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Previsões sempre fascinaram o ser humano. Seja mediante leitura de cartas ou palmas das mãos, seja tentando adivinhar qual será o clima amanhã, sempre surge alguém alegando ter o poder de antever acontecimentos da próxima semana ou do outro mês. Ocorre na meteorologia, na política, na medicina, e até na sala secreta de madame Zoraide, que tudo-sabe-e-tudo-vê em suas cartas de tarô. Alguns são bem intencionados, outros são simplesmente vigaristas. Vendedores de ilusão. Mas uma coisa é certa: Seja sempre um pessimista em suas previsões. O retorno é garantido.

A dinâmica é realmente simples: Se as previsões ruins estiverem corretas, basta inflar o peito e sorrir com aquele ar vencedor, dizendo “Viu? Bem que eu avisei!”. Porém, se a futurologia pessimista não se confirmar, é igualmente simples: Diga que a melhora aconteceu porque ouviram seus conselhos e alteraram a gestão do problema a tempo, além de que – o principal! – caso não o ouvissem, o resultado seria muito pior. Sucesso certeiro com qualquer resultado.

É exatamente essa a atual situação do Brasil. Todo mundo agora é cientista, com soluções infalíveis para a pandemia “coronária” e seus reflexos. Fatos? Que se danem os fatos, essa chatice que impede as boas intenções de funcionarem, dando às más seu lugar merecido na tragédia que já faz parte dos nossos dias. Os fatos, inexoráveis, se tornaram uma espécie de versão, e vice-versa. Isso não é um País, é um hospício.

Não adianta peneirar: Todos os governantes, com as raras exceções de sempre, são culpados por essa insanidade que corrói o País em duas frentes: A derrocada sanitária e a falência financeira. Talvez seja realmente hora para derrotismo total. Bolsonaro cada vez mais perdido, inconsequente, grosseiro, abrindo a boca quando não deve e manipulado pelos malucos filhos numerados. O STF brincando de Deus, como sempre, bem ao feitio da cúpula do Judiciário. Governadores ameaçando os que saírem de casa com uma hecatombe, praticamente um ataque de zumbis prestes a ocorrer. João Dória, governador de SP, anunciou solenemente que, ou suas diretrizes são milimetricamente seguidas, ou haverá pilhas de cadáveres nas ruas. Bruno Covas, prefeito paulistano, não só endossa o exagero doriano como comprou 38.000 (!) caixões para uso exclusivo da capital; o número exagerado diz tudo sobre a teoria do pessimismo – ou da farra resultante da ausência de licitações durante a pandemia. O prefeito de Manaus, pregando o apocalipse há semanas, não revela que o número de vagas nas UTI manauaras é insuficiente há anos. Ex-ministro da Saúde do desgoverno Lula, Arthur Chioro, cravou alto: Um milhão de mortos no Brasil. Demência pura, terrorismo estudado. A Folha de São Paulo apresentou um estudo falso com o mesmo número de vítimas fatais, e nem pediu desculpas quando a mentira foi exposta. O site The Intercept, folhetim lulista de extrema-esquerda, chutou um número estranhamente preciso: 478 mil. Nem Belzebu sabe de onde tiraram essa canalhice histérica. Alguém cobra coerência deles? Jamais: O jogo agora é chamar de herói, de visionário, quem for mais alarmista.

Os pessimistas vivem a repetir que as UTI estão lotadas e a Saúde está à beira do caos, como se estivessem num padrão alemão nos últimos 30 anos. Os hospitais estão em colapso há décadas, mas agora repetem isso como uma novidade habilmente diagnosticada por analistas extremamente sagazes.

Na verdade, o pessimismo se tornou sinônimo de “ciência”; se você discorda de algum dogma ditado pela turma do confinamento, é imediatamente declarado um genocida terraplanista e ponto final. É o esquema Dráuzio Varella: Um médico e repórter nas horas vagas que foi espantosamente guindado à condição de “cientista” só por repetir frases feitas na TV, sempre com um pessimismo exponencial, típico de prazer mórbido.

Nessa crise não tem santo. Todos são culpados, em maior ou menor grau, do presidente aos prefeitos. E não adianta a esquerda delirante ou o bolsonarismo fanático jogar pedra. Ninguém apresenta um plano decente de combate à doença e de retomada da Economia. Sabem apenas apontar um futuro catastrófico para qualquer um que não siga fielmente suas diretrizes. Alegam saber tudo, mas não garantem nada. Cara de pau espantosa.

A situação lembra uma antiga piada: No meio de uma praça, um velhinho dançava nu, usando chapéu de Napoleão e jogando pipocas coloridas para o alto. Perguntado por um policial qual seria a razão daquilo, explicou que era para afastar os rinocerontes assassinos. Surpreso, o guarda disse que não havia ali nenhum rinoceronte assassino. Com aquele sorriso triunfal, o velhinho sacramentou: “Claro, meu método é infalível!”

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