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Café Brasil 508 – A dissonância cognitiva

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Luciano Pires -

Você tem um amigo ou amiga que, mesmo diante de todas as evidências se recusa a mudar de opinião, hein? Não entende como é que uma pessoa aparentemente inteligente pode ser tão teimosa? Ah, você é assim, é? Bom! Bem vindo ao mundo da dissonância cognitiva.

Posso entrar?

Amigo, amiga, não importa quem seja, bom dia, boa tarde, boa noite, este é o Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Este programa chega até você com o apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera que, como sempre, estão aí, a um clique de distância. facebook.com/itaucultural e facebook.com/auditorioibirapuera.

E quem vai levar o exemplar de meu livro Me Engana Que Eu Gosto é a Fernanda, de Sorocaba

“Tô agora aqui voltando do trabalho, ouvindo seu podcast 497 – Eureka e mais uma vez você me emocionou, quando você comentou sobre o episódio do Bohemian Rhapsody, que eu acho que já ouvi umas dez vezes. Eu viajo todo dia de Sorocaba pra São Paulo e conheci o Café há uns seis meses,através do meu namorado e hoje em dia até o meu filho de 10 anos já canta a musiquinha de que ele não quer ser um pocotó, então, é muito engraçado. Bem, obrigada, obrigada por esse trabalho, parabéns a toda a equipe, por fazer a gente sair da caixa, viajar. De tanto ouvir seus episódios eu realmente consegui, comecei na verdade colocar em prática o meu plano B, com inspiração e através de tantos outros programas que você tem compartilhado com a gente. É isso aí. Obrigada, parabéns pelo Café e vida longa ao nosso cafezinho”.

Obrigado Fernanda, é muito bom saber que de alguma forma nossa mensagem está calando fundo em você. Agora eu vou repetir essa frase aqui em sorocabano que é igual bauruense, quer ver? Obrigado FeRnanda, é muito bom sabeR que de alguma foRrma esta mensagem está calando fundo em você. E que legal imaginar seu filho de 10 anos cantando a música do Pocotó. Pois é… É de pequenino que se despocotiza o menino…

Muito bem. A Fernanda receberá um KIT DKT, recheado de produtos PRUDENCE, como géis lubrificantes e preservativos masculino e feminino.  PRUDENCE é a marca dos produtos que a DKT distribui como parte de sua missão para conter as doenças sexualmente transmissíveis e contribuir para o controle da natalidade.  O que a DKT faz é marketing social e você contribui quando usa produtos Prudence. www.facebook.com/dktbrasil

Vamos lá então! Lalá, vem aqui, Eu quero ver você falar hoje com sotaque de Sorocaba…

Na hora do amor,

Lalá – É melhoR usaR PRudence!

Começo o programa assim, um tanto introspectivo, ao som de Gilson Peranzetta e Mauro Senise com MAIS QUE UM FILHO…

Avenida Paulista, São Paulo. Caminho pela calçada num horário comercial, absorto, em direção a uma reunião. Provavelmente eu estava ouvindo algum podcast. Em meio a milhares de pessoas, estão dezenas de moradores de rua, mendigos ou não. E num determinado momento eu me deparo com uma garota, muito bonita, em andrajos, sentada num chão em meio a panos sujos, com um bebê lindo no colo. Me chamou atenção tanto a beleza da garota quanto a beleza do bebê e ao cruzar meus olhos com a menina, ela estendeu a mão pedindo uma ajuda, com uma expressão de desperança que me desmontou. Na verdade, mais que a beleza dos dois, o que me desmontou foi a juventude da menina. Ela devia ter não mais que 20 anos de idade, se tanto e estava ali, naquela situação, com um filho no colo, mendigando.

Passei reto, mas não dei três passos. Voltei, dei a ela um dinheiro e nessas alturas meus olhos estavam cheios d´água. Eu já havia esquecido da reunião e na minha cabeça vinha um questionamento sobre a injustiça daquela cena, sobre a razão de uma criança ser mãe naquelas condições, sobre a sociedade, sobre eu pagar mais caro para estacionar o carro que o valor que eu dei para a garota como uma esmola. Sobre a minha impotência diante daquele quadro. Alguns metros à frente tinha mais gente na mesma condição.

Os olhos daquela menina me acompanharam pelo dia todo e me acompanham desde então. Eu devia ter ficado mais tempo, eu devia ter dado mais dinheiro, eu devia ter pagado pela refeição, eu devia ter procurado saber quem era aquela garota, tentar ajudá-la a sair daquela condição, cara… Angústia.

