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Luciano Pires -

Bom dia, boa tarde, boa noite. O programa de hoje tratará de um tema muito sério: os assassinatos em massa que temos assistido pelo mundo. Recentemente um rapaz entrou num cinema na cidade de Aurora nos Estados Unidos e saiu atirando, matando 12 pessoas e ferindo outras dezenas. O que leva alguém a fazer uma coisa dessas? De quem é a culpa? Vamos tentar saber um pouco mais a respeito.

Para começar, uma frase do filósofo espanhol José Ortega Y Gasset:

A violência é a retórica de nosso tempo.

Este programa chega até você com o apoio de quem sabe que a cultura é uma das bases para o convivência harmônica do homem em sociedade. Itaú Cultural. www.itaucultural.org.br. Acesse o site e veja a quantidade de programas culturais que estão ao seu alcance. Mas só se você quiser.

[showhide title=”Continue lendo o roteiro” template=”rounded-box” changetitle=”Fechar o roteiro” closeonclick=true]

O exemplar de meu livro NÓIS…QUI INVERTEMO AS COISA desta semana vai para O Ricardo Furtado Fagundes, que comentou assim o programa DESOBEDIÊNCIA CIVIL:

“Prezado Luciano,

Hoje senti-me incentivado a comentar o podcast Desobediência Civil, tanto pelo tema que é provocativo quanto pelo teu incentivo, que soou quase como um desafio.

Com tua permissão, não vou comentar a espécie desobediência civil, mas a desobediência na sua forma geral.

Há muito que, reunindo alguns conhecimentos assimilados de diversas formas sobre a desobediência, reflito sobre o assunto.

Principalmente depois de censurar meu filho de 12 anos quando desobedece minhas instruções ou determinações. Ocorre, que após muito refletir e considerar, eu sempre acabo concluindo que a desobediência, diferentemente da teimosia obstinada, é saudável à pessoa. Acredito que o desenvolvimento de uma consciência crítica passe pelo ceticismo e pela desobediência, sempre que existe dúvida sobre a decisão da autoridade superior. Obedecer sempre é muito fácil, lava-se as mãos. É hipócrita. A culpa sempre vai recair sobre os outros. Contestar que é difícil, e por sua dificuldade pode até ser angustiante.

Ultimamente, quando consigo refletir com lucidez e abstido de zanga, eu evito censurar meu filho por suas desobediências, sempre que decorrem do necessário limite à obediência. Estou convencido que não existe autoridade ou conhecimento supremo, e que é saudável não estar sempre sujeito a obedecer ordens. Um abraço do desobediente Hernando.”

Bem, o Ricardo mandou o texto mas assina como Hernando, quer dizer já está desobedecendo, né? Como não sei quem é quem, fica o recado ganhou o Ricardo ou o Hernando, que tem que mandar um email pra gente explicando.

O programa de hoje é pesado e vai tratar de um tema que tem a ver com a questão da educação e da obediência e desobediência. O Ricardo que é Hernando ganhou um livro pois comentou um programa. E você?

E vamos à nossa promoção NAKATA.

O segundo iPod já saiu. Foi para a Paula Andreia. É. Quem está dando é a Nakata, a marca de segurança para quem quer componentes de direção e suspensão para seus veículos.

Você pode concorrer a um iPod Touch, tem mais quatro, cara, pra ouvir suas músicas prediletas e baixar o Café Brasil direto do iTunes!

Para isso, visite www.facebook.com/componentesnakata (não esqueça que nakata se escreve com K) e publique um vídeo sobre automóveis. Um vídeo engraçado, um vídeo que você achou na internet.

A cada mês três melhores vídeos serão escolhidos e o que tiver mais curtidores vai levar o iPod Touch novinho!

