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Café Brasil 875 –  Infelizmente Não Pode Ser

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Luciano Pires -

Sabe quem ajuda este programa chegar até você?

É a Terra Desenvolvimento Agropecuário, que é especializada em inteligência no agro.

Utilizando diversas técnicas, pesquisas, tecnologia e uma equipe realizadora, a Terra levanta todos os números de sua fazenda em tempo real e auxilia você a traçar estratégias, fazer previsões e, principalmente, agir para tornar a fazenda eficiente e mais lucrativa.

E para você que acredita no agro e está interessado em investir em um seguimento lucrativo e promissor, a Terra oferece orientação e serviços, para tornar esse empreendimento uma realidade.

terradesenvolvimento.com.br – razão para produzir, emoção para transformar.

A inteligência a serviço do agro.


Após décadas aprendendo e praticando a arte da liderança, duas perguntas me incomodam.

Por que tanta falta de líderes se nunca se falou tanto sobre liderança como hoje?

E por que alguns líderes são agradáveis, úteis e atraentes, mas outros são desagradáveis, inúteis e repulsivos?

Bem, ou ninguém está entendendo nada ou está aprendendo coisas erradas.

Com o Café Brasil Premium eu ensino você a se desenvolver como líder que não apenas lidera, mas atrai, inspira, educa e serve como modelo. Um Líder Nutritivo. Você acessará textos, livros, palestras, cursos, podcasts, jornadas de aprendizado exclusivas e uma comunidade de líderes e empreendedores nutritivos. O lugar ideal para você deixar de gastar tempo de vida sendo apenas mais uma pessoa “normal” e previsível.

Quanto custa? Menos de meia pizza por mês. Você ouviu, hein? Metade de uma pizza. Por mês!

Torne-se um líder nutritivo que encanta e provoca mudanças. Assine o Café Brasil Premium agora mesmo acessando canalcafebrasil.com.br.

Sou do tempo em que o INSS se chamava INPS – Instituto Nacional da Previdência Social, que a cultura popular chamava de Infelizmente Não Pode Ser. Foi assim de 1966 até 1990, quando o nome mudou para INSS – Instituto Nacional do Seguro Social. O nome mudou, mas a prestação de serviços…

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?

“Oi Luciano, bom dia. Fiz questão de fazer um vídeo ao invés de um áudio desta vez.

Bom, vamos lá: o que eu tenho pra contar é muito interessante. Esses dias eu estava na cozinha, meu marido chegou na porta e disse: o pessoal do Luciano Pires entrou em contato pra fazer uma proposta de um novo pacote que ele lançou, que vai ter mais cursos e tal e eu interrompi meu marido na hora, e falei: olha só. Duas coisinhas. Café Brasil e Brasil Paralelo a não ser que vá comprometer assim, de uma forma absurda nossas despesas domésticas, não me interessa muito desses detalhes que vão custar mais … essas duas coisas quanto foi, mas paga.

Passou um tempo, eu estava viajando e eu sempre viajo com o Café Brasil. É um jeito de desestressar com a rodovia, enfim, muito bom. Não tem que fazer seleção de músicas, eu amo.

Aí um ouvinte, muito simpático por sinal, mandou um áudio dizendo que ele precisava ter acesso a um tipo de conteúdo específico, mas que ele achava que esse conteúdo era pago, porque ele não estava encontrando esse conteúdo na plataforma. Mas ele estava bem pesaroso mesmo. Nossa, mas eu queria saber se é pago esse conteúdo, e tal, né?

E aí eu falei assim: caraca, será que isso é tão caro assim? Vai me comprometer, vai comprometer meu orçamento doméstico. Cheguei em casa e falei assim: escuta, quanto você paga de Café Brasil, pelo amor de Deus.

E aí meu marido me falou o valor que ele pagava, o valor que ele está pagando atualmente. Gente!

Aí eu fiz uma listinha de coisas que correspondem a um mês de Café Brasil. E aí eu levei em consideração o que eu gastei naquela semana. Naquela semana eu fiz o pé e fiz a mão. Fui na manicure. Corresponde à manicure só das mãos, tá? Não pé e mão. Corresponde a fazer a unha uma vez por semana uma mensalidade do Café Brasil.

Nessa semana também eu comi uma pizza com a minha amiga. Metade do valor da pizza ficou mais cara do que um mês de Café Brasil

Eu não tenho carro já faz um tempo e eu ando de aplicativo. Andei de aplicativo esta semana, obviamente. E um mês de Café Brasil corresponde a quatro corridinhas bem rápidas, bem perto da minha casa, de aplicativo.