Passada a emoção, veio a racionalização.

– Pô, mas quem disse que aquela criança é filha daquela menina, hein? E se forem irmãos? Ou então se forem só conhecidos, hein? E se aquilo for uma armação para me comover e obter dinheiro, hein? E pelo que vi ela estava recebendo muitas esmolas, no final do dia teria levantado uma boa grana… Não seria eu a resolver aquele problema que é insolúvel… Alívio.

Bem vindo à dissonância cognitiva.

Ingazeiras
Ednardo

Nasci pela Ingazeiras
Criado no ôco do mundo
Meus sonhos descendo ladeiras
Varando cancelas
Abrindo porteiras

Sem ter o espanto da morte
Nem do ronco do trovão
O sul, a sorte, a estrada me seduz

É ouro, é pó, é ouro em pó que reluz
É ouro em pó, é ouro em pó

É ouro em pó que reluz
O sul, a sorte, a estrada me seduz

Ah, Ednardo, que vem lá do Ceará! Como esse cara era… aliás, como esse cara é bom… Essa é Ingazeiras, que trata do sonho do rapaz que vem lá do nordeste em direção ao sul, do sonho que transforma em ouro o pó da estrada que seduz…

Vamos então à Escolinha do Professor Luciano. Dissonância tem a ver com falta de harmonia. Na música, por exemplo, é um conjunto de sons que destoam, que não soam agradavelmente.  Já o “cognitiva” vem de cognição, que é o processo de aquisição do conhecimento, incluindo o pensar, a reflexão, a imaginação, a atenção, raciocínio, memória, juízo, o discurso, a percepção visual e auditiva, a aprendizagem, a consciência, as emoções. Tem que estar vivo, né cara! Envolve os processos mentais que influenciam o comportamento de cada indivíduo.

Portanto, dissonância cognitiva então é uma falta de harmonia na forma como você trata a aquisição e processamento de informações e ela se manifesta pela sensação desagradável de se ter duas ideias contraditórias ao mesmo tempo.

Sabe aquele momento em que você, defensor dos direitos dos animais, senta para jantar, olha aquele bife maravilhoso ou aquele franguinho a passarinho que a sua mãe preparou com tanto carinho e lembra daquele documentário sobre matadouros de animais, hein? Sabe aquele desconforto?

Dissonância cognitiva.

Para minorar o seu sofrimento psíquico então, você tenta justificar ou racionalizar as suas atitudes, ideias ou crenças contraditórias e  recorre a mecanismos de defesa do ego, seja através de discursos que vão contra a lógica ou através da recusa a crer nas evidências.

A dissonância cognitiva é, portanto, uma espécie de anomalia psíquica causada pelo fato de alguém defender simultaneamente duas ideias contraditórias que tenham como consequência tipos de ação opostos. Sou eu olhando aquela garota, pensando em dar o dinheiro pra ela e ao mesmo tempo imaginando que aquilo é uma armação pra me enganar. Uma coisa me pede pra agir em benefício dela, outra me diz pra me proteger e eu tenho que lidar com essas duas coisas ao mesmo tempo.

Você lembra do filme Robocop? Tem um momento em que o bandido  ordena ao Robocop que atire no mocinho. Mas o Robocop tem uma de suas regras fundamentais que é jamais fazer mal a um ser humano do bem. Quem leu Isaac Asimov sabe do que estou falando. E diante da ordem para atirar, que vai absolutamente contra um valor fundamental, o Robocop praticamente entra em curto circuito… Esse é um caso extremo de dissonância cognitiva em ação.

Voltemos ao exemplo da menina de rua com o bebê. Na minha cabeça ficou o conflito: dou a esmola? Dou mais que a esmola? Ignoro, pois outros darão? Ignoro, poque é armação, hein? Que decisão vai causar o menor dano ao meu ego?

Conforme a teoria da Dissonância Cognitiva, escolhemos o caminho que requer menos energia e especialmente, menos stresse emocional. E na maioria das vezes optamos por desembolsar algum dinheiro em vez de sentir que estamos sendo cruéis, desrespeitosos ou até mesmo indiferentes ao sofrimento alheio. Eu dou a esmola e fiz a minha parte.

