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Luciano Pires -

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Há 25 anos colocando a inteligência a serviço do agro.  

Eu sou palestrante profissional há mais de trinta anos. Vira e mexe alguém vem me perguntar se eu não tenho vergonha de falar em público, com todo mundo reparando em mim… Aí eu lembro do filme O Discurso do Rei.

O Rei George VI, interpretado por Colin Firth,  luta com uma gagueira debilitante. Uma cena marcante é quando ele deve fazer um discurso importante para a nação. Ele está extremamente nervoso, acreditando que todos perceberão sua dificuldade de fala.

O Rei está com seu coração acelerado, suas mãos suam e ele sente um leve tremor nas pernas. Ao começar a falar, ele está convencido de que todos na sala podem ver o quão nervoso ele está. No entanto, a verdade é bem diferente. Com a ajuda de seu fonoaudiólogo Lionel Logue, interpretado por Geoffrey Rush, ele consegue superar sua ansiedade e entregar um discurso que é bem recebido pelo público.

Essa discrepância entre como o Rei se sentia e como acreditava que os outros percebiam suas emoções é conhecida como a ilusão de transparência. Ou efeito holofote.

É nessa praia que segue o episódio de hoje.

Bom dia, boa tarde, boa noite. Você está no Café Brasil e eu sou o Luciano Pires. Posso entrar?

Grande Bárbara, boa noite, tudo bem? Muitíssimo obrigado pelo áudio gravado para as minhas pequenas, sabe? Tu não tens noção da cara delas no outro dia no café da manhã quando eu dei play no áudio. Elas arregalaram o olho e não conseguiam tirar o sorriso do rosto, tipo assim: eu estou ouvindo mesmo? Sabe? Status de celebridade, sabe?

Porque, realmente, chega na terça feira, na verdade agora, como a gente é do clube, chega no domingo elas já começam: pai, tem episódio novo? Pai, tem episódio novo? Pai, tem episódio novo? E é assim, enquanto a gente não para pra assistir, elas não sossegam, entendeu?

Então assim: muito obrigado pelo carinho de gravar o áudio pra elas. É de uma importância muito bacana os temas do Café com Leite, vem à tona quando a gente tem coisas a serem resolvidas dentro de casa. Coisas com relação à ética, com relação à moral… então assim, temas da escola, com relação aos amigos, então, filha: e o que a gente ouve lá no Café com Leite? Elas param, refletem…entendeu?

O trabalho de vocês faz diferença pras pessoas. Parabéns. Enfim, Café com Leite na escola apoiado já, e sigo monitorando aí a evolução dos trabalhos. Muitíssimo obrigado.

Rararararrararar… fiz questão de trazer esse áudio dirigido para o Café Com Leite, aqui no Café Brasil. Você sabe por quê, hein? Porque tem muita gente que pensa que o Café Com Leite é um podcast para crianças.

Não é. O Café Com Leite é um Café Brasil formatado para um outro tipo de público. E muitos pais têm nos enviado mensagens como essa: nosso conteúdo ajudando as famílias a discutir sobre temas que não teriam como serem abordados, não fosse a forma como nós apresentamos. É isso. A sensação aqui é de dever cumprido.

Olha: o comentário do ouvinte agora é patrocinado pela Livraria Café Brasil, e o pai que mandou esse comentário, não achei o nome dele aqui ainda. Estou procurando… não vou encontrar não. De qualquer forma ele vai ganhar um exemplar de meu 11º livro, o Mínimo Sobre o Medo.  A gente vai mandar uma mensagem pra ele pedindo o endereço e enviar o livro que faz parte da coleção O Mínimo, que a CEDET publica, e da qual agora eu honrosamente passo a fazer parte. Dá uma olhada lá: livrariacafebrasil.com.br. Tem mais de 15 mil títulos à disposição.

E agora o momento do episódio em que eu faço aquele chamado, né? Cara, você gosta do Café Brasil, gosta dos podcasts, admira o trabalho que a gente está fazendo aqui, acha que, de alguma forma, a gente agrega valor à sua vida?

