s
Iscas Intelectuais
Pelé e os parasitas.
Pelé e os parasitas.
Meu herói está lá, a Copa de 1970 está lá, o futebol ...

Ver mais

Branding a preço de banana.
Branding a preço de banana.
Quanto vale o branding? Pelo que estou vendo acontecer ...

Ver mais

O Tigre Branco. Ou poderia ser Cidade de Budah…
O Tigre Branco. Ou poderia ser Cidade de Budah…
Um grande comentário sócio-político sobre a divisão em ...

Ver mais

Cafezinho Live
Cafezinho Live
Luciano Pires, criador e apresentador dos podcasts Café ...

Ver mais

Café Brasil 759 – Karl Popper e os negacionistas
Café Brasil 759 – Karl Popper e os negacionistas
Não devemos aceitar verdades universais a partir de ...

Ver mais

Café Brasil 758 – LíderCast César Menotti
Café Brasil 758 – LíderCast César Menotti
Há muito tempo tínhamos a ideia de trazer para o ...

Ver mais

Café Brasil 757 – O dono da firma
Café Brasil 757 – O dono da firma
Vamos então a mais um programa que fala do empreendedor ...

Ver mais

Café Brasil 756 – Netiqueta e as mulas digitais
Café Brasil 756 – Netiqueta e as mulas digitais
Usar a internet de forma responsável, é isso que trata ...

Ver mais

LíderCast 217 – Amyr Klink
LíderCast 217 – Amyr Klink
Meu nome é Amyr Klink, tenho 65 anos e eu construo viagens.

Ver mais

LíderCast 216 – Denise Pitta
LíderCast 216 – Denise Pitta
Empreendedora digital, dona do site Fashion Bubbles, ...

Ver mais

LíderCast 215 – Marco Antonio Villa
LíderCast 215 – Marco Antonio Villa
Historiador, professor, comentarista polêmico em rádio ...

Ver mais

LíderCast 214 – Bianca Oliveira
LíderCast 214 – Bianca Oliveira
Jornalista e apresentadora, hoje vivendo na Europa, ...

Ver mais

Sem treta
Sem treta
A pessoa diz que gosta, mas não compartilha.

Ver mais

O cachorro de cinco pernas
O cachorro de cinco pernas
Quantas pernas um cachorro tem se você chamar o rabo de ...

Ver mais

Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
Leitura do Cafezinho 304 – (in) Tolerância
A intolerância é muito maior na geração que mais teve ...

Ver mais

Leitura cafezinho 303 – Cérebro médio
Leitura cafezinho 303 – Cérebro médio
Escolha um tema quente, dê sua opinião e em seguida ...

Ver mais

A guerra dos pelados
Fernando Lopes
Iscas Politicrônicas
De 1912 a 1916 o Estado de Santa Catarina sofreu a Guerra do Contestado, conflito armado que opôs, de um lado, posseiros e pequenos produtores rurais, e de outro militares federais e estaduais. ...

Ver mais

A americanização do Brasil
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
O imperialismo sedutor     “Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor Eu fui à  Penha, fui pedir à Padroeira para me ajudar Salve o Morro do Vintém, pendura a saia que eu quero ...

Ver mais

Economia da desigualdade
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Economia da desigualdade “Os valores que conferem ao capitalismo sua legitimidade são prosperidade e liberdade para todos. […[ Se você concentra poder e renda em um pequeno grupo, o ...

Ver mais

Autonomia do Banco Central
Luiz Alberto Machado
Iscas Econômicas
Caminhando rumo à autonomia do Banco Central ˜O desejo parece ser o de que a política econômica saia de uma vez por todas da alçada dos presidentes da república. […]. Delega-se para a diretoria ...

Ver mais

Cafezinho 364 – Isolacionismo intelectual
Cafezinho 364 – Isolacionismo intelectual
O viés de confirmação leva ao isolacionismo ...

Ver mais

Cafezinho 363 – Chapeuzinho Vermelho 4.0
Cafezinho 363 – Chapeuzinho Vermelho 4.0
No Chapeuzinho Vermelho 4.0, tá cheio de lobo se ...

Ver mais

Cafezinho 362 – Na bala!
Cafezinho 362 – Na bala!
Se a constituição brasileira não proíbe que o deputado ...

Ver mais

Cafezinho 361 – Big Brother Brasil-sil-sil
Cafezinho 361 – Big Brother Brasil-sil-sil
Tudo o que é possível de ser tornado coletivo em grande ...

Ver mais

Cloroquina. Ou: Da necessidade da Filosofia

Cloroquina. Ou: Da necessidade da Filosofia

Gustavo Bertoche - É preciso lançar pontes. -

“Eu tomei cloroquina e fiquei curado”.

Quantas vezes não ouvimos ou lemos alguém dizendo isso?

Não duvido: muitos devem ter superado o Covid após o uso da cloroquina.

Isso significa que o uso da cloroquina pode ajudar quem pegou o vírus? Não, não significa.

