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Café Brasil 833 – Rio, beleza e caos

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Luciano Pires -

Sabe quem ajuda este programa chegar até você?

É a Terra Desenvolvimento Agropecuário, que é especializada em inteligência no agro.

Utilizando diversas técnicas, pesquisas, tecnologia e uma equipe realizadora, a Terra levanta todos os números de sua fazenda em tempo real e auxilia você a traçar estratégias, fazer previsões e, principalmente, agir para tornar a fazenda eficiente e mais lucrativa.

E para você que acredita no agro e está interessado em investir em um segmento lucrativo e promissor, a Terra oferece orientação e serviços, para tornar esse empreendimento uma realidade.

terradesenvolvimento.com.br – razão para produzir, emoção para transformar.

A inteligência a serviço do agro.

Um cantinho e um violão / Este amor, uma canção
Pra fazer feliz a quem se ama
Muita calma pra pensar / E ter tempo pra sonhar
Da janela vê-se o Corcovado / O Redentor que lindo
Quero a vida sempre assim com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste / Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci / O que é felicidade meu amor

O Rio de Janeiro continua lindo… mas tá perigoso…

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires.

Posso entrar?

“Olá Luciano, Ciça, Lalá, bom dia, boa tarde, boa noite. Aqui quem fala é o Maurício Tomeu o irmão do Arthur do episódio X Man.

Luciano, em primeiro lugar, eu gostaria de compartilhar com os teus ouvintes que eu tive o privilégio de participar de uma gravação de um programa recente no teu estúdio. Tive também a oportunidade de conhecer a tua estação de trabalho e logo mais eu participei da Confraria do Café Brasil e eu confesso que eu fiquei meio impressionado com a quantidade de telas que você trabalha, Luciano. Acho que são sete ou oito e, realmente, é um oásis de criatividade. Aquilo ali me tocou bastante.

Fiquei mais fã ainda do teu trabalho, e a recepção foi muito bacana, muito sincera, muito traqnquila e eu recomento a todos os ouvintes do Café Brasil que tenham essa oportunidade de um dia chegar até São Paulo e ir te conhecer, é uma grande experiência.

Luciano, eu gostaria de falar rapidinho aqui que também eu ouvi esses tempos a entrevista com o casal Spencer. Realmente uma coisa incrível o que esse casal fez, inspirador demais, né Luciano?

Eu, recentemente, eu fiz uma viagem com minha esposa, a gente fez uma viagem de carro pelos Estados Unidos, de uma costa a outra. Começamos em Los Angeles, alugamos um carro e fomos até Nova York. 6.500 quilômetros mais ou menos, atravessando o interior dos Estados Unidos pelo sul,  aqueles estados, Mississipi, Tennessee, Kentucky, Alabama, Virginia e a capital Washington. Foi uma viagem muito, muito interessante, uma viagem muito musical, né, Luciano?

Pelo country, pelo blues, pelo rock and roll e só fez crescer a admiração por essa cultura toda que existe nos Estados Unidos, que vai muito além do que a gente imagina, de que não há cultura lá, que o povo é isso e aquilo. Fomos muito, muito, muito bem recebidos.

Um povo extremamente educado, receptivo, eles falam com licença, obrigado, por favor, pra tudo e o que mais me chamou a atenção, Luciano e que eu gostaria de fazer neste comentário, é que realmente eu fiquei chocado assim, comparando com a nossa realidade aqui no Brasil, é que de todo esse trecho que a gente fez, eu não vi grades, Luciano, nas casas. Olha: foram raras assim as cidades… praticamente, apenas Nova York tem grades nas casas. 

A  gente passava por cada cidadezinha, cidades grandes também e via aquelas casas bonitas, aqueles jardins e não havia grades, Luciano.

Então, isso me faz… está me fazendo refletir muito, em que tipo de sociedade os americanos vivem, né? Que basicamente é uma sociedade sem grades, em que as pessoas elas tem liberdade pra abrir suas casas, pra socializar com os outros sem medo de que alguém vá invadir sua residência, que vá assaltar, que vá roubar.

