s
Iscas Intelectuais
Por dentro das Big Techs
Por dentro das Big Techs
Alguma coisa está mudando na cultura do trabalho, e ...

Ver mais

Um pouquinho de história
Um pouquinho de história
Um pouquinho de história só para manter as coisas em ...

Ver mais

Não olhe para cima
Não olhe para cima
Não olhe para cima é uma comédia para ser levada a ...

Ver mais

Nem tudo se desfaz
Nem tudo se desfaz
Vale muito a pena ver a história da qual somos ...

Ver mais

Café Brasil 805 – O Estupro da Mente
Café Brasil 805 – O Estupro da Mente
Muito bem! No episódio passado, eu introduzi o conceito ...

Ver mais

Café Brasil 804 – Psicose de formação em massa
Café Brasil 804 – Psicose de formação em massa
O termo Mass Formation Psychosis, psicose de formação ...

Ver mais

Café Brasil 803 – Enquanto houver sol
Café Brasil 803 – Enquanto houver sol
E aí? Pronto pro ano novo? Tá complicado, é? Muita ...

Ver mais

Café Brasil 802 – A Lei de Lindy
Café Brasil 802 – A Lei de Lindy
Olhe pela janela... o que restará daqui a 100 anos, de ...

Ver mais

LíderCast 227 – Leticia Zamperlini e Cristian Lohbauer
LíderCast 227 – Leticia Zamperlini e Cristian Lohbauer
No programa de hoje temos Leticia Zamperlini e Cristian ...

Ver mais

Café Brasil 793 – LíderCast Antônio Chaker
Café Brasil 793 – LíderCast Antônio Chaker
Hoje bato um papo com Antônio Chaker, que é o ...

Ver mais

Café Brasil 789 – LíderCast Osvaldo Pimentel – Monetizze
Café Brasil 789 – LíderCast Osvaldo Pimentel – Monetizze
Hoje bato um papo com Osvaldo Pimentel, CEO da ...

Ver mais

Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
Café Brasil 785 – LíderCast Leandro Bueno
Hoje bato um papo muito interessante com Leandro Bueno, ...

Ver mais

Café na Panela – Luciana Pires
Café na Panela – Luciana Pires
Episódio piloto do projeto Café na Panela, com Luciana ...

Ver mais

Sem treta
Sem treta
A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

Ver mais

O cachorro de cinco pernas
O cachorro de cinco pernas
Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de ...

Ver mais

Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

Ver mais

Trivium: Capítulo 5 – Predicáveis: Classificação e Números (parte 4)
Alexandre Gomes
Os PREDICÁVEIS representam a mais completa classificação das relações que podem ser afirmadas DE UM PREDICADO. em relação a um sujeito, TANTO QUANTO as categorias (do ser) são a mais completa ...

Ver mais

Expectativas em relação à China
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Expectativas em relação à China “Embora ainda seja prematuro especular sobre os delineamentos básicos de uma nova e inevitável ordem internacional, a evolução dos acontecimentos parece apontar ...

Ver mais

Trivium: Capítulo 5 – Formas Proposicionais A E I O (parte 3)
Alexandre Gomes
As distinções apresentadas na lição anterior são as bases da CONCEITUAÇÃO e do MANEJO das proposições. Usando a qualidade, ou tanto a quantidade quanto a modalidade, como base, TODA PROPOSIÇÃO ...

Ver mais

Trivium: Capítulo 5 – Características das Proposições (parte 2)
Alexandre Gomes
As PROPOSIÇÕES podem ser agrupadas por cinco características; e cada uma dessas se divide em duas classes. As cinco características são: a) referência à realidade, b) quantidade, c) qualidade, d) ...

Ver mais

Cafezinho 457 – Eu não sabia
Cafezinho 457 – Eu não sabia
O jornalista, crítico da mídia e filósofo amador ...

Ver mais

Cafezinho 456 – Humildade na liderança
Cafezinho 456 – Humildade na liderança
Quando você mistura ignorância com arrogância, pitadas ...

Ver mais

Cafezinho 455 – Para pensar direito
Cafezinho 455 – Para pensar direito
George Orwell escreveu: "Se as idéias corrompem a ...

