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O padrão

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Luciano Pires -

“Não posso realmente imaginar o que poderão ser os estados Unidos com Donald Trump. Em todo o caso, a ascensão deste herói postiço de Reality Shows de segunda classe só pode ser explicada depois da gestão de Barak Obama.

Donald Trump me parece um homem que nada tem a declarar. Cerca-se habitualmente de conhecidos e manjados direitistas. Nem sequer terá imaginação para levantar como Obama uma questão tão vital como a dos direitos humanos. Ele só ganhou a eleição porque o povo americano estava irremediavelmente desiludido.

Suas promessas como a de acabar com o Obamacare, se levadas ao pé da letra, não podem ser levadas a sério. Parceiros europeus dos EUA temem que a eleição de Trump venha a resultar em exigências maiores na contribuição ao programa de defesa ocidental.

Será, portanto, necessário ao novo presidente americano distinguir entre suas nebulosas noções sobre relações internacionais, equilíbrio mundial de forças, a questão econômica, etc, e o que realmente os Estados Unidos poderão fazer. A aplicação de muitas coisas que ele propõe em sua campanha levarão ao agravamento da crise mundial.

Quanto aos ditadores militares latino-americanos eles terão, a partir de janeiro, na Casa Branca, um aliado declarado.

A eleição de Trump confirma a tendência europeia muito próxima do fascismo, embora a ele não se aplique essa definição.”

Que tal esse texto? Você concorda com ele? Bem atual, não é?

Pois então saiba que esse é um artigo do jornalista Claudio Abramo, publicado na Folha de São Paulo ao noticiar a vitória de Ronald Reagan na corrida para a presidência dos EUA em 1980. Um usuário do Fórum UOL Games publicou essa preciosidade, que você pode ver aqui:

claudio abramo

Eu apenas toquei Reagan por Trump, Carter por Obama e Salt 2 (o acordo entre EUA e União Soviética para limitação de armas nucleares de 1974) por Obamacare.

Não é curioso? Não parece existir um padrão prontinho, que os caras pegam e apenas preenchem alguns espaços vazios?

Tá tudo ali: Reagan e Trump são inexperientes e ignorantes; bufões que não podem ser levados a sério; artistas do mundo do entretenimento totalmente desconectados da realidade; suas ideias políticas, especialmente as econômicas, são infantis e impraticáveis; estão rodeados por um bando de incompetentes deslumbrados que não sabem o que fazem; vão quebrar os pratos com os tradicionais aliados; não estão nem aí para direitos humanos; são autoritários e, por fim, fascistas.

1980, meu, 40 anos atrás!

E deu no que deu, Ronald Reagan é considerado um dos maiores presidentes da história dos Estados Unidos, até por quem não gosta dele.

Será que o Trump entrará para a história assim também? Não sei. Ninguém sabe. Precisamos de tempo, o homem tem de se encaixar na engrenagem, tem de experimentar o jogo no campo. Se há uma coisa que Trump não é, é burro. Burro é quem imagina que ele está lá como um macaco solto numa loja de cristais. Você, sentado em sua cadeirinha aqui na Banânia, sinceramente acha que ele está rodeado de incompetentes, é? Que não tem a seu serviço uma máquina composta por alguns dos profissionais mais bem pagos do mundo, trabalhando para fazer com que sua gestão dê certo?

Bem, Claudio Abramo também achava.

Como diria o Alexandre Borges, que está comigo no episódio de abertura da 5ª temporada do Lídercast ( http://bit.ly/alexborges):

“Extrema-direita? Extrema-esquerda? Preocupe-se com a extrema-imprensa.”