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Artigos Café Brasil
Nem tudo se desfaz
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Henrique Viana
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O convidado para o LíderCast desta vez é Henrique ...

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Deduzir ou induzir
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Origem da Covid – seguindo as pistas
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Café Brasil 792 – Solte o belo!
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Café Brasil 791 – Tempo Perdido
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Café Brasil 790 – Don´t be evil
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Existe uma preocupação crescente sobre o nível de ...

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Café Brasil 789 – LíderCast Osvaldo Pimentel – Monetizze
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Hoje bato um papo com Osvaldo Pimentel, CEO da ...

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Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
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Sabe quem ajuda este programa chegar até você? É a ...

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Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
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Um papo muito interessante com Henrique Viana, um jovem ...

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Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
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Aurélio Alfieri é um educador físico e youtuber, ...

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Café na Panela – Luciana Pires
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Episódio piloto do projeto Café na Panela, com Luciana ...

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Sem treta
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A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

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O cachorro de cinco pernas
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Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
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A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

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Trivium: Capítulo 4 – Regras de Definição (parte 5)
Alexandre Gomes
  Para cumprir a função de DEFINIÇÃO, esta deve atender alguns requisitos. Do contrário, será apenas enrolação ou retórica vazia. Os requisitos são: 1. CONVERSÍVEL em relação ao sujeito, à ...

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O Brasil e o Dia do Professor
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
O Brasil e o Dia do Professor Aulinha de dois mil réis Apesar das frequentes notícias que vêm a público, dando conta do elevado grau de corrupção existente em nosso país, e da terrível ...

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Trivium: Capítulo 4 – Definição dos Termos (parte 4)
Alexandre Gomes
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Enquanto isso
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
Em setembro do ano passado o STF julgou um processo muito interessante, sobre a propriedade do Palácio Guanabara, sede do governo do Estado do Rio de Janeiro. Foi decidido que o palácio pertence ...

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Cafezinho 432 – O vencedor
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As pessoas não se importam com o que você diz, desde ...

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Cafezinho 431 – Sobre Egosidade
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Cafezinho 430 – A desigualdade nossa de cada dia
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Cafezinho 429 – Minha tribo
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A Oficina

A Oficina

Luciano Pires -

Passeando por Recife fui conhecer a Oficina Brennand. Os Brennand são uma família rica e Francisco – que se revelou um talentoso desenhista, pintor, escultor e ceramista – dedicou-se por mais de 30 anos a um sonho. Transformou a velha olaria que seu pai fundou em 1917 num complexo artístico chamado Oficina Brennand. Saí de lá sem fôlego… A velha olaria arruinada foi aos poucos reformada. Muitas áreas ainda mostram o estado de abandono original, mas agora – qual uma ruína grega – é um abandono conservado, como que para servir de testemunha da história. Francisco Brennand é chamado de “Mestre dos Sonhos”.
Sua oficina é gigantesca: são mais de 10 mil metros quadrados de grandes áreas de exposição com centenas de esculturas, uma mais instigante que a outra. São sonhos, pesadelos, piadas, críticas, símbolos fálicos, formas eróticas em meio a jardins projetados por Burle Marx. No meio da oficina, uma capela sombria. Em seu interior um ambiente sagrado, com música clássica ao fundo e nenhuma imagem sacra. Nenhuma cruz. Nenhum anjo. Nenhuma santa. Nenhum cálice. Apenas esculturas, formas orgânicas, objetos indefiníveis. Fascinante! O sagrado está lá, na atmosfera, sem precisar de ícones.
Brennand está com oitenta anos e isso fica claro quando apreciamos sua produção. Naquele lugar uma vida se apresenta diante de nós. Só o tempo permite construir algo como o que vi por lá. A integração perfeita entre arquitetura, paisagismo, escultura, pintura, desenho… A oficina de Francisco Brennand é uma demonstração de como a sensibilidade pode mudar a realidade. Caminhando pelos corredores, a mente entra em ebulição. Ganha um sopro de frescor. A oficina de Brennand é um spa mental. Saímos de lá provocados, motivados, inspirados, com a sensação de que estivemos em outro planeta. O planeta Brennand. O arquiteto Fernando de Barros Borba definiu com perfeição a arte de Brennand: “…Mas para quê descrever? Palavra alguma pode dizer a arte de Brennand. A literatura é inútil. Ele escreve com a cerâmica”.
Quer ver? Acesse www.brennand.com.br e tente descrever o que vê…
Pois é… Saí de lá embriagado de arte, em direção à loja-lanchonete, cuja decoração segue a do conjunto. Pedi uma deliciosa empadinha, um suco diferente, comprei um catálogo maravilhoso, uma peça de cerâmica e sentei-me para curtir o que acabara de ver. 
E então percebi que algo estava errado.


No espaço daquela lanchonete bonita, onde a arte comanda a arquitetura, as garçonetes colocaram como trilha sonora um disco de pagode. Fui escarrado para fora do planeta Brennand, direto para o Brasil. Pagodinho enjoativo, insuportável pagodinho. Daqueles gravados ao vivo com o povo cantando junto. Se fosse o Pagode – com “Pê” maiúsculo – do grupo Fundo de Quintal… Mas não. Era um daqueles conjuntinhos de acrílico… Aquilo foi uma heresia. Fui falar com a gerente e ela me disse tristemente:

– Cuido da loja, não cuido da lanchonete. E esse som, quem coloca são as meninas de lá. É um horror…

Pronto. Lá estava eu mais uma vez diante da contradição chamada Brasil. De um lado a arte em sua mais pura expressão, tocando nossas almas. De outro, escolhido pelo “povo”, o comércio das gravadoras, distorcendo e explorando a arte em seu mais baixo nível. Um retrato do Brasil. Mas como “sou elite”, tenho que cuidar para evitar esse meu “preconceito contra o popular”…
Olha, nada disso tira o brilho do que vi em Recife. Estando por lá, não perca a oportunidade de visitar a Oficina Brennand e abrir sua alma para a sublime experiência da arte.
E o pagode? Bem, talvez essa praga um dia desapareça, esgotada em sua mediocridade. Mas o gênio de Francisco Brennand, lá em Recife, ficará. Mas ficará para poucos. Para uma elite. O povo estará mais atento ao pagode. É pra isso que ele está sendo treinado.