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Café Brasil 896 – O Terror

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Luciano Pires -

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Outubro de 2023, um dos grupos terroristas mais ativos da atualidade, o Hamas, faz um ataque a Israel que provoca mortes de muitos civis, com requintes de crueldade exibidos ao vivo em redes sociais. É o terror, atacando novamente. Atenção: este episódio aqui não é sobre o conflito Israel X Palestina. É sobre terrorismo.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?

“Bom dia, boa tarde, boa noite, Luciano Pires e equipe, Ciça Camargo, todo mundo.

Sou ouvinte do Café Brasil não é de hoje, sou ouvinte do Café com Leite, por sinal, por incrível que pareça, geralmente, tomo café preto, mas agora estou tomando um café com leite.

Me chamo Isaac, tenho 31 anos, sou aqui do Rio de Janeiro, sou o jovem que descobriu o Café Brasil há uns dois anos, três anos, tenho tentado acompanhar tudo, particularmente, acompanhei bastante do Café com Leite, desde o começo e sou um entusiasta.

 Estava aqui agora ouvindo o Café Brasil 894 e eu sempre aqui com os meus amigos, quando estou falando, falo sobre o Luciano falando sobre a queda do QI.

Eu sempre fui um destaque na escola e tal, nada excepcional, mas sempre tive notas que iam bem. Recentemente eu descobri que eu tenho dislexia, não confirmei ainda com um psicopedagogo, mas eu tenho quase certeza.

Uma cunhada minha que eu acho ela uma pessoa inteligente, mas não tanto, não desmerecendo a inteligência dela, mas ela já deu várias provas na escola com notebooks e eu nunca ganhava, e eu ficava incomodado porque eu era um aluno destaque na escola, mas eu fui entender que eu tenho dificuldades cognitivas, problemas de dislexia, a qual eu descobri, recentemente, que eu tenho e hoje eu sei abordar melhor meu tipo de inteligência mediante essa nova descoberta.

Eu vi até um teste de QI que eu sempre tive interesse em fazer, mas nunca consegui fazer, mas achei bacana, sempre acho muito interessante as iscas intelectuais do Luciano, acho excepcional, sou ouvinte do Café Brasil não é e hoje, por isso, há sempre algo pra se refletir, o Luciano faz isso.

Eu sou um cara que gosto de usar a minha mente, até usando essa linha de raciocínio, quando falo com meus amigos aqui, eu falo que eu não me acho um cara inteligente, na verdade. Me acho na média. Eu acho que o meu QI tá no 100. Tá na média. Só que no Brasil que está na média de 83, isso é acima da média, por mais triste que isso seja, eu sou um brasileiro, sou um patriota e eu fico irritado com isso.

Só queria mesmo trazer esse comentário, dividir com vocês, primeira vez que eu participo aqui do Café Brasil, já tive algumas participações no Café com Leite, mas estou aqui no Café Brasil também, participando pela primeira vez.

Vida longa ao Café Brasil, vida longa ao Café com Leite e vida longa pra esse projeto maravilhoso que vocês criaram. Abraço. “

Grande Isaac, ouvi dizer que podcasts são ótimos para quem tem dislexia, viu? Você está largando na frente, meu caro! Seja sempre bem-vindo, as Iscas Intelectuais estão aqui para provocar quem quer se incomodar.

O comentário do ouvinte agora é patrocinado pela Livraria Café Brasil, e o Issac ganhou um livro! Sabe qual, hein? Como lidar com a dislexia, de Aurea Maria Stavale Gonçalves e Maria Ângela Nogueira Neto.

A dislexia é uma condição que pode ser hereditária e torna extremamente difíceis a leitura, a escrita e a ortografia na língua-mãe. E embora o disléxico não tenha um déficit intelectual, o desempenho na leitura e consequentemente na escrita é aquém do esperado. Por isso, a importância dos profissionais da área educacional terem conhecimento dos sintomas, para que possam recomendar uma avaliação multidisciplinar de seus alunos.

