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Luciano Pires -

Então, chega mais!

Eu quero fazer uma perguntinha pra você: você quer pegar seu carro, moto ou caminhão e chegar com muito mais tranquilidade e conforto onde quiser? Então escuta essa aqui, ó:  com a Nakata você chega muito mais longe! Porque a Nakata é a marca líder em suspensão que garante a qualidade das peças do seu veículo, pra chegar sempre mais longe.

Tudo para você seguir o seu caminho com mais segurança. Quer chegar sempre numa boa?

Então, não esqueça, quando chegar lá no seu mecânico de confiança para uma revisão ou quando precisar daquele reparo, pede Nakata. Seu mecânico sabe das coisas e com Nakata na mão, ele vai te ajudar a chegar ainda mais longe.

Porque só com a Nakata a gente sabe: é tudo azul pela frente.

Chega mais!

Em 2016 viralizou uma carta aberta ao Brasil, que um norte americano que viveu quatro anos por aqui, casou com uma brasileira e depois retornou para os Estados Unidos, escreveu. A carta provocou impacto, mas o enfoque dele não é novo, não. Eu decidi revisitar esse programa para que possamos refletir sobre o que ele disse em 2016, e ver se melhoramos de lá para cá.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano, Lalá, Ciça. Eu acho que eu nunca falei pra vocês, mas eu adquiri o hábito de escutar os episódios do Café Brasil desde o início, quando eu estou fazendo atividade física.

E hoje, na minha corrida diária, escutando o episódio 829, Treine a mente, veio aquela peculiar sacudida e puxão de orelha indireto, que é a especialidade do Luciano. Em pleno exercício do corpo, você Luciano, me lembra da necessidade de também exercitar o intelecto, constantemente. 

E então veio aquela sensação de estar negligenciando minhas leituras, meus últimos dois meses, com três livros enganchados sem conseguir finalizar, talvez por falta de foco e perda de disciplina. Então, terminei a corrida com a cabeça inchada, como diz o matuto aqui na minha terra. Mas a paulada não havia parado por aí.

À noite, por acaso, quando entrei na Confraria e me deparei outro puxão de orelha, dessa vez direto. Quando você reclamou de muitos estarem esquecendo a finalidade do grupo, que é, sem dúvida, o enriquecimento intelectual.

Pois bem: sem sentir, eu havia diminuído os insights sobre minhas tantas leituras em detrimento de prestar atenção na discussão política inútil. Larguei o celular com remorso, abri a gaveta da cabeceira da cama e peguei o livro que estava lá há mais de um mês, com o marcador um pouco além da metade.

O livro era: Como educar sua mente para ler e entender os grandes autores, da best seller Susan Bauer. Estou eu aqui terminando de ler, mas quase 100 páginas, estando próximo ao fim, um verdadeiro oásis de aprendizado. Cada página se encaixa em um momento em nossas vidas. A essência do que vivemos hoje, já aconteceu previamente na história sob outros contextos.

Aprendi que o passado é aquilo que não passou. Relembrei que a leitura permite elaborar uma visão de mundo, ou seja, um sistema pessoal de convicções. Que uma mente bem treinada é resultado de dedicação e não de uma genialidade inata. Que é preciso ir aos velhos livros para encontrar as novas ideias, como dizia Chesterton.

Entendi que se o homem moderno tivesse lido Dom Quixote, ele não passaria a vida lutando contra moinhos de vento. E também pude ver a evoução do pensamento humano através do teatro, em cinco atos. Na tragédia grega e comédia romana, passando pelos mistérios e pela moralidade da Idade Média, depois pela era Shakespeare, dominando a Renascença. Dos homens e seus costumes guiados pela razão Iluminista, até por fim o triunfo das ideias dos Românticos seguido pelo Teatro do Absurdo modernista.

Obrigado vocês que fazem o Café Brasil por me puxar de volta à rotina saudável das minhas leituras. Depois eu mando mais iscas lá na Confraria. Até breve e um grande abraço”.

Que maravilha, Rodrigo! Muito obrigado por seu comentário, viu? Ele é tão necessário, porque aborda a necessidade de revisitarmos os clássicos, ouvir as ideias de outros para melhor compreender o mundo. Estamos sequestrados por uma pauta político-eleitoral que nos últimos três anos limitou nossos mundos. É preciso sair desse ciclo e perceber as riquezas que estamos deixando de lado… Muito obrigado,  mais uma vez.