Não que isso não exista lá, mas é muito diferente você ter essa percepção de que a grade ela não é um imperativo no país. É o contrário. O imperativo é você ser livre pra ter usa vida como você quer. E isso também demonstra que é preciso ter uma grande responsabilidade nesse caso, porque ao mesmo tempo que você tem liberdade de não ter grade na sua casa, você ter uma responsabilidade muito maior porque o vizinho também não tem grade. Então os espaços  existem, eles tem que ser respeitados, né? E você não pode simplesmente invadir o espaço do outro porque ele não tem grade. Assim você também estaria perdendo a liberdade do seu espaço.

Diante de tudo que está acontecendo no Brasil, que vem acomtecendo, a violência crescente, o medo, as pessoas desconfiadas umas das outras, eu fico pensando como que será, como que seria viver num país, no Brasil sem grades, sem medo, sem paranóia, sabe, Luciano?

Quando eu voltei aqui pro Brasil eu fiquei triste, eu fiquei chateado, eu fiquei desanimado, não tanto por toda situação que a gente viu, mas exatamente por esse ponto, por me sentir preso, por me sentir amarrado, de me sentir num lugar hostil pra viver as coisas simples do dia a dia, né?

Isso eu acho que é uma reflexão que, não sei se talvez valeria um programa, ou não, mas como que seria uma sociedade sem grades. Uma sociedade brasileira sem amarras, sem medo, em que as pessoas resolvessem, realmente, se abrir mais, se conhecer mais, se unir mais em torno de um objetivo comum que é ter uma cidade boa pra viver, um bairro bom pra viver, uma vizinhança agradável.

Eu acho que isso a gente está muito muito carente aqui neste país, e só viajando mesmo, botando pé na estrada e vendo outras realidades pra voltar a refletir, tentar aplicar aqui essas coisas boas da vida que a gente vê por aí, né?

Um grande abraço, continuo acompanhando fielmente o teu trabalho, sou sócio, sou membro da Confraria e só agradeço pelo trabalho excepcional que vocês fazem. Continue na luta, parceiro. Um grande abraço. Bom dia, boa tarde, boa noite”.

Grande Marcelo Toneto. Levantando uma lebre tremenda, cara!  Grade não é um imperativo.

Cara, como seria um Brasil sem paranóia, né? A gente está caminhando pra um país cada dia mais complicado, cada dia mais enrolado. Os problemas são complicadíssimos para serem resolvidos e a coisa não parece caminhar pra uma solução, né? As coisas parece que vão se multiplicando, os problemas vão ficando cada vez maiores, mais complexos.

O programa de hoje trata um pouco desse assunto aí, mas o Marcelo deixa aí uma bela duma reflexão pra gente, né? Como é que seria o Brasil onde a gente… todo mundo fosse responsável por si, pelos outros… todo mundo tivesse a consciência que não está num lugar hostil pra se viver.

Esse é o ponto. Como fazer pra que o Brasil não seja um local hostil pra se viver? Sei lá.

O programa de hoje trata um pouco disso

Você ouve Sarah Vaughn interpretando Quiet Nights, Quiet Stars, versão feita para Corcovado, de Tom Jobim, com letra de Gene Lees. A letra diz assim, na tradução:

Noites tranquilas de estrelas calmas
Acordes tranquilos do meu violão
Flutuando sobre o silêncio que nos rodeia

Pensamentos tranquilos e sonhos calmos
Passeios tranquilos por caminhos calmos
E uma janela com vista para as montanhas
E o mar, tão adorável

Este é o lugar onde quero estar
Aqui, com você tão perto de mim
Até o final dos nossos dias

Eu, que estava perdido e solitário
Acreditando que a vida era apenas
Uma piada amarga trágica
Encontrei em você;
O significado da existência, oh meu amor

Cara, que loucura. Esse é o áudio de um vídeo que recebi pelo Twitter, mostrando uma mãe e sua filha apavoradas, sentadas no chão de sua casa enquanto um tiroteio acontece do lado de fora. No Rio de Janeiro…

Cara, o que que aconteceu com o Rio, hein?

