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Gustavo Bertoche - É preciso lançar pontes. -
Amigos, a nossa alienação nunca está onde nós acreditamos que ela esteja: a nossa alienação está justamente onde temos certeza de que enxergamos a realidade.
 
Digo isso porque percebo, em boa parte do campo crítico do qual participo, a incorporação da agenda ultraliberal: desde a queda do Muro, os metacapitalistas têm sequestrado cada vez mais a agenda das esquerdas. É impressionante como estamos adotando, sem nenhuma crítica, a ideologia dos nossos adversários; estamos defendendo as teses ultraliberais como se fossem a expressão da própria realidade.
 
* * *
 
O liberalismo não é, em primeiro lugar, uma doutrina política nem econômica. Essas doutrinas são subordinadas à sua metafísica, à metafísica sobre a qual se constrói a ideologia liberal.
 
A metafísica liberal é a da primazia do indivíduo diante de toda a coletividade. A essência do liberalismo está da afirmação da soberania do indivído. O fundamento da ideologia liberal é o egoísmo, o egocentrismo, a egolatria. O projeto liberal é o de tornar os indivíduos progressivamente independentes de todas as relações de classe, de religião, de família: é o projeto de atomizar o indivíduo, de fazer dele um átomo solto no vazio do universo, sujeito somente às suas próprias regras – desde que não violem a propriedade dos outros indivíduos.
 
Na visão de mundo liberal, o indivíduo deve ser essencialmente livre para definir o que deseja ser para si mesmo e para os outros. Não é o seu meio – social, profissional, religioso, familiar – que o constitui: o indivíduo é autoconstituído. Este é o lema implícito em todo o liberalismo: é o “eu” quem decide, é o “eu” quem estabelece. O “eu” não tem nenhuma predeterminação: ele se autodetermina enquanto age. Não é outra a raiz daquela ideologia norte-americana do “self-made man”, o homem que constrói tudo o que tem com o seu esforço, acreditando nada dever a ninguém, e depender somente de si. E há muitas outras ideologias constituídas a partir dessa visão de mundo fundamentalmente ególatra.
 
* * *
 
A metafísica liberal não é particularmente recente: podemos encontrar os seus primórdios já em Diógenes de Sinope, no século IV a.C. Para Diógenes, a vida social não é autêntica, e por isso é preciso rir – e cuspir – na sociedade, abandonando as convenções e vivendo de modo autônomo. A metafísica liberal está antecipada também em ambos os pólos da discussão metafísica do século XVII entre os racionalistas e os empiristas. Tanto Descartes quanto Locke supunham, independentemente do meio pelo qual se pode conhecer as coisas, uma substância a priori (com algumas marcas, para um; toda vazia, para o outro) que era o centro de recepção de todas as experiências, tanto mentais quanto sensoriais. Ambos eram, em suma, idealistas – e Berkeley simplesmente chegou às últimas conseqüências: somente podemos falar do mundo a partir das impressões que temos na mente. Não é à toa que o principal problema metafísico, tanto na filosofia de Descartes quanto na de Locke, é justamente a relação entre o mundo mental e o mundo fora da mente, que somente pode ser indiretamente acessado por meio das impressões cognitivas, isto é, internas.
 
De fato, o indivíduo da sociedade pós-capitalista acredita, num reflexo distante das teses de Descartes e Locke, que tem experiências da realidade quando explora a sua própria subjetividade (como, aliás, explica o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han). O mergulho em si mesmo, as experiências privadas do próprio self, solitárias e subjetivas, são entendidas pelo indivíduo do nosso tempo como as verdadeiras – e únicas possíveis – experiências da realidade.
 
* * *
 
Ora, amigos, se o indivíduo pode se autodefinir e escolher livremente a sua identidade, ele se torna parte, em última instância, de uma classe de um só: ele é tanto mais autêntico quanto mais atomizado for. Conseqüentemente, ele se liberta de todos os impedimentos que decorrem da consciência de classe, de meio social, de religião, de família. O parâmetro de valor se subjetiviza: uma experiência tem tanto mais valor quanto maior for o seu poder de autodescoberta, de autorrealização, de autosatisfação.
 
Em outros termos: o indivíduo da sociedade pós-capitalista é guiado unicamente pelos seus próprios impulsos e desejos subjetivos.
 
* * *
 
E com isso o indivíduo absolutamente livre, o indivíduo sem amarras, se torna o consumidor puro. Ele não tem entraves sociais: somente deve obediência aos seus próprios desejos.
 
O consumo é erótico; o império do metacapitalismo ultraliberal é o império do Eros, mas também o império do Narciso, porque nele o Eros satisfaz a si mesmo diante do espelho. O indivíduo se possui e consigo dá vazão aos seus desejos eróticos à medida que se torna um puro consumidor, um conscumidor sem consciência: ele vive para consumir.
 
Vivemos no reino do ultraliberalismo, amigos. E muitos dos participantes do campo crítico, muitos dos que juram compor a vanguarda da esquerda, estão, de fato, na vanguarda do ultraliberalismo, na vanguarda do metacapitalismo.
 
* * *
 
Para concluir, eu me lembro de uma ocasião em que participava de uma reunião de pesquisa de pós-graduação num instituto na UERJ. Uma mestranda, investigadora da questão de gênero, relatava que havia recebido o financiamento da Fundação Ford para a sua pesquisa – ela estava surpresa porque não esperava que o seu projeto fosse aprovado. E concluía: “é incrível como o metacapitalismo está financiando pesquisas que vão contra o próprio sistema liberal-capitalista”.
 
Ela era ingênua. Na verdade, o que estava acontecendo era justamente o contrário.

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