A lista é imensa de coisas que no meu dia a dia, que eu gasto muito mais. São coisas corriqueiras, não são coisas absurdas não, que eu gasto muito mais.

Eu cheguei à conclusão que o Café Brasil, ele vale pra mim  muito mais do que ele custa, porque o repertório que você adquire, quanto você consegue interagir com o seu meio, quanto você melhora a tua oratória, a partir do conteúdo do Café Brasil, seria muito difícil aferir qualquer preço nisso daí, mensurar isso daí.

Então, não precisa pagar nada pra isso não. Eu sou assinante, sou entusiasta, divulgo pra todo mundo, se a pessoa já ouviu quatro episódios eu estimulo ela a assinar, é uma conta, uma pergunta muito simples: quanto vale aumentar a sua capacidade intelectual e poder interagir no seu meio de uma forma muito mais inteligente? Essa é a pergunta que fica.  

Bom dia a todos e vida longa ao Café Brasil.”

Ai que delícia. Essa foi a Viviane Bertoni. Será que eu preciso dizer alguma coisa pra ela além de muito obrigado?

Mas pra você eu preciso, cara. Pegue o dinheiro que você desperdiça todo mês e aplique no que pode mudar a sua vida. Assine o Café Brasil. Dê uma parada no podcast e tome nota: canalcafebrasil.com.br. A gente aguarda uns segundos…

Não consigo completar minha declaração do IR por conta da impossibilidade de emissão do extrato de pagamentos da aposentadoria do INSS. Algum erro no sistema.

Entro no alicativo para ver o que é, me pedem para atualizar dados do IR. “Você não precisa ir ao INSS” está lá escrito. Mas a coisa não anda, o aplicativo fica indefinidamente girando numa página. Tento pelo site, vem o aviso: “O senhor vai ter de ir à agência do INSS.” Tenho de agendar o atendimento.

Atendimento agendado, lá vou eu para a agência. Até que a fila foi rápida. Aí me atende uma menina, com seus 20 anos, falado baixo, atrás de um vidro e de máscara. Dá uma olhada nos meus dados e balbucia: “O senhor vai ter de agendar para atualizar os dados do imposto…”

O que? “O senhor vai ter de agendar para atualizar os dados do imposto…”

Ela me diz que eu tenho de fazer aquilo que eu acabei de fazer. Eu estava na agência, na data agendada, para conseguir o meu extrato do IR. E ela diz que eu tinha de agendar de novo. E só tinha data no dia 18. Pedi para chamar alguém que pudesse ajudar. Vem um garoto com seus 20 anos e diz que eu tenho de agendar para retornar à agência. Eu argumento que era exatamente isso que eu estava fazendo ali cara, mas eu falava com uma porta.

Alternativa: dar um murro no balcão, começar a gritar e fazer com que o segurança viesse me acalmar. Ou então me algemar. Ou então entrar numa fila enorme para falar com o caixa, que tinha seus 50 anos de idade e talvez pudesse ajudar. Talvez, sem qualquer segurança.

Sistema que não funciona, funcionários desqualificados, NENHUM interesse em resolver o problema…

Cerca de duas semanas depois, lá vou eu de volta ao INSS. A mesma molecada no atendimento, com a mesma falta de vontade, o garoto ainda dá uma olhada no celular enquanto me atende, e a resposta é a mesma: o senhor tem de agendar para voltar outro dia.

Pela segunda vez eu agendei para ir à agência para ouvir que tinha de agendar para ir na agência. Mas dessa vez eu levantei a voz, mas não adiantou. Pedi para falar com o chefe, não tem chefe. O garoto, com uma expressão de pateta que só quem trabalha para o computador consegue ter, repete como um robô: o senhor tem de agendar e voltar outro dia.

Pedi a ele que agendasse e me dirigi para o outro lado da agência, numa área onde só se entra com senha e fui abordado por uma segurança fardada. Tentei explicar a ela o problema. Quando começou a aparecer em seu rosto a mesma expressão de pateta do garoto, eu apontei para o fundo da sala dizendo que tinha alguém lá me esperando e passei por ela.

Cheguei lá no fundo, havia uma espécie de baia com um indivíduo dentro. Olha, eu fiquei aliviado quando percebi que ele devia ter seus 37 anos, cara. Comecei a contar o problema, alterado, indignado, quando ele me desarmou com uma expressão:

– Bom dia meu senhor.