Caro Isaac, entre em contato pelo nosso WhatsApp para combinarmos o envio do livro.

Então vamos lá… se você vê valor no trabalho que a gente faz aqui no Café Brasil, torne-se um assinante. E se gosta de ler, compre nossos livros no livrariacafebrasil! É só acessar mundocafebrasil.com. Vai lá. A gente espera.

Munique, setembro de 1972. A cidade estava em festa com a realização das Olimpíadas, que retornavam para a Alemanha pela primeira vez, desde 1936.

No dia 5 de setembro, o Setembro Negro, uma organização que buscava a independência da Palestina e a destruição de Israel, invadiu a Vila Olímpica, onde a delegação israelense estava hospedada. Durante a invasão, dois membros da equipe israelense foram mortos e nove foram feitos reféns.

Os terroristas exigiram a libertação de mais de duzentos prisioneiros palestinos e dois líderes do grupo Baader-Meinhof, uma organização terrorista alemã. Eles também pediam um avião para fugir da Alemanha.

O atentado parou não só as Olimpiadas, mas o mundo, que assistiu ao vivo, pela TV, as horas e horas de negociações, até o governo alemão concordar em fornecer um avião. Com os nove reféns, os terroristas se dirigiram até o aeroporto onde as autoridades alemãs pretendiam surpreendê-los. Mas a operação, feita de forma confusa e descoordenada, falhou e todos os nove reféns israelenses foram mortos pelos terroristas.

Esse evento trágico destacou a necessidade de medidas de segurança mais rigorosas em grandes eventos esportivos e aumentou a determinação global em combater o terrorismo em todas as suas formas.

Mas isso foi em 1972…

De lá para cá, tivemos dezenas de ações terroristas no mundo, até que em 2001 aconteceu a mais espetacular de todos os tempos: o atentado às Torres Gêmeas em Nova Iorque.

Segundo a Resolução 1566 de 2004, do Conselho de Segurança da ONU, o terrorismo é definido como ‘atos criminosos deliberados, planejados e executados por indivíduos ou grupos, com o objetivo de provocar terror, causar mortes, ferimentos graves ou danos materiais significativos, com o propósito de intimidar uma população ou compelir um governo ou uma organização internacional a agir de determinada maneira’. Essa definição enfatiza a natureza intencional e violenta dos atos terroristas, bem como sua finalidade de instilar medo e coagir ações específicas.

A definição da ONU também destaca que o terrorismo não está relacionado a uma causa política, religiosa, étnica ou ideológica específica. Ou seja, qualquer ato violento que se enquadre na definição anterior pode ser considerado terrorismo, independente da motivação. Essa abordagem ampla serve para evitar a justificação ou legitimação de atos terroristas com base em ideologias extremistas ou reivindicações políticas.

Grupos terroristas não costumam surgir do nada. Eles são geralmente o produto de conflitos sociais, políticos e religiosos prolongados.

Osama bin Laden criou a Al-Qaeda em meio ao conflito afegão-soviético. Seu principal objetivo era lutar contra o Ocidente e promover um Islã extremista.

O Exército Republicano Irlandês (IRA), ativo desde o início do século XX, buscava a independência da Irlanda do Norte do Reino Unido, usando violência.

O Sendero Luminoso, atuando no Peru desde os anos 80, cresceu durante um período de instabilidade política e econômica no Peru e buscava derrubar o governo peruano através da violência.

A Frente de Libertação Nacional (FLN) usava métodos terroristas para combater o domínio colonial francês durante a Guerra de Independência da Argélia no começo dos anos 60.

O Estado Islâmico (ISIS) ganhou destaque em 2013 por sua brutalidade. Eles controlavam áreas grandes no Iraque e na Síria, promovendo um Islã radical.