De novo: www.facebook.com/componentesnakata.  Arriscado é não usar Nakata. Exija a tecnologia original líder em componentes de suspensão. Tudo azul. Tudo Nakata

E então um sujeito chamado James Eagan Holmes, com 24 anos de idade entra no cinema de uma cidadezinha, na sessão de estreia do mais novo filme do Batman e percorre o corredor disparando suas armas sobre a plateia. Mata 12 pessoas e ferindo outras dezenas.

A cidade onde o crime ocorreu, Aurora, fica no estado do Colorado, nos Estados Unidos, distante cerca de 30 quilômetros de Columbine, onde em abril de 1999 dois adolescentes mataram a tiros 14 pessoas numa escola.

Holmes é filho de uma enfermeira com um cientista da matemática, formado em universidades de renome como Stanford e Berkeley. Criado em San Diego, na Califórnia, Holmes obteve com honras a certificação em neurociência na Universidade da Califórnia. Sua performance escolar o colocou entre os “top dos tops” e ele foi cursar doutorado na Universidade do Colorado, em Aurora. Em 2012 sua performance acadêmica caiu e o resto é história.

Fatos parecidos já ocorreram na Alemanha, na Finlândia, Noruega, Japão e em outros países conhecidos por serem de primeiro mundo, locais onde a violência não é considerada coisa banal.

Aqui no Brasil, em 1999 um estudante chamado Mateus de Costa Meira fez o mesmo numa sessão de cinema do Shopping Morumbi em São Paulo, descarregando uma submetralhadora na platéia que assistia ao filme Clube da Luta. Preso, é condenado a 120 anos de prisão, pena reduzida depois a 48 anos e 9 meses.

Mateus parece um sujeito normal. O James Holmes, tirando o cabelo vermelho, também. O que leva um indivíduo a um ato tresloucado de disparar uma metralhadora sobre gente que ele não conhece? Será o acesso às armas? Talvez os videogames e filmes violentos? Não, não. Eu acho que é o capitalismo. Talvez o neoliberalismo?

Vamos ver…

Não me senti muito bem colocando trilha sonora neste programa. O tema pede é introspecção… mas cabe aqui BOM DIA TRISTEZA, de Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes com o Duofel.

Há muito tempo eu venho trabalhando esse tema, reunindi material para fazer um programa. Mas desta vez, vamos ver se a gente consegue entender o que é que se passa na cabeça desses malucos.
Assassinatos em massa são definidos pelo uso de armas com quatro ou mais vítimas num curto período de tempo, limitado a 24 horas. Ocorrem no ambiente do trabalho, em escolas, ginásios, shopping centers, cinemas e outros locais públicos.

Eu vou partir de onde existem estudos a respeito, os Estados Unidos. Excluindo-se os casos que envolveram assaltos, tráfico de drogas e guerras entre gangues, contabiliza-se 140 ocorrências nos Estados Unidos entre 1900 e 2009. Entre 1900 e 1965, aconteceram 21 casos. Nos anos 70 foram 13 casos, nos anos 80 foram 32, nos anos 90 foram 43 e na primeira década dos anos 2000 foram 26, um declínio importante.

Sempre que acontece um caso como o do cinema de Aurora, a opinião pública mobiliza-se para discutir o desarmamento, colocando a culpa na posse de armas, tradição que nos Estados Unidos é quase sagrada. Nos EUA, possuir uma arma é direito do cidadão de se defender e pesquisas realizadas por lá demonstraram que esse direito não tem impacto direto na ocorrência dos massacres, já que as variações no número de ocorrências se deu enquanto a posse de armas permaneceu constante.

O Dr. Grant Duwe é autor do livro ASSASSINATOS EM MASSA NOS ESTADOS UNIDOS: UMA HISTÓRIA, e com base em suas pesquisas tenta explicar as razões desses acontecimentos.

