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Artigos Café Brasil
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Deduzir ou induzir
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Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
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Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
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Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
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Café na Panela – Luciana Pires
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Sem treta
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Trivium: Capítulo 4 – Definição dos Termos (parte 4)
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Enquanto isso
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Cafezinho 429 – Minha tribo
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A rã e o escorpião

A rã e o escorpião

Luciano Pires -

Vamos à velha fábula de Esopo, que provavelmente você já conhece: um escorpião precisava atravessar o lago, mas não sabia nadar. Pediu então ajuda a uma rã, que por ali estava. E a resposta foi imediata:

– Tá pensando que eu sou trouxa! Você vai me picar!

E o escorpião diz:

– Ora essa! Se eu te picar nós dois morremos! Fique tranquila.

A rã, convencida pelo argumento, concordou. O escorpião subiu em suas costas e lá foram os dois, deslizando suavemente pela superfície da água. Na metade do rio a rã sente a picada!

– Ai!

E enquanto começa a sucumbir envenenada, pergunta ao escorpião:

– Cara! Por que você me picou? Agora nós dois vamos morrer!

E o escorpião responde:

– Não pude fazer nada… essa é minha natureza.

Lembrei dessa estória ao refletir sobre os acontecimentos das últimas semanas. Mas antes que apareça um militonto com piadinhas, deixe-me trazer outra passagem.

Meu livro Brasileiros Pocotó, foi publicado em 2003, pouco depois do início do primeiro mandato de Lula. Eu jamais votei nele, mas diante da realidade não pude deixar de escrever num dos capítulos do livro:

“O Brasil precisa de líderes, de pulso firme, de coragem e de decisão. E a história colocou essa oportunidade em suas mãos. Agarre-a com todos os dedos.

‘Ah, mas falta um!’ — alguém há de dizer.

Não faz mal, presidente. O senhor tem no mínimo mais 540 milhões de dedos para ajudar…”

Era eu, como um escorpião nas costas da rã, controlando minha natureza e torcendo para que chegássemos ao outro lado do lago. Eu, anti petista desde que nasci, tinha todos os motivos do mundo para desconfiar que os governos deles dariam no que deram. Mas Lula era o presidente eleito. Meu mimimi não adiantaria nada. Então o que eu precisava fazer era não atrapalhar. Na verdade, ajudar. Ou no mínimo torcer para dar certo. E foi o que fiz, durante dois ou três anos, até perceber que a rã nadava na direção de uma cachoeira…

E o que tenho visto nestes dias?

Trump venceu nos EUA. Doria venceu em São Paulo. Temer é quem a lei indica para levar o país até 2018. São as rãs, em quem temos de confiar para chegar ao outro do lado do rio. Não existem outras opções. Mas a cada coisa que dizem, cada decisão que tomam, cada ato que anunciam, recebem ferroadas de todos os lados. Trump nem tomou posse e já é o “presidente menos popular da história”. Doria está tendo as promessas de campanha cobradas com 17 dias de governo. E Temer, bem, até da mulher dele que é bela, recatada e do lar, tiram sarro. É uma campanha diária, sem tréguas, apostando no “não vai dar certo”.

E a gente chegando no meio do lago.

É como se não estivéssemos todos no mesmo barco. Como se o melhor para São Paulo, para o Brasil e para o mundo não fosse que Doria, Temer e Trump fizessem governos muito bem sucedidos.

Cara, como fiz com o Lula lá em 2003, eu quero que eles deem certo. Eu preciso que deem certo. Todo mundo ganha se derem certo.

Controle sua natureza, meu caro, use o cérebro, torça para que esses caras deem certo, que cheguem à outra margem. Se não quer ajudar, pare de atrapalhar.

Dá um tempo.

Ou ajude que afundem no meio do lago. Com você nas costas.

Seu trouxa.

 

 

ilustração de Brady Stoehr