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Artigos Café Brasil
Nem tudo se desfaz
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Henrique Viana
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O convidado para o LíderCast desta vez é Henrique ...

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Deduzir ou induzir
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Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
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Café Brasil 775 – LíderCast Henrique Viana – Brasil Paralelo
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Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
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Café na Panela – Luciana Pires
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Sem treta
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A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

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O cachorro de cinco pernas
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Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
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A aparente contradição entre desemprego e escassez de mão de obra
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Iscas Econômicas
Esclarecendo a aparente contradição entre desemprego e escassez de mão de obra “Antes, as habilidades não eram tão amplas. Hoje, o profissional precisa conhecer e estudar a fundo vários assuntos. ...

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Pax Aeterna
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É preciso lançar pontes.
Maquiavel é, com alguma freqüência, considerado o primeiro cientista político moderno: nas suas análises, ele teria sido um dos primeiros a rejeitar tanto uma concepção metafísica da natureza ...

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Trivium: Capítulo 4 – Regras de Definição (parte 5)
Alexandre Gomes
  Para cumprir a função de DEFINIÇÃO, esta deve atender alguns requisitos. Do contrário, será apenas enrolação ou retórica vazia. Os requisitos são: 1. CONVERSÍVEL em relação ao sujeito, à ...

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O Brasil e o Dia do Professor
Luiz Alberto Machado
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O Brasil e o Dia do Professor Aulinha de dois mil réis Apesar das frequentes notícias que vêm a público, dando conta do elevado grau de corrupção existente em nosso país, e da terrível ...

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Cafezinho 432 – O vencedor
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As pessoas não se importam com o que você diz, desde ...

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Cafezinho 431 – Sobre Egosidade
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Descobri o que acontece com aquela gente enfática, que ...

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Cafezinho 430 – A desigualdade nossa de cada dia
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Cafezinho 429 – Minha tribo
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E no limite, a violência, o xingar, o ofender, o ...

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Minha ideia, minha obra

Minha ideia, minha obra

Luciano Pires -

Em meio à polêmica das biografias e o choque de ver alguns de nossos ídolos defendendo posições muito próximas da censura, vale reler um dos textos que publiquei em 2009 em meu livro Nóis…Qui Invertemo As Coisa.

Almocei num restaurante que passava nas telas de plasma o show “Kaia na gandaia” de Gilberto Gil. O show é uma homenagem ao reggae de Bob Marley. Gil canta e encanta, dança e ilumina. Uma delícia. Mas… Tinha gente com cara feia na mesa.

Odeio o Gil.

Gil era ministro aliado ao governo do PT, portanto tudo que fizesse devia ser execrado. Não interessa sua história como artista, seu valor como poeta, sua capacidade como músico e intérprete. Até quem não gosta dele reconhece sua importância na história da Musica Popular Brasileira.

Mas Gil estava contaminado. Por uma “ideologia”. E uso a palavra “ideologia” entre aspas, pois não sei se o circo político brasileiro tem algo que se possa chamar de ideologia.

Interessante essa dificuldade que a gente tem de separar a pessoa da obra da pessoa, não é? Basta que o poeta abra a boca para uma declaração política e pronto! Contamina-se.

Essa separação “ideológica” em grupos, tribos, castas, raças, pode ser um indicador da qualidade da inspiração, da obra, da arte das pessoas? Quando fala de saudades o comunista fala melhor que o capitalista? O amor do católico é melhor que o amor do muçulmano? A arquitetura de Oscar Niemayer é ruim por ele ser comunista? Um músico negro toca pior que um branco? Um verso como “Ai, como essa moça é distraída / Sabe lá se está vestida / Ou se dorme em transparente”, de Chico Buarque, ficou ruim depois que ele disse que adora Cuba ou que votou em Lula? Para mim, não. Apesar de discordar do Chico político, continuo tiete do poeta, que é o que realmente me interessa.

Lembro-me da carreira de Wilson Simonal, destruída quando ele foi injustamente apontado como “dedo duro” pelas patrulhas que lutavam contra o governo militar. Repentinamente o carisma, o balanço e a simpatia do ídolo que arrastava multidões passou a não valer nada. Um rótulo ideológico destruiu o artista.

Tempos atrás tomei minha decisão. Quando o assunto é arte, só tenho reservas quanto a uma “ideologia”: o consumismo. Leia bem: con-su-mis-mo. Quando a arte é absorvida pelo comércio, deixa de ser arte. Morre.

A arte está acima da política, mas precisa da política. No entanto, não consegue contaminar a política. É a política que contamina a arte. E então as pessoas passam a odiar o artista, transformado em objeto político. O coração pede pra amar, mas a consciência manda odiar. Louco isso, não é?

Ah, mas artistas são personalidades públicas. Têm responsabilidades como formadores de opinião!

Também acho. Mas aí o papo é sobre política, não é mais sobre arte.

Arte é para ser apreciada com os olhos da alma. Poesia vem do coração, da alma, de lugares onde a política não se mete. E quando se mete, é para usar a arte, não raro, soando falsa. Populista. Você consegue reconhecer isso no riso amarelo do político com a criança miserável no colo, no horário eleitoral?

A política – ao menos essa que está aí – reduz a complexidade de nossas vidas e o valor de nossos sentimentos a meros instrumentos de troca.

Mas eu me vacinei. Aprendi a apreciar o que quero e não o que alguém quer. Rótulos, quem dá sou eu. E na música, só ouço o que gosto. E o que gosto, para mim, é música boa, com eleição ou sem eleição, com partido ou sem partido, com ideologia ou sem ideologia.

Na hora de lidar com a arte, minha ideologia é meu coração.

Luciano Pires

PS: Mas que bola fora essa do Chico, Caetano, Gil, Milton, Roberto, Djavan e outros, hein? Suas obras continuam emocionantes, os artistas são admiráveis, mas parece que os homens envelheceram mal.