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Café Brasil 928 – Preguiça Intelectual

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Luciano Pires -

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Há 25 anos colocando a inteligência a serviço do agro.  

Láááááááá em 2004 eu lancei meu livro Brasileiros Pocotó, no qual eu dizia que a pobreza cultural à qual estávamos expostos, na mídia, na escola, nas artes, levaria as próximas gerações a problemas sérios. Todos relacionados com a dificuldade de compreender a realidade, julgar e tomar decisões.

O que se viu na sequência foi a comprovação de que eu estava certo. A compreensão da leitura despencou, geração após geração. As pessoas leem menos, lembram menos do que leram e mal conseguem analisar criticamente. Se isso continuar, e não tenho visto sinais de que a tendência vai mudar, as fundações da nossa sociedade sofrerão.

Vivemos a era da preguiça intelectual.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?

“Oi Luciano, olá todos, bom dia, boa tarde, boa noite, quem fala é o Danilo, sou aqui do interior de São Paulo e acabei de ouvir o cafezinho 623, um episódio triste, por conta de tudo que está acontecendo no Rio Grande do Sul, a política brasileira, um clima de perda de esperança em governantes e, principalmente, no setor público em geral.

Luciano, esse é o segundo áudio que eu estou mandando pra você, no outro áudio, anteriormente, eu me expressei exatamente relacionado a serviço público, se não me engano foi sobre um episódio que você vivenciou no INSS e por ser uma ironia, pela situação que foi feita, eu tenho que concordar com você, é uma descrença geral.

E eu estou meio no fogo cruzado, eu sou professor de uma universidade federal e até neste momento todo serviço aqui, a universidade está em greve. Não vou entrar no mérito aí, mas logicamente toda greve causa um prejuízo muito grande. E causa um prejuízo especialmente, principalmente, a nossa base aqui, o nosso objetivo que é, basicamente, dar ensino aos alunos. São os alunos que são mais prejudicados.

Então a gente pega no cenário todo esse com a questão… a gente vê aí toda a ineficiência do estado, e toda essa situação que o Rio Grande do Sul está vivendo e, com certeza, esse povo que é guerreiro vai se reerguer e ainda mais o meu cotidiano aqui onde a gente tem o meu trabalho, o que eu amo fazer. Recentemente completei quatorze anos de professor na universidade federal, e a gente fica de mãos atadas.

É uma grande pressão política muito grande na universidade, eu como estou como quase a metade dos professores a gente não está contente com a situação da greve, a gente passou vários períodos ajustando o calendário, por conta ainda da pandemia onde teve a paralização por quase seis meses sem saber o que ia ser feito, na época, era tudo uma novidade e este ano iria regularizar o calendário para os  alunos, especialmente pelos alunos que estavam sofrendo com esses calendários, era um ano que não terminava no ano. E a gente está vivenciando mais uma situação que vai prejudicar.

Então, Luciano, eu corroboro com você quando você fala assim: eu estou de saco cheio. Eu estou cansado. Só que por outro lado eu penso que grande parte que a gente tem e eu vejo você com uma grande voz dessa esperança pra gente, de poder lutar, pra gente não ficar calado, quando tem idiotas e muita gente aí, incompetente, falando e gritando aos berros e muita gente seguindo esse povo, é isso que me motiva. E você me motiva muito, acho que não só eu como todos os ouvintes, todo o pessoal que te escuta, que consome seus conteúdos.

Então, assim… meu áudio serve também, assim eu espero, dar uma motivação pra você, porque é muito importante pra mim.  Eu escuto na plataforma de podcast, diariamente, porque eu pego estrada pra vir pra universidade e então meu companheiro de viagem é você e uma ótima companhia.

Seu texto, suas palavras, a forma como você expressam, me identifico muito. Logicamente eu tenho que desejar vida longa ao Café Brasil, ao Cafezinho e todas as suas plataformas porque é um conteúdo de ouro.

Obrigado, Luciano, obrigado mais uma vez e esperança, continuamos fortes. Grande abraço”.

