brilha em mim
Me sinto livre, me sinto livre, me sinto livre

Ô loco meu… ficou de joelhos aí, hein? É ao som de I Feel Free, com Ginger Baker, Jack Bruce e Eric Clapton, lá em 1966, quando eles formavam uma certa banda chamada… Cream que vamos encerrando o programa.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, completando o ciclo.

De onde veio este programa tem muito mais, especialmente para quem assina o cafebrasilpremium.com.br, a nossa “Netflix do Conhecimento”, que está de site novo, de aplicativo, tá uma festa, cara! Você tem lá um MLA – Master Life Administration. Então acesse cafedegraca.com e experimente o Premium por um mês, sem pagar.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase do filósofo, sociólogo, cientista político e jornalista francês Raymond Aron

Toda vez que emito uma opinião, não pergunto somente se tenho razão, mas também quais poderiam ser os danos colaterais de meu posicionamento expresso em público.