Mark Manson é o nome do norte americano que escreveu a carta aberta ao Brasil. Mark ficou conhecido com seus livros, em especial o best seller A Sutil Arte de Ligar o F*da-Se: Uma Estratégia Inusitada Para Uma Vida Melhor

Em seu site ele se classifica como autor, pensador e entusiasta pela vida. E o propósito ali descrito é instigante: o objetivo deste site é uma forma de auto ajuda baseada na realidade, investigada a partir de um profundo entendimento da psicologia, cultura e um pouco de meu próprio ridículo.

Vamos lá então?

Ao fundo você ouve Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Louis Gottschalk, com o grande Arthur Moreira Lima….

Caro Brasil,

O carnaval acabou. O “verdadeiro” ano novo está finalmente começando. E amanhã, estarei partindo, retornando ao meu país.

Como a maioria dos gringos, eu vim originalmente para o Brasil para as festas, as praias e as garotas. Mal sabia eu que passaria a maior parte dos próximos quatro anos dentro de suas fronteiras. Eu aprenderia muito sobre sua cultura, sua língua, seus costumes, e até o final deste ano me casarei com uma de suas filhas.

Não é segredo que há grandes problemas no Brasil. Há uma crise política, uma crise econômica, preocupações constantes de segurança, enorme desigualdade de renda e agora com o surto de Zika, aparentemente uma crise de saúde.

Ao longo dos anos, conheci muitos brasileiros que me perguntaram: “Por quê?” Por que o Brasil está tão ferrado? Por que os países da Europa e da América do Norte são tão prósperos e seguros enquanto o Brasil continua passando pelos mesmos ciclos de crescimento e colapso repetidamente?

No passado, tive conversas teóricas sobre sistemas de governo, histórias coloniais, políticas econômicas e assim por diante. Estas são claramente algumas explicações válidas para os problemas. Mas ultimamente, cheguei a outra conclusão. Uma conclusão que muitas pessoas provavelmente achariam ofensiva, mas ao mencioná-la a alguns de meus amigos brasileiros, eles me pediram para escrever sobre isso e compartilhá-lo.

Então aqui está: é você. Você é o problema.

Sim, você que está lendo isso, você é o problema. Tenho certeza de que você não queria ser, mas está participando ativamente do problema e perpetuando-o. Todos os dias.

Porque não se trata apenas de Dilma ou PT. Não são os bancos, nem as construtoras, nem a Petrobras, nem mesmo o maldito Real.

É a cultura. São as crenças e mentalidades que formam a base de como o povo brasileiro escolhe pensar sobre suas vidas e seu país.

O problema é o que você e todos ao seu redor decidiram aceitar como OK, mesmo quando nada sobre isso está OK.

Imagine que você está andando de carro com seu amigo tarde da noite. Seu amigo está dirigindo por uma rua escura sem ninguém. Ele está bebendo e não está prestando atenção quando de repente ele bate em um carro caro estacionado. Antes que alguém possa ver o que aconteceu, ele vai embora.

No dia seguinte, a polícia bate à sua porta mencionando que um carro foi danificado em uma rua próxima e eles estão se perguntando se você sabe alguma coisa sobre isso.

O que você faria? Você: A) mentiria e diria que não sabe de nada e protegeria seu amigo? Ou B) conte ao policial o que aconteceu e obrigue seu amigo a assumir a responsabilidade por seu erro.

Acredito que a maioria dos brasileiros escolheria A. Acredito que a maioria dos gringos escolheria B. E é essencialmente por isso que os países gringos são ricos e funcionais e o Brasil não. Nos países gringos, há uma sensação de que justiça e responsabilidade são mais importantes do que qualquer indivíduo específico. É uma consciência social. É a base de uma sociedade altamente funcional e ignorá-la é uma forma de egoísmo.

A maioria dos brasileiros sacrificou muito por sua família e seus amigos mais próximos e por isso não se considera egoísta.

Mas acredito que a cultura brasileira é inerentemente egoísta. Só se importar com sua família e amigos próximos ainda é uma forma de egoísmo.

Você conhece todos aqueles políticos corruptos e empresários e policiais e sindicatos de trabalhadores? Você sabe por que eles são corruptos? Garanto a você que quase todo funcionário brasileiro corrupto justifica a mentira e o roubo para si mesmo dizendo: “Estou fazendo isso pela minha família”. Eles querem dar à sua família uma vida melhor, mandar seus filhos para uma escola melhor, se mudar e viver em um bairro mais seguro.