Cara! Então, torne-se um assinante. Além de ouvir todo o conteúdo que você já ouve gratuitamente, você vai receber também os episódios com a mais, com comentários a mais, com comentários extras, vai poder acessar o Café Brasil Premium. Ele tem milhares de conteúdos lá. Até perdi a conta do que já existe lá dentro, tem muito conteúdo.

Mas, se você não tem tempo pra consumir o conteúdo e acha que não vale assinar porque não vai conseguir consumir, pense de outra forma. Pense o seguinte, cara: eu vou assinar pra ajudar o Café Brasil a continuar produzindo conteúdo, entregando de graça pra muita gente.

Esse é o pedido, tá? Gosta? Vem pro barco, meu!

Dá uma paradinha aí, acesse canalcafebrasil.com.br, torne-se um assinante. A gente espera!

A ilusão de transparência, que também é conhecida como “Efeito Holofote”, é um fenômeno psicológico em que as pessoas superestimam a clareza com que seus sentimentos internos são percebidos pelos outros. Em outras palavras, tendemos a acreditar que nossos pensamentos e emoções são mais evidentes do que realmente são.

Sabe aquele dia que você chegou em casa e descobriu que passou o dia inteiro com a marca do café que caiu na camisa e você não viu, cara? Quando percebeu a mancha você, com certeza, fala: meu, todo mundo viu e pensou nas minhas cosas: pô, que cara mais desleixado, cara!

Ou aquele dia que você tomou um tombo e de repente sentiu que o mundo todo estava olhando você estatelada no chão?

Ou então, você mudou o corte de cabelo, não gostou sai na rua e tem a sensação de que todo mundo está reparando no seu novo penteado ruim?

Rararararraar… Quem nunca? Esse é o efeito holofote. Ou ilusão de transparência. Igual aquilo que Rei gago sentiu.

Esse conceito foi estudado por diversos psicólogos e traz implicações importantes para a forma como nos relacionamos e nos comunicamos com os outros. A ilusão de transparência foi formalmente investigada por Thomas Gilovich, Victoria Medvec e Kenneth Savitsky em um estudo publicado em 1998. Eles conduziram uma série de experimentos que demonstraram como as pessoas frequentemente acreditam que suas emoções são visíveis para os outros, mesmo quando não são.

Em um dos experimentos, os participantes foram convidados a beber uma mistura de suco de tomate e molho de soja, algo que muitos acharam extremamente desagradável. Eles foram então perguntados sobre o quão evidente seria para os observadores o seu desgosto. Os resultados mostraram que os participantes acreditavam que seu desconforto era muito mais perceptível do que os observadores realmente perceberam.

Em outro experimento, Tom Gilovich e seus colegas trouxeram grupos de estudantes para fazer uma tarefa qualquer na mesma sala, e sortearam um dos estudantes para vestir uma camiseta constrangedora (se você quer saber, era uma camiseta do Barry Manilow, que os pesquisadores descobriram ser super embaraçosa para esses universitários). Os pesquisadores pediram para os estudantes que estavam usando a camiseta estimarem quantas pessoas no grupo conseguiriam identificar quem estava na camiseta. Enquanto os estudantes achavam que cerca de 50% das pessoas notariam, na verdade, só 25% conseguiram identificar Barry Manilow. Mais importante, quando outros estudantes foram chamados para assistir os vídeos desses grupos e fazerem a mesma estimativa, eles também chutaram em torno de 25%. Então, parece que vestir a camiseta fez os estudantes acharem que os outros prestam mais atenção neles do que realmente fazem.

Os efeitos foram além do Barry Manilow: em um segundo estudo, os participantes podiam escolher uma camiseta não constrangedora, dessa vez com a foto de Bob Marley, Jerry Seinfeld, ou Martin Luther King Jr. De novo, os que vestiram a camiseta acharam que 50% dos outros conseguiriam identificar quem estava na foto. Neste estudo, menos de 10% do grupo realmente conseguiu. Um terceiro estudo mostrou que isso também acontece com o comportamento: em uma conversa em grupo, as pessoas geralmente superestimam o quanto os outros notam suas contribuições incríveis – ou então, suas mancadas vergonhosas.