* * *

Amigos, é um fato: muitos brasileiros têm grande dificuldade na realização de operações lógicas. Creio que essa dificuldade – que explica em parte o QI médio de 87 dos brasileiros (1) – seja agravada pela ausência do estudo da Filosofia na escola.

Afinal, se houvéssemos estudado a lógica da argumentação, que é um conteúdo importante de qualquer boa apresentação escolar à Filosofia, teríamos aprendido que a atribuição da cura à cloroquina não passa de um produto da confusão do intelecto.

* * *

Vamos ao desenho.

Não se sabe ao certo qual é a taxa de letalidade do Covid na população. Em países diferentes, em níveis sociais diferentes, em faixas etárias diferentes, os números variam bastante, e ao que parece ainda não descobrimos quais são exatamente os fatores de risco associados à doença: em que medida são genéticos – e quais os genes envolvidos? Em que medida são ambientais – e quais os elementos mais influentes? Em que medida são comportamentais – e quais os comportamentos mais perigosos? Em que medida são devidos à condição médica da pessoa – e quais as doenças preexistentes mais mortais quando associadas ao Covid?

A despeito da nossa ignorância quanto à dinâmica da letalidade do Covid, já se sabe ao certo que ela é menor que 1% entre os infectados (2). Note-se que isso não significa 1% da população, mas 1% dos que contraíram a doença. Provavelmente o número correto da mortalidade média fica entre 0,5% e 1% dos infectados. Por que não sabemos ao certo esse número? Porque é muito difícil precisar a quantidade real de pessoas que carregam ou carregaram o vírus. Afinal, entre 5% e 80% das pessoas que contraem o Covid não apresentam nenhum sintoma (3), e por essa razão óbvia não vão aos hospitais nem fazem nenhum teste.

Resumindo: é certo que a letalidade do Covid é menor que 1% entre os infectados. Isso significa que uma pessoa com Covid tem mais de 99% de chances de sobreviver.

Se essa pessoa, com teste positivo, tomar cloroquina, terá mais de 99% de chances de superar a doença.

Do mesmo modo, se essa pessoa decidir não tomar cloroquina, mas dançar o Ilariê da Xuxa três vezes por dia, também terá mais de 99% de chances de ficar boa.

No fim, a pessoa poderá dizer que ficou curada após tomar a cloroquina, ou após dançar o Ilariê três vezes por dia. E ela não estará errada.

* * *

Essa pessoa terá ficado curada “após” tomar a cloroquina ou dançar o Ilariê. Mas não “porque” tomou o medicamento ou dançou a música da Xuxa.

Quem crê na existência de uma relação causal entre a cloroquina e a cura, ou entre a dança da Xuxa e a cura, cai na falácia da falsa causalidade: post hoc ergo propter hoc – após isso, portanto por causa disso.

A pessoa vê dois eventos sucessivos e, impropriamente, julga que o segundo foi causado pelo primeiro. Vê o infectado tomando cloroquina e ficando curado, e passa a acreditar que a cura foi causada pela cloroquina. O que seria o mesmo que pensar que a dança do Ilariê cura o Covid.

Isto é: a crença no poder curativo da cloroquina em relação ao Covid revela a insuficiência de certas faculdades intelectuais bastante importantes.

* * *

A ausência do estudo da Filosofia faz muita falta aos brasileiros. Se estudássemos a lógica da argumentação, se conhecêssemos as armadilhas das falácias, jamais acreditaríamos na cura do Covid pela cloroquina, nem em fantasias equivalentes.

Para não sermos injustos, é preciso dizer que a Filosofia voltou ao currículo escolar há alguns poucos anos. Mas já existe – surpresa! – um movimento, em alguns grupos políticos brasileiros, que propõe a sua eliminação. Esse movimento chegou ao MEC no governo Temer, e as atuais bases curriculares nacionais permitem que a Filosofia seja abordada “transversalmente” em outras disciplinas no componente curricular chamado “ciências humanas”. Na prática, a Filosofia ruma novamente ao ostracismo (4).

* * *

A propósito, inúmeros estudos realizados sobre a aplicação da cloroquina em pacientes com Covid chegaram à conclusão de que não somente ela não traz benefícios, como também pode ampliar os riscos dos infectados (5).

* * *

Em tempo: dançar o Ilariê três vezes por dia não tem nenhum efeito colateral. Diferentemente da cloroquina, cujo consumo traz inúmeros riscos (6).

* * *

REFERÊNCIAS:

(1) https://ourworldindata.org/grapher/change-in-average-fullscale-iq-by-country-1909-2013?country=~BRA
(2) https://www.nature.com/articles/d41586-020-01738-2
(3) https://www.cebm.net/covid-19/covid-19-what-proportion-are-asymptomatic/
(4) http://www.anpof.org/portal/index.php/en/artigos-em-destaque/1584-a-bncc-e-o-futuro-da-filosofia-no-ensino-medio-hipoteses
(5) https://sciencebasedmedicine.org/hydroxychloroquine-ebm-sbm/
(6) https://consultaremedios.com.br/difosfato-de-cloroquina/bula/reacoes-adversas

Ver Todos os artigos de Gustavo Bertoche