Um brasieleiro regularmente sacaneia estranhos  para beneficiar sua família e então chama isso de altruísmo. Isso não é altruísmo. Altruísmo é abrir mão de seus próprios interesses por estranhos e pelo bem maior da sociedade em geral.

Mas há também uma vaidade envolvida. Fiquei surpreso quando soube, pela primeira vez, que chamar alguém de “vaidoso” em português não é tão ofensivo quanto em inglês. Agora eu acredito que esta é outra distinção fundamental entre as duas culturas.

Algumas semanas atrás, minha noiva e eu viajamos para uma praia famosa no Brasil. Ficamos desapontados. A água estava suja. A praia era feia. A famosa rocha próxima tinha metade do tamanho que esperávamos.

Quando voltamos para São Paulo e contamos isso para alguns amigos, a primeira resposta deles foi: “Bom, você ainda tirou fotos na frente da rocha, né?”

Parece uma afirmação tão pequena e inocente, mas para mim ilustra o cerne de outro problema com a cultura brasileira: as pessoas se preocupam muito mais com a aparência do que com o que realmente são.

Agora, o Brasil não é o único país com esse problema, mas acho que é mais extremo aqui do que em qualquer outro lugar que já estive.

É por isso que os brasileiros ricos de bom grado gastam duas ou três vezes mais por uma camisa ou uma joia do que deveriam ou contratam babás e governantas quando poderiam facilmente cuidar dos seus próprios filhos e limpar a casa: porque isso os faz parecer e se sentir mais ricos . É por isso que os brasileiros compram tudo em 12 ou 24 vezes: porque querem parecer que podem comprar uma televisão quando na verdade não podem. É por isso que alguns brasileiros pobres estão dispostos a atirar em alguém por uma moto ou sequestrar uma pessoa por alguns milhares de reais: porque querem parecer bem-sucedidos sem contribuir para a sociedade para ganhá-lo.

Muitos gringos acreditam que os brasileiros são preguiçosos. Não acho que os brasileiros sejam preguiçosos. Pelo contrário, os brasileiros têm mais energia do que a maioria das outras pessoas que já vi no mundo, veja só o carnaval.

O problema é que os brasileiros concentram toda a sua energia na vaidade em vez da produtividade , em parecer populares e glamorosos em vez de fazer algo para torná-los populares ou glamorosos, em fazer os outros pensarem que são bem-sucedidos em vez de realmente serem bem-sucedidos .

Vaidade não é felicidade.

A vaidade é uma versão de merda do Photoshop da felicidade. Parece bom, mas não é real e definitivamente não dura.

A vaidade é autodestrutiva. Se você precisa comprar algo que é muito mais caro do que deveria para se sentir especial, então você não é especial . Se você precisa pagar alguém para se sentir especial, então você não é especial. Se você precisa ferir alguém ou mentir para alguém ou enganar alguém para se sentir bem-sucedido, então você não é bem-sucedido. Nesse caso, os atalhos não funcionam.

Em vez disso, o que a vaidade faz é fazer com que você tolere o comportamento de merda das pessoas ao seu redor. Quando você está tão preocupado com o que os outros pensam sobre você , que os outros vão vê-lo como glamoroso, divertido ou popular, você está disposto a tolerar relacionamentos ruins onde seu parceiro constantemente o trai , amizades ruins onde seus amigos são desrespeitosos com você, ou relacionamentos familiares ruins, onde você não é apreciado e nem ouvido.

No Brasil, se alguém está uma hora atrasado, todo mundo para e espera por ele. Se alguém quer sair e ir por conta própria, então ele é um idiota. Se alguém em família estraga tudo e desperdiça todo o seu dinheiro, outros membros da família devem dar dinheiro a ele. Se alguém da família consegue um ótimo emprego e ganha muito dinheiro , deve dar dinheiro a todos os outros. Se alguém em um grupo de amigos não quer fazer algo, espera-se que todos os outros não o façam. Se alguém em um grupo de amigos quer fazer algo por conta própria, é visto como antissocial e egoísta.

Como um gringo que geralmente não se importa com o que as pessoas pensam sobre mim , acho muito difícil não ver essas situações como desrespeitosas e auto-sabotadoras. Em circunstâncias após circunstâncias, vejo os brasileiros recompensando a vítima e punindo socialmente as pessoas que obtém sucesso de forma independente.