Ele diz que a recente queda no número de casos se deu em razão de mudanças demográficas, aumento de policiamento, mudança de valores culturais e outros aspectos sociais. Na verdade, ele diz que a queda do número de casos de assassinato em massa segue a queda da criminalidade, dando como exemplo as décadas de 1940 e 1950 quando os índices de crimes foram relativamente baixos, inclusive dos assassinatos em massa. O mesmo ocorreu durante o começo dos século 21, quando os índices de crimes caíram substancialmente nos Estados Unidos.

Diz o Dr. Grant que o índice de crescimento de alguns indicadores sociais como o casamento, nascimentos, empregos, aquisição da casa própria, adesão a religiões pode não ter impedido os assassinos em massa, mas certamente serviu para dissuadir aqueles que estavam em dúvida. E apesar dos problemas econômicos recentes, a melhoria dos índices econômicos e sociais últimos 10 a 15 anos certamente teve um impacto na redução de crimes, inclusive assassinatos em massa.

Outro fator foi a melhoria do monitoramento dos indivíduos que apresentam tendências a prática dos assassinatos em massa. Uma das lições aprendidas com os tiroteios nas escolas foi de que comunicar prontamente às autoridades qualquer atitude suspeita ou ameaça, tem servido como elemento preventivo a esse tipo de crime. O Dr. Grant admite que vários planos não foram colocados em prática pelos criminosos justamente por seu comportamento suspeito ter sido reportado às autoridades em tempo hábil.

Mas a expressão verbal ou escrita das ameaças de violência é apenas um dos indicadores do perigo dos assassinatos em massa. Há um perfil já determinado para os assassinos em massa nos Estados Unidos, que é muito diferente do perfil dos assassinos comuns.

Olha só: 50% dos assassinos comuns são negros. 50% são mulheres. 80% cursaram até o colégio e a maioria matou algum conhecido durante um roubo ou outro crime. Já mais de 90% dos assassinos em massa são homens, brancos, entre 30 e 40 anos de idade, com grau de instrução mais alto que o colégio.

Outro fator comum: eles acham que sofrem ou sofreram injustiças e acusam os outros e a sociedade por seus problemas. Sentem-se perseguidos e sofrem de problemas como esquizofrenia ou depressão.  Isolam-se da sociedade, e por isso constantemente agem sozinhos.

Mais uma característica: criminosos comuns fogem da cena do crime. Mas dos 100 casos analisados pelo New York Times, nenhum criminoso fugiu e 89 nem mesmo abandonaram o local do crime. Além disso, por não acharem que a vida vale a pena, os assassinos em massa são suicidas em potencial. Dos 140 casos estudados pelo Dr. Grant, metade terminou com o criminoso suicidando-se ou provocando sua morte pela polícia. Esse índice é 10 vezes mais alto do que aquele observado entre os homicidas em geral.

Os assassinos em massa não querem apenas matar. Querem morrer.

Um estudo do jornal New York Times apontou pontos interessantes sobre 100 casos estudados:

– Apesar dos assassinatos serem atribuídos a vários aspectos violentos da cultura norte americana, o exame das evidências mostrou que vídeo games, filmes ou a televisão não formam fatores fundamentais para encorajar os ataques. Em apenas 6 de 100 casos estudados pelo jornal os criminosos se mostraram interessados em videogames. E dos 100, apenas 7 eram interessados em cinema.

– Os assassinatos em massa, apesar de seu grande impacto na sociedade, continuam sendo casos raros, representando menos de 1% dos homicídios

– Ao perceber um perfil distinto: um grupo de suicidas que não tem os mesmos padrões de pobreza e raça associados aos crimes regulares, o estudo do jornal apontou que os casos de assassinatos em massa tem mais a ver com a incapacidade da sociedade de lidar com problemas mentais do que com a falta de segurança. Na maioria dos casos estudados, familiares, amigos, terapeutas não deram importância ou simplesmente ignoraram sinais de deterioração mental que poderiam ter impedido os crimes.