É a teoria da dissonância cognitiva que explica porque tanta gente cai em golpes manjados, porque mesmo sabendo que seremos enganados acabamos concordando em entrar em certas frias. E depois não nos conformamos com nosso coeficiente de trouxidão. Trouxa.

Os psicólogos chamam essa vulnerabilidade de “suspensão voluntária da incredulidade”. É aí que apesar de podermos ver a manipulação potencial e os motivos do autor da ação que vai nos prejudicar, por causa de algum compromisso ou mesmo da certeza de que “comigo vai dar certo”, a gente segue adiante para quebrar a cara. Fala a verdade, isso nunca aconteceu com você, hein?

Sabe aquela oferta que chega por e-mail com um preço inacreditável? Aquele investimento que dá taxas de retorno fabulosas? Aquela proposta de curso que, se você fizer, ficará rico, hein? A suspeita de que algo de ilegal ou desonesto está em jogo fica para trás diante da perspectiva de algum ganho rápido e fácil. E o trouxa faz a opção de psicológica de se engajar na dissonância cognitiva.

Depois do prejuízo, criamos todo tipo de desculpa para justificar a escolha desastrada…

Vamos então ao marketing, que é o planeta da dissonância cognitiva. É a propaganda quem mais uso faz do que se aprendeu com essa teoria. Um anúncio de um produto que mostra que ele lava mais branco, por exemplo, tem como intenção criar a dissonância cognitiva nos usuários do produto concorrente.

No marketing político então… repare na estética, no discurso, no conteúdo. A intenção é criar na sua cabeça a dissonância cognitiva, plantar a ideia de que você votou no político errado, que aquele ali que está na tela, que está falando, é o que tem as melhores soluções. Viu, seu trouxa? E aí você fica com aquela sensação de que votou errado, se eu tivesse votado no outro, viu… e sai à cata das explicações para seu voto, que darão alívio psicológico.

E aí vem aquela conversa…

– Cuspir em alguém é algo aceitável?
– De jeito nenhum.
– Mas e se esse alguém for o Bolsonaro?
– Puxa, aí talvez eu cuspa.
– Mas cuspir não faz parte de seus valores, a sua mãe ensinou que isso não se faz, é uma agressão.
– Mas ele me agrediu!
– Mas agrediu como? Com palavras? E você vai devolver com uma cusparada?
– Mas ele é um fascista, torturador, assassino…

Sacou para onde vai a conversa, hein? É você com os pensamentos paralelos tentando aliviar o desconforto da dissonância cognitiva.

Só você não vê
Nico Nicolaiewsky
Fernando Pezão

Eu não sei dizer
quanto tempo eu fiquei parado ali
olhando e suspirando ao teu redor
o medo e a vontade de te amar

só você não viu
só você não vê

Eu não sei porque
o mundo não parava de girar
a banda não parava de tocar
o medo e a vontade de te amar

só você não viu
só você não vê

só você não vê
que esse nosso amor
pode acontecer
eu não sei porque
só você não vê

Ah, que delícia,m viu… Esse é Nico Nicolaiewsky com SÓ VOCÊ NÃO VÊ,  dele e de Fernando Pezão. Há quanto tempo você está aí parado hein? Ouvindo a banda tocar?

Existem diversas maneiras de escapar da dissonância cognitiva.  A primeira é simplesmente ignorar ou eliminar os conhecimentos dissonantes. Quer ver?

Já que eu não comi aquele espaguete delicioso no almoço, eu posso muito bem mandar bala neste sorvete com calda, que não vou quebrar o regime… Viu só, hein? Ao ignorar a cognição dissonante, que no caso é comer o sorvete que não vai me engordar por conta do espaguete que eu não comi, acabamos por aceitar algo que de outro modo seria mau ou inadequado.

Outra forma é alterar a importância de certos conhecimentos. Por exemplo considerar que o sorvete não engorda taaannto assim, ou então que os quilinhos a mais não fazem mal, assim a gente diminui a dissonância cognitiva.

Se uma das cognições dissonantes tiver peso maior que a outra, a mente terá menos resistência. Cara, o sabor e a sensação de comer aquele sorvete é maior do que o meu desejo de emagrecer, portanto posso tomar o sorvete sem me sentir mal…

Outra forma é adicionar outros conhecimentos no jogo. Quer ver, ó?  Por exemplo: eu vou começar o regime na segunda feira. Ou então eu vou caminhar uma vez a mais na semana pra compensar o sorvete. Com isso diminuo a dissonância cognitiva e chuto o pau da barraca no final de semana, sem ficar com remorso…

E por fim, a forma mais importante de combater a dissonância cognitiva: evitá-la. Quando alguém aparecer com a informação que é dissonante, o mais fácil é ignorá-la.

