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Café Brasil 790 – Don´t be evil

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Luciano Pires -

Existe uma preocupação crescente sobre o nível de influência que as chamadas “big techs” estão exercendo sobre nossas vidas. A cada dia ficamos menos confortáveis com a perspectiva de ter alguém decidindo o que é bom para nós. Eu vou aproveitar um fato ocorrido quando o Google formou sua controladora Alphabet em 2015 e abandonou seu antigo lema, “Não seja mau”, para refletir sobre mudanças sutis que podem impactar totalmente nossas vidas. Vamos nessa?

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

Rarararar… lembra da pizza com guaraná, cara? Essa é de 1991…

Olha, estes tempos de pandemia mudaram radicalmente o modelo de negócios de muita gente, inclusive o nosso aqui no Café Brasil. Passamos a depender ainda mais dos ouvintes. Mas não queremos doações, queremos que o ouvinte assine o Café Brasil pela consciência de estar contribuindo com algo que agrega valor à sua vida, e também ajudar para que muito mais gente continue recebendo nossos conteúdos gratuitos. Por isso, convido você a acessar o mundocafebrasil.com. Clique lá no Café Brasil Premium, você vai conhecer todos os planos. Vem com a gente, cara!Olha! Custa menos que uma pizza com guaraná por mês.

mundocafebrasil.com.

Durante muito tempo, nos preocupamos que regimes ditatoriais ameaçassem nossa liberdade. E sempre tivemos como imagem dessa ameaça algum poder maligno, representado por um ditador, por militares ensandecidos, por uma potência estrangeira ou por bilionários insaciáveis, que iriam nos dominar, definindo como devemos viver nossas vidas. Seríamos escravos.

Mas sempre imaginamos que isso seria um movimento do Estado contra o cidadão. Até que começamos a reparar que empresas colossais, que ultrapassaram em muito as fronteiras de seus países de origem, ganharam poder para nos influenciar diretamente. Passaram a nos manipular para que compremos o que elas querem, acessemos as informações que elas querem e, pior ainda, nos comportemos socialmente da forma como elas querem. Gigantes como Facebook, Twitter, Google e tantas outras chamadas big techs estão dominando o mundo.

A menos que você seja uma organização social focada em ações beneméritas, seu negócio aí tem como premissa o lucro. Sem lucro, ele não tem razão de ser. Mesmo a ação benemérita tem o seu lucro, que pode não ser o dinheiro no banco, mas os benefícios que traz para algum segmento da sociedade. Quando o negócio não dá lucro, os acionistas passam a pressioná-lo por mudanças. Ou então, levam seus investimentos embora. Nas big techs cara, não é diferente.

Essa é a premissa inicial deste episódio aqui, ó: nenhuma empresa define seu comportamento com base em seu bom coração. Define com base em obter lucros. E não é raro que isso traga implicações importantes.

Várias empresas adoram mostrar que são boas, que são bem intencionadas, cheias de amor pra dar e que contribuem para o seu bem-estar, não é?

Isso vale para qualquer empresa. Mas hoje quero aqui dar foco nas big techs, as grandes empresas de tecnologia que dominaram o mercado nos últimos anos. Essas empresas criaram serviços inovadores e disruptivos se utilizando de um modelo de negócios escalável, dinâmico e muito, muito ágil. Muitas vezes gratuitos, esses produtos passaram a fazer parte do dia a dia de várias pessoas, como é o caso dos serviços do Google, da Uber, da Netflix,  Facebook e Twitter e tantas outras.

A menos que você seja um ermitão, é impossível viver fora do alcance de alguma big tech.

“Bom dia pessoal, bom dia Luciano. Marcelo Andreolli de Bauru. Acabei de ouvir Reações ao cuzão, um pouco atrasado aí nos podcasts. Ainda falta um, vou ouvir já já o Love Janis.

E cara! Como eu já tinha comentado aí num dos grupos do Telegram, sou assinante do Premium, sensacional a reação a uma crítica, a uma idiotice, a um babaca. Quantas vezes na nossa vida que a gente convive com babaca e reage como babaca. A gente convive com pessoas do mal e reage mal. Esse programa, esses dois programas só me reforçou o que eu já acredito, luto pra fazer, porque não é fácil, mas é reagir o mal com o bem, reagir à ofensa com alegria, com confiança, com atitude, com ação e continuar fazendo a parte, a nossa parte.