O Hamas, oficialmente conhecido como Movimento de Resistência Islâmica, é uma organização política e militar palestina fundada em 1987 durante a Primeira Intifada, uma série de protestos populares e levantes contra a ocupação israelense nos Territórios Palestinos.

No Brasil, a Ação Libertadora Nacional (ALN), por exemplo, foi uma organização de extrema esquerda que realizou sequestros, assaltos a bancos e atentados durante o regime militar nos anos 70. Outro grupo importante foi a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), também de esquerda, que teve como membros figuras como Carlos Lamarca e Dilma Rousseff. A VPR também realizou ações armadas contra o regime militar.

Esses grupos geralmente se identificam com uma causa ou um ideal maior. Eles não estão apenas procurando criar caos – eles acreditam, no mundo distorcido que habitam, que estão lutando por justiça, por direitos, por liberdade, por uma ideologia ou crença. Mesmo à custa do sangue de inocentes.

Mas se Bin Laden arquitetou um ato espetacular transmitido pelas TVs de todo o mundo em imagens inesquecíveis, o Hamas inovou ao produzir e divulgar suas próprias imagens. Os terroristas filmaram seus atos bárbaros de sequestro, execução e tortura, publicando em redes sociais e distribuindo por diversos canais. Não eram as TVs documentando, eram os próprios terroristas propagandeando seus atos chocantes.

Agora as redes sociais passam a fazer parte da estratégia do terror. E um debate gigantesco toma conta de todo o mundo. Se quem pratica o terror está do lado ideológico da pessoa, é um herói. Se está do outro lado, é um terrorista.

Pessoas começaram a relativizar o terror. Eu soltei um cafezinho, mostrando toda minha indignação. Nele, eu disse assim:

O escritor português José Saramago, Prêmio Nobel da Literatura, publicou em 1995 seu livro “Ensaio sobre a cegueira”. A obra é uma narrativa distópica que aborda questões sociais e humanas por meio de uma alegoria. A história começa com um homem que, enquanto está no trânsito, de repente fica cego. Essa cegueira é contagiosa, e, gradualmente, um grande número de pessoas na cidade também perde a visão. O governo decide isolar os cegos em quarentena, criando uma sociedade caótica e brutal.

Saramago se definia como um militante “hormonal” comunista. Em 2003, ficou indignado com o regime cubano, que até então ele defendia, por conta da execução de três sequestradores de um barco que queriam fugir para os EUA. Publicou uma carta dirigida a Fidel Castro, que começava assim: “Até aqui cheguei. De agora em diante, Cuba seguirá seu caminho, e eu fico onde estou.”

“Até aqui cheguei…” Em 2003, quando Saramago escreveu sua carta, o regime cubano já havia executado cerca de 3 mil pessoas desde que assumiu o poder em 1959. Para Saramago, até 3 mil execuções dava para suportar. Mais três, não.

Ele se curou da cegueira e anunciou que caia fora da torcida cubana.

Me lembrei disso por causa dos acontecimentos recentes em Israel, com o massacre de civis, inclusive crianças, pelos terroristas – deixe-me repetir bem claro – ter-ro-ris-tas – palestinos do Hamas. Uma barbárie, sem justificativa moral, ética, humanitária e religiosa que a respalde, um crime de ódio racial que eu torcia para que não assistíssemos mais.

Lembrei de Saramago pela quantidade de gente relativizando o morticínio. Vi gente se recusando a chamar o Hamas pelo que ele é – grupo terrorista. Vi gente relativizando o massacre. Vi gente dizendo que foi bem feito para Israel. Eu vi gente dando as maiores piruetas retóricas para igualar moralmente a reação israelense ao ataque covarde dos terroristas. E essa gente que eu vi, não foram bêbados em discussão de boteco, mas autoridades políticas, influenciadores digitais e, especialmente, jornalistas.

Vivemos um ciclo de pressões angustiantes, com um clima de ameaça contínua. Era para estarmos unidos, combatendo um inimigo comum, como já fizemos em alguns momentos da história. Mas não. Uma epidemia de cegueira moral parece que tomou conta da sociedade.

