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Artigos Café Brasil
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Pelé e os parasitas.

Pelé e os parasitas.

Luciano Pires -

Assisti o documentário Pelé na Netflix. Se bem me lembro, esse deve ter sido o quarto ou quinto filme sobre Pelé que assisto na vida, desde um filme em preto e branco feito nos anos sessenta até este de agora. Minha vida seguiu a vida de Pelé, na Copa de 1970 eu tinha 14 anos de idade, e você pode imaginar o tipo de narrativa que ficou em minha memória.

A Copa de 1970 foi a maior do mundo, aquela seleção é a melhor de todos os tempos e Pelé é o maior jogador do universo, nunca haverá outro igual. Essa é a afirmação de um garoto que tinha 14 anos em 1970.

A perspectiva de assistir a um documentário feito hoje, com a grana e o cuidado que a Netflix tem, certamente com acesso a imagens inéditas e com um distanciamento histórico que permitem novos ângulos, foi irresistível.

Minha expectativa vinha de outro documentário da Netflix, uma série chamada A Última Dança, que conta a história de Michael Jordan no Chicago Bulls. Aquela série me fez lamentar profundamente não ter acompanhado de perto a carreira, os jogos e a história de Michael Jordan. O documentário não alivia, mostrando só o lado heroico do super atleta, mostra também os erros, as escolhas fracassadas e todo o contexto em que a história se passa. E é de perder o fôlego, especialmente nas cenas dos jogos, que mostram que Jordan não é deste mundo.

Cara, o Pelé também não é. Vou mergulhar de cabeça!

E o documentário começa com um choque. Meu super herói entra em cena de andador, com uma expressão de dor e angústia, uma música estranha e… sinto que algo não vai bem. Imediatamente sou remetido para outro documentário, desta vez horroroso, aquele Democracia em Vertigem, de Petra Costa, também da Netflix. O espectro de uma vitimização começou a me assombrar.

Mas aí muda para cenas da Copa de 70, com alta qualidade, que me entusiasmaram. Vamos lá!

Sou de Bauru, a terra que revelou Pelé. Meu pai tem memórias e muito material sobre ele, acho que até foi consultado para a realização desse filme. Há todo um histórico envolvendo o começo da carreira no Bauru Atlético Clube até a transferência para o Santos, a expectativa aumentou. E descobri que o documentário simplesmente ignora Bauru. Não foi nem mesmo citada.

Mas tudo bem, vamos ver Pelé em ação. E ele está lá. As imagens são maravilhosas, mostrando o rei na plenitude física, tratando a bola como só mágicos conseguem, sendo elogiado por craques do quilate de Rivellino, Coutinho e tantos outros contemporâneos. Numa sequência, Pelé chega num churrasco com os companheiros do Santos dos anos 60, todos velhinhos, só Pelé de cadeira de rodas, debilitado. A conversa entre eles é uma delícia, remetendo a um tempo em que o futebol era outra coisa, muito diferente desse esporte que hoje se joga por aqui.

O filme mostra a perplexidade do menino de 16 anos indo para a copa de 1958, cercado de jornalistas, atingindo uma fama absurda para a qual não estava preparado. E aquele sorriso. O sorriso de Pelé merece um estudo. Ao abri-lo, ele conquistava a todos.

A imprensa está lá também, nas vozes dos narradores, na insistência dos repórteres para uma palavra ou imagem, o cúmulo com Cidinha Campos tentando uma declaração de um Pelé emocionado no vestiário, após seu milésimo gol.

E uma constante angústia de Édson Arantes ao decidir se deveria continuar a jogar pela Seleção após o fracasso na Copa de 1966… Ele chega a declarar que não quer mais jogar os mundiais, pois dá azar. Em 1962 e 1966 só jogou duas partidas e saiu, machucado ou eliminado. Não queria mais viver essa frustração.

E essa é a senha.

Ao contextualizar 1964, o documentário que vinha caminhando entre mais altos do que baixos, perde completamente a mão. Ou revela sua real intenção. Transforma-se num panfleto de esquerda, nas vozes das figuras patéticas de Juca Kfouri e José Trajano, secundados por Roberto Muylaert, Gilberto Gil, Benedita da Silva e mais um ou outro, que passam a desfilar seu proselitismo contra a ditadura militar, do sanguinário Emilio Garrastazu Médici. Dali para a frente, é Democracia em Vertigem na veia. Deturpação histórica, rótulos, ódio do bem e toda a caixa de ferramentas da esquerda. Trajano chega a dizer que foi cobrir a Copa de 1970 no México para torcer contra o Brasil, mas como o futebol é uma paixão, não conseguiu.

Os caras usam imagens de Carlos Marighela morto dentro do fusca, aquelas imagens famosas de soldados batendo em pessoas na rua, tanques de guerra para todo lado… e o AI-5. Entrevistam o ex-Ministro da Fazenda do regime militar, Delfim Netto, que surge para falar do AI-5 e que o homem quando tem o poder é o único animal que mata os da própria espécie.

E o Pelé?

Bem, está ali. Sentado, em preto e branco, sempre com a expressão de dor e angústia, como uma marionete sendo conduzida para dizer o que o diretor queria: que foi jogar em 1970 pressionado pela ditadura. Juca Khfouri compara Pelé com Mohammad Ali, que declarou publicamente que não iria para a Guerra do Vietnam. Juca diz que ele fez isso porque sabia que não corria o risco de ser preso e torturado. Pelé não tinha essa certeza, por isso se submeteu ao regime ditatorial brasileiro…

Cara, estou falando de um documentário chamado “Pelé”, que supostamente contaria a vida de uma das maiores figuras da história deste país. Alguém que fez mais pela imagem do Brasil no mundo do que todos os políticos vivos ou mortos que de alguma forma tiveram alguma repercussão lá fora. Um ser humano que tem defeitos, que fez algumas escolhas erradas na vida, mas que é capaz de me emocionar com a simples imagem de sua entrada em campo na Copa de 1970. Me peguei pensando: cara, aquilo foi só um jogo de futebol. Como é que posso estar aqui, 51 anos depois emocionado? Pois é.

A história dele e a mágica estão lá, sim, mas são só pretextos. A mágica foi contaminada pela militância política, deixando um sabor amargo no final do documentário.

O que foi aquilo que assisti?

No final, eu estava aguardando algum #ForaBolsonaro. Provavelmente acharam que era demais e tiraram na edição.

Bem, resumindo. Meu herói está lá, a Copa de 1970 está lá, o futebol maravilhoso está lá, vários depoimentos de jogadores espetaculares, tá tudo lá, conseguiram despertar o menino de 14 anos que assistiu a Copa de 1970 em preto e branco, numa TV. E que vibrou como nunca mais.

Mas por conta dos parasitas que continuam se alimentando da magia de Pelé, o filme é uma bosta.