Como ouvi outro dia de um vídeo no Youtube, na falta de referência, seja a referência. E eu não tenho falta de referências aqui. Você é uma das minhas, Luciano. Eu sigo muito, gosto muito, reflito muito, discordo muito e concordo muito também. Mas eu busco referências pra quem está ao meu lado. E esse programa, mais uma vez, botou a cabeça pra ferver. Esses programas.

Muito obrigado. Vida longa ao Cafezinho. Igual você faz, gostaria de deixar uma frase: vamos ser gente boa, vamos fazer o bem. De cuzão o mundo tá cheio. Um abraço”

Grraaaaande Marcelo Andreoli! É, meu caro, a gente tem algumas opções para reagir quando recebemos uma crítica. Na minha cabeça, é muito simples: como posso transformar a crítica em algo positivo, seja ela qual for. Com isso, a gente estará sempre construindo. Olha, esse seu comentário foi abrilhantado por um passarinho aí no fundo, é isso que traz a realidade dos ouvintes para dentro do podcast. Dê um muito obrigado pra ele aí. E um grande abraço pra você!

Você já sabe que a Perfetto patrocina o Café Brasil fazendo sorvetes, não é!

No site perfetto.com.br – lembre-se, perfetto tem dois “tês”, a gente enlouquece. E eu não sei se você sabia, mas sorvete é uma grande fonte de vitaminas. Sua fórmula possui proteína, cálcio, fósforo, vitaminas A, B1, B6, C, D, K e vários outros minerais que fazem bem à nossa saúde. Sorvete, meu caro, faz bem! Além de ser uma delícia, né?

Você tá se aguentando aí, cara? É difícil, né?  Vai lá no blog, cara! perfetto.com.br.

Luciano – Lalá, como é que é mesmo?

Lalá – Ah! Com sorvete #TudoéPerfetto, né?

Logo após ser fundado, o Google adotou o lema “Don’t be evil” – “Não seja mau”.  E quem disse isso foram os fundadores  no prospecto de lançamento da empresa. Afinal, o que poderia haver de mau numa empresa que apenas ajuda as pessoas a pesquisar, a encontrar o que procuram?

Mas uma empresa que não incentiva seus funcionários a fazerem o que as pessoas podem considerar mau, não precisaria dizer isso, não é? Afirmar “Não seja mau” significa que o Google sentia que poderia existir essa tentação dentro da empresa.

Dinheiro, dinheiro, tudo pelo dinheiro!

Money (That’s what I want)
Berry Gordy
Janie Bradford

The best things in life are free
But you can give them to the birds and bees
I need money (That’s what I want)
That’s what I want (That’s what I want)
That’s what I want (That’s what I want)
That’s what I want (That’s what I want)
Your love give me such a thrill
But your love don’t pay my bills
I need money (That’s what I want)
That’s what I want (That’s what I want)
That’s what I want (That’s what I want)
That’s what I want (That’s what I want)
Money don’t get everything, it’s true
But what it don’t get I can’t use
I need money (That’s what I want)
That’s what I want (That’s what I want)
That’s what I want (That’s what I want)
That’s what I want (That’s what I want)
Money (That’s what I want)
Lots of money (That’s what I want)
Whole lot of money (That’s what I want)
Uh huh (That’s what I want)
All I want (That’s what I want)
Woah yeah (That’s what I want)
Give me money (That’s what I want)
Oh, lots of money (That’s what I want)
All those lean greens, yeah (That’s what I want)
I got that, uh, that’s what I mean (That’s what I want)
All that I want (That’s what I want)
Woah yeah (That’s what I want)
Give me money yeah…

Opa… Esse é Barrett Strong, com Money (That´s what I Want), gravação de 1959, que depois teve um cover dos Beatles… mas aí vai o original, olha aí…

Então… Pensando como empresa que apenas ajuda as pessoas, a definição de mau repousa sobre o que seria ruim para os usuários. Ou, para ser mais preciso, sobre aquilo que o Google acha que é ruim para os usuários. E que, por extensão, também seria ruim para o Google. Assim a bússola moral e os interesses dos negócios apontam na mesma direção.

Mas analisando friamente cara, o que o Google concebe como “mau”, é egoísta.

Se o Google acredita que fornece os melhores serviços aos usuários da Internet, então não é mau manipular esses usuários para que usem os serviços do Google, mesmo às custas de outras empresas, não é?

Afinal, eles só querem o seu bem.

Não é considerado mau usar recursos, digamos, questionáveis, para empurrar para as pessoas o Google+, por exemplo. Afinal, para o Google, isso é melhor do que o Facebook devorador de dados e violador da privacidade, não é?