Grande Danilo, cada vez que um professor me manda uma mensagem, me dá um frio na barriga. Pelo efeito multiplicador que eles representam. E pelo público com o qual eles falam. Estamos todos cansados sim, meu caro, e aí é que surge a oportunidade de não cruzar os braços. É meio que um Transtorno Obsessivo Compulsivo, sabe? De me incomodar e continuar me incomodando, porque sei que tem pessoas como você que entende o valor do que nós fazemos. Uma hora a gente ganha, professor!

O comentário do ouvinte agora é patrocinado pela Livraria Café Brasil, e o Danilo ganhará um livro… deixa eu ver…. Pronto, vai ganhar, em primeiríssima mão um exemplar de meu 11º. Livro, que acaba de ser lançado, o Mínimo Sobre o Medo. Faz parte da coleção O Mínimo, que a CEDET publica, da qual eu honrosamente passo a fazer parte. É um livrinho para ser lido em uma hora. Está à venda na livrariacafebrasil, onde colocamos mais de 15 mil títulos muito especiais. livrariacafebrasil.com.br.

Neste momento do episódio eu sempre faço um chamado para que os ouvintes que gostam do Café Brasil, tornem-se assinantes. E este chamado deu resultado, nos últimos cinco meses a audiência reagiu e todo dia entravam um ou dois assinantes. Até que a tragédia do Rio Grande do Sul parece que consumiu todos os recursos e os assinantes pararam de vir.

Olha, os gaúchos não vão parar não, eles têm um estado para reconstruir. Os outros brasileiros também não vão parar, tem muita ajuda pra dar. E nós aqui também não vamos parar. O ciclo da vida continua e vamos lutar para sair desta melhores do que entramos.

E se você acha que dá para assinar o Café Brasil, não se acanhe. Dá uma paradinha aí e acesse canalcafebrasil.com.br para se tornar um assinante. A gente espera.

Na era do conteúdo rápido e das mídias virais, muitos de nós perdemos a concentração e a paciência para textos longos e complexos. “Ah, textão eu não leio!” isso é bradado em voz alta pelo imbecil que se orgulha da própria ignorância. Em vez de ler com atenção, apenas passamos os olhos rapidamente. Temos pressa. A tecnologia pode ter facilitado o acesso à informação, mas também fragmentou nosso pensamento. Estamos sufocados pelo ruído, pelo raso e pelo sensacionalismo.

Manchetes chamativas e posts nas redes sociais nos deixam vulneráveis à desinformação. Elas apelam mais aos nossos sentimentos do que à nossa razão. Compartilhamos artigos apenas reagindo aos títulos provocativos, sem considerar o contexto, a nuance e a precisão. A verdade objetiva é superada pelos sentimentos subjetivos. Isso já me rendeu um livro, o Merdades e Ventiras que, se você não leu ainda, tá perdendo a oportunidade de, no mínimo, entender o que está acontecendo. livrariacafebrasil.com.br é onde você encontra o Merdades e Ventiras, a preço de banana.

Mas afinal, onde é que o bicho pega, hein? Em vários pontos, por exemplo, sem uma boa compreensão da leitura, não conseguimos processar informações de forma reflexiva e tomar decisões fundamentadas. Sem leitura, nossa capacidade de pensar criticamente, entender diferentes perspectivas, identificar falácias lógicas e avaliar evidências está comprometida.

Estamos diante de um cenário em que, ao invés de analisar profundamente as informações, nos deixamos levar por manchetes sensacionalistas e narrativas simplistas. E sabe o que acontece quando não temos capacidade de análise crítica? Ficamos à mercê de discursos alarmistas que, muitas vezes, têm o objetivo de manipular nossas emoções e confirmar nossos preconceitos. Nossas opiniões passam a ser moldadas por esses discursos, em vez de serem construídas com base em fatos concretos e evidências verificáveis. Todo mundo chuta, ninguém sabe de nada e todo mundo se acha com razão. Esse é o paraíso para os aproveitadores.

Consumimos uma quantidade enorme de informações diariamente, mas sem a capacidade de processá-las completamente, essa avalanche de dados se transforma em ruído. Não ficamos mais informados, ficamos é mais saturados. A consequência disso é um público desinformado, que se torna vulnerável a fake news, teorias da conspiração, manipulações ideológicas e discursos populistas.

Não vence mais quem conta a melhor história. Vence quem melhor conta qualquer a história.

