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Henrique Szklo - Iscas Criativas -

O Estado brasileiro, desde 1500, tem se esmerado em atravancar qualquer mecanismo da administração pública com um emaranhado de processos burocráticos de alta complexidade, difícil interpretação e becos sem saída.

A necessidade de um sistema de controle burocrático nasceu praticamente junto com o ser humano. E por uma justa razão: nossa desonestidade atávica. Fazendo uma necessária correção histórica, saiba que não fomos expulsos do Paraiso só porque a Eva comeu uma maçã, imagine. Você acha mesmo que Deus iria se incomodar com uma ninharia destas? O que os redatores da Bíblia e teólogos burocráticos deixaram escapar é que o verdadeiro delito da parceira do Adão não foi comer a fruta, mas roubá-la na mão grande. E ainda fazer cara de paisagem quando o Criador perguntou quem foi. Ela traiu a confiança d’Ele. O Bicho virou fera e expulsou o casalzinho de BBBs. É uma questão de lógica: gula é só um pecado capital. Roubar está nos Dez Mandamentos. Mais ou menos a diferença entre contravenção e crime. Sem contar que assumir a responsabilidade por uma cagada não é exatamente a especialidade de nossa espécie. Enfim, podemos notar que o Criador não administrou bem a frustração quando o assunto retornou à Bíblia no Novo Testamento em João, capítulo 10, versículo 10, “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância”. Eu, no caso, era o burocrata.

A ética preguiçosa do ser humano sempre exigiu controle intenso e vigoroso, como o de um pai de virgem. Não canso de repetir que a criatividade dos delinquentes é, sempre foi e sempre será inesgotável. Para cada anteparo construído pelas organizações, uma chicana será criada com intenção de burlá-lo. Aí se cria um obstáculo mais alto, uma subsequente chicana mais alta é criada, e assim caminha a humanidade. E foi por causa deste festival de chicanas que a burocracia surgiu, vem crescendo e se fortalecendo ao longo da nossa história. Fio de bigode? Faça-me o favor!

Em algumas instâncias, mais do que crescer, a burocracia inchou e deixou de ser uma solução para se tornar uma imensa e incômoda sarna. Seu peso excessivo faz com que organizações avancem lentamente, permaneçam estagnadas ou, em casos extremos, engatem a marcha-ré. Dá a impressão de que esqueceu de sua causa prima e hoje se locupleta em um poderoso e sólido espírito corporativo, que se protege e utiliza sua influência para conquistar mais e mais poder. É um dilema que sempre acompanhou as organizações, já que os limites são difusos. Sendo o controle imprescindível, como equilibrar o sistema para que ele não prejudique o fluxo de trabalho?

As empresas modernas, por exemplo, tentam evitar a todo custo a sangria promovida pelos chicanistas (que nascem mais do que capim-pangola) e o empurra-empurra na hora de assumir um erro, criando regras duríssimas sob o nome pomposo de compliance, mas que não passa de um eufemismo para “Ô, cambada de vagabundo, tira essa mão boba daí e presta atenção no serviço que a gente tá de olho!”.

Alguns podem dizer que a função da burocracia não tem nada a ver com o controle mas com a organização racional de processos, com intuito de agilizar e potencializar seus benefícios. De fato, pode até ser. Mas as palavras burocracia e burocrata se transformaram em termos pejorativos, significando justamente o atraso, o atravancamento de processos. E quando eu critico a burocracia neste artigo, estou me referindo justamente àquela disfuncional, responsável pela vilanização do termo. Quem nunca passou horas numa fila, que atire o primeiro xerox.

“…a burocracia do Estado se alimenta de filas. E sem elas, morrerão de inanição.”

Obcecados por formulários, os burocratas alegam que têm a clara consciência de que a máquina precisa girar. Mas cada rotação deve ser conferida em cada um dos seus 360 graus como meio de se evitar falcatruas. É melhor ser devagar e sempre do que rapidinho e fraudulento. E já que esta máquina não é azeitada, são necessários milhares de profissionais treinados para empurrar suas engrenagens emperradas.

O que mais me impressiona na burocracia são as pessoas que formam seu corpo. Nem um pingo de criatividade. Posso estar engando, como sempre, mas acredito que os burocratas fazem a mesma coisa anos a fio apenas considerando o que é certo e o que é errado, dentro das estritas normas definidas pela organização que representam. Não improvisam (no bom sentido). Não usam a intuição nem se arriscam. Só reconhecem as variáveis que estão em seus manuais e rejeitam qualquer mínima adaptação ou simplificação. Uma rotina que, para mim, seria a morte. Prefiro viver no estômago de um dragão-de-komodo com prisão de ventre do que fazer parte de uma tripulação de burocratas.

Mas é a burocracia estatal que mais me atormenta. E não é de hoje. Um dia cheguei a sonhar que estava em uma repartição pública com filas enormes. Os guichês pareciam bocas esfomeadas que produziam sons horripilantes enquanto devoravam as pessoas. Respeitando a fila, claro. Quando chegou a minha vez, de tão aterrorizado, acabei acordando do pesadelo. Interpretei este sonho freudianamente e conclui que a burocracia do Estado se alimenta de filas. E sem elas, morrerão de inanição.