Portanto, não adianta aparecer aqui com um estudo que mostra o potencial engordativo do sorvete, meu. Vou simplesmente ignorá-lo.

Lalá – (ao longe) Ô Luciano! Eu também!!!

Luciano – … é um gordo mesmo….

… aí ao fundo você ouve o Sexteto Panorama com SORVETE DE JABUTICABA, de Izaías Bueno de Almeida

Vivemos num mundo repleto de contradições. A dissonância cognitiva está por todos os lados. Pratica-se a censura para garantir a liberdade de opinião. Mata-se em nome da paz. Rouba-se em nome da justiça social. Agride-se em nome da democracia. Quebra-se a Constituição em nome da segurança jurídica.

Conviver com essas contradições está nos ensinando um outro modo de lidar com a dissonância cognitiva: a hipocrisia.

É na política que a dissonância cognitiva se manifesta na totalidade. Por exemplo, quando uma determinada autoridade, reconhecida pelo povo, se comporta de forma irracional, fazendo com que o cidadão tente conciliar mentalmente a autoridade de direito com a irracionalidade de seu comportamento. Diante das contradições da autoridade, o cidadão tem dois caminhos: ou desiste e se desinteressa da política, tornando-se um bovino resignado como aquele que Orwell descreveu em seu livro 1984, ou então constrói uma concepção de mundo que tente assimilar o contraditório da ação da autoridade sem pirar… Para isso ele abre mão da lógica e dá pedaladas no discurso político até que a contradição da autoridade caia para um plano invisível, normalmente o plano das ideologias. É especialmente então que surge o duplopensar ou duplipensar,  o ato de se ter duas crenças contraditórias e aceitar ambas como verdade.

Mas a coisa fica ainda mais interessante, quer ver?

O ano é 1995. Um vídeo escandaloso mostrado no Jornal Nacional apresenta o bispo Edir Macedo ensinando sua equipe como tirar o máximo de dinheiro dos fiéis. Lalá, mostra aí…

Esse vídeo está no roteiro deste programa publicado no portalcafebrasil.com.br. Quando assisti àquelas imagens, eu pensei: o bispo acabou… Passados 20 anos, o bispo e a sua igreja nunca estiveram tão fortes, tão ricos, tão poderosos.

Aquele  escândalo veiculado no Jornal Nacional não destruiu nem o bispo nem seu projeto. Sua base de fiéis cresceu assustadoramente, transformando a Igreja Universal num negócio bilionário, mesmo diante da evidência dos fatos. Coisas assim aconteceram ao longo de toda história da humanidade: grupos de pessoas que, mesmo diante das mais claras evidências de perigo, de más intenções, de risco, permanecem seguindo líderes visionários, malucos ou simplesmente desonestos. Como é possível que tanta gente se recuse a ver a verdade, hein?

Bem, já sabemos o que acontece com elas, a dissonância cognitiva. Mas os estudiosos explicam esse comportamento irracional como a imunização cognitiva.

A imunização cognitiva é um escudo que permite que as pessoas se agarrem a valores e credos, mesmo que fatos objetivos demonstrem que eles não correspondem à verdade. A pessoa cognitivamente imunizada está no terreno da fé, que dispensa o raciocínio lógico. Para ela, argumentos lógicos não têm relevância.

E então assistimos gente com estudo, inteligente, articulada, que sabemos que não está tirando nenhum proveito material, defendendo em público o indefensável. Como é que essas pessoas chegam a esse ponto, hein?

Bem, existem ao menos cinco fases no processo de imunização cognitiva.

Primeira fase: isolamento de quem tem opiniões contrárias, protegendo suas ideias. A pessoa vai eliminando de seu convívio ou mesmo de sua atenção, quem pensa diferente.

Segunda fase: redução da exposição às ideias contrárias. A pessoa passa a ler e ouvir apenas as opiniões em linha com seus credos. Nos estados totalitários, é quando a liberdade de expressão passa a ser ameaçada, quando a imprensa perde a liberdade, quando vozes dissidentes são caladas. É quando os processos educacionais adotam opiniões selecionadas, com autores e textos cuidadosamente escolhidos para seguir apenas uma visão de mundo.