Como estamos focados em nós mesmos, assumimos que os outros também prestam muita atenção na gente, mas todo mundo está preocupado é com seus próprios problemas.

Mas afinal, por que isso acontece?

Under pressure
Freddie Mercury
Brian May
Roger Taylor
John Deacon
David Bowie

Pressure.
Pushing down on me.
Pressing down on you.
No man ask for.

Under pressure.
That burns a building down.
Splits a family in two.
Puts people on streets.

That’s okay.

It’s the terror of knowing
What the world is about.
Watching some good friends
Screaming “Let me out!”.
Pray tomorrow gets me higher.
Pressure on people, people on streets.

Okay.

Chippin’ around,
Kick my brains around the floor.
These are the days it never rains,
But it pours.

People on streets.
People on streets.

It’s the terror of knowing
What the world is about.
Watching some good friends
Screaming “Let me out!”.
Pray tomorrow gets me higher.
Pressure on people, people on streets.

Turned away from it all like a blind man.
Sat on a fence but it don’t work.
Keep coming up with love,
But it’s so slashed and torn.
Why? Why? Why?
Love, love, love, love, love.

Insanity laughs.
Under pressure we’re cracking.
Can’t we give ourselves one more chance?
Why can’t we give love that one more chance?
Why can’t we give love?
Give love, give love.
Give love, give love.

‘Cause love’s such an old fashioned word.
And love dares you to care for
The people on the edge of the night.
And loves dares you to change our way
Of caring about ourselves.
This is our last dance.
This is our last dance.

This is ourselves
Under pressure.
Under pressure.
Pressure.

Sob pressão

Pressão.
Me pressionando.
Pressionando você.
Ninguém pede isso.

Incendeia um edifício inteiro.
Divide uma família em duas.
Coloca pessoas nas ruas.

Tudo bem.

É o terror de saber
O que o mundo é.
Observando alguns bons amigos
Gritando “Deixem-me sair!”.
Rezo para que o amanhã me deixe mais animado.
Pressão sobre as pessoas, pessoas nas ruas.

Okay.

Dando pontapés por aí,
Chuto meu cérebro pelo chão.
Estes são os dias em que nunca chove,
Mas transborda.

Pessoas nas ruas.
Pessoas nas ruas.

É o terror de saber
O que o mundo é.
Observando alguns bons amigos
Gritando “Deixem-me sair!”.
Rezo para que o amanhã me deixe mais animado.
Pressão sobre as pessoas, pessoas nas ruas.

Afastei-me disto tudo como um homem cego.
Sentei num muro mas isso não funciona.
Continuo fornecendo amor,
Mas ele está tão rachado e despedaçado.
Porquê? Porquê? Porquê?
Amor, amor, amor, amor, amor.

A insanidade ri.
Sob pressão estamos cedendo.
Não podemos dar a nós mesmos mais uma chance?
Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?
Por que não podemos dar amor?

Dar amor, dar amor.
Dar amor, dar amor.

Porque o amor é uma palavra tão fora de moda.
E o amor te desafia a se importar com
As pessoas no limite da noite.
E o amor desafia você a mudar nosso modo
De nos preocupar com nós mesmos.
Esta é nossa última dança.
Esta é nossa última dança.

Isto somos nós mesmos
Sob pressão.
Sob pressão.
Pressão.

 

Ah, que legal… Under Pressure, com o Queen e David Bowie. Pô, que saudades desses caras… Olha, com o passar de cada dia, parece que a vida fica cada vez mais difícil. Nenhum de nós está ficando mais jovem. Existem preocupações com guerra, doenças, tecnologia e as pessoas que você ama vivendo com dor e ansiedade. E você aí preocupado com o que os outros pensam de você… Bem, essa dificuldade existencial é justamente o tema de Under Pressure. 

