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Luciano Pires -

Em minha palestra Quanto Você Vale, ao tratar do tema “responsabilidade moral”, mostro que antes de fazer julgamentos, precisamos observar atentamente três esferas:

A do ato praticado, a da circunstância e a da intenção.

Sem conhecer as três esferas, só é possível supor. Chutar. Dizer “eu acho”.

O problema é que o ato é fácil de ser verificado. Por exemplo, alguém lança uma bomba que mata um terrorista poderoso. Ou lança um coquetel Molotov numa produtora. Esse é o ato, objetivo e claro, não há o que discutir.

A circunstância já começa a complicar. Se você não está envolvido no problema, apenas consegue imaginar a circunstância, alimentado por fontes que têm distintos interesses.

Por exemplo, o terrorista poderia estar planejando um ataque sério. Ou então, o terrorista não era terrorista, era apenas um patriota defendendo sua nação. Ou quem soltou a bomba pode ter sido outra pessoa.

Escolha o contexto e você começa a mudar a interpretação do fato.

E aí vem a intenção, que é o mais complicado dos três. A intenção pode ser matar o terrorista antes que ele mate centenas de pessoas. Ou pode ser eliminar um obstáculo para sua sede pelo petróleo da região. Ou então criar um clima de guerra para aumentar a venda de armas. Ou transformar um criminoso em vítima. Ou então desviar atenção de um problema interno para uma ameaça externa…

Qual foi a intenção? Você sabe? Ou vai escolher a que melhor se adaptar a suas crenças e inclinações ideológicas?

Os mais bobinhos vão acreditar na intenção que a narrativa mais forte criar.

Como eu não sei do contexto e nem da intenção, só sei da bomba, recolho-me à minha ignorância.

Já tem gente demais falando merda.

 

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