Rap das armas
Mc Junior
Mc Leonardo

Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Papara-papara-papara-claque-bum
Parapapapapapapapapa
Morro do Dendê é ruim de invadir
Nós, com os Alemão, vamos se divertir
Porque no Dendê eu vou dizer como é que é
Lá não tem mole, nem prà DRE
Pra subir aqui no morro até o BOPE treme
Não tem mole pro Exército Civil nem pra PM
Eu dou o maior conceito para os amigos meus
Mas Morro do Dendê também é terra de Deus
Vamos lá!
Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Papara-papara-papara-claque-bum
Parapapapapapapapapa
Morro do Dendê é ruim de invadir
Nós, com os Alemão, vamos se divertir
Porque no Dendê eu vou dizer como é que é
Aqui não tem mole nem prà DRE
Pra subir aqui no morro até o BOPE treme
Não tem mole prò Exército Civil nem prà PM
Eu dou o maior conceito para os amigos meus
Mas Morro do Dendê também é terra de Deus
Vem um de AR15 e outro de doze na mão
Vem mais dois de pistola e outro com dois-oitão
Um vai de URU na frente escoltando o camburão
Tem mais dois na retaguarda, mais ‘tão de Glock na mão
Parapapapapapapapapa
Rap das armas
Cidinho
Doca

Parapapapapapapapapa
Papara-papara-papara-claque-bum
Parapapapapapapapapa
Amigos que eu não esqueço nem deixo pra depois
Lá vêm dois irmãozinhos de sete-meia-dois
Dando tiro prò alto só pra fazer teste
De Ina-Intratec Pistol, UZI ou de Winchester
Eles são bandidos ruins e ninguém trabalha
De AK47 e na outra mão a metralha
A vizinhança dessa massa já diz que não agüenta
Nas entradas da favela já tem ponto 50
E se tu tomar um “PÁ!”, será que você grita
Seja de ponto 50 ou então de ponto 30
Esse rap é maneiro eu digo pra vocês
E finalizo o rap detonando de granada
Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Papara-papara-papara-claque-bum
Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Papara-papara-papara-claque-bum
Parapapapapapapapapa (vamo lá)

Lembrando aí de Tropa de Elite, você está ouvindo Rap das armas, de Mc Junior e Mc Leonardo.

É com ele que eu vou abrindo aqui, dizendo que num trabalho de 2004 chamado O IMPACTO DA VIOLÊNCIA NO RIO DE JANEIRO, de Ignacio Cano, João Trajano Sento-Sé, Eduardo Ribeiro e Fernanda Fernandes de Souza, do LABORATÓRIO DE ANÁLISE DA VIOLÊNCIA DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (UERJ), encontrei algumas informações bem interessantes. Vamos a ele:

Até o final dos anos 70 e o início da década seguinte, a violência não era percebida como uma questão central no debate político brasileiro. Temas como educação, serviços de saúde e desemprego concentravam as preocupações da população e apareciam como as áreas prioritárias da agenda pública. Isso não quer dizer que as grandes cidades brasileiras fossem pacíficas ou que a violência fosse residual. Tomando o caso do Rio de Janeiro, por exemplo, os municípios que compunham a periferia de sua região metropolitana, a Baixada Fluminense, gozavam da péssima reputação de estarem entre as áreas mais violentas da América Latina. Os homicídios perpetrados por grupos de extermínio, muitas vezes sob suspeita de serem compostos por policiais, eram recorrentes  e serviam de material jornalístico.

Além dos grupos paraestatais, as próprias forças policiais regulares funcionavam, então, com largo uso da força, dispensando tratamento brutal às populações das periferias e aos moradores das favelas. De fato, as forças policiais tinham sido criadas no Brasil do século XIX com o objetivo de manter sob controle, através da violência, os grupos excluídos na ordem urbana pós-colonial, começando pelos escravos e continuando com os libertos.

Esse período dos anos setenta ainda é lembrado e mencionado por alguns analistas que se reportam ao tempo em que gradativamente a violência e a criminalidade foram incorporadas aos debates públicos e se tornaram objeto de atenção. Embora não haja dados oficiais muito confiáveis ou suficientemente desagregados para que se proceda a uma análise mais acurada, é comum considerar que já naquele período o crime e a violência tinham proporções bastante expressivas, mas não ocupavam o centro das atenções por se concentrar nas periferias e atingir preferencialmente as camadas pobres.

