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Crônica de um desastre anunciado

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Luiz Alberto Machado - Iscas Econômicas -

 

Crônica de um desastre anunciado

Crescimento negativo + Inflação elevada

 “Faço votos para que esta experiência lamentável de fracasso do “pensamento alternativo” seja como a dos “choques heterodoxos”, que foram banidos do dicionário das coisas sérias em economia.”

Gustavo Franco

A divulgação pelo IBGE, na manhã do dia 3 de março, da notícia de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil havia registrado queda de 3,8% em 2015, embora não representasse grande surpresa para os analistas mais bem informados, parecia ser o ápice das más notícias envolvendo a triste realidade vivida pelo País, que já tinha sido contemplada na semana anterior com o anúncio da perda do grau de investimento do Brasil pela Moody’s, a terceira e última das três grandes agências internacionais de classificação de risco a fazê-lo.

Ledo engano.

Poucos minutos depois da divulgação do péssimo resultado por parte do IBGE veio a público a informação de que a revista IstoÉ havia tido acesso à denúncia premiada do senador Delcídio do Amaral, com revelações altamente comprometedoras para a presidente Dilma Rousseff e para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se não bastasse, na manhã do dia seguinte, todas as atenções se voltaram para as ações da 24ª fase da Operação Lava-Jato, que recebeu o nome de Aletheia, e que envolveu a condução coercitiva do próprio Lula para prestar depoimentos à Polícia Federal.

Com isso, a pauta dos principais veículos sofreu repentina mudança, deixando para segundo plano o lamentável desempenho da economia brasileira em 2015.

Como se trata da minha seara, e por se constituir num quadro extremamente grave, não gostaria de deixar os amigos internautas sem um rápido exame do que aconteceu.

A rigor, fica difícil apontar com exatidão o momento em que a situação se deteriorou, a ponto de sairmos da condição de bola da vez, com direito a capa elogiosa na The Economist para irmos ao extremo oposto, merecendo sucessivas matérias de capa da mesma revista revelando sua preocupação com a trajetória da economia brasileira, que contrastava com a da maioria dos países.

theeconomistbraziltakesThe Economist, outubro 2013The Economist - Passista atoladaThe Economist - Dilma

Apesar da referida dificuldade para identificar o ponto exato em que se deu a reversão, arrisco-me a apontá-lo para a metade do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, quando a equipe econômica liderada pelo ministro Guido Mantega decidiu adotar a nova matriz econômica, abandonando de vez uma estratégia que vinha sendo adotada – com algumas adaptações – desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. Essa estratégia, que contribuiu para a conquista da estabilidade a partir do Plano Real e se consolidou em 1999 com a ida de Armínio Fraga para a presidência do Banco Central, combinava o regime de metas de inflação, o câmbio flutuante e o superávit fiscal, englobando, assim, as três componentes clássicas da política econômica: monetária, cambial e fiscal.

Percebendo os bons resultados obtidos por essa estratégia de política econômica, Luiz Inácio Lula da Silva, que de bobo não tem nada, ao assumir a Presidência da República, para desespero de muitos de seus seguidores históricos, decidiu manter a “espinha dorsal” dessa estratégia, então já chamada por muita gente de tripé macroeconômico, agregando a ela novos ingredientes relacionados, sobretudo, às políticas sociais, com destaque para a elevação do salário mínimo e o programa bolsa família.

Eu não tenho a menor dúvida de que essa decisão corajosa de Lula, combinada com uma conjuntura internacional favorável, foi essencial para que a economia brasileira continuasse apresentando bons resultados, a ponto de ter sido uma das últimas a ser afetada e uma das primeiras a escapar dos efeitos da crise econômico-financeira que abalou o mundo todo a partir de 2008 e que teve origem no setor hipotecário da economia norte-americana.

Com a justificativa da gravidade da crise internacional (verdadeira, diga-se de passagem), o presidente Lula adotou uma série de medidas para manter aquecida a economia brasileira, concedendo desonerações a determinados segmentos de atividade e ampliando o crédito tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas. A manutenção da estratégia básica aliada a essas ações pontuais surtiu efeito extremamente positivo, tanto é que o Brasil registrou um aumento do PIB da ordem de 7,5% em 2010, o que favoreceu a eleição de Dilma Rousseff, candidata indicada e fortemente apoiada por Lula.

Além de não possuir o carisma de seu antecessor, a nova ocupante do Palácio do Planalto parece ter se entusiasmado demais com o cargo que não estava preparada para ocupar. Nesse sentido, desde o início de seu primeiro mandato passou a adotar medidas contraditórias, sem atentar para o fato de que a conjuntura internacional havia se alterado acentuadamente e de que o Brasil, a exemplo do que fizeram diversos outros países, precisava se adaptar à nova conjuntura.

O que constatamos é que tal adaptação não foi realizada e, para piorar, as mudanças que foram feitas na condução da política econômica além de comprometerem o que vinha dando certo, almejavam alcançar altas taxas de crescimento em plena fase de ajuste da economia mundial. Paralelamente, vinham à tona sucessivas notícias dando conta do envolvimento de integrantes do governo no escândalo da Petrobras, eleito em votação popular promovida pela ONG Transparência Internacional como o segundo maior caso de corrupção do mundo.