O sucesso não depende apenas da qualidade do conteúdo, mas da maneira como ele é apresentado. Com a saturação de informações e o impacto das mídias sociais, a habilidade de capturar e manter a atenção através de técnicas envolventes e atraentes tornou-se mais importante do que a profundidade da narrativa. Milionários estão se criando com discursos óbvios, apelativos, populistas e focados em gatilhos mentais, conquistando as mentes de quem não consegue mergulhar um pouco, um pouquinho só, mais fundo. Portanto, a forma de contar uma história agora tem mais peso do que a própria história.

E eu vou repetir: não vence mais quem conta a melhor história. Vence quem melhor conta qualquer a história.

Um público educado é a base de uma democracia forte. Quando a população tem a capacidade de ler criticamente, ela consegue diferenciar entre uma informação verdadeira e uma falsa, entre um argumento bem construído e uma falácia. Isso fortalece o debate público, promove a tomada de decisões informadas e ajuda a manter a integridade das instituições democráticas. Você lembra do Café Brasil sobre o Corcunda de Notre Dame? Na abertura o rei discutindo com seu ministro que queria de toda maneira proibir a publicação de livros que popularizariam o conhecimento? Enfraquecer o debate público, promover a tomada de decisões desinformadas é tática de quem não quer a democracia. E formar preguiçosos intelectuais é sua principal arma.

Quando as pessoas não entendem o que estão lendo, ouvindo ou assistindo, o debate público se degrada, transformando-se em um campo de batalha de opiniões infundadas e polarizadas, onde o diálogo construtivo é substituído pelo confronto e pela desinformação. Com preguiça intelectual, as decisões políticas e sociais são influenciadas por narrativas distorcidas, que exploram medos e preconceitos em vez de promover a verdade e a justiça.

Quem sofre de preguiça intelectual só consegue entender cerveja e picanha…

Com preguiça intelectual, em vez de assistir, analisar e questionar vídeos com conteúdo político no YouTube, apenas reagimos a eles. E é uma reação instintiva, histérica e violenta, focada no espetáculo, nunca no conteúdo.

Buscamos postagens que confirmem nossos preconceitos em vez de considerar diferentes perspectivas. Permitimos que vozes que gritam alto nas redes sociais moldem o nosso pensamento, em vez de debater extensivamente. Estamos intelectualmente preguiçosos e não usamos nossas habilidades críticas.

Mas veja só que interessante: as pessoas não perderam totalmente suas habilidades de leitura. Na verdade, negligenciamos a importância de uma leitura atenta dos meios contemporâneos. Ainda temos habilidades cognitivas básicas, mas não as usamos. Eu até fiz um Cafezinho a respeito, chamado A Matemática do Troco, no qual eu disse assim:

“No meu tempo e no tempo dos seus pais havia uma coisa mágica chamada… troco. A gente comprava coisas usando dinheiro de papel. Quando chegava na padaria, dava dois dinheiros por uma caixinha de Chiclete Adams que custava, sei lá, 18 centavos. Imediatamente nosso cérebro começava a processar o cálculo do troco: 2 menos 0,18 = 1,82. Pronto.

E aí a gente tinha de pegar um ônibus, com o cobrador com um monte de cédulas entre os dedos, para facilitar o troco. E no caixa do supermercado… Era isso o dia inteiro, com os mais diversos valores.

Entendeu? Nossas mentes eram computadores processando operações matemáticas todo o tempo, estabelecendo conexões e identificando padrões. A prática da matemática ajuda a construir caminhos neurais, as rotas ou conexões específicas formadas por neurônios no sistema nervoso. Ela treina o cérebro a identificar conexões, tornando-o mais robusto do que antes e desenvolvendo habilidades em raciocínio concreto, lógica, raciocínio espacial e pensamento crítico. Ela aguça a mente e ajuda a eliminar pensamentos confusos, o que torna nossa resolução de problemas mais eficaz e o pensamento, mais criativo.

Assim como o treinamento de musculação fortalece os músculos, o pensamento matemático fortalece o cérebro.

Não praticávamos a matemática do troco só porque éramos inteligentes, mas porque ela nos tornava mais inteligentes.

