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Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
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Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
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Café na Panela – Luciana Pires
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Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
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O Brasil e o Dia do Professor Aulinha de dois mil réis Apesar das frequentes notícias que vêm a público, dando conta do elevado grau de corrupção existente em nosso país, e da terrível ...

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Enquanto isso
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Agronegócio, indústria e mudança de mindset
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O gatilho

O gatilho

Luciano Pires -

Meu amigo Minás escreve: “Quando eu tinha oito anos e estava no primeiro ano da escola, ganhei um prêmio com uma redação. O prêmio foi o livro ‘Fábulas da Emília’, do Monteiro Lobato. Encadernado. Devorei e, na sequência, li todos os vinte volumes do Pica Pau Amarelo. Duas vezes! Meus pais temiam pela minha sanidade, porque eu não saía nem pra brincar… Receber o livro pelo correio, em meu nome… ah, acho que foi o dia mais feliz da minha vida.”

Que delícia de lembrança! Quando garoto me correspondi com vários amigos por carta. Eu tinha que comprar o papel almaço, envelope e selo. Depois escrever à mão, com cuidado para não errar. Dobrar, colocar no envelope e fechar, lambendo a goma arábica da aba. Outra lambida e pronto, era só grudar o selo e levar até o correio. Era um trabalhão, mas ainda não encontrei uma sensação melhor do que a chegada do carteiro com uma cartinha pra mim. Aquele papel em minhas mãos tinha valor! Era uma obra de artesanato, à qual alguém havia dedicado minutos – talvez horas – de cuidadosa execução. Só pra mim! E aquela execução demorada permitia uma profunda reflexão sobre o que estávamos escrevendo. Dava tempo de se arrepender…

Mas a quantidade de gente com quem eu me correspondia era limitada. Cinco ou seis amigos e parentes, e olhe lá.

Hoje, graças à internet, me correspondo com centenas, talvez milhares de amigos reais e virtuais! E o processo é rápido, com custo quase zero e resposta imediata. A chegada do carteiro, é verdade, perdeu a graça. Agora é um “ping” que indica a entrada de uma mensagem na caixa postal.

Revendo aquele penoso e prazeroso processo de décadas atrás, reparo na importância de um comando do e-mail que talvez seja o grande gatilho a impulsionar as transformações em nossas vidas: o botão “enviar”.

Ele pensa nela. Deixa a imaginação fluir num texto apaixonado, colocando pra fora todos seus desejos e expectativas, naquele jogo da conquista que é nutritivo e fonte da energia de viver. Aí, sem pestanejar, aperta o “enviar” e com um friozinho no estômago vê a mensagem disparada em direção ao coração da amada. A sorte está lançada, sua vida pode mudar a partir daquele momento. A resposta dela, pelo sim ou pelo não, apontará um rumo, uma transformação. Pela mágica do “enviar”.

Já outro “ele” faz tudo igual. Mas em vez do botão “enviar”, aperta o “salvar como rascunho” e vai tomar um café. Mais tarde mexe no texto, tira um pouco do impacto daqui, atenua aquela expressão exagerada ali, apaga aquela frase que o deixou envergonhado. E transforma seu sentimento puro em algo mais, digamos, suave. Pasteurizado. Só então aperta o “enviar”. Quando não se arrepende e aperta o “delete”. E sua vida continua como está.

O “enviar” é o gatilho que transforma reflexões em ação.

Portanto, quando escrever seu próximo email, pare e reflita antes de apertar o “enviar”. Valorize-o. Mereça-o. Pense nas mudanças que sua mensagem provocará na pessoa que vai recebê-la. Se concluir que nada vai mudar, talvez o “enviar” não valha a pena. Então releia a mensagem e inclua algo instigante, criativo, emocional, único, excepcional. Algo que faça do “enviar” uma ação positiva, que torne a vida de alguém mais alegre, mais motivada, mais culta, mais nutritiva. 

Só então o “enviar” terá valido a pena.

Pronto. Enviei.

 

Luciano Pires