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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Não conhece Douglas Leandro Clizesqui? Sem problemas. Ninguém conhece. Ele é pai de Douglas Murilo, uma das oito vítimas fatais no massacre da escola estadual em Suzano; o caso todos conhecem. Douglas pai está preso em Flórida Paulista e pediu para ir ao enterro do filho, assassinado pela dupla de monstros que aterrorizou a tranquila escola. Como preso, teria direito a se despedir do filho. Não pôde. Não havia escolta para levá-lo na viagem de 650 quilômetros até Suzano.

A LEP (lei de execuções penais) regula a vida do condenado durante o cumprimento da pena, até que pague sua dívida com a sociedade. Em seu artigo 120, prevê que o preso pode (atenção, PODE) acompanhar o funeral do cônjuge, filhos, pais ou irmãos. E só; a lista é taxativa. A lei não diz que o preso certamente irá, sob qualquer circunstância, ao funeral de seu ente querido. Então, Douglas pai, paciência. Há que se lamentar por seu filho, assassinado de forma cruel e covarde por dois monstros, mas você cometeu vários crimes e está pagando por ele desde 2010. Não seria possível deslocar toda uma força tarefa policial somente para você, numa distância tão grande, mesmo diante de um massacre de comoção internacional como o da escola estadual Raul Brasil. Triste, mas essa é a vida de um condenado à prisão no Brasil. Se a moda pega, o Brasil teria de bancar toda uma força aérea, um exército de escolta e uma imensa frota de veículos para levar e trazer presos de todos os cantos do País para participar de enterros. Simplesmente impossível, certo?

Mas nem sempre é assim. Não, senhor.

Curitiba dista 424 quilômetros de São Bernardo do Campo, em SP. Distância bem menor que os 650 quilômetros que Douglas pai topou percorrer num caminhão de presos para o último adeus a Douglas filho. Lula, preso na capital paranaense, conseguiu algo que a lei não prevê: Sair da cadeia para o funeral do neto. Essa situação simplesmente não existe no elenco taxativo da LEP. Mas Lula foi. Em avião cedido pelo governo do Paraná, e depois num helicóptero da polícia federal. Para esse deslocamento, o criminoso contou com um aparato de segurança digno de uma visita papal ou de um líder extraterrestre; muitos policiais garantiram seu adeus ao neto, e a abjeta cena de discurso sobre sua delirante “inocência”. O preso Lula, autor do maior desfalque de dinheiro público da história humana, não só foi favorecido por privilégios absolutamente inexplicáveis, nem ao menos sonhados por presos comuns, como ainda usou de forma absolutamente nauseante, revoltante, o cadáver de uma criança inocente para novamente se fazer de vítima diante de uma plateia de fanáticos cada vez mais reduzida.

O uso do funeral para alavancar Lula a qualquer custo ficou claro que seu ex-braço direito, Paulo Okamotto, chamou o velório de “festa”. Como disse meu amigo Carlão, o inconsciente traiu Okamotto. Pra quem não viu a imundície: https://www.youtube.com/watch?v=J6swFX_pBBc

Bom, nada melhor se poderia esperar diante dessa seita, dirigida com mão de ferro por um presidiário que ainda tem muita cana pra puxar.

Mas e os outros antigos defensores dos direitos dos presos? Dos direitos humanos, e de tudo que é sagradíssimo? Deviam se manifestar agora. Quando Lula solicitou sua saída, uma procissão dos melhores juristas do país guiou tese segundo a qual não só seria um direito “garantido” de qualquer preso (não é) como serviria de “exemplo” para que todos os outros engaiolados pudessem fazer o mesmo num momento tão triste. Em resumo, alegaram que faziam a defesa de Lula pensando mesmo nos mais pobres. O sarcasmo, bem como o riso, é livre, mesmo que reveladoramente involuntário como a “festa” de Okamotto.

Engraçado é ver todos aqueles defensores dos pobres caladíssimos diante da ausência de Douglas pai no enterro de Douglas filho. Onde estão os oportunistas defensores dos tais “direitos humanos”? Cadê as Marias do Rosário e tantos outros “lutadores da igualdade”, sempre em defesa das “vítimas da sociedade”? Parece que nesse caso todo mundo concorda que lugar de preso é na cadeia. Ou só às vezes?

Vitimismo oportunista só pode ser teatralmente utilizado pelo lulismo. O resto que se dane, procure seu advogado e vá chorar na cama do presídio. Esse é o recado da seita.

Nessas horas, os riquíssimos medalhões brasileiros que até anteontem bradavam por justiça “aos pobres” desaparecem sem pistas; por Lula, brandiam tratados internacionais, leis canônicas e o código de Hamurabi. Direito interplanetário foi ventilado, sem esquecer precedentes da justiça de Júpiter. Agora, sobra apenas a crueza da realidade. Incrível como, num caso como esse, até o mais aguerrido lulista, “defensor” das minorias só de fachada, quer mais é que pobre se exploda.

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