Ver mais

Cafezinho 454 – A tecnologia mata a paciência
Cafezinho 454 – A tecnologia mata a paciência
A vida é curta demais pra gente ficar esperando. Mas ...

Ver mais

Aprender a ler

Aprender a ler

Gustavo Bertoche - É preciso lançar pontes. -

Desde 2013 ensino a disciplina “Metodologia da Pesquisa” numa universidade. A primeira lição da minha matéria sempre é: aprender a ler.

Isso pode parecer infantil, mas conheço pessoas com mestrado e doutorado, conheço professores e jornalistas, que lêem muito mal.

Há diferentes técnicas de leitura de um texto dissertativo: a leitura “skimming”, perpendicular, rápida, em que somente se apreende o objeto geral do texto; a leitura tipo “scanning”, também rápida, em que não se entende nada do texto, mas se busca, com atenção, termos ou expressões-chave; a leitura de compreensão, em que se busca efetivamente apreender a tese e os argumentos do texto; a leitura analítica, em que se busca obter as referências do autor e os seus passos lógicos; e a leitura crítica, em que se procura pelas falhas argumentativas, contradições, erros conceituais, equívocos nas referências a outros autores.

* * *

Vamos ficar só na leitura de compreensão, que é a base da leitura analítica e da leitura crítica. Há algumas regras básicas para a compreensão de um texto dissertativo.

Em primeiro lugar, a compreensão de um texto supõe a boa-vontade. É preciso ler um texto com o firme propósito de entendê-lo. Se algo parece fora de lugar, é preciso anotar a dúvida e esperar – pois talvez tudo se esclareça à frente.

Em segundo lugar, é preciso descobrir a tese do texto. Encontramos a tese ao condensarmos ao máximo as idéias defendidas pelo seu autor. A tese de um texto de rede social, por exemplo, é uma frase – explícita ou implícita – que resume toda a postagem. A partir da identificação da tese, é necessário distingui-la dos argumentos. A tese é a idéia que os argumentos sustentam; os argumentos são as justificativas da tese.

Finalmente, é preciso reconhecer que é possível que o autor saiba mais do que nós sobre o assunto a respeito do qual ELE decidiu escrever. Devemos encarar um texto com humildade. Se há algo muito estranho, devemos antes de tudo nos perguntar: será que ele está simplesmente tratando de um assunto que eu não conheço, ou sob uma perspectiva que ignoro?

* * *

Enfim: a cada regra virtuosa acima exposta corresponde um vício intelectual.

O primeiro vício é a má-vontade prévia. Antes mesmo de terminar a leitura, o sujeito já julga que o texto “está errado”. Ele não lê para compreender, não lê para absorver novas perspectivas: ele lê para discordar. É um leitor infantil, que ainda não percebeu que a má-vontade intelectual é marca inequívoca do intelecto obtuso.

O segundo vício é o da confusão entre a tese e os argumentos, o que ocorre quando o leitor não consegue identificar a tese central do texto. O sujeito critica um dos argumentos e julga ter refutado o texto inteiro. Na verdade, esse leitor ainda não entendeu a lógica que rege a argumentação. Ele lê mal porque pensa mal.

E o terceiro vício é o da ignorância orgulhosa: “se eu nunca ouvi falar disso, evidentemente isso não existe”. Esse tipo de leitor ilustra perfeitamente a síndrome de Dunning-Kruger: a sua soberba é diretamente proporcional à sua ignorância – e quanto mais ignorante, mais cheio de opiniões ele é.

* * *

Esses três vícios intelectuais, infelizmente, são lugar-comum nas redes sociais. Eu suspeito que o maior culpado por isso seja o nosso currículo escolar – um currículo que, além de estupidamente extenso, é também isolado das necessidades da vida social e espiritual. Isto é: as crianças e os adolescentes passam ao menos cinco horas diárias na escola por quinze anos, mas não existe tempo, na carga horária repleta de atividades, para o aprendizado suave e o treino permanente dos métodos de leitura.

Em suma: saímos da escola devidamente alfabetizados, mas imperfeitamente letrados. Lemos um texto, mas temos muita dificuldade em interpretá-lo.

E estejam certos, amigos, de que a pessoa que não sabe interpretar um texto não sabe interpretar o mundo.

Ver Todos os artigos de Gustavo Bertoche