Quando você recompensa uma pessoa por falhar , perder ou fazer algo errado, você não os incentiva a melhorar. Na verdade, você a torna completamente dependente daqueles ao seu redor, em vez de ensiná-la a se sustentar e a criar algo a partir de si mesma.

Quando você pune alguém por ser mais bem-sucedido do que os outros, você desencoraja os mais talentosos e ambiciosos de criar o progresso e a inovação de que o país precisa. Você retém as mesmas pessoas que vão tirá-lo dessa confusão em primeiro lugar e abre espaço para os líderes manipuladores e medíocres tomarem o lugar deles.

Você não vê não, hein?

Quando você pune socialmente as pessoas por seus sucessos, a única maneira de ser bem-sucedido é ser um idiota mentiroso e enganador.

Ou seja, você tem aí o Brasil.

Às vezes, a melhor coisa que você pode fazer a um amigo que está sempre atrasado é ir embora sem ele. Porque isso o obriga a aprender a administrar seu tempo e respeitar o tempo de outras pessoas.

Às vezes, a melhor coisa que você pode fazer a uma pessoa que desperdiçou todo o seu dinheiro é deixá-la lutar e ficar desesperada por algum tempo. Porque só assim ela aprenderá a ser responsáveis ​​no futuro.

Às vezes, a melhor coisa que você pode dizer a um membro da sua família que está chateado é simplesmente “superar isso”, porque de que outra forma ele seguirá em frente com sua vida?

Não quero que isso soe como se eu fosse o gringo que sabe tudo. Eu não. E Deus sabe que meu país está muito fodido também.

Mas em breve, Brasil, você será parte permanente da minha vida. Você fará parte da minha família. Você será meu amigo. Você será metade do meu filho quando eu tiver um.

E é por isso que sinto que devo compartilhar tudo isso com você abertamente, honestamente e com amor em que um amigo fala francamente com o outro, mesmo que doa.

E também, porque não vai melhorar.

Talvez você já tenha percebido isso. Mas se você não fizer isso, então eu serei o único a lhe dizer:

Não vai melhorar tão cedo.

Seu governo simplesmente não poderá pagar tudo o que deve em breve, a menos que você refaça toda a sua constituição. As grandes empresas que impulsionam a sua economia emprestaram muito dinheiro barato em 2008 a 2010 e provavelmente não conseguirão pagá-lo de volta. Muitos deles irão à falência nos próximos anos, causando uma crise ainda pior. Os preços das commodities estão em níveis extremamente baixos e não mostram sinais de alta, o que significa que não há mais dinheiro entrando no país. Você é uma população de devedores e gastadores excessivos em um mercado de trabalho cada vez menor e seus impostos são altos, estão estrangulando a produtividade da população.

Você está fodido. Você pode se livrar da Dilma. Você pode se livrar do PT. Você pode baixar impostos e refazer sua constituição (e deveria), mas não importa. Os erros já foram cometidos anos atrás e você vai ter que passar por isso.

Você está olhando para pelo menos 5 a 10 anos de oportunidades perdidas. Se você é um jovem brasileiro, muito do que você cresceu esperando alcançar não estará mais disponível. Se você é um adulto na casa dos 30 ou 40 anos, seus melhores anos econômicos provavelmente ficaram para trás. Se você tem mais de 50 anos, bem, você já viu esse filme antes, não é?

É a mesma velha história, apenas uma década diferente. A democracia não resolveu o problema. O Real forte não resolveu o problema. Tirar milhões de pessoas da pobreza não resolveu o problema.

O problema persiste. Porque o problema é a mentalidade das pessoas. O problema são certas facetas do que é uma cultura bela e exuberante.

O jeitinho deve morrer. A vaidade tóxica deve morrer. A falta de responsabilidade em seus relacionamentos deve morrer. E a única maneira de matar essas coisas é através de um número suficiente de brasileiros escolhendo conscientemente mudá -las dentro de si.

Ao contrário das revoluções externas que foram tão comuns ao longo da sua história, sua revolução precisa ser interna, um golpe que ocorre dentro de seu coração e dentro de sua mente.

Você deve escolher ver as coisas de uma nova maneira. Você deve estabelecer novos padrões e expectativas para si mesmo e para os outros. Você deve exigir que seu tempo seja respeitado. Você deve esperar que as pessoas ao seu redor sejam responsáveis ​​por suas ações. Você deve priorizar uma sociedade segura e forte acima de seus próprios interesses ou os interesses da sua família e amigos. Você deve deixar aqueles ao seu redor lidarem com seus próprios problemas , assim como você não deve esperar que ninguém resolva os seus.