A classe burocrata, com razão, anda macambúzia. Atualmente, é uma das categorias profissionais com maior número de pessoas com calças na mão, preocupadas que estão com seus empregos. Principalmente aqueles lotados no serviço público. A causa? O rolo compressor que se tornou a evolução tecnológica, principalmente quando o assunto é Inteligência Artificial que promete passar a foice na cabeça de milhões de profissionais em todo o mundo. Os burocratas são treinados para não pensar nem inventar moda (Não que isso precise de treinamento. Muita gente faz isso com a maior desenvoltura sem nunca ter estudado). O burocrata médio é a personificação da expressão “senso comum” e seu processo organizacional na verdade é uma espécie de pronto-socorro ortopédico: nosso negócio é engessar. Daí a razão de eles serem tão ameaçados pela evolução tecnológica. Para cumprir regras absolutamente objetivas sem nenhum fiapo de necessidade de interpretação, dê-me um computador com Inteligência Artificial e ele, certamente, se ocupará desta função com muito mais rapidez e eficiência. Como um mais um é igual a dois. Raciocínios binários são sua especialidade: certo ou errado, aprovado ou reprovado, a ou b, tem assinatura ou não tem, e por aí vai. Com uma vantagem estratégica: computadores não erram. Computadores não procrastinam. Não tomam café, não ficam doentes nem saem de férias. E com a Inteligência Artificial não vão parar de aprender, evoluir, ficando mais e mais eficiente ao longo do tempo.

Nós sabemos como funciona a máquina do Estado, principalmente no Brasil. Pode ter certeza de que eles não vão deixar barato o que eles chamam de “ardil inescrupuloso engendrado pelos agentes do caos disfarçados de nerds saídos da série Big Bang Theory”. Não é que a burocracia nacional seja contra o progresso. Ao contrário: o slogan da nossa bandeira é seu mantra. Pensando bem, coitados, eles não têm culpa. Estão apenas pagando o ônus de serem brasileiros. Neste país, temos uma monumental dificuldade de lutar contra nossa natureza pindorâmica. É uma questão cultural, sociológica, antropológica e totalmente fora da lógica. O Estado brasileiro, desde 1500, tem se esmerado em atravancar qualquer mecanismo da administração pública com um emaranhado de processos burocráticos de alta complexidade, difícil interpretação e becos sem saída. Tenho certeza de que eles acordam todas as manhãs pensando em encontrar novas maneiras de complicar trâmites e asfixiar qualquer iniciativa que pretenda acelerar o carro que com tanto carinho eles tratam de manter (legalmente) estacionado. Taí. E eu que pensei que eles não eram criativos…

Imagino que o sonho de consumo da burocracia estatal brasileira seria a criação de um projeto, defendido no congresso pela bancada do carimbo, que previsse o desenvolvimento da Ignorância Artificial em todas as plataformas da administração pública, prometendo piorar os serviços e dificultar ainda mais o andamento de processos e a liberação de documentos em geral. Tudo para que os cidadãos se dessem conta de como eram felizes antes, e saíssem às ruas – organizados em imensas filas – exigindo a volta das cópias com firma reconhecida. Uma vaca digital no meio da sala.

Os bots com Ignorância Artificial aprenderiam a dizer “Sim, esse aplicativo é oficial mas não o aceitamos”, “Não é permitido preencher este formulário utilizando wifi, só com pacote de dados”, “Precisa postar sua solicitação em 3 redes sociais diferentes e conseguir 50 likes autenticados”, “Este post tem 51 likes. Era para ter só 50. Vou estar cancelando sua solicitação. Volte daqui a 60 dias”, “O Hall 9000 e o C3PO não vieram hoje, volte amanhã”, “A foto do seu perfil é muito feia, portanto seu pedido foi indeferido”, “Para solução do seu caso, basta tirar uma selfie com um de nossos gerentes, mas estão todos de férias”, “Não posso fazer nada. É o sistema” e a genial “Tá pensando que eu sou uma máquina?”.

A partir da implantação do sistema de Machine Laziness, quem quisesse abrir uma empresa, por exemplo, precisaria baixar uns trinta aplicativos diferentes, em lojas digitais diferentes, cada um com a exigência de uma senha diferente até chegar em um bot com voz de tédio que argumentaria que “Uma criança precisa de nove meses para nascer. Por que diabos você pensa que sua empresa é mais importante do que uma criança?”. Não conseguindo responder uma pergunta de lógica tão irrefutável, o cidadão, constrangido, se conformaria em esperar, sentindo-se culpado por não passar de um porco egoísta.

Sei que posso estar sendo injusto boa parte dos profissionais que cerram as fileiras da burocracia de estado brasileira. Por isso, deixo aqui um espaço para comentários e reclamações, que deverão ser enviados por carta com firma reconhecida, RG, CPF, comprovante de residência, título de eleitor e últimas 3 declarações de Imposto de Renda. Todas em 5 vias com cópias autenticadas em cartório.

Visite meu site: Escola Nômade para Mentes Criativas

 

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