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Artigos Café Brasil
Nem tudo se desfaz
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Henrique Viana
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Deduzir ou induzir
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Origem da Covid – seguindo as pistas
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Café Brasil 789 – LíderCast Osvaldo Pimentel – Monetizze
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Café Brasil 789 – LíderCast Osvaldo Pimentel – Monetizze
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Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
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Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
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Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
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Café na Panela – Luciana Pires
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Episódio piloto do projeto Café na Panela, com Luciana ...

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Sem treta
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O cachorro de cinco pernas
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Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
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O Brasil e o Dia do Professor Aulinha de dois mil réis Apesar das frequentes notícias que vêm a público, dando conta do elevado grau de corrupção existente em nosso país, e da terrível ...

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Trivium: Capítulo 4 – Definição dos Termos (parte 4)
Alexandre Gomes
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Enquanto isso
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Agronegócio, indústria e mudança de mindset
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Agronegócio, indústria e mudança de mindset “Quando adotamos um mindset, ingressamos num novo mundo. Num dos mundos – o das características fixas –, o sucesso consiste em provar que você é ...

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Cafezinho 430 – A desigualdade nossa de cada dia
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Cafezinho 429 – Minha tribo
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Cafezinho 428 – A cultura da reclamação
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Cafezinho 427 – Política e histeria
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Como pluma ao vento

Como pluma ao vento

Luciano Pires -

Devorei em algumas horas o livro recém-lançado por Fernando Gabeira, “Onde está tudo aquilo agora?”, uma espécie de inventário de vida do conhecido jornalista, ex-militante de esquerda que participou do famoso sequestro do embaixador norte americano Charles Elbrick em 1969 e que depois foi preso e exilado. Após a abertura política dos anos 1980 se transformou em político atuante.

Fernando Gabeira é um nome importante do cenário social, político e comportamental brasileiro. Quase trinta e cinco anos atrás, trouxe para o primeiro plano – e pagou caro por isso – temas como a liberdade do corpo (quem é que não se lembra da sunga de crochê?), do consumo de drogas e da defesa do meio ambiente. É o que podemos chamar de um ícone pop, que impactou a todos com sua visão de mundo e atitudes. Aprendi a admirá-lo mais por seus valores que por suas convicções, estou ciente de seus defeitos e fraquezas, mas entendo que ele é um brasileiro que fez mais bem do que mal para o país. Eu realmente o admiro e não pensei duas vezes ao encontrar o livro: comprei.

Eu havia lido o “O que é isso, companheiro?”, quando Gabeira o lançou em 1979, dez anos depois da ação do sequestro do embaixador. Naquele livro Gabeira descreveu a situação do Brasil nos anos de chumbo e não poupou críticas às ações dos movimentos armados. Terminei aquela leitura com um “E agora? O que é que esse cara vai fazer?”. Bem, trinta e quatro anos depois ele responde…

O título do livro já explica o conteúdo: onde foram parar os sonhos daquela juventude revolucionária dos anos 1960 e 1970? A que resultados chegaram os que pegaram em armas? O que o levou a arriscar a vida e o futuro na defesa de um ideal? E depois, como político, qual o balanço? O livro é uma valiosa avaliação das consequências das escolhas que fazemos ao longo da vida, especialmente para quem foi contemporâneo dos fatos narrados.

Gabeira é um guerreiro e por isso, quando cheguei ao final de seu novo livro, foi com um nó na garganta que li este trecho:

“Quanto às grandes esperanças de democratizar o Brasil, a partir dos anos 1990, obtivemos grandes avanços materiais , e o país é hoje a sexta economia do mundo. Foi um processo de crescimento com distribuição de renda, Mais uma razão de orgulho.

Como explicar então essa sensação de vazio que a vida política me transmitiu nos últimos anos de atuação? Concluo este capítulo, já distante do Parlamento, aos 71 anos, sem bens materiais e com algumas pequenas dívidas herdadas de campanha. Se alguém me perguntar se eu faria tudo de novo, eu responderia que não. Tenho pavor de cometer os mesmos erros. É hora de renová-los.”

Nó na garganta, pois é disso que tenho mais medo: chegar aos 71 anos de uma vida repleta de batalhas, olhar para trás e concluir que não faria tudo de novo. Me sentir vazio…

Ao ser indagado pelas pessoas sobre a sua desistência da luta política, Gabeira responde que “o processo de degradação chegou a um ponto que tornou difícil, quase impossível, combatê-lo por dentro”.

O livro se encerra assim: “Nos informes comunistas, no século passado, havia sempre uma frase que dizia: ‘A realidade confirmou nossas análises’. Comigo foi diferente. A realidade quase sempre me escapou, mas não desistirei de me reconciliar com ela. Nem de ajudar a mudá-la quando possível. Espero não me bater contra moinhos de vento. Mas não posso dar nenhuma garantia. A realidade é móvel como pluma ao vento.”

Ainda existe, dentro do velho jornalista, uma fagulha do jovem revolucionário. Espero que ele, agora maduro, centrado e equilibrado, tenha tempo, e fôlego, para transformá-la em chama.

Luciano Pires