Um outro fator que provavelmente retardou o debate público sobre a violência foi de ordem política. Durante boa parte do governo militar os órgãos de comunicação foram duramente censurados. Quando, a partir do fim dos anos de 1970, o regime vai pouco a pouco se distendendo, a violência praticada pelo Estado contra os grupos de esquerda ocupa a maior parte das atenções. Começa-se pouco a pouco a ter consciência de que aquele mesmo Estado reprimira os militantes de esquerda já pautava dessa forma sua ação sobre outros setores da população. A preocupação com a violência, de forma geral, começa a aparecer como ponto relevante da agenda.

Um terceiro aspecto deve ser mencionado. Salvo alguns casos de quadrilhas, o chamado mundo do crime aparentemente dispunha de poucos recursos tecnológicos, baixa capacidade organizacional e armas com limitado poder de destruição. É ao longo da metade dos anos de 1980 que esse cenário vai mudar. Embora prejudicada pela ausência de dados confiáveis, a literatura especializada costuma atribuir ao crescimento do comércio de drogas, sobretudo mediante o aumento do fluxo de cocaína, uma radical alteração nos padrões organizacionais de grupos dedicados a atividades criminosas. Uma das mudanças mais importantes seria o rápido processo de aquisição de armamento pesado. Tornado um negócio capaz de movimentar somas vultosas, o tráfico de drogas suscitou a disputa de grupos pelos pontos de venda varejista de droga, em sua maioria localizados nas favelas.

Essa tendência teria dinamizado um outro comércio ilegal, o de armas, que pouco a pouco foram despejadas num mercado em expansão. Assim, a organização de grupos fortemente armados voltados para o comércio ilegal de drogas e o consequente crescimento do comércio ilegal de armas alteram significativamente as dinâmicas da violência no Rio de Janeiro.

Simultaneamente crescem o interesse e a percepção de que a violência é um fenômeno bem mais próximo do que jamais parecera antes. Se antes estivera isolado nos rincões da metrópole, nas suas superfícies miseráveis e degradadas, a violência passa a se incorporar lentamente ao cotidiano das camadas médias. Ao menos é assim que boa parte da sociedade fluminense, em geral, e carioca, em particular, começa a lidar com o problema.

A cultura do medo daí construída se torna ela própria mais uma variável que incide sobre as dinâmicas que a originam.

As percepções de insegurança são hoje parte de um sentimento que atravessa virtualmente toda a sociedade carioca, independentemente de extrato social, corte de gênero ou idade. Pode-se dizer que boa parte da população convive com a sensação de que a violência teria se “democratizado”, atingindo a todos por igual, mesmo que os dados não justifiquem essa visão.

Bem, esse texto é de 2004. De lá para cá, a situação se tornou ainda mais dramática.

Meu: escuta aí que coisa maravilhosa… Essa é Corcovado, com Hélio Delmiro e Nelson Faria. Cara… quero o Rio de Janeiro de volta…

É evidente que a questão da segurança no Rio de Janeiro, não pode ser resolvida com uma ação apenas num campo. Não é só com polícia e repressão que esse assunto se resolve. É preciso agira na economia, na saúde, na educação, em todos os aspectos que possam impactar nas oportunidades para que os jovens não sejam cooptados pelo narcotráfico e entrem no banditismo. É necessária uma ação da sociedade carioca, se ela quiser reduzir a violência no estado. Porque a situação chegou a um ponto em que é incontrolável, se ela for atacada de forma fragmentada. Mesmo os especialistas, não chegam a uma concordância sobre quais as ações prioritárias, já que o banditismo chegou a todas as instâncias da sociedade. Está na política, na imprensa, na cultura.

O banditismo e a violência no Rio de Janeiro são um fenômeno cultural.

E cultura não se muda num estalar de dedos.

Meu amigo Roberto Motta, que hoje é comentarista na Jovem Pan, escreveu um artigo interessante sobre as dificuldades do combate à violência, usando como exemplo a cidade de São Francisco, na Califórnia. Eu estive lá, uns 20 anos atrás, fiquei encantado com a cidade. Mas quem tem ido para lá recentemente, conta que a cidade está irreconhecível. E o Motta dá uma pista da razão.