Pronto. Aquele bom dia foi mágico. Me acalmou e bastou para eu me desculpar com ele. Mesmo de longe, ele começou a tentar entender o que eu precisava, e mandou a resposta-padrão: o senhor vai ter de agendar…

Subi o tom de novo: mas é segunda vez que agendo cara e venho aqui! Vocês vão querer que eu venha pela terceira vez?

Então ele percebeu que o buraco era mais embaixo, e veio ver o que era em detalhes. Pegou o meu papel e foi para outra sala. Alguns minutos depois, retornou.

A explicação que descobri alguns dias mais tarde foi que o INSS cancelou os pagamentos da minha aposentadoria no final de 2021, por falta de prova de vida. Eu logo provei que estava vivo e recebi em 2022 uma parte do que não foi pago em 2021. Pronto. Isso deu um nó no sistema deles. Enquanto eles (INSS) não fizessem uma revisão nos pagamentos de 2022, não poderiam me dar o extrato. Mas eu é que teria de solicitar essa revisão, entendeu? Indo e voltando da agência quantas vezes eles mandassem.

Na minha frente na fila, uma senhora com um andador. Uma velhinha com uma porra de um andador, cara!!! Sozinha! Perguntando baixinho para aqueles moleques que não têm empatia: moço, vai demorar?

Juro por tudo que é sagrado: meus olhos se encheram de lágrimas. Que desespero, cara. Olhei em volta, vários idosos, diversas bengalas e muletas. Um monte de gente humilde, que se deslocou até a agência para ser atendida por um moleque que não tem qualquer interesse em ajudar. Aliás, eu desconfio que nem que ele quisesse ele ajudaria, pois ele não sabe o que fazer. E está visivelmente contrariado com aquele trabalho.

Só achei um caminho para a resolução do problema quando encontrei um adulto disposto a me ouvir. Mas para isso, tive de desobedecer a segurança e invadir uma área proibida.

Pensei em comentar isso com o adulto que me atendeu com cortesia, mas eu percebi que não adiantaria nada. O problema não é com ele, é com o sistema, com a falta de liderança, compromisso e empatia. O problema é a falta de respeito para com os brasileiros. E isso não se resolve só com dinheiro.

Depois que eu publiquei o começo da saga nas redes, muitas pessoas me procuraram, contando seus casos de horror com o atendimento no serviço público. Alguns servidores me disseram que como o governo acabou com os concursos, a mão de obra experiente foi indo embora e chegou uma molecada nova, sem treinamento nem engajamento.

Um dos que me procuraram é meu ouvinte, trabalha no INSS e teve a gentileza de investigar meu caso lá dentro. A resposta dele foi: não espere resolução antes do prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda. Está tudo enrolado, centralizado, a agência não pode fazer nada e você tem de esperar.

Olha, pensei em fazer um episódio do Podcast Café Brasil sobre as histórias de horror do atendimento no serviço público, afinal foram dezenas de posts de gente indignada. Pedi que me mandassem em áudios curtos para eu usar no programa. Duas pessoas mandaram. Duas. Du-as!

Quer saber? Vou resolver o meu caso e os outros que se virem. O brasileiro resignado merece o serviço público que tem.

Bem, um dos casos que eu recebi é o da Dona Antônia e a Saga do INSS. A história é assim:

“Luciano, meu pai faleceu em 1986 de neoplasia gástrica. Por uma coisa que só um mineiro teimoso poderia fazer (ou por orgulho), mesmo com a saúde ruim não queria se aposentar, dizia que queria trabalhar até os 65. Mas a saúde degringolou rápido e aos 61 ele estava morto.

No mesmo ano, minha mãe começou a saga para conseguir a pensão dele. A gente morava em um sítio em Jarinu, interior de SP, onde éramos caseiros. No INPS deram pra ela um papel mal xerocado com umas dez exigências pra conseguir dar entrada: de certidão de casamento original a certidão de óbito e xerox de CIC e RG. O tal do CIC ela não tinha e o caso enroscou. Foi tentar tirar, enrolaram, pediram comprovante de residência (a gente morava no meio do mato, literalmente), enroscou também. Enfim, ela se encheu, continuou trabalhando no sítio e deixou pra lá. Nessa época ela começou a apresentar os primeiros problemas de saúde, com a pressão ficando muito alta – os anos de fumante começaram a cobrar o preço.

Em 1993 mudamos aqui pra Jundiaí. Eu já sustentava a casa, já tinha me estabelecido com minha oficina e resolvemos que iríamos atrás do benefício para ela ter um dinheirinho para as coisas dela, os remédios de pressão, plano de saúde, etc.

