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A visão

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Luciano Pires -

Vivi ontem em Porto Alegre uma daquelas experiências que marcam a vida da gente. Fui convidado para fazer o encerramento do primeiro dia de um evento da Organização Nacional de Cegos do Brasil, que reúne 72 entidades que atuam para garantir às pessoas cegas oportunidades de acesso a conhecimento, tecnologia, trabalho e dignidade.

Seria um desafio. Sou um palestrante visual, com performance de palco, com projeções repletas de imagens, cores, vídeos… Seria a primeira vez que eu faria uma palestra para um público que, estando presente, não podia me ver. Mas eu já faço isso no Podcast… Sim, mas não é a mesma coisa. Eu estaria num auditório diante de 100 pessoas que só podiam me ouvir. Tive que repensar a palestra e desenvolver algo apoiado no som, tratando de empreendedorismo e escolhas, baseado em minha vida e em alguns cegos que causaram impacto sobre mim. E tendo como pano de fundo a discussão de um atributo fundamental para o empreendedor: a visão.

Mas falar de visão para cegos? Sim. A visão à qual eu me referia não era a ação ou efeito de ver, mas a que diz respeito à capacidade de imaginar cenários, projetar acontecimentos. E essa, os cegos tem de sobra…

Cheguei cedo para arrumar meu computador e encontro uma sala com cães-guia deitados aqui e ali, pessoas andando para lá e para cá com suas bengalas brancas, alguns voluntários ajudando… É nessa hora que a cabeça da gente explode.

A maioria absoluta de quem estava lá era voluntária, gente que tem empregos, que estuda, e que tirou três dias de licença para discutir como se organizar para ajudar outras pessoas cegas em suas regiões. E todos ali eram cegos ou com altíssima deficiência visual. No entanto o que mais vi foi humor. Muito bom humor. Gente politizada, interessada, lutadora, cada um com uma história mais impressionante que o outro. Tratamos de afetos, de correr riscos, de sonhos, de cultura, de ética…

Confesso que fiquei intimidado. A começar pelo politicamente correto. Eu devia me referir a eles como o quê? Cegos ou portadores de deficiência visual? Não tive dúvidas, perguntei, e a resposta foi imediata:

– Cegos! Olha o nome da nossa organização!

Enquanto eu palestrava, meus olhos percorriam a plateia. Ali a Olga, professora universitária. Aliás, doutora em Pedagogia. No outro lado o Ferrari, professor e palestrante que viaja por todo o país, falando para gente que pode e que não pode ver. Mais atrás a Gabi, garota tímida, estudante de Direito numa cidade pequena onde ela é a única cega. Ali no meio o Leopoldino, que em 2004 fez a revisão da edição de meu livro Brasileiros Pocotó em Braille. E aqui na frente o Moisés, presidente da entidade.

A palestra foi uma delícia. Brinquei, fiz piadas inclusive sobre a cegueira, tratei-os como gente normal e fiz a plateia explodir em aplausos quando contei a resposta que o alpinista cego Erik Weihenmayer deu em 2001  ao ser perguntado sobre o que fez para conseguir escalar o monte Everest:

– Não aceitei o papel que a sociedade reservou aos cegos.

Ao final fui cercado por dezenas deles, emocionados, querendo tirar selfies – sim! Eles tiram selfies! – e me parabenizando pelas palavras, pela emoção.

À noite fomos jantar num restaurante. Uma mesa com umas 20 pessoas, 15 delas cegas. O evento era dos cegos. Eles organizaram, chamaram o taxi, escolheram os pratos, pagaram a conta. Eu era apenas um convidado.

Vivi um dia diferente, em que fui conduzido por quem não pode ver. E saí de lá feliz por conhecer aqueles brasileiros que não aceitam o papel que a sociedade reservou aos cegos e escolhem não cruzar os braços.

Se tá difícil pra você, imagina pra eles.