Para ver o que acontece quando a ideologia radical domina a justiça criminal, basta olhar para a cidade de San Francisco, na Califórnia.

Uma reportagem do New York Times de maio de 2021 diz que os roubos em lojas de San Francisco – uma das cidades mais ricas dos EUA – saíram totalmente de controle na cidade.

Por exemplo, os roubos nas lojas Walgreens da cidade são quatro vezes mais altos do que a média nacional, o que já forçou a empresa a fechar 17 lojas.

Frequentemente, os produtos roubados são vendidos nas calçadas em frente às próprias lojas de onde foram tirados.

Seguranças e funcionários receberam instruções para não confrontar e nem perseguir mais pessoas que tenham sido vistas furtando mercadorias, porque o risco se tornou muito alto.

Eu vivi nos EUA entre 1989 e 1994, e uma das primeiras coisas que percebi é que os americanos levavam qualquer tipo de crime a sério, incluindo os roubos em lojas – o termo é “shoplifting”.

O que mudou em San Francisco?

A reportagem do NY Times menciona como causa uma lei do estado da Califórnia aprovada por um plebiscito em 2014.

Segundo a lei, conhecida como Proposition 47, roubo de mercadorias com valor inferior a 950 dólares deixou de ser crime e passou a ser contravenção.

Isso, naturalmente, estimulou os ladrões.

É vasta a literatura que explica a motivação econômica do crime.

O economista Gary Becker ganhou o Prêmio Nobel em 1992 explicando que a atividade criminosa é movida por uma análise de custos e benefício pelo criminoso. Se os custos do crime para o bandido são baixos e os benefícios são altos, mais crime será cometido.

O comandante Raj Vaswani, chefe de investigações do Departamento de Polícia de San Francisco, diz que está ocorrendo uma escalada de crimes violentos e cada vez mais ousados, “cometidos repetidamente pelos mesmos criminosos”.

Isso também não é novidade. Um estudo de 2017

já mostrou que 66% dos crimes são cometidos por 10% dos criminosos.

É exatamente isso que está acontecendo em San Francisco.

Mas – pergunta a reportagem do NY Times – por que a mesma coisa não está acontecendo em outras cidades da Califórnia, já que a lei que foi modificada é estadual?

Quem explica a razão é Ahsha Safai, um vereador de San Francisco: tolerância com o crime. “Virou rotina”, ele declarou ao NY Times. “As pessoas se conformaram com a situação”.

Segundo Safai, “os criminosos estão escolhendo os alvos baseados nas consequências. Se os crimes cometidos não geram consequências para o criminoso, então você está estimulando novos crimes”.

E essa é a lição de San Francisco.