Saramago precisou de 3.003 execuções de adultos para sair da cegueira moral. Você aí, que relativiza o terror vendo execuções de adultos e crianças, vai precisar de quantas, hein?

Quem relativiza o crime, criminoso é. Quem relativiza o canalha, canalha é. Quem relativiza o terror, terrorista é. Não precisa nem pegar em armas e praticar o crime.

Basta ser um cego moral.

Olha, muito foi escrito e discutido sobre os ataques do Hamas, felizmente por gente sensata também, como Gareth Cliff, que é uma personalidade do rádio e televisão da África do Sul. Gareth escreveu um texto que eu gostaria de ter escrito. Ele disse assim:

“Não sou judeu e não sou cidadão de Israel. Eu nunca visitei Israel. Não vinculo a minha religião a um local sagrado em Jerusalém e não tenho problemas com árabes, muçulmanos ou cristãos. Li sobre Abraão, Moisés, Davi e Salomão; as Omíadas, os Abássidas e os Otomanos; conheço os britânicos, a declaração Balfour, Ben Gurion e Golda Meir. Conheço um pouco sobre a Guerra dos Seis Dias e a Intifada. Posso não ter qualquer interesse pessoal na Terra Santa, mas a humanidade certamente tem – e eu sou um ser humano.

As mulheres, os homens, as crianças, os idosos e os soldados que foram raptados, torturados, violados, humilhados e assassinados no sábado pelo Hamas em Israel também eram seres humanos. Aqueles que fizeram isso com eles não são.

Imagine que tipo de ginástica racional e moral você tem que fazer para justificar o assassinato a sangue frio de adolescentes em um festival de música; ou observar uma criança, talvez de 5 anos, sendo cutucada com um pedaço de pau e chorando por sua mãe em hebraico, enquanto crianças da mesma idade riem e zombam dela? Não sabemos o destino daquela criança e, pelo que sabemos, o que se seguiu pode ter sido muito pior. É depravado. Até mesmo entrar numa conversa sobre estes fatos vergonhosos, com uma réplica ensaiada sobre o território de Gaza ser uma “prisão ao ar livre”, cheira a falência moral.

Se você lamenta e grita sobre sua terra, dignidade, direitos, opressão e pobreza, mas está disposto a assassinar, estuprar, sequestrar, torturar ou humilhar crianças; então não preciso ouvir seus motivos.

Quando as imagens de vídeo, as fotografias e as histórias da carnificina de sábado não provêm da “propaganda israelita”, mas dos próprios terroristas do Hamas, então como posso interpretar qualquer outra coisa senão que eles querem crédito por estas atrocidades? Querem que eu saiba que eles fizeram isso. Querem que eu saiba que estão orgulhosos disso. Querem que eu os veja como realmente são.

Então, se você invadiu a Embaixada de Israel em Londres, agitando bandeiras palestinas e pedindo genocídio; se você foi à Times Square para celebrar uma vitória da descolonização contra o “apartheid de Israel”; se você cantou junto os cânticos “gás nos judeus” na Ópera de Sydney ou pendurou uma bandeira palestina “um colono, uma bala” na ponte Grayston em Joanesburgo, então você está me dizendo quem você é. Bem, eu escuto você – e você é meu inimigo.

Sou uma daquelas pessoas que acreditam que a civilização é uma coisa real. E resisti ao veneno dos relativistas morais nos departamentos de humanidade das universidades de todo o Ocidente, que pensam que ser matizado sobre a ideia de civilização versus barbárie é um sinal de habilidade intelectual ou autorreflexão crítica. Mesmo após uma investigação superficial dessas pessoas ou de suas posições, você encontrará todos os sinais de inteligência pedestre e olhar egocêntrico para o umbigo, combinados com uma fetichização da vitimização e sempre concomitante falta de humor. Eles também são seus inimigos.

