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Artigos Café Brasil
Nem tudo se desfaz
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Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
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Café Brasil 771 – LíderCast Aurelio Alfieri
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Café na Panela – Luciana Pires
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Sem treta
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O cachorro de cinco pernas
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A aparente contradição entre desemprego e escassez de mão de obra
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Maquiavel é, com alguma freqüência, considerado o primeiro cientista político moderno: nas suas análises, ele teria sido um dos primeiros a rejeitar tanto uma concepção metafísica da natureza ...

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Trivium: Capítulo 4 – Regras de Definição (parte 5)
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O Brasil e o Dia do Professor
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O Brasil e o Dia do Professor Aulinha de dois mil réis Apesar das frequentes notícias que vêm a público, dando conta do elevado grau de corrupção existente em nosso país, e da terrível ...

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Cafezinho 432 – O vencedor
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Cafezinho 431 – Sobre Egosidade
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Cafezinho 430 – A desigualdade nossa de cada dia
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Cafezinho 429 – Minha tribo
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Sobre Unhas

Sobre Unhas

Luciano Pires -

Desde que nasci tenho o hábito de roer unhas. Não sei exatamente quando isso começou, mas a vida toda foi aquela coisa incômoda: nos momentos de tensão levar uma das mãos à boca e roer. Que coisa desagradável… Fico incomodado quando vejo outras pessoas fazendo o mesmo. Passa uma sensação de insegurança. Sem contar os perigos nestes tempos de gripes A, B, C e Z…

O hábito de roer as unhas chama-se onicofagia crônica e muita gente tem o problema. Os Freudianos dizem que tem a ver com a tal “fixação oral”, mas tive medo de me aprofundar no assunto.

Durante anos minha mãe tentou resolver o problema usando as técnicas da sabedoria popular: passando pimenta ou algum produto de gosto amargo em minhas unhas. Colocando um band-aid. E dando uns tapas cada vez que eu levava as mãos à boca. Mas nada funcionou. Naquela época não havia a cultura dos antidepressivos e as terapias de hoje.

Conforme cresci, vi que o hábito permanecia. Pensei em substituí-lo por outro hábito, fumar, por exemplo. Mas jamais entendi a lógica de engolir fumaça. Depois imaginei que se tentasse coibir o roer das unhas era capaz de desenvolver algum tique nervoso muito pior. E fui levando.

A coisa pegou mesmo quando me transferi para São Paulo, capital, aos 19 anos. Meu grupo de amigos adorava tocar em festas e eu entrei no esquema com meu violão sofrível. O som era uma porcaria, pois eu não tinha unhas. Era abafado. E dolorido. Só podia usar cordas de nylon.

Depois me tornei executivo de multinacional, sempre escondendo as mãos. Não fica bem um executivo que precisa demonstrar segurança, viver com o dedo na boca, não é? Mas a coisa era mais forte que eu. Vergonha, vergonha, vergonha….

Pois bem. No início de 2009, aos 52 anos de idade aconteceu uma coisa deliciosa. Decidi experimentar algo que sempre me atraiu: tocar viola caipira. A viola caipira, ou viola de arame, tem o formato de um violão, mas é mais “feminina” e produz um som  incomparável. É praticamente impossível tocar viola caipira sem unhas, pois são dez cordas de aço. E doídas! Mesmo assim, fui em frente. Comprei uma linda viola e me matriculei numa escola. Na primeira aula foi aquele melê: o professor arrasando e eu ali com aqueles dedões sem unha. Broxante mesmo.

Violas caipiras têm alguma coisa mágica, não sei se é a cinturinha fina, a sonoridade, a musicalidade ou o jeito de tocar, mas elas têm alguma coisa que “pega” a gente. É diferente do violão, não sei explicar… Tocar moda de viola dá um prazer que nunca tive com o violão ou a guitarra.

Comprei livros sobre violas e violeiros e mergulhei em minhas raízes caipiras. Tocar viola é mudar o jeito de viver. Cada vez mais fascinado comecei a passar longos períodos com ela, sem tocar uma música em particular, apenas ponteando. É mágico. Na viola caipira basta tocar nas cordas, que sai música. Uma paixão.

E aos poucos aconteceu: a viola me motivou a parar de roer unhas. Pela primeira vez na vida tenho unhas!!! E o som da viola está ficando cada dia mais irresistível.

Que coisa, não? Um instrumento musical teve a força de mudar um hábito de meio século.

Meu prozac é uma viola caipira.