Rio 40 graus
Fernanda Abreu
Fausto Fawcet
Laufer

Hey! (Hey!)
Hey! (Hey!)
É sambando que aqui se dou!
Rio 40 graus
Rio 40 graus
Rio 40 graus
Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos
Capital do sangue quente do Brasil
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior do Brasil
Capital do sangue quente do Brasil
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior do Brasil
Cidade sangue quente
Maravilha mutante
Cidade sangue quente
Maravilha mutante
O rio é uma cidade de cidades misturadas
O rio é uma cidade de cidades camufladas
Governos misturados, camuflados, paralelos
Sorrateiros, ocultando comandos
De comando, de comando, submundo oficial
Comando de comando, submundo bandidaço
Comando de comando, submundo classe média
Comando de comando, submundo camelô
Comando de comando, submáfia manicure
Comando de comando, submáfia de boate
Comando de comando, submundo de madame
Comando de comando, submundo da TV
Submundo deputado (submáfia aposentado)
Submundo de papai (submáfia da mamãe)
Submundo da vovó (submáfia criancinha), é
Submundo dos filhinhos
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante
Rio 40 graus
Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
Purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
Quem é dono desse beco?
Quem é dono dessa rua?
De quem é esse edifício?
De quem é esse lugar?
Quem é dono desse beco?
Quem é dono dessa rua?
De quem é esse edifício?
De quem é esse lugar?
É seu esse lugar
É meu esse lugar?
Também é seu! (É)
Eu quero o meu crachá
Sou carioca
Sou carioca
Canil veterinário é assaltado
Liberando cachorrada doentia, atropelando
Na xinxa das esquinas de macumba gigantesca
Escopeta de sainha plissada
Na xinxa das esquinas de macumba violenta
Escopeta de shortinho de algodão
Cachorrada doentia do Joá
Cachorrada doentia São Cristóvão
Cachorrada doentia Bonsucesso
Cachorrada doentia Madureira
Cachorrada doentia da Rocinha
Cachorrada doentia do Estácio
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante
Yeah
Rio 40 graus
Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
Purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
A novidade cultural da garotada
Favelada, suburbana, classe média, marginal
É informática, metralha, subuso, equipadinha
Com cartucho musical de batucada digital
Cadilho de disquete, marcação, pagodade, funk
De gatilho, marcação de samba
Balanço, com batuque digital
Na sub-uzi musical de batucada digital (é)
Meio batuque, inovação de marcação
Pra pagodeira, curtição de falação
De batucada, com cartucho sub-uzi
De batuque digital, metralhadora musical
Marcação, invocação
Pra gritaria de torcida da galera (funk)
Marcação, invocação
Pra gritaria de torcida da galera (samba)
Marcação, invocação
Pra gritaria de torcida da galera tiroteio
De gatilho digital, de sub-uzi equipadinha
Com cartucho musical, de contrabando militar
Da novidade cultural
Da garotada da favelada, suburbana
De shortinho e de chinelo, sem camisa
Carregando sub-uzi e equipadinha
Com cartucho musical de batucada digital
Na cidade sangue quente
Na cidade maravilha mutante (hey)
Rio 40 graus
Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
Purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
A cidade não para
A cidade não para
A cidade não para
A cidade não para
Rio 40 graus
Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
Cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus
Purgatório da beleza e do caos
Rio 40 graus.

Você ouve o clássico de Fernanda Abreu, Fausto Fawcet e Laufer, Rio 40 Graus, uma canção que descreve o Rio de Janeiro como ele verdadeiramente é: cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos.

Olha: mas o Motta não parou por aí, não. Ele se especializou no assunto, e continua em outro artigo.

Vou explicar para quem ainda não entendeu: da mesma forma que terroristas do Oriente Médio usam a população local como escudo humano, os narcotraficantes do Rio usam a população das favelas para proteger o seu negócio.

Os grandes entrepostos de distribuição de drogas estão em favelas, mas não porque os traficantes são pobres coitados sem oportunidades. Eles estão lá porque a população local – inclusive mulheres, crianças e idosos – serve como escudo humano e sistema de alerta contra a polícia.

Toda a vez que você vir uma manchete que diz “jovem trabalhador baleado em troca de tiros” lembre-se disso.

Essas pessoas não são baleadas por acaso.

Seus ferimentos ou morte servem de proteção ao tráfico, e ainda trazem o benefício adicional de demonizar a polícia e levar a sociedade a ter empatia com os narcoterroristas.

Essa empatia – essencial para os negócios – é estimulada por uma mídia mal-informada e por ONGs de “direitos humanos” que, muitas vezes, são meros departamentos de marketing dos narcoterror.

Você já deve ter visto inúmeros depoimentos de famílias de vítimas de “bala perdida” acusando a polícia. Mas você lembra de algum depoimento em que a família acusa o tráfico?

Você já deve ter visto os comoventes – e convenientes – desenhos feitos por crianças das “comunidades” que mostram helicópteros atirando em pessoas.

O que você provavelmente não sabe é que o helicóptero oferece proteção essencial para operações policiais contra narcoterroristas profundamente escondidos em favelas, e por isso impedir seu uso é fundamental.

A tática de usar crianças para proteção e propaganda é a mesma que a organização terrorista Hamas usa na faixa de Gaza.

É EXATAMENTE IGUAL.