Eu trabalhava no meu comércio, tinha o tempo corrido, então um amigo que era nosso vizinho a acompanhou ao que agora já era INSS. Tinha que chegar lá de madrugada pra pegar fila em tempo de ser atendidos sem pedirem para voltar outro dia. E eles foram.

Nessa altura ela já tinha o tal do CIC, agora chamado só de CPF. Uma coisa chamava a atenção: como a certidão de casamento já era uma segunda via, pois a primeira eles perderam em uma enchente, a atendente disse que ela teria de ir ao cartório onde estaria registrada a certidão original e pedir uma declaração e uma cópia autenticada do registro arquivado naquele cartório. Até que tentamos, mas o tal cartório não existia mais havia décadas e os registros de lá nunca souberam nos informar para onde enviaram. Enroscou de novo. E ela deixou pra lá de novo.

Em 1998, através de um amigo, ficamos sabendo de um escritório que cuidava dessas causas. Passamos RG, CPF, comprovante de endereço, uma procuração e as certidões ao escritório.

Luciano, 20 dias depois (sim, 20 míseros fucking dias!) recebemos em casa, direto do Rio de Janeiro, algo que poderíamos comparar a um prêmio de alguma loteria: um extrato onde constavam que ela teria direito a receber os anos anteriores, ou seja, de 1986 a 1998. Olha só: 144 salários mínimos! No fim das contas meu pai havia nos feito uma “poupança” que agora poderia auxiliar em muitas coisas bem na hora que a saúde de minha mãe mais precisava. Assim, imediatamente enviamos ao escritório, que logo já nos deu a primeira ducha de água fria: no documento havia discriminado que pela lei vigente eles só pagariam os cinco anos retroativos. Bom, pensamos: 5 anos, 60 salários mínimos, nada mal para quem já havia desistido. Sem falar que de agora em diante teria um salário mínimo ao mês.

Mas aí vem a outra ducha: não é pago tudo de uma vez. Vão pagar dois salários mínimos atrasados por mês e mais o salário do mês. Ou seja: durante 30 meses, receberia 3 salários mínimos até abater todos os 60 salários não pagos. Pensamos de novo: olha, pra quem já tinha desistido, nada mal, vá. E assim foi. O escritório foi honesto, como combinado, cobrou de nós somente o primeiro salário e se prontificaram a acompanhar o caso se precisássemos de algo.

Imediatamente fizemos um plano de saúde para minha mãe, plano que mordia pouco mais de meio salário. A gente tinha em mente que em dois anos e pouco era só o que viria, então procuramos tomar cuidado com gastos. Minha mãe comprava as coisinhas dela, quis renovar umas coisas em casa, ficou ao gosto dela fazer. Gastou bastante com remédios, fez tratamento dentário – outro perrengue, pois uma pessoa de idade e hipertensa assusta qualquer dentista. Mas tudo ia indo bem até que…

Em 2001, não lembro bem o mês, lá foi ela ao banco receber. Ela sempre fazia isso, caminhava devagar, já cansava um pouco a caminhada, pulmão e coração meio fracos, mas ela fazia questão. Muitas vezes aproveitava para passar nas lojinhas do centro pra comprar uns cacarecos para a casa. Na hora de ir embora passava aqui na minha oficina pra mostrar o que tinha comprado e depois ia para casa. Nesse dia ela voltou mais rápido. Disse que tinha recebido pouco, que algo não estava normal. De fato, veio só 70% de um salário mínimo. Ela reclamou e na boca do caixa informaram que qualquer divergência deve ser resolvida no INSS.

E recomeça a saga. No dia seguinte fomos ao INSS. O atendimento até que foi rápido, mas o que ouvimos da atendente foi uma paulada: “sua mãe está com uma dívida muito alta com o INSS. Tudo que ela recebeu está irregular e terá de devolver ao estado”.

Diante disso, pegamos toda a papelada e enviamos ao escritório que nos explicou tim-tim por tim-tim o rolo: em 11 de novembro de 1998 houve uma mudança na lei que dizia agora que não mais pagariam os cinco anos retroativos. Nosso pedido deu entrada lá em 12 de novembro e ELES, sabe-se lá por que, ELES acataram e aprovaram. E aí, na revisão de 2001, acharam o erro DELES! E a minha mãe se lascou.

