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O Mutante

O Mutante

Luciano Pires -

Tive um descolamento de retina. Do nada. Estava tudo bem e de repente apareceu uma mancha que começou a prejudicar a visão de meu olho esquerdo. Era uma quinta-feira. No domingo, assustado com o crescimento da mancha falei com um oftalmologista. E já na segunda-feira entrei na faca. Uma cirurgia delicada e demorada para colar a retina de novo. No processo, esvaziaram meu olho da substância que o preenchia (humor vítreo, é o nome), substituindo-a por uma espécie de óleo pesado e depois por um gás. O gás seria vagarosamente assimilado por meu organismo e naturalmente substituído por novo líquido. E durante cerca de 30 dias passei por um processo delicado de recuperação, que incluiu quinze dias com o rosto virado pro chão…
Durante a cirurgia tive um anel de silicone implantado no olho para ajudar a manter a retina no lugar. O anel ficará ali para o resto da vida.
Tudo isso aconteceu em fevereiro de 2007. A explicação foi: idade e miopia avançadas. Uma conjunção de fatores que proporcionou uma espécie de rasgamento e descolamento da retina. Nada de pancadas ou acidentes.
E agora já mapeei a retina do outro olho. Tenho que começar um tratamento a laser pra prevenir que também nele ocorra um descolamento.
O olho que foi curado não ficou de todo bom. Eu havia zerado minha miopia de oito graus com uma cirurgia a laser e agora ganhei de volta um grau e meio. Mas o médico me deixou tranqüilo:
– Não se preocupe. Esse olho que foi mexido vai ter catarata com certeza. Quando a gente operá-la, zeramos o grau de novo…


Estou recuperado, mas periodicamente sinto o anel de silicone incomodar. E não adianta coçar ou pingar colírio. A coisa é lá dentro.
Voltei no médico. Ele riu e disse que eu agora eu tinha um barômetro no olho. Cada vez que o tempo mudasse, o olho incomodaria…
E não é que é isso mesmo? Se está sol e o olho incomoda, é batata:
– Vem chuva aí.
Se está calor e o olho incomoda, pode saber:.
– Vem frio aí.
Virei serviço meteorológico. Não erro uma. Nem com chuvinha. Antes de marcar uma festa, um fim de semana na praia, um churrasco em família, a turma liga pra mim.
– E aí? Como tá o olho?
Sou um mutante. Tenho um superpoder. Eu e o Wolverine! Sou o barômetro-man!
Pois ando pensando numa forma de ganhar dinheiro com isso, mas tá difícil. Com previsão do tempo não dá. Impossível competir com os serviços de meteorologia, seus radares, satélites e modelos estatísticos. Além disso, esses caras fazem as previsões de graça. Ninguém vai pagar pra saber como vai meu olho. Pensei em ir no programa do Silvio Santos ou do Faustão, mas meu superpoder não tem graça midiática.
Talvez se eu mudasse para a Austrália, podia me tornar chefe de algum grupo de aborígenes que iam me considerar um deus que prevê chuvas. Mas aborígenes moram no deserto. Lá não tem chuva, o tempo não muda…
Pô, quantas pessoas têm a chance de ter um superpoder? Eu tive!


E arranjei um que não serve pra nada!


O olho podia incomodar quando um avião fosse cair. Quando o dólar fosse aumentar. Quando o Corinthians fosse perder (aiaiai!), Quando aparecesse um petista enrustido. Quando uma gata se interessasse por mim. Quando a bolsa de valores fosse subir…
Já pensou? Pelo menos alguma utilidade teria. Mas qual…
Sou o barômetro-man, o mutante que não serve pra nada. Vou ter que continuar aqui, escrevendo, enchendo seu saco toda semana.
Em compensação, achei um novo esporte. Meio sádico, mas interessante. Quando vejo aquele dia de sol, todo mundo reunido tomando cerveja e conversando, não resisto. Com um gesto largo coço o olho esquerdo e digo:
– Ai.
Não ganho um tostão, mas estrago a festa da turma.
Sou o Mórbido-man.