Mas um dia, inventaram uma calculadora e começamos a reduzir a prática diária do pensamento matemático. Então criaram o cartão de crédito. Depois o de débito. E agora o PIX… pronto. Acabou o troco. E sem o troco, a prática diária do pensamento matemático caiu pra zero.

O resultado? Empobrecimento do pensamento crítico, da análise lógica e da tomada de decisões informadas. Tudo porque acabou o troco. Há quem diga que substituímos por outras coisas, mas é só olhar em volta para perceber o tamanho do emburrecimento que assola a sociedade.

Essa é a verdadeira epidemia, a de burrice, que nos impede de perceber as relações de causa e consequência, nos joga no colo de oportunistas e nos torna reféns de certas elites.

Tudo porque você não dá nem recebe mais o troco.

Procure uma vacina.

E aproveitando a deixa, sabe onde tem a vacina? Na minha Mentoria MLA – Master Life Administration, um programa de treinamento contínuo em que reunimos pessoas interessadas em conversar sobre temas voltados ao crescimento pessoal e profissional. A intenção é melhorar nossa capacidade de comparar e avaliar as diferentes versões da realidade que nos são servidas todos os dias. No MLA formamos um círculo de honra e confiança entre pessoas que buscam o bem comum. Um círculo de conspiradores.

Ainda temos vagas disponíveis, se você se interessa em estar comigo, acesse mundocafebrasil.com e clique no link para saber mais.

E se você é assinante do Café Brasil agora vem o conteúdo extra. Vou falar um pouco sobre como a verdadeira ameaça não é a IA, mas a falta de leitura crítica. E enfatizo a importância de desenvolver habilidades de leitura crítica e tomar ações conscientes para combater a desinformação.

Estudos mostram que pessoas multitarefas têm dificuldade de identificar distrações e de se concentrar em tarefas exigentes. Pessoas que consomem muita mídia online navegam amplamente, mas têm menos profundidade de conhecimento. Nativos digitais pensam e leem de maneiras fragmentadas, diferente dos estudiosos letrados do passado.

Em minha palestra Planejamento Antifrágil eu comento que somos a geração Disney, que cresceu no mundo das histórias lineares, repentinamente jogados na internet, que é não linear. Na internet as histórias não andam do começo para o fim, mas de um lado para o outro, de cima para baixo, da frente para trás… Você está lendo um texto, aparece uma palavra marcada em azul, você clica nela e é jogado para outro ambiente, onde uma navegação paralela se inicia… É uma espécie de A Origem, o filme do Christopher Nolan, vivido na realidade…

Num ambiente com essa dinâmica, e com as pessoas sofrendo de preguiça intelectual, mesmo sem provas definitivas, simples evidências tornam-se fortes o suficiente para provocar reações. Isso enquanto continuamos estudando para entender melhor as coisas. Basta uma boa narrativa que já saímos perseguindo a vítima da vez.

A estrutura da mídia contemporânea alimenta a preguiça intelectual, mas mudanças nas políticas, reformas na educação e hábitos pessoais possam ajudar a revitalizar a leitura profunda.

Não seria justo culpar apenas a tecnologia. As empresas de notícias priorizam o lucro sobre o serviço público. Muitos veículos buscam cliques e compartilhamentos, em detrimento do jornalismo de qualidade, à medida que os modelos de receita tradicionais estão colapsando. Enchem feeds com distrações, em vez de escreverem conteúdos nutritivos. O ciclo de notícias 24 horas prioriza a rapidez sobre a precisão. Histórias investigativas e cheias de nuances sofrem com a pressão institucional.

As escolas são pressionadas a ensinar com base em testes padronizados. Educadores focam em fatos científicos e matemáticos, em vez de habilidades de pensamento crítico. Por outro lado, a escrita expositiva requer mais atenção do que redações baseadas em fórmulas. Alunos são recompensados pela memorização, não pela análise original.

Você entendeu, hein cara? Esse sistema desencoraja a curiosidade e paciência necessárias para a leitura profunda.

Desigualdade e pobreza também são fatores importantes. O status socioeconômico está fortemente ligado à capacidade de leitura. Quem luta para atender às necessidades básicas não tem tempo ou energia para ler livros. Falta de recursos, excesso de alunos em salas de aula e falta de financiamento nas escolas de áreas pobres são problemas. Essas desvantagens ambientais dificultam a alfabetização.