Bem, a ilusão de transparência pode ser explicada por uma combinação de fatores cognitivos e sociais:

Primeiro a Auto-Consciência Intensa. Quando estamos emocionalmente carregados, nossa atenção se volta fortemente para dentro de nós mesmos. Estamos tão cientes de nossas emoções que assumimos que elas são óbvias para os outros. As pessoas, pelo menos a maioria, sabem que não são o centro do universo. Mas quando fazemos algo fora do comum, seja bom ou ruim, tendemos a não ajustar suficientemente a diferença entre a nossa percepção e a percepção dos outros.

Outro motivo é a Falta de Perspectiva. Temos dificuldade em nos colocar no lugar dos outros e perceber que eles não têm acesso aos nossos estados internos. Isso é exacerbado pelo fato de que outras pessoas estão igualmente concentradas em seus próprios pensamentos e emoções.

Também costumamos seguir falsas pistas: às vezes, pequenos sinais de nervosismo ou desconforto são percebidos como mais evidentes do que realmente são. Mas esses sinais geralmente são mínimos e não tão aparentes para os outros como imaginamos.

Você está em dúvida sobre se já sofreu com a ilusão da transparência, hein?

Vamos ver…

Primeiro tem o exemplo mais comum, que é o falar em público. Muitas pessoas experimentam a ilusão de transparência ao falar em público. Elas acreditam que o público pode ver cada sinal de nervosismo, desde a voz trêmula até a mão suada. Na realidade, a maioria das pessoas no público não percebe esses sinais ou, se percebem, não os consideram tão significativos. Normalmente, quando somos convidados a falar em público, raramente é diante de uma plateia hostil. É claro que existem plateias assim, mas na maior parte das vezes estamos diante de pessoas que querem que a nossa fala seja legal. Que não vão reparar num pequeno detalhe que você considera desastroso. Elas não se importam se você está gordo, descabelado ou com uma gravata exótica. Elas se preocupam com a experiência que você proporcionará a elas. Sacou? Foque na experiência, na sua entrega.

Existem também os momentos de interações sociais. Em situações sociais, como festas ou encontros, podemos sentir que a nossa timidez ou ansiedade é óbvia para todo mundo. Já pensou ter de cruzar aquela sala com todo mundo reparando em tudo que você faz? Ou deixa de fazer? Bom, como eu já disse antes, a verdade é que a maioria das pessoas está preocupada com suas próprias interações e não está focada em julgar os outros.

E claro, temos as mentiras e segredos. Quando estamos escondendo alguma coisa, achamos que todo mundo consegue ver isso. Essa crença pode aumentar a nossa ansiedade e estresse, mesmo que as outras pessoas não tenham a menor ideia do que estamos escondendo. Sentimos que estamos sendo observados ou julgados o tempo todo, e isso pode ser muito angustiante. Na verdade, a maioria das pessoas ao nosso redor está tão ocupada com seus próprios problemas que nem percebe nossos segredos ou pequenas mentiras.

Quem nunca, né?

Então, tá claro que a ilusão de transparência ou efeito holofote, basicamente, é resultado do egocentrismo? Todos nós somos o centro dos nossos próprios universos. Isso não significa que somos arrogantes ou que nos valorizamos mais do que os outros. Na verdade, a nossa existência inteira é baseada nas nossas próprias experiências e perspectivas. E usamos essas experiências para avaliar o mundo ao nosso redor, incluindo as outras pessoas. Mas as outras pessoas não só não sabem, por exemplo, da mancha na roupa, como também são o centro dos próprios universos e estão focadas em outras coisas!

O realismo ingênuo e o ponto cego do viés também contribuem para isso. Por exemplo, as pessoas geralmente não se veem como tendenciosas. Elas tendem a achar que o que estão focando é preciso e objetivo. Assim, acreditam que a maioria das outras pessoas deveria notar o que estão focando. Afinal, na mente da pessoa, é objetivo e preciso! Mas não é assim que funciona não.