E que tal coletar dados wi-fi das pessoas? Esses dados serão apenas analisados offline para uso em outras iniciativas para o bem do usuário, tá bom?

E o planejamento tributário agressivo do Google? Ué, os usuários se beneficiam, pois mais dinheiro é investido em coisas como fornecer acesso à Internet em áreas rurais.

E quanto à privacidade do usuário? Algumas pessoas se sentem incomodadas com o volume de dados coletados pelo Google. O Google argumentaria que não faz nada de mal com os dados; eles são usados apenas para melhorar seus serviços, o que é, em última análise, do interesse dos usuários.

Hummmm… mas e que tal também impedir que pessoas que tenham pensamentos esquisitos, se utilizem das ferramentas para disseminar suas ideias? Mas o que são pensamentos esquisitos? Ué, são aqueles que o Google julgar que são maus. Aí, o algoritmo apaga…

Entendeu? É tudo para o seu bem.

Sua estupidez
Roberto Carlos
Erasmo Carlos

Meu bem, meu bem
Você tem que acreditar em mim
Ninguém pode destruir assim
Um grande amor
Não dê ouvidos à maldade alheia
E creia
Sua estupidez não lhe deixa ver
Que eu te amo
Meu bem, meu bem
Use a inteligência uma vez só
Quantos idiotas vivem só
Sem ter amor
E você vai ficar também sozinha
E eu sei porque
Sua estupidez não lhe deixa ver
Que eu te amo
Quantas vezes eu tentei falar
Que no mundo não há mais lugar
Pra quem toma decisões na vida sem pensar
Conte ao menos até três
Se precisar conte outra vez
Mas pense outra vez
Meu bem, meu bem, meu bem
Eu te amo
Meu bem, meu bem
Sua incompreensão já é demais
Nunca vi alguém tão incapaz
De compreender
Que o meu amor é bem maior que tudo
Que existe
Mas sua estupidez não lhe deixa ver
Que eu te amo
Conte ao menos até três
Se precisar conte outra vez
Pense outra vez
Meu bem, meu bem, meu bem
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo

Opa… Você ouve SUA ESTUPIDEZ, o clássico dos clássicos de Roberto e Erasmo, numa versão deliciosa com o sempre ótimo Tim Bernardes.

Presta atenção: no mundo não há mais lugar para quem toma decisões na vida sem pensar…

Voltando à nossa reflexão… Em outras palavras, o Google, assim como as demais big techs, simplesmente não pode fazer o mal enquanto acreditar que não está fazendo o mal. Especialmente quando é ele, o Google, quem define o que é bom ou mau para os usuários.

Pense bem: é uma imagem maravilhosa para apresentar ao mundo, cara, a de uma empresa benigna, até mesmo benevolente, que se esforça apenas por seus usuários, aos quais fornece serviços gratuitamente. Mas também significa que o Google efetivamente redefiniu o que “mau” significa.

Mau é tudo o que o Google disser que é mau.

Que medo, meu…

Os fundadores do Google queriam ajudar pessoas a encontrar coisas, o que por si só não é lucrativo. Os investidores querem lucro. As pesquisas que você faz, mostram ao Google o que você deseja e são justamente essas informações sobre seu comportamento e sobretudo aquilo que você gosta, que os anunciantes valorizam e pelas quais eles pagam. E pagam bem, cara! Isso dá lucro. Então os investidores forçaram o Google a mudar.

Qualquer que seja a intenção de seus fundadores, para o cara do financeiro, o Google se tornou uma empresa de mídia, de propaganda. Uma pesquisa custa dinheiro para eles. Anúncios e venda dos dados pessoais que você deixa registrados com eles, geram dinheiro para eles. Como os anunciantes pagam mais quanto mais sabem sobre você, e a pesquisa revela detalhes pessoais, muitas vezes particulares, informações pessoais tornam-se fontes de lucro. E a tentação para aumentar esses lucros é constante…

Portanto, “Don’t be evil” – “Não seja mau”.

A Wikipedia, por exemplo, poderia ter mudado seu foco das comunidades, para os interesses dos anunciantes. Mas ela optou por não fazê-lo. Os executivos do Google, mais ricos que os da Wikipedia, tiveram que testemunhar perante o Congresso sobre como podem ter contribuído para a erosão do processo democrático dos Estados Unidos, violações antitruste e mais repercussões que muitos consideram malignas.

Muitas empresas enfrentam esses dilemas. Os interesses dos investidores muitas vezes limitam a capacidade dos fundadores de agir de acordo com seus valores. Será que os fundadores do Google alguma vez pensaram se poderiam ter servido ao mundo, sem os problemas que os que levaram às barras dos tribunais?