É sempre interessante notar que apenas as democracias liberais ocidentais toleram e dão apoio aos argumentos e posições mais hediondos nos protestos públicos. Não se poderia fazer piquetes ao lado de coisas bastante louváveis, como educação para as meninas no Afeganistão talibã, os direitos dos homossexuais na Síria ou contra a pena de morte na Arábia Saudita. Os aiatolás do Irã não permitiram que as mulheres protestassem contra o hijab sob ameaças de violência. Mas Londres, Nova Iorque, Sydney e até Joanesburgo irão abraçar marchas onde as pessoas apelam ativamente ao genocídio. Não é assim que aliados se comportam.

Talvez quando a poeira baixar possamos examinar as ligações insidiosas entre o esquerdismo anglo-americano e o antissemitismo, entre a Europa que nunca levou em conta o que aconteceu no holocausto e as suas crescentes populações muçulmanas, e entre regimes ignorantes como o meu da África do Sul e a sua determinação em resistir ao lado dos piores violadores dos direitos humanos no Médio Oriente.

Por enquanto, não é nenhum grande mistério que isto não tenha nada a ver com a existência do Estado de Israel e tudo a ver com ódio aos judeus – aquela grande e purulenta ferida no lado da humanidade de onde flui todo o preconceito. Está lá há milhares de anos e cada vez que pensamos que foi curada, algumas monstruosas garras coletivas abrem-na novamente.

O Hamas não está escondendo a bola. O seu líder, Ismail Haniyeh (escondido em segurança lá no Qatar) deixou isto claro. Ele celebrou os judeus mortos, não a conquista de territórios, nem as vidas de Gaza salvas.

Receio que existam apenas dois lados nessa guerra – os seus aliados e os seus inimigos. No dia 11 de setembro de 2001, eu sabia de que lado estava. Sinto o mesmo hoje.”

Olha, eu quero repetir aqui o que eu disse no meu Cafezinho: não existe justificativa moral, ética ou humanitária ou religiosa que respalde aquilo que assistimos durante os ataques a Israel. Foi um crime de ódio racial, que não tem a ver com ocupação de terras, mas com a ideia de que o outro, o inimigo, o infiel não pode existir.

A questão palestina é complexa e, sinceramente, eu não vejo solução. São pelo menso sessenta anos de doutrinação das crianças palestinas de que judeus tem que ser eliminados. Esse ódio plantado nos corações e mentes dos jovens palestinos torna-se o norte moral. O mundo só terá paz quando todos os judeus forem exterinados, o que significa que mesmo que Israel for varrida do mapa e o territorio todo entregue aos palestinos, o problema não termina. Eles vão perseguir os judeus em outras partes o mundo e isso tem um nome: nazismo.

Qualquer negociação onde o ódio senta à mesa, não tem como ser bem sucedida. O que resta é o terror e aí, meu caro, ganha quem pode mais. Que Deus tenha pena das vítimas.

O senhor da guerra
Renato Russo

Existe alguém esperando por você
Que vai comprar a sua juventude
E convencê-lo a vencer
Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças com armas na mão
Mas explicam novamente que a guerra gera empregos
Aumenta a produção
Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Pra que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros na exportação
Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer
E quando longe de casa
Ferido e com frio o inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra
Que belíssimas cenas de destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que Deus está
Do lado de quem vai vencer
O senhor da guerra
Não gosta de crianças

E é assim então, ao som de O Senhor Da Guerra, sucesso do Legião Urbana, aqui numa gravação especial para a rádio 89 FM em 2003, com todo mundo, que vamos saindo, apreensivos.

O senhor da guerra não gosta de crianças.

