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Sem Rodas

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Luciano Pires -

Tente imaginar um lugar onde não existam rodas. Isso mesmo, rodas. Não tem carro, não tem caminhão, não tem moto nem bicicletas. Nem mesmo carroças e carros-de-boi. Conseqüentemente, nem a imprensa especializada…
É possível existir um lugar assim?

É. E eu estive lá. Passei 20 dias no último mês de abril, percorrendo a Trilha do Everest, no Nepal. Desses, 15 dias foram em alta montanha, num ambiente tão íngreme que o único meio de transporte são os pés ou as patas. Andei por caminhos onde uma roda, qualquer que seja, não tem como girar livremente, em razão das pedras soltas, do barro, da neve, da água…e das trilhas apertadas onde só dá para passar uma pessoa (ou um Yak) de cada vez.

Motores? Só dos helicópteros e aviões. O resto vai tudo, eu disse TUDO, nas costas dos carregadores e dos Yaks que percorrem aquelas montanhas diariamente. A gente assiste os carregadores franzinos levando caixas de cerveja, placas de amianto, mantimentos, armários de aço, telhas, combustível, o que possa ser imaginado, nas costas. Só de ver o volume das cargas que eles carregam já dá um bico de papagaio nos estrangeiros que penam para subir aquelas encostas com suas mochilas modernas e anatômicas.

E foi lá, nas alturas de Gorak Shep, a caminho do Campo Base do Everest, que me “” caiu a ficha”” . Percebi que havia ali uma outra sociedade, que desconhece a indústria automotiva e vive sua vida sem dela sentir falta.

Toda a economia gira em torno do turismo, dos milhares de trekkers, alpinistas e turistas que todo ano atiram-se às montanhas em busca de um contato mais próximo com a natureza. Ou de desfrutar a beleza incomparável das neves eternas do Himalaia. Ou da luz espiritual. Ou do desafio físico de transpor aquelas trilhas íngremes.

São milhares de pessoas que saem do conforto de seus lares e família e metem-se num ambiente onde passam dias sem tomar banho, sem usar um banheiro decente, sem comer direito, sofrendo com os males da altitude e arriscando suas vidas acima dos 5 mil metros.

Não importa porquê estão lá, todos surpreendem-se com a SIMPLICIDADE daquela sociedade. Ali, tudo é básico. Tudo é simples. Como era no interior do Brasil dos anos 50. Não vi ninguém estressado, ninguém com pressa ( até porquê, pressa acima dos 5 mil metros só nos filmes de Hollywood ). Não vi os jornais com manchetes diárias mostrando os políticos e executivos dizendo que o país vai acabar no mês que vem. Nem TV tinha por lá.

A maior preocupação era saber se o estoque de merda seca de Yak ia ser suficiente para os aquecedores naquela noite fria…

Como é que pode um país existir sem indústria automobilística? Sem as grandes montadoras para dar impulso à todos os setores da economia?
Não pode.

O Nepal não deve existir. Aquilo deve ser um rascunho de país, esperando que os americanos ou europeus façam uma tremenda terraplenagem e que estradas sejam construídas para levar não milhares, mas milhões de turistas até o Campo Base do Everest.
Já pensou o potencial de venda de veículos e autopeças para as milhares de frotas de perueiros e de ônibus que vão circular pelas cênicas rodovias do Himalaia ?

Aí as pessoas que andavam a pé, que carregavam os pesos nas costas, passarão a andar de carro. E a carregar pesos nas caçambas. A merda seca de Yak perderá espaço para outros materiais mais nobres, agora acessíveis. Novas empresas nascerão. Ninguém mais precisará se matar subindo a pé as encostas. Chegarão indústrias, chegarão escolas.
E o Nepal vai virar um país. Porquê chegaram as rodas.

As rodas tornam tudo mais rápido, mais confortável. As rodas ocupam mais espaço. Permitem que os motores sejam espalhados pra todo lado. Permitem que mais gente desloque-se pra lá e pra cá. Aceleram o progresso. Facilitam a vida. Dão impulso à economia.

Com as rodas, a indústria automotiva ganhará peso. E com ela chegarão os executivos, que vão ficar estressados, que vão acabar-se diante das projeções chutadas de resultados e de prestações de contas às matrizes.
Aí eles juntarão um dinheirinho e sairão de férias. Irão para um país distante de um continente misterioso, onde possam ficar 15 dias passando frio, andando a pé, comendo mal, sem ar pra respirar e correndo risco de vida. E voltarão satisfeitos, engrandecidos, escrevendo artigos pra dizer como foi bom.

E lá em cima, atirados numa barraca, observando um céu estrelado como nunca viram, distantes dos apagões, do painel do congresso, imóveis pelo frio e pela falta de ar, concluirão:
– Graças a Deus aqui não tem rodas!

Vai entender…