– Mais da metade dos criminosos estudados pelo jornal apresentaram histórico de sérios problemas mentais, como hospitalização, consumo de drogas psiquiátricas, tentativas de suicídio ou evidência de psicoses. Dos 24 criminosos que comprovadamente tomavam remédios psiquiátricos, 14 haviam parado com a medicação quando cometeram seus crimes.

– 48 criminosos tiveram algum tipo de diagnóstico formal de esquizofrenia.

– Dos 100 casos examinados pelo New York Times, 63 envolveram pessoas que fizeram ameaças de violência antes dos eventos.

– Os assassinatos em massa não são atos impulsivos, nem atos de violência afetiva, quando as pessoas bebem demais, por exemplo, e saem matando. Os assassinos em massa normalmente agem com um minucioso planejamento e praticam seus atos após algum fato que deflagra sua violência. A perda de um emprego foi o gatilho em 47 dos 100 casos. O rompimento de um relacionamento foi o gatilho em outros 22 casos, levando os criminosos a canalizar seu ódio e vingança contra aqueles que julgavam responsáveis, sejam reais ou imaginários. E por causa desse gatilho, parece que agiram de forma impulsiva, num acesso de fúria.

Calma violência
Fagner
Fausto Nilo

Calma violência, violência calma
E a pureza da minh alma
E a minha inocência
Calma violência, violência calma

Calma violência, violência calma
E a pureza da minh alma
E a minha inocência
Calma violência, violência calma

Minha mão não tem mais palma
Dói a irreverência
Violência, calma
Brasileira é minha alma

A experiência, violência
Calma violência
A experiência, violência
Calma violência

Você está ouvindo CALMA VIOLÊNCIA, de Raimundo Fagner e Fausto Nilo, com o próprio Fagner em 1976…

Vamos continuar o nosso estudo com mais um ponto importante.

Apesar de seu alto nível educacional, metade dos criminosos estava desempregada, o que pode indicar um alto nível de frustração de expectativas. E quem não tem recursos emocionais para lidar com essa frustração canaliza suas energias para a raiva, o suicídio e a vingança.

Pesquisas globais indicam que assassinatos em massa estão presentes em todas as culturas. Nos últimos tempos vimos casos acontecendo na Europa, na Austrália, na Ásia e até mesmo no Brasil quando em abril de 2011 Wellington Menezes de Oliveira invadiu uma escola e matou 12 crianças no que ficou conhecido como o Massacre do Realengo.

Wellington deixou um bilhete onde se dizia vítima do bullying e quem o conhecia relatou sua introspecção, falta de amigos e abalo pela perda da mãe adotiva. Investigações posteriores mostraram que Wellington exibia muitas das características de alguém que poderia cometer um crime como aquele. Mas era tarde demais…

Mas o ponto mais importante é que os eventos no Brasil, Noruega, China ou Japão, além de outros, diferente dos Estados Unidos, ocorreram em sociedades onde a posse de armas – se não é proibido – é muito dificultado. As armas são adquiridas de modo ilegal e é aí que mora a tristeza…

Tristeza
Luiz Bonfá

Tristeza é uma coisa sem graça,
mas sempre fez parte da minha canção
Tristeza se uniu à beleza,
que sempre existiu no meu coração
Beleza, tristeza da flor que nasceu,
sem perfume, mas tem seuvalor
Beleza, tristeza da chuva
num dia de sol a chorar lá do céu
Beleza camélia que vai,
enfeitar um caminho feliz
Beleza é o descanso do sol,
quando surge o luar no céu

E você acaba de ouvir TRISTEZA, de e com o Luiz Bonfá, que eu já emendo com CANTO TRISTE, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, com o Grupo FLOR DE ABACATE…

Muito bem. E por fim vem o papel da mídia.