Como eu disse no início, este episódio aqui não tratou da questão do conflito Israel e Palestina, mas de terrorismo. Se você não entendeu, é porque já escolheu um lado.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

De onde veio este programa tem muito mais. E se você gosta do podcast, imagine uma palestra ao vivo. E eu já tenho mais de mil e cem no currículo. Conheça os temas que eu abordo no mundocafebrasil.com.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

E para terminar, uma frase que Creasy, interpretado por Denzel Washington, diz no filme Chamas da Vingança:

Perdoar os terroristas é missão de Deus, enviá-los até Ele é missão minha.

 

 

Bom, a partir deste episódio, por sugestão dos ouvintes, os assinantes vão receber, marcado pela entrada da vinheta do Café Brasil que você acaba de ouvir, o conteúdo exclusivo. Agora o exclusivo entra no meio do programa e não no final. Vamos a ele.

O terrorismo nos afeta a todos, sejamos vítimas diretas ou não. Infelizmente, tornou-se comum vivermos quase constantemente com medo de surpresas horríveis, enquanto tentamos compreender os motivos daqueles que ameaçam a vida de outros. Os atos terroristas não apenas nos fazem questionar sua ocorrência, mas também nossa própria capacidade de resistir a eventos traumáticos. Ficamos sem saber como e com que frequência nos proteger, ou se devemos continuar a ignorar a ameaça até que ela se manifeste em nossas vidas.

A noção de ser ameaçado ou prejudicado pelo terrorismo é relativamente recente, mas parece que consideramos os atos de terror casos isolados. É quase impossível que algo tão desastroso ocorra novamente, não é? Infelizmente, não. Estamos diante de uma nova forma de ódio social e religioso centrado em ideologias e fé estrangeiras que não compreendemos na sociedade ocidental.

Acreditar que esses atos de ódio estão distantes de nós é recusar-se a ver a realidade da situação. Organizações terroristas como a Al Qaeda consideram a guerra contra a civilização ocidental uma jihad (guerra santa) do Islã, buscando impor a Sharia.

A Sharia é uma lei derivada de preceitos islâmicos, abrangendo questões morais, religiosas, políticas, econômicas e pessoais. A interpretação radical da Sharia leva a crer que é seu dever impor essa lei aos outros, considerando a civilização ocidental como inimiga. Isso explica como terroristas podem sacrificar suas vidas e tirar a vida dos outros sem hesitação. Eles não veem outras vidas de uma perspectiva humanística.

A vida do outro é o inimigo a ser erradicado.

Politicamente, os atos terroristas jihadistas expressam o extremismo muçulmano contra o Ocidente devido a divergências com a Sharia. A religião deles é superior, conforme seus parâmetros culturais, e isso justifica a violência em nome de suas crenças.

A lógica desses extremistas está longe de ser a mesma que a nossa, e para a maioria, esses atos terroristas são considerados insanos. Não há um perfil de personalidade definido para todos os terroristas, mas parece haver um padrão: geralmente são adolescentes ou jovens adultos. Talvez, por serem jovens, buscam o senso de pertencimento e se juntam a grupos para encontrar sua identidade. Através do treinamento militar, convertem todos os aspectos de suas vidas para os objetivos do grupo ao qual pertencem, semelhante ao que acontece quando jovens se juntam a gangues. Podemos concluir, portanto, que os terroristas são mais do que apenas terroristas; são indivíduos que realmente acreditam na superioridade de sua etnia ou crenças e que sofrem de patologia psiquiátrica ou buscam pertencimento por falta de identidade.

E as imagens horríveis que estamos vendo, representam só uma parte do problema.

