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Chegou a hora de declararmos nova independência

Bruno Garschagen - Ciência Política -

Pagamos pela inépcia e privilégios dos políticos. Chegou a hora de declararmos nova independência

Ontem de manhã, dois caminhões foram buscar as mudanças da presidente afastada Dilma Rousseff. Ao todo, quatro caminhões foram contratados para transportar os objetos para Porto Alegre. O custo total pelo transporte será de R$ 60 mil. Sabe quem vai pagar a conta? Eu, você e todos que pagamos impostos. Não sairá um centavo do bolso da ex-presidente, que recebia R$ 30.934,00 de vencimento bruto mensal.

Dilma terá ainda direito a seis servidores, dois motoristas e a dois veículos oficiais ao custo de R$ 40,8 mil por mês – mesmo depois de ser afastada mediante um processo de impeachment. Ou seja, a ex-presidente, que foi decisiva para quebrar a economia do país, continuará tendo privilégios pagos por nós pagadores de impostos. Além do mais, recordar é sofrer: antes de ser afastada da presidência, as despesas de Dilma no Palácio da Alvorada (não as do seu governo) eram praticamente o dobro dos gastos da rainha Elizabeth II e da família real britânica.

Mas não é só Dilma que tem esse privilégio. A regalia também é garantida aos demais ex-presidentes (José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva), de acordo com o decreto 6.381 de 2008. Não importa se foram bons ou péssimos presidentes, todos têm benesses garantidas por lei. Ultrajante.

Aproveito o ensejo para apresentar uma proposta: além de extinguir esse benefício absurdo, o presidente da república não mais teria direito a morar de graça no Palácio da Alvorada, a residência oficial. Teria que pagar aluguel, se quisesse lá residir, e assumir todas as contas da casa (energia elétrica, água, gás, telefone, TV a cabo, internet, alimentação, empregados). Talvez assim mantivesse o pé na realidade e veria a consequência direta de sua política econômica e das intervenções danosas do governo na economia do país.

Dilma terá direito a mais uma benesse paga por nós: terá direito à viajar de graça, pela última vez, num avião da FAB na volta para Porto Alegre. E aqui me ocorre outra proposta: presidente da república não mais teria direito a avião exclusivo; teria que viajar em avião comercial e, em viagens internacionais, na classe econômica. Se isso fosse realidade antes de 2002, o ex-presidente Lula poderia, de fato, sentir “orgulho em ver pobre andando de avião”, pois estaria dividindo poltronas com ele em vez de desfrutar, no passado, o conforto do avião presidencial e, hoje em dia, o de jatinhos privados.

Nunca é demais lembrar: todos os privilégios e regalias garantidos a políticos e servidores do Executivo e do Legislativo e a membros e servidores do Judiciário são pagos compulsoriamente por nós, brasileiros, pagadores de impostos – não somos contribuintes.

Este 7 de setembro em que celebramos a Independência do Brasil de Portugal deve nos fazer refletir sobre a importância de sermos independentes do governo (Executivo, Legislativo e Judiciário), que nos impõe uma carga tributária de quase 40% do PIB. Porque temos responsabilidade direta nisto. Quanto mais pedimos direitos, quanto mais pedimos serviços estatais, mais os políticos se sentem legitimados a aumentar as atribuições do governo, o que exigirá a criação (ou aumento) de impostos sem que haja qualquer garantia de que a população (especialmente os pobres) terá acesso aos serviços e que será atendida adequadamente.

A situação é a seguinte: os políticos prometem, o governo finge que proverá todos os serviços universais e nós continuamos a pagar a conta dessa utopia – e a reclamar permanentemente do descaso e da ineficiência governamental. Em vez de solucionarmos a origem do problema criado pela intervenção estatal (transformando, por exemplo, os gigantescos, caros e ineficientes serviços estatais universais como ensino e saúde em serviços segmentados e eficientes para atender apenas as parcelas mais pobres que realmente dependem dessa provisão) pedimos mais intervenção (mais ensino e saúde estatal), como se fosse possível resolver um problema criando outro.

Essa nossa reação advém de uma mentalidade estatista e de servidão voluntária que, junto com nossa histórica cultura política intervencionista, nos prende a uma armadilha que pode ser resumida em forma de um grande paradoxo: não confiamos nos políticos, mas amamos o Estado. Este é, aliás, o subtítulo e o tema central do meu livro “Pare de Acreditar no Governo” (Editora Record).

Declaramos a nossa Independência política de Portugal em 7 de setembro de 1822. Está na hora de declararmos uma nova independência: a nossa independência mental e fiscal do governo. De qualquer governo.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/brasil/sem-mimimi/pagamos-pela-inepcia-privilegios-dos-politicos-chegou-hora-de-declararmos-nova-independencia-20067130.html#ixzz4JgmbFf4f

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