Ao fazer aquelas coberturas que já conhecemos com aquela estética dos videoclipes da violência e martelando os detalhes dos eventos no ar por semanas, a imprensa contribui para criar na sociedade – e nos potenciais criminosos – a ideia de que “existe uma alternativa possível”. Sim, é um absurdo, é horrível, é impensável, mas tem louco que faz…

E o que até então era inconcebível, entrar num shopping, numa escola, num cinema e disparar contra pessoas que você não conhece, passa a ser concebível. Inaceitável, mas possível. E um indivíduo raivoso, instável, com algum tipo de problema mental entende que existe uma válvula de escape para sua angústia: fazer o que outros fizeram. Pelo menos 14 dos criminosos estudados pelo New York Times. disseram que tinham conhecimento do que haviam feito seus predecessores. Os dois garotos do massacre de Columbine, por exemplo, disseram que queriam fazer melhor…

Há quem chame isso de contágio social, cujo mecanismo de transmissão é uma ideia que é lançada ao ar.

Que tal entrar num cinema e metralhar todo mundo?

Os senhores da imprensa deveriam conversar, não para censurar, mas para definir uma forma de apresentar esses fatos sem transformá-los num espetáculo, fazendo deles um desestímulo a que outros tentem o mesmo. Não é fácil, e muita gente vai usar esse argumento para impor o tal controle social sobre a mídia, aquele eufemismo que criaram para dar outro nome à censura.

Resumindo: assassinatos em massa não tem a ver com cinema, televisão ou videogames violentos. Não tem a ver com facilidade ou restrição ao acesso de armas. Não tem a ver com a falta de segurança pública. Tem a ver com loucura. Também não são ações praticadas num rompante de fúria. São ações praticadas por indivíduos que tem problemas psicológicos, psiquiátricos, mentais. Gente que precisa ser monitorada e controlada, por mais agressivo que isso possa parecer. É impossível garantir que eventos como esse não se repitam, mas é possível trabalhar para que sejam prevenidos.

O Dr. Grant aconselha que estejamos sempre atentos a sinais de comportamento que possam representar situações de risco, como o isolamento social, problemas mentais, violência e ameaças verbais ou escritas, sentimentos de perseguição e de vitimismo. É complicado achar que devemos policiar nossos vizinhos e conhecidos, isso tem um gosto autoritário, de patrulhamento, mas ainda não inventaram uma arma mais eficiente para precaver as tragédias.

Você tem alguma outra ideia? Se tiver, comente este programa…

Sobre a tristeza
Cristina Cascardo

Hoje, a tristeza me abafou
Testei duas lágrimas
O peito apertou
Não quis nem abrir a janela
Tranquei as portas
O mundo todo
Era a minha dor
Sem nenhum dissabor
Meu humano não tinha calor
Será saudade
Será maldade minha
Minha dor

Bem, é assim, ao som de SOBRE A TRISTEZA com a carioca Cristina Cascardo que nosso Café Brasil vai saindo de mansinho.

Ô programinha pesado. Que sirva de alguma forma como uma homenagem às muitas vítimas desses indivíduos enlouquecidos.

Com Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e eu, Luciano Pires na direção e apresentação.

Estiveram conosco o ouvinte Ricardo Furtado Fagundes, o Duofel, Luiz Bonfá, Grupo Flor de Abacate, Cristina Cascardo e Raimundo Fagner.

Este programa chega até você com o apoio do Auditório Ibirapuera, que faz da música instrumento de polinização cultural da sociedade, baixando ansiedades e trazendo paz espiritual para quem tem sensibilidade. www.auditorioibirapuera.com.br. Acesse o site, escolha um show e deixe-se levar pela verdadeira experiência da arte.

Este é o Café Brasil, um programa que fala do mundo, da vida, da arte e do ser humano. Você está estanhando, né. O programa normalmente é “pra cima”, mas hoje ele está sombrio. Pois é, a vida às vezes tem um lado negro também…

E para terminar, uma frase do dramaturgo alemão Georg Büchner:

Todos somos doidos, mas ninguém tem o direito de impor aos outros sua loucura.

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