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Fernando Lopes - Iscas Politicrônicas -

Temer, ao contrário de Dilma, é um político experiente, com muitos anos de vivência no ramo. Daí o estranhamento acerca dos erros que vem cometendo, de forma infantil, na condução da política externa. Isso, apesar do fato inconteste que qualquer coisa é melhor do que a tragédia deixada pela antecedente dupla lulista que nos aliou a todas – atenção, TODAS – as ditaduras do mundo, distribuindo dinheiro do BNDES a quem desse um troco por baixo dos panos, em agradecimento ao maná que chovia nas hortas bolivarianas do mundo todo e que aqui faltava, durante o delírio lulista da erradicação da miséria. Ufa.

Enrolado até as tampas com explicações pouco convincentes sobre encontros fortuitos pela porta dos fundos (no bom sentido, claro) com gente que não vale o que come (no mau sentido, claro), Temer achou melhor dar um pião por aí do que ficar e explicar essas coisas chatas que teimam em sair debaixo do tapete, como os monstros imaginários (ou talvez nem tanto) surgem das mentes infantis.

O viajandão começou mal antes mesmo da decolagem rumo à Europa ao escolher a Rússia como primeiro país a dar o ar da graça; justamente quando os olhos estão pesadamente dirigidos ao presidente que tem muito a explicar (e mais ainda a convencer), talvez inutilmente, ante a quantidade de provas, deveria ter optado por um lugar que não fosse uma ditadura mal disfarçada. A pobre Rússia nada mais é que um quintal desse demente chamado Vladimir Putin, ex-agente do KGB que não larga o osso desde sua primeira vitória “eleitoral” em 1999. De lá pra cá, entre outras muitas barbaridades, arrebentou a Chechênia, anexou parte da Ucrânia, invadiu a Síria (que abriga a maior base militar russa no exterior) e ajudou a exterminar muitos de seus habitantes e vizinhos, sob o olhar imensamente agradecido de outro ditador nojento, seu amigo Bashar Al-Assad, ditador da Síria há 17 anos. Pra culminar, ambos resolveram bater de frente com os americanos, ressuscitando a Guerra Fria. Gênios.

Enfim: Fugindo dos problemas, Temer desembarcou dia esta semana num país onde a imprensa não é livre, os opositores do regime são presos às dúzias e manifestantes são massacrados como se fossem bandidos. Uma espécie de Cuba gigante com neve e vodka, camarada.

À espera de Temer no aeroportóvski, em lugar do presidente russo, ou o vice, ou algum importante ministro, normalmente de relações exteriores (como de praxe), estava um Zé Ninguémvitch; relegaram a missão a um mero funcionário de segundo escalão da diplomacia russa; uma humilhação declarada, em termos diplomáticos. Sinal evidente de que a visita não é benquista ou o momento é inoportuno.

Ok, Foi recebido pelo próprio Putin no dia seguinte. Este, sempre com aquela cara de serial killer à procura da próxima vítima; trocaram os elogios protocolares, falaram mal do colega americano  Donald Trump (esporte de todos os que não têm algo mais consistente a discutir, como uma espécie de variante tola à Lei de Godwin, segundo a qual toda discussão em Hitler como mau exemplo icônico). Ah, sim… Foram ao balé Bolshoi. Enfim, uma enorme perda de tempo, um desrespeito aos nossos principais parceiros comerciais (Argentina, EUA e outros) e apoio velado a um criminoso internacional que se acha presidente. Resumo da ópera: Tudo errado.

Ok número 2: De lá teve a decência de se dirigir à Noruega, esta sim uma importante e próspera democracia amiga, 8º maior investidor estrangeiro no País, mas… E os outros países, que mereciam muito mais uma visita dessas? Nada? Foi uma confirmação do erro na Rússia, seja ele político, econômico, social, estratégico. Como Dilma, sua antecessora e antiga chefa adorava fazer, atravessou a rua pra ir pisar na casca de banana.

Dos muitos Estados que formavam a podre e comunista Cortina de Ferro (na incomparável frase de Winston Churchill), a Rússia foi o único a voltar à ditadura depois da queda do muro de Berlim em 1989 e do esfacelamento soviético. E por um motivo muito simples: Também foi o único país que não depurou seu governo, não expurgou a máquina governamental dos assassinos deixados pelo comunismo. Daí, a ascensão de Putin, do KGB à frente do governo, foi um pulóvski.

E foi com esse cara que Temer preferiu “negociar”, sabe-se lá o que.

Estivesse visitando os lugares corretos, como os EUA e seu mercado faminto por produtos brasileiros, gerando divisas e empregos tão necessários, talvez os americanos não tivesse retaliado o Brasil com a suspensão de importação de carne fresca no dia 22, apenas dois dias depois da chegada de Temer à Rússia. Perdemos 28% do mercado exportador nesse ramo numa simples canetada. Pois é.

Os tolos que acreditem em coincidência, e sejam felizes. E Temer escolha melhor suas visitas – tanto as recebidas quanto as feitas.

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