A aproximação das eleições presidenciais representou outro grave problema, com a adoção, ao longo de 2014, de uma série de medidas eleitoreiras que tiveram sérias consequências em 2015, merecendo realce nesse aspecto o congelamento das tarifas de energia e dos preços dos combustíveis.

O segundo mandato, portanto, já teve início num quadro preocupante, que se agravou ainda mais ao se perceber que, mesmo depois de sair vitoriosa numa eleição disputadíssima, a presidente não dispunha de capital político suficiente para tomar as medidas necessárias e inadiáveis diante do quadro que ela mesma havia preparado.

Um dos elementos que deixam evidente essa incapacidade de governar de Dilma Rousseff envolve a indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda. Reconhecidamente adepto de uma visão econômica sem qualquer alinhamento com as ideias defendidas pelos economistas do Partido dos Trabalhadores e de boa parte da base aliada, o que se imaginava é que a presidente iria bancar o nome que havia nomeado, a fim de permitir que ele adotasse uma nova estratégia de política econômica, diferente daquela que vinha sendo adotada por seu antecessor, com resultados decepcionantes.

Não foi o que se viu. Minado dentro e fora do governo, Joaquim Levy não conseguiu levar adiante o ajuste fiscal pretendido e, entre marchas e contra marchas, o País perdeu um ano que teria sido importantíssimo para reverter a tendência declinante da economia. Verificou-se, então, a previsível saída de Levy, substituído por Nelson Barbosa, um dos artífices da nova matriz econômica!!!

Em decorrência disso tudo, o Brasil encerrou 2015 com um dos piores cenários considerados pelos economistas, combinando crescimento negativo (-3,8%) e elevada inflação (10,67%), para a qual contribuíram significativamente as correções dos preços de energia elétrica e de combustíveis, que já tinham cumprido seu papel na corrida eleitoral.

A análise detalhada dos dados do IBGE revela um quadro desolador, em que apenas dois indicadores podem ser considerados positivos: o desempenho do agronegócio, que registrou alta de 1,8%, e o saldo favorável da balança comercial, ainda que este se deva mais à enorme redução das importações do que ao desejável aumento das exportações. Os outros indicadores são preocupantes e incluem o fraquíssimo desempenho da indústria, que teve queda de 6,2%, e a baixa performance dos serviços, com recuo de 2,7%.

Em meio a tantos maus resultados, preocupa-me sobremaneira o que se relaciona à Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que registrou queda de 14,1%. Como esse indicador refere-se ao investimento em bens de capital, o que se pode inferir é que ele compromete o crescimento futuro, razão pela qual não há nenhum motivo para expectativas positivas para este ano.

Ainda mais porque a dramática novela em que se transformou o nosso cenário político, que tem enorme responsabilidade pelo mau desempenho da economia, parece longe de um desfecho definitivo.

Diante desse cenário desanimador, resta-nos torcer para que a maciça participação do povo brasileiro, indignado com tanta incompetência e corrupção, consiga promover uma mudança desse estado de coisas, restituindo a esperança de dias melhores para um país que, ao contrário de muitos outros que conseguem ter bons resultados enfrentando severas restrições de recursos, possui condições amplamente favoráveis: terra, água, sol, energia e gente, na sua esmagadora maioria, séria e trabalhadora.

Às ruas, pois, no dia 13 de março!

Iscas para ir mais fundo no assunto

Recomendações e indicações bibliográficas

BRAGA, Mário, SILVA Jr., Altamiro, SILVA, Maria Regina e ASSIS, Francisco Carlos de. Brasil perde seu último grau de investimento. O Estado de S. Paulo, 25 de fevereiro de 2016, p. B 4.

MING, Celso. O Brasil, reprovado. O Estado de S. Paulo, 25 de fevereiro de 2016, p. B 2.

O BRASIL reprovado três vezes. O Estado de São Paulo, 25 de fevereiro de 2016, p. A 3.

SAKATE, Marcelo e ALVARENGA, Bianca. O custo Dilma. Veja, 9 de março de 2016, pp. 60-65.

Recomendações e indicações webgráficas

DE BOLLE, Monica. “O ganho de 10 anos vai ser desfeito em menos de dois”. Entrevista a Cadu Caldas. Zero Hora, 30.01.2016. Disponível em http://zh.clicbs.com.br/rs/noticias/noticia/2016/01/monica-de-bolle-o-ganho-de-10-anos-vai-ser-desfeiti-em-menos-de-dois-4963517.html.

FRANCO, Gustavo. Brasil continua a ser o país do futuro. Entrevista a O Financista. Disponível em http://www.financista.com.br/brasil-continua-a-ser-o-pais-do-futuro-diz-gustavo-franco.

ESCÂNDALO da Petrobras é eleito o 2º maior caso de corrupção no mundo. O Globo, 10 de fevereiro de 2016. Disponível em http://oglobo.globo.com/brasil/escandalo-da-petrobras-eleito-2-maior-caso-de-corrupcao-no-mundo-1-18648504.

OLIVEIRA, Nielmar de. IBGE: PIB fecha 2015 com queda de 3,8%. Agência Brasil. Disponível em http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2016-03/ibge-pib-fecha-2015-com-queda-de-38.

ROSSI, Clóvis. E a orquestra já não toca. Folha de S. Paulo, 06 de março. Disponível em www.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/2016/03/1746879-e-a-orquestra-ja-nao-toca.shtml.

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