Em 2018, quando fui aos EUA para gravar um episódio do LíderCast com Olavo de Carvalho, visitei o Museu do Holocausto em Richmond, na Virgínia. Logo na entrada do Museu tomei uma porrada que me desnorteou. Como fui logo cedo, o primeiro a entrar fui eu, e as luzes dos pavilhões vão se acendendo conforme a gente entra. Na primeira sala, quando entrei ainda escuro, a luz acendeu e eu estava dentro de um barracão de prisioneiros num campo de concentração nazista. Coloquei um link para o vídeo que fiz desse momento, no roteiro deste episódio em portalcafebrasil.com.br

Um cartaz explicava que aquela situação fazia parte do processo de desumanização dos indivíduos. Desprovidos de suas roupas, memórias, familiares, cabelos e até nomes, os indivíduos perdiam a humanidade e eram tratados como um rebanho de animais sem vontade nem livre arbítrio. Aquilo foi uma porrada, e mais tarde, como explico no Café Brasil 805 – O estupro da mente, aprendi que tudo fazia parte do processo de Menticídio: o assassinato da mente. Se você não ouviu esse episódio, recomendo que o faça já. Ou ouça outra vez.

No Café Brasil 805 está explicado o que os terroristas procuram: impor sua vontade pelo medo.

Numa série de ataques terroristas simulados realizados no início de 2016, o governo dos EUA testou altos funcionários locais, estaduais e federais em sua capacidade de responder a atentados com agentes biológicos, químicos e radioativos. Muitos funcionários ficaram satisfeitos com os resultados, mas Dickson Diamont, psiquiatra-chefe do Bureau of Investigations, ficou preocupado porque os ataques simulados não representavam o trauma emocional do terrorismo.

Aproximadamente 80% das vítimas do terror são psicológicas, incluindo paranoia, trauma psiquiátrico e pânico em massa, enquanto apenas 20% resultam de contato físico direto com a violência dos ataques.

Você que encheu os olhos de lágrimas com as imagens das atrocidades do Hamas, é uma vítima do terror.

O que estamos assistindo não é um conflito entre duas nações, mas entre um povo e um grupo terrorista.

A Palestina tem de ser libertada do Hamas.

Pois é. Deixe-me repetir o que eu disse no Cafezinho: não há justificativa moral, ética, humanitária ou religiosa que respalde o que assistimos durante os ataques a Israel.

Foi um crime de ódio racial que não tem a ver com ocupação de terras, mas com a ideia de que o outro, o inimigo, o infiel, não pode existir.

A questão Palestina é complexa e, sinceramente, não vejo solução. São pelo menos 60 anos de doutrinação das crianças palestinas de que judeus têm de ser eliminados. Esse ódio, plantado nos corações e mentes dos jovens palestinos, torna-se um norte moral. O mundo só terá paz quando todos os judeus forem exterminados, o que significa que mesmo que Israel for varrida do mapa e o território todo entregue aos palestinos, o problema não termina.

Eles perseguirão os judeus em outras partes do mundo. Isso tem um nome. Nazismo.

Qualquer negociação onde o ódio senta à mesa, não tem como ser bem sucedida. O que resta é o terror. E aí, ganha quem pode mais.

Que Deus tenha pena das vítimas.

O senhor da guerra
Renato Russo

Existe alguém esperando por você
Que vai comprar a sua juventude
E convencê-lo a vencer
Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças com armas na mão
Mas explicam novamente que a guerra gera empregos
Aumenta a produção
Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Pra que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros na exportação
Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer
E quando longe de casa
Ferido e com frio o inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra
Que belíssimas cenas de destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que Deus está
Do lado de quem vai vencer
O senhor da guerra
Não gosta de crianças

E assim ao som de O Senhor Da Guerra, sucesso do Legião Urbana, aqui numa gravação especial para a rádio 89 FM em 2003, com todo mundo, que vamos saindo, apreensivos.

Como eu disse no início, este episódio não tratou da questão do conflito Israel e Palestina, mas de terrorismo. Se você não entendeu, é porque já escolheu um lado.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

De onde veio este programa tem muito mais. E se você gosta do podcast, imagine uma palestra ao vivo. E eu já tenho mais de mil e cem no currículo. Conheça os temas que eu abordo no mundocafebrasil.com.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

E para terminar, uma frase que Creasy, interpretado por Denzel Washington, diz no filme Chamas da Vingança:

Perdoar os terroristas é missão de Deus, enviá-los até Ele é missão minha.