Luciano, minha mãe ficou de 2001 a 2010, quando veio a falecer, recebendo 70% de um salário mínimo. Dinheiro esse que ia todo no plano de saúde. Remédios eu comprava, dei meus pulos, então foi razoavelmente bem até os rins dela resolverem não suportar a carga de medicamentos. Ela faleceu numa UTI, foi bem cuidada até o fim, mas se sentia injustiçada. Faleceu “devendo” ao estado. Injustiçado também o meu velho, que trabalhou dos 14 aos 60 e poderia ter deixado a ela uma espécie de herança, mas que esse mesmo incompetente estado (sim, sempre em minúsculas) fez as patuscadas e só pra variar, nos decepcionou.

Quem mandou essa história foi o Vanderlei Oliveira

Seu pai era a Seu Zé, sua mãe, Dona Antônia.

E ao som da Ária na Corda Sol, de Bach, no violão genial de Fábio Lima, ouça este pequeno texto:

“Dez horas da manhã. Agência do INSS.

Um senhor se aproxima do balcão de atendimento. O servidor público que o atende poderia dispensá-lo rapidamente e atender o próximo usuário da fila. Bastaria lhe dizer: “aqui não encostamos ninguém…” ou algo parecido.

Mas, não há porque dispensar esse senhor. Ele está pedindo algo a que tem direito, porém expressa a demanda em sua linguagem, utilizando o vocabulário que conhece. Basta sensibilidade e boa vontade para interpretar o que ele está pedindo.

Situações semelhantes a essa acontecem todos os dias em vários pontos de atendimento de órgãos públicos no país.

Você deve estar pensando: “lidar com pessoas é difícil…”. Sim, é muito difícil lidar com pessoas. É difícil lidar com as pessoas que você atende… e é difícil lidar com você também… Sabe por quê? Porque você e as pessoas que procuram o serviço público, enfim, todos nós… queremos ser reconhecidos e respeitados em nossa individualidade.

E você demonstra esse respeito e reconhecimento quando dá atenção às pessoas e procura entender as suas demandas. Isso é fundamental para oferecer um bom atendimento ao cidadão.”

Esse é o texto de abertura do Módulo 1 – Visão Sistêmica do Atendimento, curso da Enap – Escola Nacional de Administração Pública. Eu coloco o link para ele no roteiro deste programa em portalcafebrasil.com.br.

https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/1685/1/M%C3%B3dulo_1.pdf

Cara: tá tudo escrito, tá tudo dito. Mas parece que ninguém leu.

Melô do funcionário público
Nery Moraes

Eu sou funcionário público
O horário é sete às doze
Ele chega às dez e dez
Cansado, estressado
Revirando papéis
Às dez e vinte é hora
De um gostoso cafezinho
E o povo no balcão
Tem que ficar bem quietinho
Depois do cafezinho não tem jeito
Uma fumadinha
Não peça informação
Pra não tirar concentração
Dez e quarenta
Olhada do diário oficial
E cabe em formato
Estadual e federal
E o povo no balcão mantém a calma
Take it easy
Que eu sou filho de Deus
E até ele descansou
Às onze já é tarde
Estou atrasado
E o povo no balcão
Aviso:
Agora só amanhã
Falou com grosseria
Está lascado no outro dia
Licença prêmio, férias
Atestado, quem diria
Eu tô correndo atrás
Da minha aposentadoria
Eu sou funcionário público
É lei, por isso
Não me desacate, hein?

E assim então ao som da Melô do Funcionário Público, com Nery Moraes, que vamos saindo revoltados.

Ah, você é funcionário público é? Não concorda com a melô nem com o texto deste episódio aqui? Ficou irritado, vai me mandar um comentário indignado dizendo para eu não generalizar, que nem todo funcionário público é assim? Vai parar de me ouvir?

Bem, eu recomendo que você pegue essa energia toda e comece a se preocupar com seus colegas que não estão nem aí com a população. São eles que emporcalham a imagem dos funcionários públicos.

Eu, o Vanderlei, o seu Zé e a Dona Antonia somos apenas as vítimas.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

De onde veio este programa tem muito mais, acesse canalcafebrasil.com.br e torne-se um assinante. Além de conteúdo original e provocativo, você nos ajuda na independência financeira cara, a levar conteúdo para muito, mas muito mais gente.

E se você gosta do podcast, imagine só uma palestra ao vivo. Olha, eu já tenho mais de mil palestras no currículo. Conheça os temas que eu abordo no lucianopires.com.br.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para terminar, uma frase de Georgena Alves, que não sei quem é, mas ela foi precisa:

“Às vezes eu penso que o sinal mais evidente do descaso político contra o povo, é que nenhum político nunca precisa dos serviços públicos.”