Lendo os jornais e ouvindo algumas ONGs e “redes” de comunidades é inevitável que você, cidadão comum, conclua que:

1. A polícia não sabe o que faz, e é uma ameaça permanente ao bem estar dos pobres

2. O traficante é um empreendedor social que não atrapalha ninguém

3. Os traficantes são queridos pela “comunidade”

A verdade é que os narcoterroristas impõem um regime de terror nas favelas que ocupam, abusando dos moradores e os usando como escudo. Os traficantes são odiados pelos cidadãos de bem e trabalhadores, que são a maioria absoluta em todas as “comunidades”.

A verdade é que o narcoterrorismo gera e financia boa parte das atividades criminosas, espalhando crime, corrupção e medo por todo lugar.

Mas você jamais saberá isso lendo um jornal.

Isso não acontece por acaso.

O Rio pode voltar a ser um lugar tranquilo para se viver, assim como Nova Iorque, Miami, Milão, Frankfurt, Londres ou Bruxelas. Em todas essas cidades existe tráfico; em nenhuma delas existe narcoterror.

Nenhuma sociedade estará jamais livre do tráfico de drogas, mas podemos sim nos livrar dos narcoterroristas e em pouco tempo.

Mas para isso é preciso que a sociedade conheça a verdade.

Coloquei o link para esses artigos no roteiro deste episódio em portalcafebrasil.com.br: https://www.robertobmotta.com.br/artigos/olhem-para-san-francisco/

A Destruição da Segurança Pública do Rio de Janeiro

É assim então, ao som de Corcovado, que vamos saindo ressabiados com o Rio de Janeiro, que é um suco concentrado do Brasil. Olha, eu procurei várias versões para usar no encerramento do programa, acabei não resistindo à afinação da Gal Costa, que dá a esse clássico a interpretação que ele merece.

Olha, eu estive no Rio de Janeiro pela primeira vez acho que em 1972, aos 16 anos. E de la para cá voltei na cidade maravilhosa dezenas de vezes. Eu continuo indo para lá, sempre fascinado com a beleza, com a injeção de Brasil, de povo, de história que recebo a cada vez que estou por lá. Muito do que eu sou, foi construído pelas referências que recebi da cidade maravilhosa. O Pasquim, a música, os escritos, a energia, a malemolência, a malandragem, o carinho, a alegria… a noção de ser brasileiro. Outro dia fui comer uma feijoada com samba no bairro da Vila Madalena. Sentado naquela muvuca, apertado, com um grupo tocando samba, de repente começa a tocar…

Alguém me avisou
Dona Ivonne Lara

Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há?
Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há?
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá pequenininho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho
Sempre fui obediente
Mas não pude resistir
Foi numa roda de samba
Que juntei-me aos bambas pra me distrair
Quando eu voltar à Bahia
Terei muito o que contar
Ó, padrinho, não se zangue
Eu nasci no samba e não posso parar
Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há?
Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há?
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá pequenininho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho
Sempre fui obediente
Mas não pude resistir
Foi numa roda de samba
Que juntei-me aos bambas pra me distrair
Quando eu voltar à Bahia
Terei muito o que contar
Ó, padrinho, não se zangue
Eu nasci no samba e não posso parar
Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há?
Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há?
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá pequenininho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho
Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho
Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há?
Foram me chamar
Eu estou aqui, o que é que há?
Eu vim de lá, eu vim de lá pequenininho
Mas eu vim de lá…

… todo mundo cantando e dançando junto… Meus olhos se encheram de lágrimas. Era irresistível, samba entrando por todos os poros, as pessoas felizes, dançando e cantando. Cara, eu me senti brasileiro ali, completo, cheio de amor para dar, embalado pela letra de uma carioca, Dona Ivone Lara, que em Alguém Me Avisou canta a humildade, o reconhecimento aos mestres, a alegria do samba. Em plena Vila Madalena, me senti no Rio de Janeiro, numa daquelas manhãs inebriado pela paisagem que só o Rio tem e dizendo… Good Day, Sunshine….

Por alguns minutos, senti a felicidade plena de estar no meu Brasil, rodeado de brasileiros, fazendo aquilo que a gente sabe fazer melhor: festejar a vida.

Cara, eu quero o Rio de Janeiro de volta.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

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Para terminar cara, tem de ser Tom Jobim, não é?

Eu não moro no rio, eu namoro o Rio.