Então, combinando tudo isso, cria-se uma situação em que as pessoas primeiro usam suas próprias experiências e pensamentos sobre si mesmas para avaliar os pensamentos e comportamentos dos outros. E depois superestimam o quanto suas percepções são compartilhadas pelos outros e são precisas. Sacou?

O resultado é que as pessoas acham que os olhos do mundo estão sobre si. Bom, fique frio. Não estão.

Aproveitando a deixa, 2024 está pegando fogo com a minha mentoria MLA – Master Life Administration. Acabamos de fazer um evento maravilhoso no Teatro da Rotina. Dia inteiro, cara, das dez da manhã até as oito da noite com participação de palestrantes.

Levei lá a professora Lúcia Helena Galvão, que falou sobre viver a boa vida de acordo com Epiteto, fiz uma palestra sobre meritocracia, a gente apresentou projetos legais, teve vinho, teve almoço, teve música no final. Cara, foi sensacional.

Mas o mais legal é a energia do ambiente. É estar acompanhado de gente como a gente, o ego fica da porta pra fora. Lá dentro as pessoas estão interessadas em trocar ideias, em curtir aquele momento e construir coisas legais e construir uma visão diferente do mundo.

Olha, tem vagas disponíveis o tempo todo, viu? O MLA forma um círculo de honra e confiança entre pessoas que buscam o bem comum. É um círculo de conspiradores.

Se você acessar mundocafebrasil.com, clicar no link, você vai saber mais.

E agora, se você é assinante do Café Brasil agora vem o conteúdo extra. Vou dar algumas dicas para escapar da ilusão de transparência.

Se você não é assinante, vamos para a parte final do episódio.

Então… o “efeito holofote” não se aplica apenas à aparência. Ele também vale para nossas ações. Em outra parte daquele mesmo estudo de Gilovich e colegas, as pessoas tendiam a superestimar o quanto seus colegas em uma discussão de grupo davam importância ao seu desempenho. Fosse ele positivo ou negativo.

Quando fazemos algo bem ou mal feito, tendemos a achar que as pessoas notam nossa performance mais do que realmente notam. Ter uma ideia precisa de quanto nossa performance importa para os outros é importante por duas razões: superestimar o quanto nossos colegas ficaram impressionados com nosso desempenho positivo pode nos fazer ter uma sensação exagerada de importância. A gente vai se achar…

Por outro lado, entender que menos pessoas do que imaginamos realmente se importam ou notam nosso desempenho negativo ou nossos erros pode ser libertador.

Pense assim: você realmente se lembra do rosto de algum estranho que cruzou seu caminho nos últimos dias? Se nós nem notamos essas pessoas, será que eles notaram a gente, hein? A verdade reconfortante é que as pessoas estão ocupadas demais pensando em seus próprios problemas ou preocupadas com o que pensamos delas para prestar atenção no que um estranho está vestindo ou como ele se parece. Mesmo que alguém notasse essas coisas superficiais e julgasse você por elas, meu, quanta importância essa opinião deveria ter?

Pessoas que sofrem de ansiedade social às vezes podem ser paralisadas pelo efeito holofote – pode ser mais difícil para elas reconhecerem que não são o centro das atenções tanto quanto pensam e superar esse sentimento.

Em sua forma mais patológica, o efeito holofote, a ilusão de transparência pode fazer com que uma pessoa com um delírio de referência sinta que todo mundo em um trem, por exemplo, está falando sobre ela ou que um anúncio na televisão está enviando uma mensagem especial para ela.

Você já se sentiu assim?

Bom. A ideia principal então é a seguinte: quando você estiver morrendo de vergonha ou super preocupado com a impressão que vai causar, lembre-se de que as outras pessoas não estão prestando tanta atenção em você quanto você imagina. Suas mancadas na conversa não vão ficar na cabeça delas, e aquela mancha de café na sua camisa provavelmente não vai virar assunto na escola. Você não vai impressionar ou arruinar tudo só por causa de uma coisa muito legal ou muito vergonhosa que você disser.