Estereótipos culturais também influenciam. Muitos veem a leitura como uma atividade intelectual desinteressante, especialmente para homens. Leitores apaixonados são chamados de nerds. O estigma social contra a leitura causa atrito psicológico, especialmente entre jovens preocupados com sua imagem.

Esse problema envolve diversas partes complexas da sociedade, incluindo mídia, tecnologia, economia, educação, demografia e cultura. Não há causas ou soluções únicas. O negócio é complexo.

A capacidade de compreender um mundo cada vez mais complexo está em risco. Sem ler profundamente, perdemos a capacidade de entender questões, pesar fatos, debater respeitosamente, ter empatia com diferentes pontos de vista, distinguir a verdade da falsidade e engajar-se intelectualmente com a mídia.

E aí o discurso político se torna apenas slogans sensacionais e sem reflexão.

Viu? É nisso que dá a preguiça intelectual. O que é que você vai fazer a respeito?

Comece lendo Brasileiros Pocotó, láááááááa de 2004…

Melô do Pocotó

Ê ô, o domingo chegou
Não não quero ser um pocotó
Já liguei, já liguei, já liguei a TV
Não não quero ser um ppocotó
Olha já vai comçar o pograma
Não não quero ser um pocotó
A dança da garrafa é muito bacana
Não não quero ser um pocotó
Vem comigo ver que é legal pra xuxu
Não não quero ser um pocotó
Pintinho amaelinho junto com o gluglu
Não não quero ser um pocotó
Cinco, seis, sete, todos os canais
A dança da Lacraia é demais
Não não quero ser um pocotó
TV é tudo de bom
Não não quero ser um pocotó
Eu… tudo a ver, tudo a ver na TV
Não não quero ser um pocotó
Fico o diia todo e não me canso
Não não quero ser um pocotó
João Kleber mostra mais um corno manso
Não não quero ser um pocotó
São seis, sete corno oito corno na tela
Não não quero ser um pocotó
Epa, não é tua mulher
Não não quero ser um pocotó
Ê ô, agora vem o pastor
Não não quero ser um pocotó
De…posite o seu por favor, por favor
Não não quero ser um pocotó
Hoje o dia inteiro eu não tiro o pijama
Não não quero ser um pocotó
Vejo Faustão até babar na cama
Não não quero ser um pocotó
Adoro o domingo ô ô
Não não quero ser um pocotó

É assim, ao som da Melô do Pocotó, que deu início a tudo que você conhece do Café Brasil, lááááá em 2004, que vamos saindo pensativos

Estamos entendidos então? Textos longos e informativos lutam para competir com a gritaria dos influencers e idioters. Como este Café Brasil aqui, por exemplo, que assusta muita gente. Nossos roteiros longos são feitas para discursos claros, não para vícios. Respeitamos as escolhas críticas do ouvinte, em vez de prendê-lo com algoritmos. Para nós, a verdade importa mais do que os cliques.

Mas para mentes modernas acostumadas à estimulação constante, os oásis de leitura profunda parecem cada vez mais estranhos. Após anos de leitura superficial e rolagem em telas, a profundidade dos textos longos requer paciência e esforço analítico. Em outras palavras: o texto ou discurso elaborado cansa as mentes que têm preguiça intelectual.

Então vivemos uma dualidade perniciosa: de um lado os meios digitais têm benefícios fabulosos, como nos expor a conteúdos e pontos de vista diferentes, de outro lado o dano colateral à capacidade de atenção é real. Quando Umberto Eco disse que a Internet deu voz ao imbecil da aldeia, era a isso que ele se referia…

Reitero aqui meu convite: junte-se aos conspiradores do Café Brasil, que abominam a preguiça intelectual. Acesse canalcafebrasil.com.br. Escolha seu plano e venha para o barco.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

De onde veio este programa aqui tem muito mais. E se você gosta do podcast, imagine só uma palestra ao vivo. E eu já tenho mais de mil e duzentas no currículo. Conheça os temas que eu abordo no mundocafebrasil.com.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

E para encerrar, a fala de Umberto Eco:

“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”