Talvez por conta desses conflitos, quando o Google foi reorganizado sob uma nova empresa controladora, a Alphabet, em 2015, a empresa assumiu uma versão ligeiramente ajustada do seu lema. Agora, em vez de “don’t be evil”, “não seja mau” passou a ser “faça a coisa certa.”

A nova versão dizia assim, ó: “O Código de Conduta do Google é uma das maneiras pelas quais colocamos os valores do Google em prática. É construído em torno do reconhecimento de que tudo o que fazemos em relação ao nosso trabalho no Google será, e deve ser, medido em relação aos mais altos padrões possíveis de conduta ética nos negócios.”

Entendeu? Eles só querem o seu bem.

A empresa posteriormente atualizou o texto novamente, desta vez incluindo uma referência ao lema não oficial da empresa – a linha final do documento passou a ser: “E lembre-se … não seja mau, e se você vir algo que você acha que não está certo – fale!”

Coincidentemente, a mudança ocorreu quando uma dúzia de antigos funcionários pediram demissão em protesto após o envolvimento do Google com um projeto do Pentágono sobre uso de inteligência artificial em drones. Eles citaram preocupações éticas e advertiram que as armas autônomas contradiziam diretamente o famoso lema “não seja mau” da empresa.

Pelo menos desde 2018, o Facebook liderou as empresas do S&P 500, o indicador financeiro que reflete as condições do mercado americano no setor privado. Ela liderou no número de dias em que enfrentou sentimentos negativos de notícias. O Google e o Twitter, da Alphabet, ficaram entre os dez primeiros. O Facebook teve uma média de 255 dias de notícias negativas entre 2018 e 2020. O Google e o Twitter não ficaram muito atrás. Mas a surra incessante que essas empresas vêm recebendo das notícias contrasta com o aumento implacável dos preços de suas ações.

Em 2018 e 2019, o Facebook foi a empresa S&P 500 com mais dias em que o preço de suas ações subiu, apesar do sentimento negativo das notícias. Em 2020 e 2021, o Google assumiu o primeiro lugar, com o Facebook logo atrás.

Parece que podemos publicar qualquer coisa sobre essas empresas, suas práticas de coleta de dados que invadem a privacidade, sua promoção de visões políticas perniciosas, seu poder de monopólio… Podemos até contar sobre enormes multas impostas às empresas por reguladores na Europa e nos Estados Unidos, em ações judiciais e procedimentos antitruste: nada disso impede os investidores de comprar as ações.

Desde o início de 2018, a capitalização de mercado do Twitter aumentou 2,8 vezes, a do Google 2,6 vezes e a do Facebook dobrou. A capitalização de mercado do S&P 500, aumentou só 69% – e tudo isso nos anos em que o sentimento das notícias era consistentemente pior para essas três empresas de tecnologia do que para qualquer um de seus pares do S&P 500.

Enquanto apanhava, o lucro líquido do Google, por exemplo, cresceu mais de 30% ao ano. E o crescimento do lucro do Facebook foi em média de mais de 40%.

No Edelman Trust Barometer, que estuda a reputação das empresas, o índice de confiança pública nas big techs é o mais baixo de todos os tempos, com 68% em comparação com 76% em 2017.

A confiança nas redes sociais como fonte de informação também está no nível mais baixo da história.

E nasceu a Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada a produções nacionais. O catálogo oferece mais de cem títulos já na estreia e é composto de filmes, séries, programas de TV, festivais e mostras temáticas e competitivas, além de produções audiovisuais de instituições culturais parceiras. É só fazer um cadastro gratuito que você poderá acessar todo conteúdo e escolher se verá no desktop ou no celular.

Acesse itaucultural.org.br. Agora você tem cultura entrando por aqui, por aqui, pelos olhos e pelos ouvidos…

Você entendeu? Quanto mais apanham mais crescem.

As big techs nos deram as ferramentas para acessar uma variedade de bens e serviços – de transporte a alimentação e tratamento médico – sob demanda, como nunca antes. Nestes e em muitos outros sentidos, a revolução digital é um desenvolvimento milagroso, irreversível e bem-vindo, cara. Viva as big techs!

Mas… a história mostra que os períodos de grande mudança tecnológica também são caracterizados por grandes rupturas, que precisam ser administradas para o bem da sociedade. É exatamente o que estamos vivendo hoje.  Podemos não confiar nas big techs, mas os números mostram a confiança contínua dos anunciantes nelas, uma confiança que não existiria se os anúncios não se convertessem em vendas.