Isso não quer dizer que você seja um merda e que ninguém note você. Apenas indica que as pessoas não pensam tanto sobre você quanto você pensa. Em outras palavras, enquanto você fica remoendo, as pessoas já seguiram em frente.

Sem estresse.

Creep
Thom Yorke

When you were here before,
Couldn’t look you in the eye.
You’re just like an angel,
Your skin makes me cry.
You float like a feather,
In a beautiful world
I wish I was special,
You’re so fucking special.
But I’m a creep, I’m a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don’t belong here.
I don’t care if it hurts,
I wanna have control.
I want a perfect body,
I want a perfect soul.
I want you to notice,
When I’m not around.
You’re so fucking special,
I wish I was special.
But I’m a creep, I’m a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don’t belong here
She’s running out again,
She’s running
She run, run, run, run, run.
Whatever makes you happy,
Whatever you want.
You’re so fucking special,
I wish I was special,
But I’m a creep, I’m a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don’t belong here,
I don’t belong here.

Aberração

Quando você esteve aqui antes
Nem pude te olhar nos olhos
Você é como um anjo
Sua pele me faz chorar
Você flutua como pluma
Num mundo perfeito
Eu queria ser especial
Você é especial pra caralho
Mas eu sou uma aberração, um esquisito
Que diabos é que eu estou fazendo aqui
Este não é meu lugar
Não me importa se vai doer
Quero ter o controle (da situação)
Quero um corpo perfeito
Uma alma perfeita
Quero que você perceba
Quando eu não estou por perto
Você é especial pra caralho
Eu queria ser especial
Mas eu sou uma aberração, um esquisito
Que diabos é que eu estou fazendo aqui
Este não é meu lugar
Ela está indo embora de novo
Esta fugindo
Ela foge, foge, foge, foge, foge
O que você quiser para te fazer feliz
O que você quiser
Você é especial pra caralho
Eu queria ser especial
Mas eu sou uma aberração, um esquisito
Que diabos é que eu estou fazendo aqui
Este não é meu lugar
Este não é meu lugar

É assim então, ao som de Creep, do Radiohead, aqui numa versão espetacular do Scary Pockets com  aIndia Carvey nos vocais, que vamos saindo alertados…

Mas eu sou uma aberração
Eu sou um esquisitão
Que diabos estou fazendo aqui?
Eu não pertenço a este lugar

A letra dessa canção expressa sentimentos de inadequação e a crença de que todos ao redor estão cientes de suas falhas. É uma boa representação da ilusão de transparência.

Tá entendido então? A ilusão de transparência é uma armadilha comum em que muitos de nós caímos. Acreditar que nossos sentimentos são mais visíveis do que realmente são pode aumentar a nossa ansiedade e afetar negativamente a nossa comunicação. No entanto, ao entender e reconhecer esse fenômeno, podemos adotar estratégias para superá-lo, melhorando tanto seu bem-estar emocional quanto suas interações sociais. Lembre-se sempre: você não é tão transparente quanto pensa, e isso é uma boa notícia!

Reitero aqui meu convite: junte-se aos conspiradores do Café Brasil, que abominam a preguiça intelectual. Acesse canalcafebrasil.com.br. Escolha um plano e venha para o barco.

O Café Brasil é produzido por quatro pessoas. Eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e, é claro, você aí, que completa o ciclo.

De onde veio este programa tem muito, mas muito mais. Cara, você gosta do podcast é? Imagine isso aqui ao vivo. Uma palestra minha e eu já tenho mais de mil e duzentas no currículo. Conheça os temas que eu abordo no mundocafebrasil.com.

Mande um comentário de voz pelo WhatSapp no 11 96429 4746. E também estamos no Telegram, com o grupo Café Brasil.

Para encerrar, uma frase da apresentadora Oprah Winfrey:

“Ou você é humilde ou não é. Se você era um idiota antes da fama, você só se torna um idiota com um holofote maior. Quem você realmente é acaba aparecendo.”