Estas são as escolhas que devem ser feitas todos os dias. E até que essa revolução interna ocorra, eu temo que você esteja destinado a repetir os mesmos erros por muitas outras gerações.

Há uma alegria dentro do Brasil que é rara e especial. Foi o que me atraiu a este país há muitos anos e me fará voltar. Só espero que um dia essa alegria tenha a sociedade que merece.

Seu amigo,

Mark

Putz… “Eu só espero que um dia essa alegria tenha a sociedade que merece”. Que porrada, não é?

A carta do Mark mereceu todo tipo de recepção, na época. De um lado um pessoal entusiasmado com o “é isso mesmo!”. De outro os que ficaram putos com o gringo. Bom meu, há anos centenas de antropólogos, sociólogos, jornalistas, escritores, cientistas, estudam profundamente e tentam explicar o Brasil e os brasileiros. E ainda não conseguiram. E esse tal Mark, que esteve aqui durante quatro anos, viu e viveu um segmento do Brasil e quer se fazer de gostoso é?

Bem, o Mark escreve em sua carta é sua opinião. O-pi-ni-ão. Não é um trabalho antropológico nem é uma expressão definitiva da verdade. Nem mesmo é uma reportagem. Ele fez exatamente como nós fazemos quando visitamos os Estados Unidos ou ficamos sabendo de coisas que acontecem por lá: ele deu sua opinião comparando com aquilo que ele conhece. Só podemos definir alguma coisa em relação a outra coisa. Por meio de comparações.

O Mark é norte-americano, portanto só pode definir o Brasil em comparação com os Estados Unidos, não é? Sua opinião é tão legítima como se tivesse sido escrita por um polonês, um alemão, um canadense ou um australiano, não é? Aliás, ele mesmo é crítico em relação aos Estados Unidos, como pode ser lido em seu site.

OLha! Foi Balzac quem disse um dia que “quando todo mundo é corcunda, o belo porte torna-se monstruosidade”.

Hino da Independência do Brasil
Dom Pedro I
Evaristo Da Veiga.

Já podeis, da Pátria filhos
Ver contente a mãe gentil
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil
Já raiou a liberdade
Já raiou a liberdade
No horizonte do Brasil

Brava gente brasileira!
Longe vá, temor servil
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil

Os grilhões que nos forjava
Da perfídia astuto ardil
Houve mão mais poderosa
Zombou deles o Brasil
Houve mão mais poderosa
Houve mão mais poderosa
Zombou deles o Brasil

Não temais ímpias falanges
Que apresentam face hostil
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil
Vossos peitos, vossos braços
Vossos peitos, vossos braços
São muralhas do Brasil

Parabéns, ó brasileiro
Já, com garbo varonil
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil
Do universo entre as nações
Do universo entre as nações
Resplandece a do Brasil

Brava gente brasileira
Longe vá, temor servil
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil
Ou ficar a pátria livre
Ou morrer pelo Brasil

É assim então, ao som do nosso Hino da Independência, em versão irresistível do grande Eliezer Setton, que vamos saindo, espero com a cabeça quente.

Você ficou invocado, cara, ficou bravo com o americano que falou do teu país, é? Cara: para e pensa um pouquinho. Ele prega uma revolução interna e a gente já passou da hora disso.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

Venha para o Café Brasil, cara! Faça uma assinatura. Entre no mundocafebrasil.com. Você vem pra cá e além de ter acesso a um conteúdio de primeira linha, ainda ajuda a gente a manter essa máquina andando, cara. Ajuda a gente a produzir conteúdo que chega de graça pra milhares de pessoas. Venha: mundocafebrasil.com.

E o conteúdo do Café Brasil pode chegar ao vivo em sua empresa através de minhas palestras. Acesse lucianopires.com.br e vamos com um cafezinho ao vivo.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, um poema chamado IDENTIDADE, de autoria do pernambucano Hideraldo Montenegro.

Que povo eu sou
que senta comigo no sofá
e que assiste a tv embasbacado?
Que povo eu sou
se não sou um
mas muitos nós?
Que povo eu sou
que vai à missa
e pede perdão e pede clemência
e salvação pelos erros
que cometem conosco, comigo?
Que povo eu sou
incompleto e perdido?
Que povo eu sou
que vivo olhando
para o meu próprio umbigo
e não me encontro em mim
mesmo nos outros eus?
Que povo eu sou
se não sou eu?