Se nós, usuários, realmente considerássemos as big techs diabólicas, teríamos abandonado todas em massa, não é?

Pois é.

Mas até por falta de alternativa, a gente não abandona. Por isso vamos continuar por um bom tempo, quem sabe para sempre, vivendo com as big techs como os juízes do bem e do mau.

Bom é o que elas julgarem que é bom.

Mau é o que elas julgarem que é mau.

Aliás, você vai correr para onde, hein cara? Para a imprensa, é? Putz…

O mal e o bem
Edi Rock
Lino Krizz

Uma vida, uma história de vitórias na memória
Igual o livro o mal e o bem
Pro seu bem, pro meu bem

Um espinho, uma rosa
Uma trilha, uma curva perigosa a mais de cem
Pro seu bem, pro meu bem

Pow pow pow, meu destino agora sou
Vou sem capacete, sem placa e sem retrovisor
Quem me aguarda?
Quem me espera?
Não me desespera pelos morros que eu passei

Fora da lei, eu sei, perdi e ganhei
Errei e acreditei numa luz que eu enxerguei
KL Jay, dj, Vila Mazzei
O Jó me apresentou em meados de 83
Dançando break a parceria fechou, formou
Mais uma dupla de são paulo se aventurou

Em meio as trevas, é, e o sereno
Elaboramos a cura, a fórmula com veneno
E até hoje convivendo com o perigo
Andando em facções, roubando os corações feridos

Contra o racismo, contra a desigualdade
A máquina, a fábrica que exporta criminalidade
Várias cidades, só, vários parceiros
Um salve nas quebradas de São Paulo, Rio de Janeiro
Pelo ponteiro a 220 estou
Desde 80 o espírito que me levou

Uma vida, uma história de vitórias na memória
Igual o livro o mal e o bem
Pro seu bem, pro meu bem
Um espinho, uma rosa, uma trilha
uma curva perigosa a mais de cem
Pro seu bem, pro meu bem
Céu azul

Então vai, em 90 a cena ficou violenta
Brown e o Blue com pânico na zona sul
Escolha o seu caminho, negro limitado
A voz ativa de um povo que é descriminado

Me lembro bem, bem e o mal que você me fez
É que me mantém bem pra não ser pego outra vez
As armadilha que engatilha no meio da trilha
Um cumprimento, um abraço, um olho que brilha

E que atira, na mira um coração bandido
Bem vindo a selva onde todos saíram feridos
Mas tamo aqui, a postos pro seu general
cavando o túnel e rumo ao banco central

To na função em direção ao horizonte
muito sinai, quem vai chegar ao monte
Na adolescência meu velho falava um montão
Sobre a vida sobre o mal sobre as tentação

Fechou negrão, tudo sempre será lembrado
Foi meu chefe, meu parceiro, foi meu aliado
Acelerado a milhão, na 1100
Um destino, uma brisa, o mal e o bem

Uma vida, uma história de vitórias na memória
Igual o livro o mal e o bem
Pro seu bem, pro meu bem
Um espinho, uma rosa, uma trilha
uma curva perigosa a mais de cem
Pro seu bem, pro meu bem

É assim então, com O mal e o bem, com o Racionais MC´s, que vamos finalizando mais um episódio do seu podcast prefe…

Ah, não é o preferido? Não faz mal, seja sempre bem-vindo.

Tá com os miolos fervendo aí? Google, Amazon, Apple e Facebook estão sendo acusadas de serem monopólios, de controlarem os meios globais de anúncios, publicidade, redes sociais e os preços de mercadorias tecnológicas. Mas elas vão muito mais longe. Sabem mais sobre você do que você mesmo… Existem diversas propostas em discussão para reduzir o poder dessas empresas na manipulação dos mercados.

Mas nada é tão prejudicial como o poder que elas têm de determinar o que é bom e o que é mau. Acredite, nenhuma delas está preocupada com o seu bem. E isso é assustador…

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

Olha: a busca pelo saber é fundamental. Mas quanta gente valoriza isso, hein? Os mil e setecentos assinantes do Café Brasil Premium valorizam, mas eles representam menos de 1% da nossa audiência. Será que a gente não consegue chegar no 1,5%? Vem cara, vem. mundocafebrasil.com.

O conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br. Vamos com um cafezinho ao vivo. Estou com um esquema aqui de transmissão online maravilhoso.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, um recado:

I´ll be back