Terceira fase: conexão dos credos às emoções poderosas. Se você não seguir aquelas ideias, algo de ruim vai acontecer. Lembra daquele “se você pecar, vai para o inferno”? Se você não votar naquele candidato, sua vida, suas economias, seus benefícios estarão em perigo…

Quarta fase:  associação a grupos que trabalham para combater as ideias dos grupos contrários. Isso acontece não só em política, mas até mesmo na ciência, quando métodos de investigação científica focam nas fraquezas das teorias adversárias, ignorando os pontos fortes.

Quinta fase: a repetição. Repetição, repetição, repetição. Cria-se um tema, um slogan que materializa um determinado credo ou visão, que passa a ser repetido como um mantra, numa técnica de aprendizado. O grito “não vai ter golpe”, por exemplo, não é uma criação espontânea, obra do acaso. É pensado, calculado. Sua repetição imuniza cognitivamente as pessoas contra os argumentos a favor do impeachment.

Os especialistas em psicologia das massas sabem que nossas mentes evoluíram muito mais para proteger nossos credos do que para avaliar o que é verdade e o que é mentira. E os especialistas em comunicação constroem retóricas fantásticas, com intenção de desviar o tema principal e especialmente, imunizar cognitivamente os soldados da causa.

E aí, meu caro, minha cara, não adianta mostrar o vídeo, o recibo, o cheque, o testemunho do caseiro, a ordem da transportadora, o grampo telefônico… O imunizado cognitivo está vacinado contra fatos objetivos.

Tá explicado então, hein? Se você está se sentindo entorpecido das ideias, incapaz de descer do muro, provavelmente alguém está lhe ministrando umas doses de imunizante cognitivo.

E você nem percebeu que tá dando a grana pro bispo.

Muito bem… entendeu agora o que acontece com aquele seu amigo, aquela sua amiga, hein? Ou até com você, hein? Dissonância cognitiva!

Dá pra discutir esse tema indefinidamente, especialmente porque a dissonância cognitiva não pode ser medida de forma objetiva. Ela é subjetiva, cada um reage de uma forma diferente e no fim das contas, ela parece mais é com um sentimento de culpa, até de remorso.

Vixe.. isso dá pano pra manga…

Comida
Arnaldo Antunes
Sérgio Brito
Marcelo Fromer

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer…

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?…

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor…

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade…

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?…

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte…

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer…

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Pra aliviar a dor…

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade…

Diversão e arte
Para qualquer parte
Diversão, balé
Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo, eh!
Necessidade, vontade, eh!
Necessidade…

E é assim então, ao som do clássico COMIDA, com os Titãs, dedicado a você que também acha que a gente tem de ir muuuuito além do básico, que este Café Brasil vai saindo de mansinho.

Com cognitivamente dissonante Lalá Moreira na técnica, a cognitivamente estressada Ciça Camargo na produção e eu, que sou dissonante por natureza, Luciano Pires, na direção e apresentação.

Estiveram conosco a ouvinte Fernanda, o Sexteto Panorama, Titãs, Ednardo, Nico Nicolaiewiski, Gilson Peranzetta com Mauro Senise e… o Bispo Edir Macedo, oras.

O Café Brasil só chega até você porque a Nakata, também resolveu investir nele.

A Nakata, você sabe, é uma das mais importantes marcas de componentes de suspensão do Brasil, fabricando os tradicionais amortecedores HG. E tem uma página no Facebook repleta de informações interessantes para quem gosta de automóveis. Dê uma olhada lá, vale a pena: facebook.com/componentesnakata.

Tudo azul? Tudo Nakata!

Este é o Café Brasil. Que chega a você graças ao apoio do Itaú Cultural e do Auditório Ibirapuera. De onde veio este programa tem muito mais. Visite para ler artigos, para acessar o conteúdo deste podcast, para visitar nossa lojinha no … portalcafebrasil.com.br.

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E para terminar, aquilo que o psicólogo Leon Frestinger escreveu:

A dissonância cognitiva torna um homem de convicções profundas incapaz de mudar de opinião diante de uma contradição… ele se torna imune a evidências e argumentos racionais. Diga que discorda e ele lhe dará as costas. Mostre fatos ou números e ele questionará suas fontes. Apele para a lógica e ele será incapaz de entender seu raciocínio.