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Julio Bessa -

Henry Kissinger, pensador a ator das relações internacionais

 

“Se você não sabe para onde vai, todos os caminhos o levarão a lugar nenhum.”

Henry Kissinger

 

Fazendo uma rápida retrospectiva de minha trajetória profissional, constatei que estive quase integralmente vinculado à vida acadêmica em universidades ou a instituições de produção de ideias, pensamentos ou políticas públicas, os chamados think tanks.

No que se refere à vida universitária, embora tenha ministrado aulas no Mackenzie (onde me formei) e nas Faculdades São Judas Tadeu, minha relação maior e mais longa foi com a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), onde permaneci por mais de 35 anos. Das inúmeras lembranças que guardo da FAAP, algumas merecem destaque especial: o envolvimento com a criatividade e a economia criativa, e, na Faculdade de Economia, a criação do curso de Relações Internacionais, as missões estudantis e o Fórum FAAP, simulações de reuniões das agências multilaterais, organizados por  alunos da Fundação para estudantes de ensino médio em São Paulo e em Ribeirão Preto.

Já no que tange aos think tanks, iniciei no Convívio – Sociedade Brasileira de Cultura, passando depois pelo Instituto Liberal, pelo Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, definido por seu fundador Norman Gall não apenas como um think tank, mas como um think and do tank, antes de chegar ao Espaço Democrático.

Essas rememorações foram provocadas pela notícia do falecimento de Henry Kissinger, aos 100 anos de idade, no dia 29 de novembro último.

E por que me recordei dessas passagens?

Primeiro porque ao me interessar cada vez mais pela área de relações internacionais em função do curso da FAAP, acabei tomando conhecimento da importância de Kissinger, inicialmente como ator e protagonista do mundo real (realpolitik), como secretário de Estado da nação mais poderosa do mundo. Nessa condição de ator e, por vezes, protagonista, Kissinger passou por diferentes momentos e, embora tenha recebido o Prêmio Nobel da Paz em 1973, juntamente com o vietnamita Le Duc Tho, está longe de ser considerado uma unanimidade, colecionando, ao longo do tempo, tanto admiradores como severos críticos.

Heinz Alfred Kissinger nasceu em Furth, Alemanha, em 27 de maio de 1923, e se mudou para os Estados Unidos com sua família em 1938, antes da campanha nazista para exterminar os judeus europeus. Mudando seu nome para Henry, o diplomata se tornou cidadão norte-americano naturalizado em 1943 e serviu ao Exército na Europa na Segunda Guerra Mundial.

Posteriormente, Kissinger conseguiu uma bolsa de estudos para estudar na Universidade de Harvard, onde se formou e obteve um mestrado em 1952 e um doutorado em 1954. Logo em seguida, se tornou professor na instituição de ensino, onde integrou o corpo docente por 17 anos. Enquanto lecionava, Kissinger serviu como consultor para agências governamentais, inclusive em 1967, quando atuou como intermediário para o Departamento de Estado no Vietnã.

Suas habilidades levaram o republicano Richard Nixon a convidá-lo para ser conselheiro de Segurança Nacional e, depois, secretário de Estado durante seu governo. Continuou ocupando o  cargo no governo de Gerald Ford, que assumiu a presidência após a renúncia de Nixon em função do escândalo de Watergate.

Kissinger esteve diretamente envolvido em alguns dos mais marcantes episódios da segunda metade do século XX, entre os quais a Guerra do Vietnã, a Guerra Fria, a reaproximação diplomática dos Estados Unidos e da China, a Guerra do Yom Kippur e o apoio às ditaduras latino-americanas, com destaque para as da Argentina, do Brasil e do Chile, sobre a qual pronunciou uma frase que se tornou famosa: “Não vejo porque precisamos ficar parados e assistir um país tornar-se comunista por causa da irresponsabilidade do seu povo. As questões são muito importantes para deixarmos os eleitores chilenos decidirem por si mesmos”.

Não foi por outra razão que a concessão do Prêmio Nobel da Paz a ele foi amplamente contestada, a ponto de um editorial do jornal The New York Times ter classificado o caso como “Prêmio Nobel da Guerra”.

A relevância de Kissinger, no entanto, está longe de ter se esgotado com sua saída da secretaria de Estado, estendendo-se por muito tempo tanto no plano real, na condição de consultor que oferecia aconselhamento à elite empresarial mundial e atuando em conselhos de empresas em vários fóruns de política externa e segurança, quanto no plano intelectual, graças à influência de seus livros. Essa influência, aliás, começou antes mesmo dele se tornar o diplomata mais importante de sua geração, uma vez que o livro baseado em sua tese de doutorado, O mundo restaurado, publicado em 1957, em que ele analisa como Metternich, primeiro-ministro da Áustria-Hungria durante o Congresso de Viena de 1815 procurou restabelecer a ordem política anterior à revolução Francesa e às guerras napoleônicas teve enorme aceitação em Washington. Posteriormente, seus livros  Diplomacia e Liderança: seis estudos sobre estratégia  transformaram-se em leituras recomendadas a qualquer pessoa interessada em relações internacionais e diplomacia. O mesmo vale para a biografia sobre ele assinada por Walter Isaacson.

Kissinger, que era fascinado pelo Brasil, tendo inclusive procurado transformá-lo em aliado, esteve no País por diversas vezes. Numa delas, em abril de 1995, ministrou a palestra “O mundo após a Guerra Fria”  na FAAP, para alunos, professores e convidados especiais.

Admirador também de futebol, contribuiu para a ida de Pelé para o Cosmos de Nova York, numa das inúmeras tentativas de popularização da modalidade nos Estados Unidos.

Por todas essas razões. Henry Kissinger é um autêntico exemplo de alguém que se notabilizou tanto como pensador como ator. Ainda em plena atividade aos 100 anos, nos deixa legando muitos ensinamentos aos estudiosos de relações internacionais, estratégia, segurança e diplomacia.

 

Iscas para quem quiser ir mais fundo no assunto

 Referências

ISAACSON, Walter. Kissinger: a biography. New York: Simon & Schuster, 2005.

KISSINGER, Henry. O mundo restaurado. Tradução de Heitor Aquino Ferreira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973.

_______________ Diplomacia. Tradução de Saul S. Gefter e Ann Mary Fighiera Perpétuo. São Paulo: Saraiva Universitária, 2012.

_______________ Liderança: seis estudos sobre estratégia. Tradução de Cássio de Arantes Leite. São Paulo: Objetiva, 2023.

SPEKTOR, Matias. Kissinger e o Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

_______________ A relação de Kissinger com a ditadura brasileira. O Estado de S. Paulo, 3 de dezembro de 2023, p. A18.

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